8 comentários em “Oralidade e cultura popular na escrita de José Saramago

  1. É uma tolice o que disse Luiz Fernando em seu comentário, fruto talvez de certa imaturidade advinda da pouca idade ou inexperiência, além da pressa em defender determinado ponto de vista reacionário, o que é perdoável, mas não justificável em uma ótica da análise do discurso, que revela no mínimo uma pretensão e arrogância perceptíveis em sua própria linguagem empolada e preciosista (mas com falhas comunicativas em ortografia, pontuação, coerência e, principalmente, clareza) que não considera, por exemplo, o fato de a língua verbal escrita é um sucedâneo da língua verbal oral.

    Estudos de Linguística, Narratologia, Antropologia e Semiótica, além de outras disciplinas afins, como a História, poderiam auxiliá-lo a compreender que em um texto narrativo é deveras importante a instância do narrador. Talvez aí, após contato com estudiosos como Propp, Barthes, Lévi-Strauss, e leitura efetiva das obras deles, seja possível não dizer tamanha bobagem, como o seu “comentário”compilado abaixo, principalmente esta:”Aconselho que se saiba o que significa dizer”. Será que o autor poderia parafrasear o que tentou dizer, esclarecendo o que escrevinhou, inclusive para seu próprio entendimento?
    Segue o que ‘tentou’ dizer o LF:

    Não prosseggui lendo após esta arbitrariedade grotesca: ” Todo dito se destina a ser ouvido”.
    Absolutamente errado. O Dito simplesmente estende. É o logos. Ou o Sagen alemão. Faz-se matéria e ” habita”. Aliás, ouvir… Que é ouvir? O que se ouve é a própria mensagem de forma invertida.
    Sinceramente, não me agrada os meandros intelectuais de Saramago. Mas…há quem goste. Tudo bem. Aconselho que se saiba o que significa dizer.

    Que “significou dizer” Luiz Fernando ?

  2. Professor Walter Praxedes, parabéns pelo artigo. Trata-se de uma valiosa contribuição para a nossa literatura brasileira e portuguesa.
    José Saramargo faz a sua literatura exercer a função social de que tanto falamos nos nossos discursos seja em sala de aula ou em outros espaços de debate. E, acredito que o fez como o nosso Guimarães Rosa na prosa. Ambos tornaram vivos em suas obras os falares do povo. José Saramargo é sem dúvida representante ilustre desta geração de romancistas – não vou dizer “moderno” porque questiono o que vem a ser o “moderno”, mas a identidade de todo um povo além de nutrir em seu discurso o amor pela nossa Língua e o amor pela sua terra natal, posto que em todos os paises que visitou soube ser essa realidade de que estamos discutindo. Obrigado pelo espaço que me foi proporcionado.

  3. José Saramago é sem duvida um dos grandes escritores da lingua portuguesa, mas em Portugal há muitos anticorpos contra ele porque incomoda muita gente sobretudo os mais poderosos que percebem bem como ele foi revolucionario e então procuram depreciá-lo. Como a escrita de Saramago não é fácil , aproveitam e tentam mostrar que não tem valor literário. E estou a incluir nos que o procuram depreciar como escritor muitas pessoas de esquerda ou pelo menos não conservadoras. A direita nem se fala, ainda no funeral de Saramago, o presidente da republica, o, a todos os níveis, medíocre Cavaco Silva, teve o desplante de não comparecer e de se fazer represenatr por um subalterno qualquer.

  4. Não prosseggui lendo após esta arbitrariedade grotesca: ” Todo dito se destina a ser ouvido”.
    Absolutamente errado. O Dito simplesmente estende. É o logos. Ou o Sagen alemão. Faz-se matéria e ” habita”. Aliás, ouvir… Que é ouvir? O que se ouve é a própria mensagem de forma invertida.
    Sinceramente, não me agrada os meandros intelectuais de Saramago. Mas…há quem goste. Tudo bem. Aconselho que se saiba o que significa dizer.

  5. Caro Praxedes,

    Parabéns pela sua análise e percepção da obra de Saramago.

    Tive o privilégio de conhecer José Saramago, da mesma forma que estudar seus textos a ponto de montar a minha dissertação sobre dois livros do escritor.

    José Saramago, sem dúvida alguma retratou o povo português em seus escritos pela sua própria identidade nacional. Parece-nos óbvio, uma vez que estamos falando do povo português e de um escritor português.

    Entretanto, em suas obras, a identidade portuguesa é construída pelo próprio povo português, da mesma forma que tal identidade se constitui à medida que se identifica com ela mesmo. Entendo, assim, ser este percurso que forma o retrato da identidade nacional, da cultura portuguesa, bem como a representação da importância da literatura, nesta identificação, e a sua formação dentro do quadro histórico nacional português.

    José Saramago em seu discurso em Estocolmo disse:

    “Muitos anos depois, escrevendo pela primeira vez sobre este meu avô Jerónimo e esta minha avó Josefa, tive consciência de que estava a transformar as pessoas comuns que eles haviam sido em personagens literárias e que essa era, provavelmente, a maneira de não os esquecer, desenhando e tornando a desenhar os seus rostos com o lápis sempre cambiante da recordação, colorindo e iluminando a monotonia de um quotidiano baço e sem horizontes, como quem vai recriando, por cima do instável mapa da memória, a irrealidade sobrenatural do país em que decidiu passar a viver”. (José Saramago)

    Saramago é, sem dúvida alguma, uma paixão, uma identidade, um literário que amava e representava tão bem o seu povo com suas narrativas tão próximas de todos.

    O viajante volta já ele dizia:

    “O fim de uma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já”.

    E, é justamente na questão Saramaguiana de mostrar esta identidade, que o faz diferenciado. Porque em sua escrita encontramos também a prática funcional da literatura com o papel de representação do real. Esta representação, no entanto, é feita de um modo especial, uma vez que o real não pode ser plenamente representado em um plano unidimensional por ter uma natureza distinta, pluridimensional.

    Afinal, ele nunca separou o escritor do cidadão;

    “Eu nunca separo o escritor do cidadão. E isto não significa que queira converter a minha obra em panfleto. Significa que não escrevo para o ano de 2427, mas sim para hoje, para as pessoas que estão vivas. O meu compromisso é com o meu tempo. [...] Um livro não é constituído apenas por personagens, situações, lances, peripécias, surpresas, efeitos de estilo, exibições de técnicas narrativas- um livro é sobretudo o que, nele, puder ser encontrado e identificado com o seu autor. SARAMAGO, José. José Saramago: A Consistência dos Sonhos. Cronobiografia, Lisboa, 2008.

    Gislaine Becker
    Professora das Literaturas brasileira e portuguesa
    Professora Doutoranda em Ciências da Educação
    Faculdade de Ciências e Tecnologia
    Universidade Nova de Lisboa
    http://illustramus.blogspot.com

  6. Nunca imaginei que a forma dele escrever tivesse relação com a oralidade e não com a escrita. Gostei! Aprendi mais uma. Quando li a Intermitência da Morte fiquei perdido com a forma do romance, mas agora entendo.

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