A crise da identidade do Ensino Superior em África

maloapor Joaquim M. Maloa*

Aí vão alguns pensamentos sobre a justificação que leva muitos académicos a afirmarem que o  Ensino Superior em Africa esta em crise. Paul Tedega, um Sociólogo e economista camaronês, afirmou na sua obra intitulada “Enseignemet Supérier en Afrique Noir Francophone:La Catrastrophe?(1988)”, onde caracteriza o Ensino Superior em Africa Fracofona como um ensino sem nível, com sistema de unidades de credito  mal orientado ou ultrapassado, com um alto nível de reprovações e insucesso escolar, sem sistema de pesquisa consolidado, com professores a praticarem corrupção, com magnífica cumplicidade de estudantes e seus familiares e ( pior ainda). Na verdade esta obra causou muita polémica no seio académico africano, pareceu-me uma maneira arrogante de caracterizar o Ensino Superior africano. Mesmo a reunião regional preparatória da última conferência Mundial sobre o Ensino Superior, realizado em Dakar, em Abril de 1997, aprovou as teses do Sociólogo e economista Tedega, reafirmando que o Ensino Superior africano esta em crise Estrutural e Conjuntural. Vou apenas nomear alguns que eu acho muito importante, que são os seguintes: Desequilíbrio entre as capacidades instaladas e aumento do número de estudantes; deterioração das infra-estruturas e falta de manutenção, falta de orçamentos destinados a pesquisa; desequilíbrio no género, com a prevalência de estudantes do sexo masculino, desequilíbrio entre a actividade de ensino e actividade de pesquisa ( em detrimento da última), insuficiência de planificação e da gestão provisional das actividades de ensino superior e da investigação; orientação dos programas de ensino fazendo ênfase na transmissão e restituição dos saberes em detrimento do saber-fazer e da resolução dos problemas da sociedade. Na mesma perspectiva, Bureau Régional Pour I´ Éducation en Afrique (BREDA), reconhece a crise do Ensino Superior em África. O professor Doutor Thandika Mkandawire vai mas longe ao afirmar que as Universidades africanas perderam a sua razão de ser aos olhos do Estado e do público. Mas na verdade esta crise esta ligado ao reconhecimento do Ensino Superior africano e no descréditos dos diplomas dos quadros formados em Universidades africanos. Para terminar a minha reflexão vou usar as palavras do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, estamos na presença de uma tripla crise. Primeiro a crise de hegemonia « na medida que a produção de conhecimento cientifico das Universidades africanas é posto em causa»; Segundo a crise de legitimidade « na medida que a altos níveis de reprovações e dos descréditos dos diplomas, como por exemplo, muitos diplomados africanos trabalham como taxistas e vendedores ambulantes em Dakar,Doula, Kinshasa e Abdja (Tedega,1988); e a crise institucional, nesta última vou socorrer-me na opinião do Professor Doutor Manuel Carrilho, de que as Universidades africanas perderam  a sua missão.

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* Licenciado em Sociologia, pela Universidade Eduardo Mondlane e Membro do Centro de Pesquisa e Promoção Social- Moçambique, Cidade de Lichinga.

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7 comentários sobre “A crise da identidade do Ensino Superior em África

  1. Meus caros;
    Creio ser este artigo do ensino superior na África um aviso.
    Estamos ignorando, há muito, o que vem ocorrendo aqui na nossa terra. Possuimos um pequeno número de universidades de qualidade,onde uma pequena parcela da população possui acesso, enquanto há uma infinidade de universidades genéricas, as quais, cometem verdadeiras atrocidades.
    Explico, fiz parte do curso de ciencias sociais na PUC-SP e não possuindo condições financeiras para concluir meu curso, resolvi por cursar história em uma “universidade” genérica, o que assisto todos os dias é a banalização do ensino, simplesmente uma continuação do colegial ou mesmo uma formação de mão de obra barata.
    Estou vendo, estou vivendo isto todos os dias. O ensino superior foi formatado, massificado e banalizado. É de grande urgência que este assunto seja discutido, pois, o que foi feito com nosso ensino de primeiro e segundo grau está sendo coroado nas universidades.
    Até quando vamos continuar nos enganando e permitir que o povo continue a ser enganado. Possuimos dois tipos de universidade neste país, a de quem pode pagar por ensino de qualidade e a dos excluídos.
    Isto não pode continuar.

  2. caro Maria de Lurdes Mattos Dantas Barbosa, acho que a o prtunidade conta muito, em qualquer estrutura social, mesmo os africanos graduados tem falta de oportunidade, mas em Africa precisa-se de muitos quadros formados, mas o mais grave é que os seus diplomas muitas das vezes não são reconhecidos, os africanos precisam de ter Universidades fortes que dão oportunidade de pensar para além da sua propria existencia citando Marx” que não é a consciencia que determina a sua propria existecia, mas e a existencia que determina a sua propria existencia”.
    Concordo que é um tema muito interessante que merece ser aprofundado numa Dissertação de Mestrado ou Tese de Doutoramento” o porque as oportunidades estão cada vez a ficar muito escassa, para alguem que faz o ensino superior? será que o ensino superior perdeu tanto valor para a sociedade? ou será que existe muitos formados? Talvez ateoria Funcionalista da analise sociologica possa dar um sentido a esta indagação.
    Muito obrigado pela sugestão.

  3. É de suma importância a reflexão sobre a situação do Ensino Superior em África. Aliás, saber, refletir e comentar sobre o ensino de forma geral , em qualquer parte do mundo, oportuniza para nós, avaliação de como anda o nosso ensino também aqui no Brasil.
    Conheço muitas pessoas graduadas e até especialistas que trabalham em supermecados e lojas…Faltam oportunidades!

  4. Muito discupla pelo atraso nas resposta, ando a fazer umas pesquisa que me leva muitas as vezes a ficar fora da cidade.

    mas uma vez obrigado pela sugestão um abraço ao grandes cometraios de ANTONIO SALES EMARCOS GONZAGA.

    meu muito obrigado

  5. O problema não advem de excesso de formados no mecado, que neste caso um aspecto positivo, ou se seria por questões econômicas ou culturais que o mercado não absorve esse profissional. Mas trago ao longo do texto a crise do reconhecimento dos diplomas do ensino superior Africano por parte dos governos e agencias internacionais.

    as universidades perderam a razão de ser ou ainda não conquistaram o seu espaço? a historia das universidades africanas data do século XVII, as universidades africanas ja foram muitos fortes, mas agora com a politica de expação que não se mede o que vai se dar a sociedade, poem em crise o que ecomomista licenciado ou bacharel vai fazer no mercado de trabalho se não teve contactos com obras de autores apenas so teve apontamentos dos professores, esta crise é (in) visivel por nos ca da terra africa e gostaria de submenter mais a uma analise critica em conjunto para termos umas conclusões mais aprofundada, de varios factores que nos possa fazer chegar mais no profundamento da questão e o sistema africano do ensino superior esta mais longe de antigir o sistema brasileiro.
    Gostaria de ter acesso ao artigo todo, mando ai o meu endereço electronico para mais sugestão e criticas muito obrigado Marcos Gonzaga e Antônio Sales.

    kakymaloa@yahoo.com.br

    Sou licenciado em Sociologia pela Universidade Eduardo Mondlane, Membro do Centro de Pesquisa e Promoção Social- Moçambique, Cidade de Lichinga.

  6. Faltou mais esclarecimentos neste resumo sobreo motivo de terem taxistas com formação em nível supeiror: se por motivo de excesso de formados no mecado, que neste caso um aspecto positivo, ou se seria por questões econômicas ou culturais que o mercado não absorve esse profissional. O autor focaliza apenas o nível de ensino e pesquisa das universidades como este fosse o único fator, embora ele fale do aumento do número de estudantes. Essa informação superficial do aumento do número de estudantes não permite uma análise e contribui para que suponhamos permite que haja outros fatores masi relevantes do que o nível.
    Por não conhecer a realidade africana não temos condições de avaliar a resistência cultural em aceitar um formado no mercado de trabalho.
    Por outro lado, a crise é da educação supeiror ou da sociedade como um todo? Será que a sociedade africana não está se redefinindo a partir da independência recente de alguns países e o tempo não é suficiente para que a universidade se posicione? Dito de outro modo:
    as universidades perderam a razão de ser ou ainda não conquistaram o seu espaço?
    Gostaria de ter acesso ao artigo todo

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