O “poder invisível” do mercado

por Antônio Inácio Andrioli*

“Essa globalização, que vem sendo edificada com base em tendências imanentemente sociais, é igualmente produto de uma política que reforça essas tendências e as aproveita porque elas se prestam aos seus interesses” (Pierre Bourdieu)

Muito tem sido falado sobre o mercado e seu domínio sobre a sociedade. Especialmente com a ampliação do livre comércio, que possibilitou uma até então inimaginável especulação financeira, cresce a crença num assim chamado “poder invisível” do mercado. O Estado de bem-estar social e a democracia são mundialmente apresentados como obstáculos à “ordem econômica”. Governos devem possuir sempre menos poder, especialmente nos “países em desenvolvimento”, de forma que os investidores não temam em investir seu dinheiro ali. Aliás, o dinheiro especulativo, que representa 90% do dinheiro que diariamente circula pelo mundo, é denominado como “ajuda” e aceito como decisivo fator de desenvolvimento. Para que os governos possam ser bem credenciados a “atrair” investimentos, eles devem oferecer uma alta taxa de juros, com os quais seus países se tornem mais “atrativos”. Nisto estão incluídos a privatização de empresas, a queda de impostos, o racionamento do crédito e o combate à inflação como pressupostos para a “atratividade” do mercado. Mas, afinal de contas, quem decide sobre o mercado?

Assim como nos anos 90 a globalização fôra aceita como inevitável, agora é aceito o argumento de que nenhum governo pode renunciar aos investimentos especulativos. Se um governo pretende renunciar à especulação, já se assinala um quadro de caos, porque os especuladores, então, tirariam seu dinheiro do país e poderiam investí-lo em outro. A única alternativa dos governos seria oferecer as melhores condições aos especuladores e esperar que o dinheiro, de fato, seja investido em seu país. Através desta concepção, os especuladores já possuem mais poder que os Estados Nacionais e podem, inclusive, influenciar eleições, apoiando candidatos que a eles melhor se adaptem.

No Brasil, por exemplo, George Soros, um dos maiores especuladores do mundo, se pronunciou a favor de Serra, candidato do atual governo, ao afirmar que uma possível vitória da oposição significaria o caos. “Ou Serra ou o caos” serviria para mostrar que o povo brasileiro sequer teria outra alternativa a não ser a de concordar com os “interesses do mercado”. A ameaça é tão forte que Lula, candidato da oposição, se sente obrigado a se adaptar sempre mais ao mercado e não expressar nenhuma opinião que possa ocasionar uma “fuga de investimentos”.

Já é de notar que por detrás da concepção de supremacia do mercado estão escondidos interesses políticos que, claramente, confrontam com os interesses das nações. Mas por que os governos têm feito tão pouco contra isso? Eles possuem realmente tão pouco poder diante do crescente mercado especulativo? Podemos partir do pressuposto de que sem decisões políticas o mercado especulativo nem sequer existiria. Instituições internacionais foram criadas, reuniões de chefes de Estado aconteceram e regras foram acordadas para que o livre comércio pudesse ser ampliado. Os governos que apoiaram estas instituições e regras são responsáveis pela atual situação. Mas, exatamente estes governos, agora que os problemas sociais já são tão visíveis, procuram responsabilizar o mercado pelas suas próprias decisões. Se não existissem regras seria impossível negociar, porque todos os negócios dependem de regras. Sem obediência e aceitação das regras, nenhum investidor ou comerciante está seguro de que será pago, o que pode comprometer a lógica do mercado.

Como não existe mercado sem regras, as decisões políticas são responsáveis pela manutenção ou mudança da situação econômica. Mas a política é influenciada pela economia e, normalmente, os governos são tão subservientes que os interesses do capital são simplesmente aceitos como interesse do Estado e nem sequer ainda são limitados pelos governos. Isso significa que não basta ter governos ou reforçá-los; é necessário que a população em geral se organize politicamente na sociedade civil, que troque governos e que os coloque sob pressão quando confrontam os interesses públicos.

Por detrás do poder do mercado estão, evidentemente, os interesses do capital, que procura cada vez mais decidir a política dos países a favor de seus privilégios. Apesar desse poder ser apresentado de forma ideológica como um sistema autônomo, ele só é tão significativo porque existem governos que consentem aos interesses do capital e porque, nos últimos dez anos, os movimentos sociais recuaram sensivelmente. Mas já há sinais de uma resistência política. O surgimento do movimento internacional de crítica à globalização neoliberal, o qual muitos nem poderiam imaginar na década de 90, é uma demonstração de que a humanidade não se adapta tão simplesmente à lógica do mercado, especialmente porque esta lógica aprofundou a desigualdade social e não vem ao encontro aos interesses da maioria. Novamente fica claro que democracia e liberdade não são uma oferta do mercado ou do Estado e que somente poderão ser alcançadas através da sociedade organizada.

 


* Professor do Mestrado em Educação nas Ciências da UNIJUÍ – RS e da Universidade Johannes Kepler de Linz (Áustria). Doutor em Ciências Econômicas e Sociais pela Universidade de Osnabrück (Alemanha).

Publicado na REA, nº 14, Julho de 2002, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/014/14andrioli.htm

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9 comentários sobre “O “poder invisível” do mercado

  1. Muito bem, o seu artigo foi escrito e comentado em 2009. O Brasil atual, mergulhado no fracasso, mostra quem estava certo, o “ilustre” professor, com mestrado em Educação nas Ciências e doutorado em Ciências Econômicas e Sociais ou eu, um engenheiro (UFRRJ) e administrador (UFPR)?

    E o Brasil não é um caso isolado, a Venezuela e a Argentina ilustra bem como os liberais estão certos e a pervertida mentalidade de esquerda leva uma nação ao fracasso.

    Quanto ao comentário da Regina, ela de certa forma está certa, o fundamental é observarmos o princípio da saubsidiariedade e olharmos menos para o “gigante” estado. Mas esta é uma visão liberal, essencialmente liberal.

    Quanto ao Búfalo, ele deve estar bufano, o artigo que ele achou um bom artigo, é de fato bom, mas o conteúdo, ideologicamente falando, é ruim. Leva ao fracasso.

  2. Boa tarde estou curssando gestão empresarial e gostaria de um artigo ciêntifico sobre esse texto,obrigado.

  3. Caro Professor,

    seu artigo parte de premissas erradas, sem a necessidade de citar inúmeros autores d escola austriaca de economia, como von Mises, por exemplo, seu texto desconsidera o princípio da subsidiariedade, principio que norteia a defesa da liberdade que os liberais fazem.

    Abraços,

    Gerhard Boehme

  4. Como é possível que alguém com tantos títulos e postos em universidades daqui e dalí nos faça perder tempo com platitudes desprovidas de qq novidade , nem mesmo uma leiturazinha do Polanyi, um texto de 1930, ele parece ter feito. Isso é indigência intelectual.Ou marxismo vulgar. O que dá no mesmo, mas que continua fazendo grande sucesso nas faculdadas de Educação.

  5. “Todos nóis somo muito conservadores. Não é apenas as direita que é conservadora. Do ponto de vista das reformas, as esquerda também tem comportamento muito conservadores porque, às vezes, a gente não quer mudar nada. As pessoas têm medo de mudança, têm medo do novo.” (Luiz Inácio da Silva – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social)

    Até mesmo o atual ocupante do Palácio do Planalto, que pouco fez para mudar o país reconhece o mal que existe dentro do conservadorismo de uma esquerda burra e sindicalista. Nenhuma reforma foi feita em seus quase sete anos de governo, não fez a Reforma Universitária, não fez a Reforma Previdenciária, não fez a Reforma Trabalhista, não fez a Reforma Tributária, não fez …. e não fez.

    Eu busco a criatividade e a inovação, dedico parte do meu trabalho a esta questão, no campo privado defendo a monarquia, e nisso não há atraso algum, muito pelo contrário, se você olhar para o mundo verá que, retirando os países federalistas (Estados Unidos, Alemanha, Áustria e Suíça), são nas monarquias que você encontrará o que há de mais inovador e desenvolvido no mundo, incluindo dentre eles a Austrália, Canadá e Nova Zelândia, que nunca quiseram optar pela República, por reconhecerem nela seus problemas.

    Pelo visto você confunde tradição com algo ultrapassado ou atrasado. Recomendo que leia ao artigo anexo.

    Quanto aos liberais e os conservadores, merece um debate.

    Os liberais acreditam que o Estado foi criado para servir ao indivíduo, e não o contrário. Se nisto podemos ver algo de atrasado, seguramente pode ser antigo, é da natureza humana a busca pela liberdade.

    Os liberais, no campo econômico, colocam como fundamental a 1) liberdade pessoal de escolhas – com total liberdade, que no geral inclui, liberdade para escolher o próprio caminho; o trabalho, as amizades, o lazer, a busca da felicidade e poder realizar sem restrições o plebiscito diário de optar por fazer isso ou aquilo, de optar por adquirir este ou aquele produto ou serviço, fazendo com que aqueles que o prestam ou o produzam o façam satisfazendo a todos os requisitos impostos, sem privilégios. As únicas restrições a essa liberdade começam pelo direito do outro, passa pela responsabilidade individual, que contempla para nós o ser cristão e viver como cristão, passa pela fiel observância ao princípio da subsidiariedade, encontra limites no Estado de Direito e na Democracia. 2) Intercâmbio voluntário; 3) liberdade para competir em todos os campos, através da valorização do empreendedorismo em especial; e 4) segurança da propriedade privada. E podemos entender que a vida, a liberdade e a propriedade podem ser sinônimos quando observadas segundo a Filosofia da Liberdade: http://isil.org/resources/introduction-portuguese.swf

    Conservadores, como são conhecidos na Inglaterra, ou mesmo nos Estados Unidos, como tivemos no Império, quando o poder político se dividia entre os liberais e conservadores, e os liberais encontram-se em campos opostos. O grau de oposição em cada caso concreto depende naturalmente do tipo de conservadorismo e do tipo de liberalismo em causa, mas é inequívoco que há importantes divergências filosóficas entre os dois campos. Os conservadores tendem a valorizar mais a estabilidade, o presente e o concreto enquanto que os liberais tendem a ser mais abertos à mudança (mas não a qualquer mudança) e a fazer depender o seu apoio a uma determinada instituição do contributo desta última para a liberdade individual.

    “E a monarquia constitucional teria evoluído para o Império federalizado, como desejava o Partido Liberal. Mas, partimos para a ruptura do bipartidarismo não obrigatório (Conservadores e Liberais) e para a República, elegendo logo dois militares que se transformaram em descumpridores da única constituição liberal que tivemos (a Provisória e a clonada de 1891)”. (Jorge Geisel – jorgegeisel@hotmail.com)

    É certo que há em muitos liberais, na linha de Hayek, uma disposição conservadora que os leva a valorizar a tradição e todo o conhecimento tácito nela acumulado. Esta disposição conservadora resulta de estarem conscientes dos limites da razão individual e justifica o seu cepticismo relativamente a todos os tipos de construtivismo social bem como a importância que atribuem às regras gerais de conduta, tão caras a Oakeshott. Os liberais conservadores estão abertos à evolução enquanto processo espontâneo e descentralizado mas desconfiam profundamente da mudança imposta por processos centralizados de “engenharia social”. No entanto, ao contrário do conservadorismo de Oakeshott, o liberalismo assume em várias matérias um caráter doutrinal (e, neste aspecto, o liberalismo clássico está mais próximo do liberalismo dito moderno do que do conservadorismo). Assim sendo, é de fato possível definir um projeto liberal motivado pela defesa das liberdades individuais através de uma ordem nomocrática e pela preocupação de limitar a intervenção do Estado na economia e na sociedade.

    Em primeiro lugar, dependendo do que se entende por haver Estado na educação, na saúde e noutros campos, grande parte dos liberais (clássicos) argumentaria que grandes males podem vir (e vêm) ao mundo como resultado dessa presença. A argumentação que eu uso é a eficácia e a eficiência, pois a melhor solução provavelmente se encontra no financiamento a cada contribuinte para aquisição desses serviços e não na prestação direta do serviço pelo Estado.

    Em segundo lugar, incluir Hayek e Rand na mesma família política é no mínimo contestável. A obra de Hayek insere-se numa linha liberal conservadora, que considera a tradição como um importante elemento civilizacional e olha com desconfiança as utopias racionalistas de onde quer que elas venham. Por outro lado, a obra de Ayn Rand e dos seus discípulos constitui uma filosofia autônoma, centrada no valor da Razão, e onde o liberalismo econômico e político (no caso de Rand, assumidamente radical) aparece como único sistema social compatível com a ética objetivista.

    Enquanto atitude, o conservadorismo é compatível (e até complementar) com o liberalismo hayekiano. O projeto liberal pode ser partilhado em muitos dos seus pontos por conservadores. Estes pontos de contacto são de enaltecer mas não devem ocultar as diferenças filosóficas que existem entre os dois campos. Os bons entendimentos exigem sempre uma clara percepção da diversidade das partes envolvidas.

    “Os esquerdistas, contumazes idólatras do fracasso, recusam-se a admitir que as riquezas são criadas pela diligência dos indivíduos e não pela clarividência do Estado.” (Roberto de Oliveira Campos)

    Mas se observarmos em termos políticos, o termo conservador se encaixa como uma luva para classificar os “de esquerda”, pois são justamente eles que defendem princípios ultraconservadores, contrários à evolução política ou social. São na sua essência contrários à liberdade, tanto no campo político, quanto no campo econômico.

    Quanto ao conservadorismo, recomendo dois excelentes textos:

    o O que é conservadorismo?

    o Liberais e conservadores.

    Você e todos esquerdistas atrasados e conservadores podem consultá-los através dos Sites:

    http://causaliberal.com.br/causaliberal/index.php?option=com_content&task=view&id=45&Itemid=25

    http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2007/02/liberais-e-conservadores.html

    Quem é mais conservador? Quem pensa hoje como pensava há 100 ou 30 anos ou quem pensa de modo diferente, que defende a liberdade, pois ela privilegia a inovação, a criatividade, à pesquisa, o empreendedorismo, a disputa livre e justa no mercado?

    Bem faça uma reflexão quanto ao uso de suas palavras, volta e meia os esquerdistas citam como adjetivo da classe média, o termo “classe burguesa”. Mas o que é ser burguês?

    Sou burguês!

    Burguês, sou sim, afinal moro em um burgo, que possui o mesmo significado que cidade em alemão e cujo termo foi levado para muitos outros idiomas, ou melhor, a definição certa é para algo menor, para uma povoação de certa importância, menor que cidade. Também se usa para definir o arrabalde de uma cidade ou vila. E vale lembrar que seríamos mais burgueses ainda se residíssemos em Nova Friburgo/RJ, Novo Hamburgo/RS, Felisburgo/MG e muito menos em Fraiburgo/SC, o que me faria mais burguês ainda. Ou em uma das centenas de cidades na  Holanda, Alemanha, Áustria, Suíça, Namíbia e nos Estados Unidos, assim como em muitas nas França e Bélgica, que também são burgos, até mesmo no nome. Temos até Burg que é um Cantão na Suíça. A palavra vem do alemão e significa uma povoação de certa importância, menor que cidade, a qual deveria ser dada prioridade no Brasil no sentido de eliminarmos a discriminação espacial, hoje um dos mais graves problemas brasileiros, senão o principal.

    Conservador é o PT: não muda nada, não inova nada, é sempre o “mais do mesmo” da mediocridade, do politicamente correto. Foram eleitos para mudar o Brasil, não fizeram “porra” nenhuma (desculpe-me o palavrão) a não ser corromper ou promover o nePTismo. Nem PAC e muito menos piriPAC. Não fizeram as reformas necessárias, e pior, se aliaram de forma vergonhosa ao velho clientelismo republicano, com seu mercantilismo sem mercado, temos agora o capitalismo de comparsas e o socialismo de privilegiados. Está aí a forma vergonhosa o apoio dado ao dono do Brasil, chefe do clientelismo nacional, o Sr. José Ribamar Ferreira de Araújo Costa.

    Acaso você já se perguntou: O que promove o desenvolvimento?

    De acordo com o pensamento liberal, o caminho da prosperidade depende da existência de instituições jurídicas capazes de assegurar o direito à liberdade, à propriedade privada e à busca da felicidade pessoal.

    Mas o que vem a ser um liberal? – Bem fui pegar a definição, não no Aurélio, acho que ele é popular-vulgar demais, empobreceu a língua portuguesa, tão bela e rica. Felizmente ele também a tornou mais acessível a muitos, tão distantes quanto ao uso de um bom português. Bem, fui pedir o apoio logístico ao Houaiss, vejamos o que ele diz:

    Liberal – 2. que convém a indivíduos livres (- aqui eu/nós nos enquadramos, lutamos pela liberdade…). 5. relativo à doutrina do liberalismo; que se baseia nessa doutrina. Ex: pensamento liberal (- embora eu não goste de me ligar a nenhuma corrente, de certo modo se aplica a mim também, pois compartilho dos valores liberais, entre eles, liberdade individual acima de tudo, em especial a oportunidade de ser recompensado pelo esforço próprio – fazer jus ao merecimento). 6. que ou o que preza a liberdade de opinião e de ação; que ou quem mantém o espírito aberto, tolerante; que ou aquele que não se deixa tolher por autoritarismos, ortodoxias ou formas tradicionais de pensar ou de agir (- que bela definição, tenho quase certeza que sou liberal de fato, mas vamos lá… posso estar enganado, são apenas palavras). 7. entusiasta ou seguidor da doutrina do liberalismo; liberalista ( – esse não sou, pois não sou entusiasta nem seguidor de nada, tenho pena daqueles que seguem pseudolíderes, como os socialistas, comunistas e nacional-socialistas. E nem o liberalismo é lá isso tudo pra entusiasmar alguém, sou entusiasta quando vejo que poderei me dedicar a uma causa justa, quando poderei agradar a pessoas que amo ou quando poderei conquistar novas amizades, ah… sou entusiasta quando posso promover uma mudança para algo melhor, sou entusiasta também, e porque não, quando se trata de ter uma recompensa financeira maior pelo meu esforço, muito mais gratificante, sou entusiasta pelas causas cristãs).

    Aproveitando que o dicionário em minhas mãos, consultei também o que lá encontramos o que vem a ser liberalismo.

    Liberalismo – 1. doutrina cujas origens remontam ao pensamento de Locke (1632-1704), baseada na defesa intransigente da liberdade individual, nos campos econômico, político, religioso e intelectual, contra ingerências excessivas e atitudes coercitivas do poder estatal.

    – Estas palavras realmente me cativaram, Liberalismo é isso mesmo, sem tirar nem pôr. O valor máximo do liberalismo é o indivíduo, ou seja, a liberdade do indivíduo em todos os seus campos de atuação. A razão de ser do governo é a defesa dessa liberdade individual, dela decorrente o princípio da subsidiariedade. A razão de ser de um governante é a de servir e não ser servido, idolatrado ou subjugar um povo.

    O individuo deve ter liberdade total na esfera privada e o máximo de liberdade possível na esfera pública. Como o poder é nefasto e corrompido, o governo deve interferir o mínimo possível na vida dos cidadãos. Sua função básica? Impedir que os cidadãos cerceiem as liberdades uns dos outros e garantir serviços essenciais que estejam fora do alcance dos particulares, como justiça, segurança pública, defesa e política monetária. O cidadão, teoricamente, pode fazer qualquer coisa que não ofenda a liberdade dos outros. O governo existe para garantir que isso não aconteça. Ou seja, o liberalismo é baseado em liberdade do começo ao fim.

    2. qualidade ou caráter do que é liberal, do que se funda na ou do que segue a doutrina do liberalismo, ou do que tem ou denota largueza de espírito. Ex.: (- naturalmente, como eu não penso em política ideológica, busco a largueza do espírito, principalmente em defender a vida e a liberdade).

    – Vejamos. Pra mim, nada é mais importante do que liberdade. Eu me considero liberal e considero que a filosofia política que prega a liberdade como valor máximo é, via de regra, a mais sensata, embora não funcione o tempo todo.

    “Ninguém poderá obrigar-me a ser feliz à sua maneira.” (Immanuel Kant)

    “Um conservador é um homem com duas pernas perfeitamente boas que nunca aprendeu a caminhar”. (Franklin Roosevelt)

    “We owe our freedom not to the state’s willingness to allow people and institutions to be free, but to the willingness of people and institutions to resist.” (Llewellyn Rockwell Jr)

    Na completa falta de argumentos embasados para refutarem o pensamento liberal, muitos membros da esquerda encerram qualquer debate sério partindo para agressões ad hominem e uso de rótulos simplistas e falsos. Além de “neoliberal”, que mal sabem explicar o que significa, mas serve para culpar até uma dor de barriga, temos o “conservador” como outra expressão bastante utilizada para agredir pessoas de direita, liberais, conservadores, etc.. Pretendo apenas questionar a “lógica” de tal acusação.

    O MST, por exemplo, com seus admiradores todos vindo da esquerda, pretende lutar contra qualquer avanço tecnológico no campo. Uma máquina agrícola capaz de reduzir o tempo de colheita e aumentar a oferta de alimentos, baixando seu preço, é uma inimiga típica dos que promovem a oclocracia através do MST. Por eles, ainda estaríamos com o campo dividido em comunas, verdadeiras favelas rurais subsidiadas pela esmola estatal, tirada dos que pagam impostos. Querem conservar o agronegócio na era da pá e enxada! São contra os transgênicos, avanço biotécnico que pode melhorar a produtividade agrícola. Não seriam os defensores do MST, portanto, os verdadeiros conservadores?

    Parte integrante da esquerda costuma ser os sindicatos também. Lutam para a manutenção de privilégios, tentando reduzir a competição livre na busca por empregos. São completamente contra a flexibilização das leis trabalhistas, preferindo manter um quadro inspirado em Mussolini, que vem desde a era Vargas. Não seriam os sindicalistas os verdadeiros conservadores? E ignorantes, pois devido a este modo de agir colocam hoje mais da metade dos trabalhadores na informalidade, impedem a entrada no mercado formal de trabalho os mais jovens e ainda concorrem para o aumento da criminalidade. E o fazem nas duas pontas, do lado dos potenciais trabalhadores que não optam pelo lícito. E muitos empresários, que para poderem competir, principalmente com produtos importados, sobre os quais o custo Brasil não é tão elevado, optam por não observar a legislação.

    Muitos românticos da esquerda condenam o “capitalismo selvagem”, cuja competição árdua acaba levando à falência os mais incompetentes ou ineficientes em agradar o consumidor. Defendem a “proteção” estatal para empresas rumo à bancarrota. A “destruição criativa” do livre mercado é condenada por eles. Em outras palavras, quando a Ford massificou o automóvel, levando à bancarrota os fabricantes de carroças, a esquerda estaria lutando para salvar esses fabricantes. Faria o mesmo, pela ideologia, quando o computador foi criado, trazendo desespero para os fabricantes de máquinas de escrever. E sem dúvida, pela “lógica” deles, teriam tentado barrar o advento da luz elétrica, para não gerar desemprego para os fabricantes de velas. Uma ideologia que busca nos conservar na era da luz de velas, máquina de escrever e carroças, não é a grande conservadora?

    Podemos citar as manifestações sindicalistas no ABC paulista contra os robôs, estes que vieram a dar melhores condições de trabalho nas atividades de soldagem, insalubres devido aos fumos metálicos, assim como melhor confiabilidade na produção dos veículos, redução significativa do número de defeitos e redução de acidentes.

    A esquerda prega sempre a “justiça social”, ignorando que não existe justiça sem ser social, já que Robson Crusoé, isolado numa ilha, não está sujeito ao conceito de justiça.

    Para esse objetivo abstrato, vale tudo, desde a defesa imoral de simplesmente estuprar a poupança dos mais ricos e distribuí-la, independente da meritocracia. São muito materialistas, já que não defendem o direito de um sujeito muito feio poder estuprar uma moça muito bela, que não quer voluntariamente ceder ao “charme” dele. Não defendem também que tentemos tirar saúde dos saudáveis para distribuir entre os enfermos, ou que façamos algo contra um gênio para reduzir a desigualdade entre este e um mentecapto. A luta é material mesmo! E para isso, defendem o uso do aparato estatal, que já consome quase metade da renda dos trabalhadores brasileiros. Brasília tem quatro vezes a média da renda per capita nacional, e os funcionários públicos recebem, em média, mais que o triplo dos funcionários privados. Mas a esquerda defende mais Estado. Isso não seria conservadorismo, lutando para manter essa exploração estatal?

    Por fim, acusam a direita de ser composta por um bando de ricos tentando manter o status quo, enquanto a esquerda seria formada por humildes operários. Curioso é que Karl Marx, o “patriarca” da esquerda, casou-se com uma aristocrata alemã, Jenny von Westphalen, descendente da alta aristocracia da Escócia e filha de um nobre. O próprio Marx pouco trabalhou, vivendo às custas das mesadas de seu companheiro de idéias, Friedrich Engels, que era filho de um grande burguês. Marx não tinha nada de proletário, e poucas vezes na vida esteve em uma fábrica. Já Lênin, um dos mentores do golpe bolchevista, era filho de pais abastados. Mao Tse-Tung, o líder comunista da China, era filho de um rico agricultor. O pai de Fidel Castro era um latifundiário que possuía oitocentos hectares de terras e arrendava outros dez mil. A respeitada revista “Forbes” estima que a fortuna de Fidel passa de meio bilhão de dólares. O ditador encabeça pela segunda vez consecutiva a lista dos “homens mais ricos do mundo”. Ele teria pelo menos 36 mansões, se locomove em comboios de Mercedes-Benz, e vendeu recentemente aos franceses a fábrica de rum Havana Club, embolsando na operação cerca de 50 milhões de dólares.

    Gabriel Garcia Márquez, amigo de Fidel, admitiu em entrevista que sua obra lhe proporcionava entre 350 e 400 mil dólares anuais. O escritor Saramago ganhou o prêmio Nobel de literatura, e juntou uma boa fortuna com a venda de seus livros. O líder do Partido Comunista italiano, Enrico Berlinguer, já falecido, descendia de marqueses catalães, e seu nome figurava no “Livro de Ouro da Nobreza Européia”. Leonel Brizola tinha um patrimônio avaliado em dois milhões de dólares já em 1986, representado principalmente por duas fazendas no Uruguai, com mais de 3 mil hectares, onde ele criava umas sete mil ovelhas. João Goulart, mais conhecido como Jango, era proprietário de 15 mil hectares de terra em São Borja, assim como um rebanho de 65 mil animais. Isso sem citar Niemayer ou Chico Buarque.

    A lista é infindável. Todos grandes expoentes da esquerda. Nenhum pobre, miserável e operário. O próprio Fórum Social Mundial custou cerca de R$ 18 milhões, em uma mega infraestrutura montada para receber gente do mundo todo. Nada comparado ao humilde XXII Forum da Liberdade (http://www.forumdaliberdade.com.br/fl2009/videos/) em Porto Alegre, que este ano teve o tema ‘Cultura da Liberdade’ e foi realizado nos dias 6 e 7 de abril, que nem merece destaque na mídia, realizado pelo esforço de alguns liberais. O de 2010 está programado para

    Quem desses, esquerda ou direita, será que luta pela conservação do status quo? Quem será que deseja manter um Estado inchado, extorquindo do povo para dar aos políticos? Quem será que pretende ganhar rios de dinheiro conservando um discurso utópico para as massas desesperadas? Quem será que aproveita a situação de miséria para vender sonhos, conservando assim a fortuna pessoal e a imagem de nobre homem? Quem é o grande conservador: o indivíduo da esquerda, ou como você define todos os que não comungam do atraso, “da direita”?

    Quem é o conservador: Eu ou você?

    Quanto as vantagens da monarquia, posso lhe fazer um tratado. Mas para pessoas como você, ou um dia amadurecem, como foi o caso dos comunistas Olavo de Carvalho ( http://www.olavodecarvalho.org/ ), Nivaldo Cordeiro ( http://www.nivaldocordeiro.net/ ) e mais de uma centena que conheço, ou fazem juz a frase abaixo:

    “As massas não buscam a reflexão crítica: simplesmente, seguem suas próprias emoções. Acreditam na teoria da exploração porque ela lhes agrada, não importando que seja falsa. Acreditariam nela mesmo que sua fundamentação fosse ainda pior do que é”. (Eugen von Böhm-Bawerk 1851-1914)

    Ludwig Von Mises foi profético em entender uma das razões do fracasso do socialismo na Europa e na Ásia, como também é hoje realidade na Venezuela, com sua pobreza crescente e o foi e é em Cuba. Ainda em 1920, Mises determinou por que o caos era inevitável sob o socialismo e explicou seu grandioso insight em um artigo para a Sociedade Econômica, “Wirtschaftsrechnung im sozialistichen Gemeneinwesen” [“Cálculo econômico na comunidade socialista”]. Sob o socialismo não havia mercados onde as pessoas revelassem suas preferências demandando bens e serviços, em seu plebiscito diário que um cidadão livre pode fazer em uma economia livre, fazendo com que os planejadores centrais, mesmo que eles se importassem, não soubessem especificamente o que queriam os consumidores. E sem preços de mercado para a miríade de fatores de produção, seria impossível calcular o custo de alternativas e organizar a produção eficientemente. “Só é possível apalpar no escuro”, escreveu Mises.

    Abraços,

    Gerhard Erich Boehme

    gerhard@boehme.com.br

    (41) 8877-6354

    Skype: gerhardboehme

    Caixa Postal 15019

    80811-970 Curitiba – PR

    Por que o socialismo não funciona

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    Álvaro Pedreira de Cerqueira

    alvaropcerqueira@uol.com.br

    Todas as doutrinas políticas prometem o bem-estar do povo, ou o que as esquerdas chamam de ‘justiça social’, conceito que ninguém consegue definir com clareza. Aliás, nem Marx nem seus seguidores jamais explicaram o funcionamento de uma sociedade socialista. Porém, Ludwig von Mises, economista e professor austríaco, em seu livro ‘Socialismo’, publicado em 1922, previu com acerto que o socialismo, se levado às suas ultimas conseqüências, não poderia funcionar, isto é, satisfazer a sua promessa de prover o verdadeiro bem-estar da sociedade. Isto porque, com o planejamento centralizado em lugar de um sistema de preços livremente estabelecidos pelo mercado, não poderia contar com esta ferramenta – os preços livres – indispensável para que os agentes econômicos possam determinar, com a menor margem de erro possível, o que produzir, em que quantidades e momentos. Somente uma economia de livre mercado, com a mínima intervenção do governo, oferece as condições para maximizar-se a produção e o consumo, mantendo elevada a taxa de emprego. Além disso, uma economia sadia para funcionar bem requer um sistema político assentado num arcabouço legal (constituição) que limite o poder de legislar dos políticos e da burocracia do Estado, e defenda os direitos fundamentais dos cidadãos, como o direito à vida, à propriedade privada, enfim, assegure a liberdade individual, vedando qualquer tipo de privilégio a quem quer que seja. Trata-se de um sistema em que prevaleça o governo da lei e não a lei do governo. Este corpo de leis fundamentais deve conter apenas os artigos que tratem destas questões fundamentais, deixando para a legislação ordinária outros detalhes de organização da sociedade. Mas a Constituição deve impedir também que a legislação ordinária conceda quaisquer privilégios a pessoas, grupos ou empresas.

    Na Inglaterra, um outro professor austríaco, ex-aluno e colaborador de von Mises em Viena, Friedrich Hayek, que receberia o prêmio Nobel de Economia de 1974, publicou em 1944 seu livro ‘O caminho da servidão’, confirmando a previsão de Mises de que o socialismo, mesmo moderado, acabaria levando a sociedade que o adotasse à tirania e ao fracasso econômico e social. O que se confirmou após quase trinta anos de governo socialista do Partido Trabalhista inglês, que estatizou a economia, produzindo inflação, alto desemprego e sucateamento da indústria britânica, até que o governo liberal do Partido Conservador, com Margaret Thatcher no poder, restaurasse a economia e o emprego. Na União Soviética, desde 1917, o socialismo já havia sido implantado à custa de umas 50 milhões de vidas. O nacional-socialismo (ou nazismo) na Alemanha resultou na Segunda Grande Guerra, com 44 milhões de mortos, aí incluído o extermínio de 6 milhões de judeus. Isto é o socialismo real. Veja-se também Cuba, Albânia e Coréia do Norte, que proporcionam literalmente a fome de seus povos.

    No Brasil as esquerdas vêm há décadas se preparando para implantar o socialismo, através do lento processo gramsciano de doutrinação nas escolas públicas de todos os níveis e através da imprensa. Seria o socialismo tardio, pois o fracasso desse sistema político como forma de distribuição de riqueza está mais do que comprovado. As esquerdas argumentam que o capitalismo, e mais recentemente o neoliberalismo adotado no governo FHC levaram à elevada concentração da renda e da riqueza. Ora o Brasil nunca adotou o regime democrático de livre mercado capitalista, e somente as privatizações do governo FHC não são suficientes para caracterizá-lo como liberal. Continuamos no sistema mercantilista da colonização portuguesa, com o velho Estado patrimonialista e cartorial de sempre, onde o desenfreado empreguismo com nepotismo levaram este país a ter uma das mais altas cargas tributárias do mundo, concentrada numa minoria da sociedade, que se destina a satisfazer os ganhos exorbitantes e as gordas aposentadorias da alta burocracia, e nada beneficia os cidadãos contribuintes ou não. Estes, por não terem, em sua maioria, acesso ao ensino básico, nem ao saneamento nem à saúde pública, não se podem habilitar a bons empregos, com remuneração condigna, e se mantêm na condição de “excluídos” da economia monetária, na pobreza ou mesmo na miséria. A implantação do socialismo não vai alterar essas causas. Vai mantê-las, distribuindo a pouca riqueza entre os militantes dos partidos socialistas então aboletados nos cargos públicos, formando a nova Nomenklatura. As massas pobres continuarão iludidas por promessas vazias, como em Cuba.

    “Os esquerdistas, contumazes idólatras do fracasso, recusam-se a admitir que as riquezas são criadas pela diligência dos indivíduos e não pela clarividência do Estado.” (Roberto de Oliveira Campos)

  6. Caro Andrioli,

    Inicialmente assista ao video: http://www.youtube.com/user/leonz28 é um vídeo dedicado aos mexicanos, mas, substituindo alguns personagens, pode ser dedicado aos venezuelanos, aos brasileiros, aos latino-americanos em geral, como bem nos alerta o economista Dr. Oscar Arias Sánchez, Presidente de la República de Costa Rica, The Nobel Peace Prize 1987, Albert Schweitzer Prize for Humanitarianism em seu discurso aos presidentes latino-mericanos e que apresento ao final (http://www.casapres.go.cr/iniciocontactenos.aspx),

    Observei que a quase totalidade das argumentações, temas e artigos debatidos até aqui sempre apresentam algo voltado a uma dicotomia. É neste sentido que gostaria que repondessem algumas perguntas, perguntas que não nos são apresentadas quando discutimos política, economia, responsabildade social, etc… Antes porém reflitam sobre as frases que apresento a seguir e que podem criticar à vontade ou, o que é preferível, questionar à vontade:

    “Os brasileiros não estão divididos entre os que são descendentes desta ou daquela etnia, não estão divididos entre os que pertencem a esta ou aquela classe social, não estão divididos entre os que trabalham e empreendem formalmente e os que são bolsistas, estão marginalizados, excluídos ou na economia informal. Os brasileiros não estão divididos entre os que tiveram acesso a um bom ensino fundamental ou não, não estão divididos entre os que sofrem ou não a discriminação espacial, não estão divididos entre os que são vítimas ou praticam a violência, não estão divididos entre os que defendem a liberdade ou ideologias de esquerda e/ou de direita ou o misto delas com o chamado bolivarianismo ou chaguismo, não estão divididos entre os que tem a sua propriedade reconhecida e ou protegiada e não … …, não estão divididos … “Os brasilerios estão divididos entre os que não sabem e os que sabem, os que sabem quais impostos pagamos, quais deveríamos pagar e como devem ser aplicados estes recursos para que o Estado possa cumprir o seu papel” (Gerhard Erich Boehme)

    “Um Estado, o chamado 1º Setor, deve apenas atuar subsidiariamente frente ao cidadão – observar o princípio da subsidiariedade – e não estar voltado para ocupar o papel que cabe ao 2º Setor – pois assim se cria o estado empresário e com ele fomenta-se o clientelismo político, com seu capitalismo de comparsas e socialimo de privilegiados, a corrupção, o empreguismo e o nepotismo – ou 3º Setor – pois assim se promove o Estado populista que cria ou alimenta os movimentos (antis)sociais, o paternalismo e o assistencialismo, bem como que abre espaço para a demagogia político e perda da liberdade e responsabilidade do cidadão. Caso contrário ele acaba criando o 4º Setor – quando o poder coercitivo (através da tributação, defesa nacional, justiça – incluindo seu primeiros passos na área criminal através da polícia judiciária, saúde pública, segurança pública – prevenção aos crimes – etc.) do Estado deixa de ser exercido por ele e é tomado por parte de segmentos desorganizados ou não da sociedade – cria-se então o Estado contemplativo, que prega a mentira, pratica a demagogia e o clientelismo, com seu capitalismo de comparsas e socialimo de privilegiados e cria o caos social através da violência e desrespeito às leis”. (Gerhard Erich Boehme)

    Entenda melhor: http://www.youtube.com/watch?v=GwGpTy-qpAw

    “Os brasilerios estão divididos entre os que não sabem e os que sabem, os que sabem quais impostos pagamos, quais deveríamos pagar e como devem ser aplicados estes recursos para que o Estado possa cumprir o seu papel” (Gerhard Erich Boehme)

    O brasileiro é inimigo do Brasil e os economistas possuem um papel fundamental para reverter este processo educando a sociedade para que saiba o que é imposto e como deve ser aplicado, são palavras duras, mas que nos levam a questionar porque somos escravos dos impostos e refletir para que possamos responder aos quesitos fundamentais:

    a) Quais são as tarefas autênticas do Estado para que ele possa ser eficaz nos seus resultados?
    b) Em que nível, federal, estadual ou municipal, devem ser realizadas?
    c) Como controlar os gastos estatais e impedir que eles se expandam continuamente e principalmente não comprometam os recursos que devem ser alocados nas atividades próprias que cabe ao Estado cumprir, em especial comprindo as lacunas e agindo subsidiariamente de forma que os brasileirinhos não tenham mais o futuro anulado ou destruído ou a violência seja crescente e assim darmos sustentação a políticos que nem ao menos sabem as diferenças entre as polícias, confundindo a prevenção ao crime com a justiça?

    “Os brasilerios estão divididos entre os que não sabem e os que sabem, os que sabem quais impostos pagamos, quais deveríamos pagar e como devem ser aplicados estes recursos para que o Estado possa cumprir o seu papel” (Gerhard Erich Boehme)

    Respondendo a primeira pergunta; Quais são as tarefas autênticas do Estado para que ele possa ser eficaz nos seus resultados?

    Eu entendo que essencialmente, a principal função do Estado deve ser a de manter a ordem e garantir que as leis sejam cumpridas. A igualdade que devemos almejar não deve ser pautada em privilégios, que hoje são traduzidos em política públicas direcionadas a um número específico de eleitores potenciais, como leis que privilegiam, geram subsídios a segmentos ou grupos que gravitam no entorno de políticos clientelistas que assim fazem uso de sua caneta ou oratória, quando não, como o atual que ainda não saiu do palanque e começou a de fato governar, não é a utopia de que todos obtenham os mesmos resultados, e sim a de que todos tenham as mesmas possibilidades de lutar para conseguir os melhores resultados. Nesse sentido, uma boa educação fundamental e uma boa saúde devem ser os pontos de partida para uma vida melhor. No mais o Estado deve cuidar de serviços e bens públicos.

    Eu entendo que o governo deve ser reduzido, para pesar menos no bolso e nas costas do contribuinte, porque a experiência que tenho é de que, salvo raras empresas estatais, e estas explorando monopólios naturais, tendem a crescer além de suas atribuições, ou passam a abusar dos poderes que lhes são conferidos e empregam mal os recursos da sociedade. E estas exceções devem passar por uma fiscalização exemplar, por meio de agências e tribuniais de conta, bem como apresentação de seus resultados aos nossos representantes eleitos. Muitos me criticam que se defendo um governo que tenha tamanho reduzido, acreditam que assim o mercado fica sem controle, o que está linge da proposta, um governo não deve ser fraco, o Estado deve ter atribuições específicas, mas devemos privilegiar o princípio da subsidiariedade, e naquilo que Estado deve, por consenso da sociedade atuar, não deve fazê-lo de forma fraca. Toda a sociedade deve ter a responsabilidade de valorizá-la e valorizar os prifissionais que as executa. Não podemos aceitar um estado fraco ou privatizado por grupos de interesse, como ocrre atualmente quando vegonhosamente assistimos o loteamento do Estado, quando vemos o capitalismo de comparsas e o solcialismo de privilegiados ganhando espaço através do nePTismo, da emPTização ou alimentando uma base aliada, que assim se torna base afilhada.

    Pelo contrário, deve ser forte para fazer cumprir a lei, manter a paz e a concórdia entre os cidadãos e proteger a nação de ameaças externas.

    Saúde pública e educação básica são serviços cuja provisão também deve ser garantida pelo Estado, mas subsidiariamente, pois a melhor solução provavelmente se encontra no financiamento a cada contribuinte para aquisição desses serviços e não na prestação direta do serviço pelo Estado. Os gastos estatais nesses setores se justificam porque geram externalidades positivas para a sociedade, que se beneficia de uma população educada e sadia, benefícios estes que não poderiam ser individualmente apropriados por investidores privados e eles seguramente não teriam condições econômicas ou de escala, ou mesmo interesse em fazê-lo.

    Além disso, existe um argumento normativo: os gastos nessas áreas reduzem as diferenças de oportunidade dos indivíduos no momento da partida do jogo social, para que a partir daí a competição ocorra baseada nos talentos e méritos de cada um.

    Considerem-se como funções autênticas do Estado os gastos já citados de defesa do território nacional, o sistema de tributação, a manutenção do sistema de justiça, incluindo aqui a polícia judiciária (Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Técnico-científica), responsável pelos primeiro passos da justiça, e segurança pública, e subsidiariamente os gastos no financiamento de educação básica e saúde pública, ambas geradoras de externalidades positivas para a sociedade como um todo.

    Cabe ao Estado ser forte em suas atribuições básicas, que na esfera Federal são: Emissão e controle da Moeda, através de um Banco Central independente, Relações Exteriores, Justiça, incluindo os primeiros passos na área criminal através das polícias judiciárias estaduais (Polícia Civil e Polícia Técnico-científicas), Supremo Tribunal Eleitoral, Supremo Tribunal Federal, Comércio Exterior, Forças Armadas, Segurança Pública nas faixas de Fronteira, Polícia Federal, Políciamento Preventivo – que pode ser parcialmente privatizado mas com controle de uma Agência, como vigilâncias, escoltas proteção a executivos, etc., normatização da Aviação Civil, Marinha Mercante, Vigilância Sanitária e Obras de Integração Nacional, Administração de Parques Nacionais, Administração Indígena, diretrizes de Meio Ambiente, Propriedade Intelectual, Energia Nuclear, e Previdência Pública Federal. Incluido também Guarda Costeira, Polícia Tibutária – investigativa (inexistente no Brasil), Força Nacional para preservação da vida, da ordem social e do patrimônio nas catástrofes, principalmente ambientais (inexistente no Brasil), etc…

    Cabe portanto priorizarmos o ensino fundamental, cada cidadão inconformado com a exclusão em nossa sociedade deveria se especializar neste assunto, a começar por estudar o tema.

    “Os brasilerios estão divididos entre os que não sabem e os que sabem, os que sabem quais impostos pagamos, quais deveríamos pagar e como devem ser aplicados estes recursos para que o Estado possa cumprir o seu papel” (Gerhard Erich Boehme)

    Muitos, os ideológicmente estressados, logo me questionarão, que assim estaríamos largando à própria sorte os menos favorecidos e assim iniciando toda uma discussão para que o Estado cumpra seu “papel social”. É louvável esta preocupação, mas ela segue a rota da desresponsabilização, dá ao cidadão a alternativa de não se comprometer e ir cuidar de seus interesses ou se colocar como um dos privilegiados neste papel do Estado.

    A questão é que o cobertor é curto, não temos condições canalizar tantos recursos ao estado para que ele cumpra este papel, mesmo porque, muito embora o Prof. Dr. Márcio Pochmann hoje ocupando indevidamente e ideológicamente espaços no IPEA, se esforce em nos mostrar um Estado produtivo e, assim eficiente, ele não é eficaz. Não alcança os resultados. Basta ver os resultados, a educação, a questão ambiental, a violência, a (in)justiça, usw.. Eu prefiro ver um hospital como a Beneficiência Portuguesa sendo administrado por um empresário da competência de um engenheiro Antônio Ermírio de Moraes. Ou um Hospital Alemão Oswaldo Cruz (www.hospitalalemao.org.br) por empresários. Ou uma infinidade de entidades mantidas pela sociedade, como as milenares Santas Casas, presentes em todos os países e no Brasil, na maioria das cidades, mas que colocadas na encruzilhada por políticas públicas irreais e excessivamente centralizadas (SUS), penalizando-as e criando a cultura da desresponsabilização, pois retiraram o apoio e comprometimento da sociedade.

    Pergunte a um “esquerdista de carteirinha” se ele já entrou e prestou apoio ao trabalho voluntário em uma Santa Casa de Misericórdia, se católico, ou a um Hospital Evangélico, se luterano, se …

    Conheço o potencial do 3º Setor, quando desvinculado do estado, cito o exemplo dos luteranos, que no Brasil representam menos de 1% da população e já foram responsáveis por mais de 10% de todos os hospitais, creches, ancionatos, escolas fundamentais, etc.. E a grande maioria deles chegou ao Brasil com uma mão na frente e outra atrás, sem contar que no período das duas grandes guerrras tiveram parte significativa do patrimônio espoliado pelo “Estado”. Acaso não sabem de onde vieram os patrimônios do 2.º Batalhão de Caçadores do Exército em São Vicente/SP ou da Universidade do Paraná, a primeira universidade do Brasil, e sua Escola Técnica, hoje embrião do IFPR – Instituto Federal do Paraná, a qual divide com o Colégio Martinus, o Colégio Divina Providência e o Colégio Bom Jesus a mesma história, durante décadas, desde a sua fundação como a então Deutsche Schule (Escola Alemã), que inclui também a Escola Israelita Brasileira Salomão Guelmann, de onde vieram alguns alunos, como o líder comunitário curitibano Bernardo Schulman (Recomendo a leitura “Em Legítima Defesa, A Voz de um Judeu Brasileiro”), e ótimos professores. A Universidade do Paraná, a qual foi posteriormente federalizada e arquitetonicamente descaracterizada como uma entidade alemã. Hoje é conhecida como a UFPR – Universidade Federal do Paraná e ela guarda consigo boa parte do patrimônio da antiga Deutsche Schule (Escola Alemã), em seus terrenos hoje se encontra o Hospital de Clínicas da UFPR e a Praça 19 de Dezembro, também patrimônio tomado dos descendentes de alemães por ocasião da 2ª Grande Guerra, desconsiderando que eles também eram brasileiros. A praça 19 de Dezembro se transformou, em função do descaso público, em um mictório a céu aberto e de noite em motel de alta rotatividade, é conhecida com a praça do homem nu. Por lá passam todos os políticos paranaenses rumo ao Centro Cívico (Palácio do Iguaçu e Prefeitura Municipal de Curitiba).

    De minha parte entendo que essa responsabilidade deve repousar nos ombros da sociedade civil e se canalize por intermédio da iniciativa privada, e não por meio de governos perdulários e incompetentes, que não sofrem as conseqüências da frequente irresponsabilidade dos burocratas ou de políticos eleitos menos cuidadosos. Finalmente, não há nenhuma razão especial que justifique que os governos se dediquem obrigatoriamente a tarefas como transportar pessoas pelas estradas, limpar as ruas ou vacinar crianças. Tais atividades devem ser bem executadas e ao menor custo possível, mas seguramente esse tipo de trabalho é feito com muito mais eficiência pelo setor privado. Quando defendo a primazia do iniciativa privada e a defesa da propriedade, não o é por ambição, mas pela convicção de que é infinitamente melhor para os indivíduos e para o conjunto da sociedade, é mais eficaz e mais eficiente confiar no mercado,

    Entendo que não podemos tirar a responsabilidade dos indivíduos e passá-la ao Estado.

    Assista novamente ao vídeo, ele é uma crítica de um mexicano aos mexicanos, mas se aplica a todos os brasileiros:

    http://www.youtube.com/user/leonz28

    “Os brasilerios estão divididos entre os que não sabem e os que sabem, os que sabem quais impostos pagamos, quais deveríamos pagar e como devem ser aplicados estes recursos para que o Estado possa cumprir o seu papel” (Gerhard Erich Boehme)

    Entendo que devemos privilegiar a livre iniciativa, pois a livre iniciativa é a iniciativa espontânea, autônoma e, portanto, isenta de coerção ou de restrição, a não ser as da moral, dos bons costumes e das leis compatíveis com seus três atributos fundamentais: universalidade, abstração e prospecção. É a atividade econômica típica de uma economia de mercado e, portanto, se encarrega da solução de todos os problemas econômicos que não envolvam bens públicos, externalidades e monopólios técnicos.

    Vale lembrar que devemos privilegiar a livre iniciativa, o mercado, a menos que não venhamos a refletir sobre os resultados que o mercado promove. Por exemplo, que em 1970, 44% da população mundial vivam com menos de 2 dólares por dia, e hoje, graças ao livre mercado no mundo, o que muitos chamam de globalização, 18% sofrem com essa penúria.

    Eu particularmente entendo que uma forma de mitigar a pobreza, sob muitos aspectos a mais desejável, é a caridade privada, onde o agir como cristão se faz e pode se fazer presente. É mais eficaz, mais eficiente, onera menos a sociedade.

    Um dos maiores custos do crescimento das atividades do Estado nesta área foi precisamente o correspondente declínio da caridade privada e muitas vezes o fracasso de inúmero projetos, como o das Santas Casas, que por conta de um estatismo centralizado as emprurraram para o campo privado ou a sobrecarregam com sua ineficácia.

    Pode-se argumentar que a caridade privada é insuficiente porque estamos novamente diante de uma externalidade: poderíamos, cada um de nós, estar dispostos a contribuir para diminuir a pobreza, desde que todos os demais também o fizessem. Suponhamos que se aceite, como no meu caso, esse raciocínio para justificar uma ação do Estado para reduzir a pobreza, estabelecendo-se um patamar mínimo de padrão de vida para cada membro da comunidade. A questão é: quanto e como. Não vejo forma de decidir “quanto” exceto definindo o montante de impostos que estamos dispostos a nos deixar taxar para essa finalidade. A questão “como” merece uma especulação maior.

    Se o objetivo é mitigar a pobreza, deveríamos ter um programa destinado a ajudar especificamente os pobres em geral, e não como membros de um grupo particular, quer ocupacional, ou etário, ou pertencente a uma indústria, ou qualquer outra qualificação, ou como é feito no Brasil da atualidade, despertando diferenças raciais antes inexistentes ou, quando muito, pontuais. Além disso, na medida do possível, embora operando através do mercado, o programa não deve distorcê-lo ou impedir seu funcionamento, como ocorre com o salário mínimo, tarifas aduaneiras e outras distorções assemelhadas. Agindo assim perpetuamos a “Cultura da Lombada” ou como gostam os brasileiros “O jeitinho brasileiro”, não atacamos a causa do problema, a causa fundamental, a causa raiz.

    “Os brasilerios estão divididos entre os que não sabem e os que sabem, os que sabem quais impostos pagamos, quais deveríamos pagar e como devem ser aplicados estes recursos para que o Estado possa cumprir o seu papel” (Gerhard Erich Boehme)

    O melhor mecanismo para aliviar a pobreza é o imposto de renda negativo.

    E esta idéia, do liberal Milton Friedman (www.institutoliberal.org.br/galeria_autor.asp?cdc=923), foi no Brasil mal copiada, criou-se o oportunismo político e seus currais eleitorais, com o “Bolsa Família”, que hoje limita a busca de uma condição de vida melhor, como é testemunhado por membros de nossas comunidade no Espírito Santo que não mais conseguem trabalhadores para as colheitas, pois estes agora ficam com medo de perder a “Bolsa Família”. É o famoso “trocar o certo pelo duvidoso”. Mas assim se criou o parasitismo.

    O imposto de renda negativo está voltado especificamente ao problema da pobreza. Auxilia o indivíduo da melhor forma para ele, em dinheiro. É geral e pode substituir todos os demais programas existentes. Torna explícito o custo incorrido pela sociedade. Opera fora do mercado. Como qualquer outra medida para aliviar a pobreza, reduz os incentivos para que os assistidos se ajudem a si próprios, mas não elimina esses incentivos inteiramente, como ocorreria com um sistema de suplementação de renda até um valor mínimo fixo.

    Muitos ideológicamente estressados nos apresentam como referencial Cuba. O que podemos chamar isso, senão de idiotia, como bem nos lembram os escritores Plinio Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa.

    Mas, não pior que isso é vermos as futuras gerações sendo penalizadas por idiotoas que são os melhores personagens do bestseller do Luciano Pires e o que é importante, chama atenção dos personagens de outro bestseller: “A Volta do Idiota” dos autores Plinio Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa, hoje encastelados em Brasília e longe da realidade brasileira, destruindo o potencial dos brasileirinhos e marginalizando a maior parte dos trabalhadores brasileiros. Deconhecem a história de como e porque as vilas nas fazendas deixaram de exisitir e se criou um contingente enorme de boias-frias, ou de como a legislação favorecendo inquilinos desestimulou a “poupança de português”, que se caracterizava pelo investimento em imóveis visando assegurar uma aposentadoria segura, a qual beneficiou durante alguns séculos os jovens recém-casados, que ainda não reuniam condições para adquirir a sonhada residência própria. Os falsos direitos são atraentes em um primeiro momento, mas a sociedade se adapta às lombadas. São políticos que cultuam a “Lombada” – querem atuar no efeito e desconsideram a causa raiz dos problemas.

    A eles recomendo que acessem o blog do Rodrigo Constantino, pois as palavras lá contidas, são de leitura obrigatória (http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2007/12/volta-do-idiota.html).

    Eis um fato bastante lógico e empiricamente provado, como se pode atestar, por exemplo, comparando a riqueza da Coréia do Sul, comercialmente aberta, com sua miserável irmã do norte, fechada para o mundo. Quanto menos mercado, menos concorrência, menos eficiência e menos eficácia também.

    Temos também a questão do consumismo, mas esta é uma questão que está mobilizando a sociedade, que encontra sua principal força também no que fazemos e propomos no campo da educação fundamental. E principalmente termos lideranças que sirvam de exemplo, mas longe do que o atual ocupante do Palácio do Planalto realiza, com seus gastos abusivos e imagem pautada na mentira, a começar pelo seu terno Armani.

    E neste ponto não podemos deixar de lembrar um personagem de nossa história, odiado por muitos teólogos, como já presenciei em alguns debates, como se isso pudesse ser aceitável para nós cristãos.

    “Os esquerdistas, contumazes idólatras do fracasso, recusam-se a admitir que as riquezas são criadas pela diligência dos indivíduos e não pela clarividência do Estado.” (Roberto de Oliveira Campos)

    Veja também: http://www.youtube.com/watch?v=SYgGZ_4riOc&feature=related

    No vídeo que recomendei acima inicialmente podemos ver que o mexicano, ou também o brasilero, é mais um daqueles que gostam culpar os outros pelos seus fracassos, é fácil desresponsabilizarmos-nos, não reconhecendo a nossa culpa, mas achando culpados como os liberais, neoliberais (Sic), globalização, imperialismo, usw.. Não possuem a capacidade de olhar o próprio rabo e ver o que realizam, ou melhor, o que não realizam.

    Lhes recomendo, portanto, que leiam antes:

    1. Riqueza das Nações de Adam Smith

    2. A Nova riqueza das Nações de Guy Sorman

    3. O Caminho da Servidão de Friedrich August von Hayek
    (http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2007/04/o-caminho-da-servido.html)

    Ainda que requeiram tempo, as soluções existem. Mas, dependem de pesquisa científica, projetos sérios e planejamento. Em resumo, de uma boa administração e de uma boa engenharia.

    Mas, e os administradores? E os engenheiros?

    Esta pergunta os eleitores do sr. Luiz Inácio Lula da Silva não souberam fazer e seguramente não saberão caso optem pela Estela – uma economista governamental como define Kanitz¹ – ou … Mas isso não é novidade, pois o Professor Dr. Stephen Kanitz, nacionalmente conhecido como colunista em importantes jornais e revistas de circulação nacional, já nos vem alertando para a causa da má gestão pública²:

    ¹) http://www.kanitz.com.br/veja/faltam_engenheiros_governo.asp
    ²) http://www.kanitz.com.br/veja/pais.asp

    E já que citei o Prof. Kanitz, recomendo o artigo – neste ele foi brilhante, recomendado aos que compactuam do Foro San Pablo:

    http://www.kanitz.com.br/impublicaveis/defesa_da_classe.asp

    “Os brasilerios estão divididos entre os que não sabem e os que sabem, os que sabem quais impostos pagamos, quais deveríamos pagar e como devem ser aplicados estes recursos para que o Estado possa cumprir o seu papel” (Gerhard Erich Boehme)

    Abraços,

    Gerhard Erich Boehme
    gerhard@boehme.com.br
    (41) 8877-6354
    Skype: gerhardboehme
    Caixa Postal 15019
    80811-970 Curitiba – PR

    O princípio da subsidiariedade

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    Gerhard Erich Boehme
    boehme@folha.com.br
    boehme@globo.com

    Desconhecido da maioria dos brasileiros ou propositadamente ignorado por aqueles que desejam transferir responsabilidades, seja por incompetência ou má fé, em especial ao Estado, por aqueles que o julgam com capacidade para solucionar a maioria dos problemas que afligem os brasileiros.

    O princípio de subsidiariedade é um princípio fundamental da filosofia social, senão um dos mais importantes, segundo o qual toda a atividade deve ter por objetivo ajudar a favorecer a autonomia e realização responsável dos indivíduos. E isso nos faz lembrar do conflito entre gerações, muito bem lembrado por Raul Seixas, em sua canção “Sapato 36”.

    Eu particularmente divido os jovens, que se sucedem ao longo do tempo, nas novas gerações, e confesso, esta isso não é uma boa prática, a de dividir, pois nos limita a uma dicotomia, quando na realidade temos um gradiente e algo dinâmico. Mas ao menos vale como exemplo.

    Temos os jovens formando dois grupos, nem sempre distintos, um busca a autonomia, deseja realizar, formado por jovens que aspiram ser empreendedores, valorizam a criatividade, a inovação, o talento e fundamentalmente o estudo e o trabalho, reconhecem como fundamental o mérito. São jovens que reconhecem nos mais velhos a sabedoria e no continuum do aprender uma das razões para se viver.

    São jovens que não querem ser dependentes, principalmente de outros, querem a liberdade, até mesmo de uma entidade virtual que é o Estado, a qual tem somente a capacidade de promover, e o faz de forma ineficaz e ineficiente, a transferência de responsabilidades.

    São jovens que reconhecem que não é legítimo e muito menos lícito fazer uso do que foi conquistado por outros, outros que não seus pais, avós, etc., pois sabem que um dos papeis que deverão desempenhar está também relacionado com o legado que deixarão, incluindo a herança.

    São confiantes em si. Sabem da importância de se realizar como pessoas, na família, na sociedade e no trabalho. Sabem da importância de uma maternidade ou paternidade responsável.

    “Quando a propriedade legal de uma pessoa é tomada por um indivíduo, chamamos de roubo. Quando é feito pelo governo, utilizamos eufemismos: transferência ou redistribuição de renda.” (Dr. Walter E. Williams é professor de economia na Universidade George Mason em Fairfax, Va, EUA.)

    São jovens que sabem e reconhecem suas responsabilidades. São jovens que sabem desenvolver o seu potencial, assim como são inconformados com suas limitações, buscam superá-las.

    Em outro grupo encontramos jovens que se revoltam com a injustiça que é o nosso mundo, com a qual nenhuma pessoa munida de uma consciência crítica pode concordar ou aceitar.

    Mas o grande problema neste segundo grupo, quando se afasta do primeiro grupo, não assumindo responsabilidades, é o de se julgar possuidor da razão e endossar ideologias que pregam como solução dos problemas uma maior presença do Estado. Optam pela via mais facial, fogem da responsabilidade. São jovens que buscam transferir responsabilidades.

    Na sua maioria apóiam e se encantam com as chamadas ideologias de esquerda, buscam ressuscitá-las admirando Marx, Che e Fidel, são jovens que envelheceram antes de aceitarem os desafios de sua geração, são jovens que se encantam com ideologias que possuem um espectro que vai do comunismo, passa pelo internacional e nacional-socialismo (nazismo ou fascismo), e alcançam àqueles que se denominam social-democratas, numa alusão a serem assim democratas, como se a democracia não fosse almejada por todos, obviamente que não aqueles que defendem políticas que venham a privilegiar a oclocracia, a qual se alimenta dos chamados movimentos sociais, na realidade movimentos antissociais e servem de campo para a demagogia, paternalismo, populismo e clientelismo político, com seu capitalismo de comparsas e agora com se socialismo de privilegiados.

    Muitas vezes também apoiam outras ideologias ou propostas que de uma maneira ou outra, pautadas por cientistas sociais ou até mesmo teólogos, “pregam” maior presença do Estado na solução dos problemas.

    Não reconhecem sua insignificância, mas agem neste sentido. Buscam a contramão ou nos impõe a lombada, pois entre a causa e o efeito, acreditam que devem atuar no efeito e isto seja suficiente. São jovens que sem conhecer, por conta de uma doutrinação, já aprenderam a ofender pessoas como Roberto Campos, um dos poucos brasileiros que soube defender como ninguém a liberdade e a responsabilidade, principalmente a responsabilidade fiscal, denunciando economistas, que Kanitz definu como economistas governamentais.

    Acesse: http://www.kanitz.com.br/veja/faltam_engenheiros_governo.asp

    “Os esquerdistas, contumazes idólatras do fracasso, recusam-se a admitir que as riquezas são criadas pela diligência dos indivíduos e não pela clarividência do Estado.” (Roberto de Oliveira Campos)

    Entenda melhor: http://www.youtube.com/watch?v=SYgGZ_4riOc&feature=related

    São jovens que se limitam, buscam alternativas para transferir responsabilidades, sempre com propostas afastadas do Princípio da Subsidiariedade.

    Sempre com propostas afastadas do princípio da subsidiariedade. São jovens sonhadores, mas que endossam o pesadelo.

    A questão é que quando entendemos e respeitamos este princípio, passamos a entender que antes de tudo é fundamental não aceitar a injustiça, como quando alguém ou um grupo de pessoas tem por objetivo subtrair do indivíduo o que ele pode realizar a partir de sua própria iniciativa e capacidade, para o confiar a uma outra pessoa ou a um grupo. Começa na família quando os pais impedem que seus filhos tenham a autonomia com responsabilidade, ou criam situações para limitar o seu desenvolvimento e sua independência.

    Assim também é injusto conferir a autoridade e responsabilidade para a municipalidade, quando uma comunidade ou freguesia pode realizar e decidir por si.

    O mesmo vale quando passamos para uma província ou estado o que poderia ser realizado e decidido com autonomia pelos burgos ou pela municipalidade. Ou quando transferimos o poder a um reino ou país quando seus desígnios são próprios das províncias ou estados.

    É uma injustiça, um grave dano e perturbação da boa ordem social. O resultado é a centralização, e assim jovens e velhos, ou jovens já velhos, superados pela falta de desafios ou vontade para superá-los, passam a dar credibilidade a falsos líderes, “salvadores da pátria”.

    O fim natural da sociedade e da sua ação é subsidiar os seus membros, não destruí-los nem absorvê-los através de políticas demagógicas e paternalistas, ou mesmo teologias pautadas pela desresponsabilização ou atribuindo ao Estado deveres e direitos que cabem ao indivíduo e à sociedade de forma livre empreender. E muito menos subjugá-los como o fazem os regimes submetidos às ideologias de esquerda, direita e os totalitários. E muito menos dar ao cidadão total liberdade como pregam os anarquistas, que não se submetem ao poder da lei, do Estado de Direito, aos princípios democráticos e até mesmo a responsabilidade social e fundamentalmente a individual.

    A ordem social será tanto mais sólida, quanto mais tiver em conta este fato e não contrapuser o interesse pessoal ao da sociedade no seu todo, mas procurar modos para a sua coordenação, de forma que seja eficaz e produtiva.

    Se observarmos atentamente a história da humanidade, sempre onde o interesse individual foi violentamente suprimido, acabou sendo substituído por um pesado sistema de controle burocrático, que esteriliza as fontes da iniciativa e criatividade.

    E esse é o retrato atual do Brasil, da América Latina, com seu domínio, subjugando países a uma doutrina que nos é exótica, ou ditames de um Foro San Pablo que nos retira a autonomia e liberdade. Mas não deve ser, pois o brasileiro possui uma herança de conquistas e glórias, de integração, quando o mundo ainda não o era. Foi uma monarquia constitucional quando no velho mundo ainda havia monarquias absolutistas. Um país marcado por injustiças, tal qual muitos outros, mas não criador de injustiças. Assim foi com as monarquias absolutistas, assim foi com os países que se submeteram ao socialismo, seja ele o internacional ou o nacional-socialismo, ao comunismo, ou mesmo a regimes totalitários, muitas vezes denominados erroneamente de direita.

    Se olharmos estes dois grupos, que servem hoje de opção aos jovens, os quais felizmente possuem sobreposições, vemos como fundamental primeiro acreditar em si, desenvolver o seu potencial. É a forma inteligente de mudar o mundo, começando ao que está ao nosso alcance e não transferindo poder a políticos ou líderes demagogos, paternalistas, populistas ou clientelistas, estes caracterizados pelo seu capitalismo de comparsas ou socialismo de privilegiados. Estes preocupados em formar uma base para a oclocracia e não para a democracia, que inclui a alternância do poder. Já o disse o Dr. Martin Luther, no início da Reforma, e o mesmo foi dito por Karol Józef Wojtyła – Johannes Paulus II, que foi por nós conhecido como Papa João Paulo II.

    Dr. Martin Luther mencionou que o exemplo do cristão deve começar por ele mesmo, colocando os assuntos terrenos em primeiro plano sob sua responsabilidade, depois da família e saber viver em comunidade. Lançou o desafio que hoje é próprio dos luteranos: Cada cristão deve viver sua comunidade, em cada comunidade edificar uma igreja e ao lado desta uma escola.

    Já Wojtyła nos alertou, quando empenhado em por fim aos regimes opressores, que a exemplo do que ocorreu em seu país, com seu povo, que passou pelo jugo e divisão imposta pelos nacional-socialistas, perdeu partes de seu território e ganhou outras no final da Segunda Grande Guerra, passando depois da destruição imposta pelos nacional-socialistas, por mais de cinquenta anos sob o jugo dos internacional-socialistas. Wojtyła soube viver seu tempo, deixou seu legado como Papa, mas de minha parte, como luterano, reconhece nele seus valores, soube aproximar as igrejas, e soube ser um grande líder espiritual e moral que trabalhou incansavelmente pela paz e pela justiça social, viajando mundo afora em prol da unidade da igreja e do compromisso da fé.

    Como professor, foi docente de Ética na Universidade Jaguelónica e posteriormente na Universidade Católica de Lublin.

    E merece ser destacada a sua passagem por esta cidade, pelo seu significado na história, Desde a segunda a metade do século XVI, movimentos da Reforma surgiram em Lublin, e uma grande congregação de irmãos poloneses esteve presente na cidade. Uma das mais importantes comunidades judaicas da Polônia também se estabeleceu em Lublin neste período. Ela continuou sendo uma parte vital da vida da cidade até quando deixou de existir durante o Holocausto promovido pelos nacional-socialistas (nazistas).

    Ele nos deixou o alerta, sobre o qual devemos refletir, principalmente quando lhes trago a reflexão à importância da observação do princípio da subsidiariedade:

    “Quando os homens julgam possuir o segredo de uma organização social perfeita que torne o mal impossível, consideram também poder usar todos os meios, inclusive a violência e a mentira, para a realizar”. (Karol Józef Wojtyła – Johannes Paulus II)

    Infelizmente isso nos remete para América Latina da atualidade, agora submetida aos ditames de um Foro San Pablo, com seu bolivarianismo ou chavismo, que alia narco-traficantes a líderes carismáticos e populistas, que em nada se afasta do que existiu de pior entre os latino-americanos, que foi, e de certa maneira ainda o é: o castrismo.

    Hoje disseminam a violência e adotaram a mentira como praxis diária. Seja ele PAC ou piriPAC, Pan, … Pré- e a discriminação espacial através do Programa “Minha casa, Minha vida”, segregando além das favelas, com bairros apinhados em sem a potencial de urbanização futura. É um tema interessante, posso explicar melhor.

    Olhando esta triste realidade, fica a certeza de que o primeiro grupo de jovens, não importando a sua verdadeira idade, são os que efetivamente apresentam a melhor proposta, mas isso não os devem afastar daqueles que não concordam com a injustiça que nos salta aos olhos no nosso dia a dia. Nos agride em nosso coração.

    O que não podemos fazer é tentarmos impor a nossa felicidade aos outros, antes devemos entender e observar o princípio da subsidiariedade e sermos exemplo, entendendo a importância da nossa responsabilidade individual e cobrarmos dos outros também a responsabilidade.

    E para concluir deixo a pergunta:

    Quer isto dizer que a questão toca a todos… sim, a nós também.

    Se estamos próximos de uma realidade e se temos meios ou sugestões para melhorar essa realidade porque não arregaçar mangas?

    Devemos esperar, por exemplo, que sejam as instituições oficiais, transferindo responsabilidades, a solucionar todos os problemas da freguesia ou comunidade onde vivemos?

    Um dos resultados da aplicação do princípio da subsidiariedade é o voto distrital, causa que concorre para o desenvolvimento de um país.

    “Algo Hicimos Mal” los Latinoamericanos

    —————————————————————————
    Dr. Oscar Arias Sánchez
    Economista
    Presidente de la República de Costa Rica
    The Nobel Peace Prize 1987
    Albert Schweitzer Prize for Humanitarianism
    http://www.casapres.go.cr/iniciocontactenos.aspx

    “Tenho a impressão de que cada vez que os países caribenhos e latino-americanos se reúnem com o presidente dos Estados Unidos da América, é para pedir-lhe coisas ou para reclamar coisas. Quase sempre, é para culpar os Estados Unidos de nossos males passados, presentes e futuros. Não creio que isso seja de todo justo.

    Não podemos esquecer que a América Latina teve universidades antes de que os Estados Unidos criassem Harvard e William & Mary, que são as primeiras universidades desse país. Não podemos esquecer que neste continente, como no mundo inteiro, pelo menos até 1750 todos os americanos eram mais ou menos iguais: todos eram pobres.

    Ao aparecer a Revolução Industrial na Inglaterra, outros países sobem nesse vagão: Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e aqui a Revolução Industrial passou pela América Latina como um cometa, e não nos demos conta. Certamente perdemos a oportunidade.

    Há também uma diferença muito grande. Lendo a história da América Latina, comparada com a história dos Estados Unidos, compreende-se que a América Latina não teve um John Winthrop espanhol, nem português, que viesse com a Bíblia em sua mão disposto a construir uma Cidade sobre uma Colina, uma cidade que brilhasse, como foi a pretensão dos peregrinos que chegaram aos Estados Unidos.

    Faz 50 anos, o México era mais rico que Portugal. Em 1950, um país como o Brasil tinha uma renda per capita mais elevada que o da Coréia do Sul.

    Faz 60 anos, Honduras tinha mais riqueza per capita que Cingapura, e hoje Cingapura – em questão de 35 a 40 anos – é um país com 40.000 dólares de renda anual por habitante. Bem, algo nós, os latino-americanas, fizemos mal.

    Que fizemos de errado?

    Nem posso enumerar todas as coisas que fizemos mal. Para começar, temos uma escolaridade de 7 anos. Essa é a escolaridade média da América Latina e não é o caso da maioria dos países asiáticos. Certamente não é o caso de países como Estados Unidos e Canadá, com a melhor educação do mundo, assim como a dos europeus. De cada 10 estudantes que ingressam no nível secundário na América Latina, em alguns países, só um termina esse nível secundário. Há países que têm uma mortalidade infantil de 50 crianças por cada mil, quando a média nos países asiáticos mais avançados é de 8, 9 ou 10.

    Nós temos países onde a carga tributária é de 12% do produto interno bruto e não é responsabilidade de ninguém, exceto nossa, que não cobremos dinheiro das pessoas mais ricas dos nossos países. Ninguém tem a culpa disso, a não ser nós mesmos.

    Em 1950, cada cidadão norte-americano era quatro vezes mais rico que um cidadão latino-americano. Hoje em dia, um cidadão norte-americano é 10 15 ou 20 vezes mais rico que um latino-americana. Isso não é culpa dos Estados Unidos, é culpa nossa.

    No meu pronunciamento desta manhã, me referi a um fato que para mim é grotesco e que somente demonstra que o sistema de valores do século XX, que parece ser o que estamos pondo em prática também no século XXI, é um sistema de valores equivocado. Porque não pode ser que o mundo rico dedique 100 bilhões de dólares para aliviar a pobreza dos 80% da população do mundo “num planeta que tem 2.500 milhões de seres humanos com uma renda de 2 dólares por dia” e que gaste 13 vezes mais (US$1.300.000..000.000) em armas e soldados.

    Como disse esta manhã, não pode ser que a América Latina gaste 50 bilhões de dólares por ano em armas e soldados. Eu me pergunto: quem é o nosso inimigo? Nosso inimigo, presidente Correa, desta desigualdade que o Sr. aponta com muita razão, é a falta de educação; é o analfabetismo; é que não gastamos na saúde de nosso povo; que não criamos a infra-estrutura necessária, os caminhos, as estradas, os portos, os aeroportos; que não estamos dedicando os recursos necessários para deter a degradação do meio ambiente; é a desigualdade que temos que nos envergonha realmente; é produto, entre muitas outras coisas, certamente, de que não estamos educando nossos filhos e nossas filhas. Não é preciso dar ao povo migalhas, falsos benefícios, dêem aos seus povos, mais infra-estrutura, educação e ética, menos política e corrupção.

    Vá alguém a uma universidade latino-americana e parece que ainda estamos nos anos sessenta, setenta ou oitenta. Parece que nos esquecemos de que em 9 de novembro de 1989 aconteceu algo de muito importante, ao cair o Muro de Berlim, e que o mundo mudou. Temos que aceitar que este é um mundo diferente, e nisso francamente penso que os acadêmicos, que toda gente pensante, que os economistas, que os historiadores, quase todos concordam que o século XXI é um século dos asiáticos, não dos latino-americanos. E eu, lamentavelmente, concordo com eles. Porque enquanto nós continuamos discutindo sobre ideologias, continuamos discutindo sobre todos os “ismos” (qual é o melhor? capitalismo, socialismo, comunismo, liberalismo, neoliberalismo, socialcristianismo…) os asiáticos encontraram um “ismo” muito realista para o século XXI e o final do século XX, que é o pragmatismo. Para só citar um exemplo, recordemos que quando Deng Xiaoping visitou Cingapura e a Coréia do Sul, depois de ter-se dado conta de que seus próprios vizinhos estavam enriquecendo de uma maneira muito acelerada, regressou a Pequim e disse aos velhos camaradas maoístas que o haviam acompanhado na Grande Marcha: “Bem, a verdade, queridos camaradas, é que a mim não importa se o gato é branco ou negro, só o que me interessa é que cace ratos”.

    E se Mao estivesse vivo, teria morrido de novo quando Deng disse que “a verdade é que enriquecer é glorioso”. E enquanto os chineses fazem isso, e desde 1979 até hoje crescem a 11%, 12% ou 13% ao ano, e tiraram 300 milhões de habitantes da pobreza, nós continuamos discutindo sobre ideologias que devíamos ter enterrado há muito tempo.

    A boa notícia é que isto Deng Xiaoping o conseguiu quando tinha 74 anos.

    Olhando em volta, queridos presidentes, não vejo ninguém que esteja perto dos 74 anos. Por isso só lhes peço que não esperemos completá-los para fazer as mudanças que temos que fazer.

    Muito obrigado”

    Dr. Oscar Arias Sánchez

    “Algo Hicimos Mal” los Latinoamericanos
    ————————————————————————–
    Dr. Oscar Arias Sánchez

    Oscar Arias: “Algo Hicimos Mal” los Latinoamericanos

    El discurso del presidente de Costa Rica, Oscar Arias, en la Cumbre de las Américas de Trinidad y Tobago, el pasado 18 de abril, está circulando con gran energía por todo Internet. En el mismo, Arias pide a los líderes latinoamericanos que hagan un “mea culpa” por los errores políticos que han colocado a América Latina en desventaja frente a otras regiones del mundo, en lugar de culpar a terceros de sus problemas. Arias, artífice de la paz en Centroamérica en los años 80 y Premio Nobel de la Paz, ilustra sus puntos de vista con gran cantidad de ejemplos. Estas fueron sus palabras en la Cumbre de las Américas:

    “Tengo la impresión de que cada vez que los países caribeños y latinoamericanos se reúnen con el presidente de los Estados Unidos de América, es para pedirle cosas o para reclamarle cosas. Casi siempre, es para culpar a Estados Unidos de nuestros males pasados, presentes y futuros. No creo que eso sea del todo justo.

    No podemos olvidar que América Latina tuvo universidades antes de que Estados Unidos creara Harvard y William & Mary, que son las primeras universidades de ese país. No podemos olvidar que en este continente, como en el mundo entero, por lo menos hasta 1750 todos los americanos eran más o menos iguales: todos eran pobres. Cuando aparece la Revolución Industrial en Inglaterra, otros países se montan en ese vagón: Alemania, Francia, Estados Unidos, Canadá, Australia, Nueva Zelanda… y así la Revolución Industrial pasó por América Latina como un cometa, y no nos dimos cuenta. Ciertamente perdimos la oportunidad. También hay una diferencia muy grande. Leyendo la historia de América Latina, comparada con la historia de Estados Unidos, uno comprende que Latinoamérica no tuvo un John Winthrop español, ni portugués, que viniera con la Biblia en su mano dispuesto a construir “una Ciudad sobre una Colina”, una ciudad que brillara, como fue la pretensión de los peregrinos que llegaron a Estados Unidos.

    Hace 50 años, México era más rico que Portugal. En 1950, un país como Brasil tenía un ingreso per cápita más elevado que el de Corea del Sur. Hace 60 años, Honduras tenía más riqueza per cápita que Singapur, y hoy Singapur –en cuestión de 35 ó 40 años– es un país con $40.000 de ingreso anual por habitante. Bueno, algo hicimos mal los latinoamericanos. ¿Qué hicimos mal? No puedo enumerar todas las cosas que hemos hecho mal. Para comenzar, tenemos una escolaridad de siete años. Esa es la escolaridad promedio de América Latina y no es el caso de la mayoría de los países asiáticos. Ciertamente no es el caso de países como Estados Unidos y Canadá, con la mejor educación del mundo, similar a la de los europeos. De cada 10 estudiantes que ingresan a la secundaria en América Latina, en algunos países solo uno termina esa secundaria. Hay países que tienen una mortalidad infantil de 50 niños por cada mil, cuando el promedio en los países asiáticos más avanzados es de 8, 9 ó 10.

    Nosotros tenemos países donde la carga tributaria es del 12% del producto interno bruto, y no es responsabilidad de nadie, excepto la nuestra, que no le cobremos dinero a la gente más rica de nuestros países. Nadie tiene la culpa de eso, excepto nosotros mismos. En 1950, cada ciudadano norteamericano era cuatro veces más rico que un ciudadano latinoamericano. Hoy en día, un ciudadano norteamericano es 10, 15 ó 20 veces más rico que un latinoamericano. Eso no es culpa de Estados Unidos, es culpa nuestra.

    En mi intervención de esta mañana, me referí a un hecho que para mí es grotesco, y que lo único que demuestra es que el sistema de valores del siglo XX, que parece ser el que estamos poniendo en práctica también en el siglo XXI, es un sistema de valores equivocado. Porque no puede ser que el mundo rico dedique 100.000 millones de dólares para aliviar la pobreza del 80% de la población del mundo –en un planeta que tiene 2.500 millones de seres humanos con un ingreso de $2 por día– y que gaste 13 veces más ($1.300.000. 000.000) en armas y soldados.

    Como lo dije esta mañana, no puede ser que América Latina se gaste $50.000 millones en armas y soldados. Yo me pregunto: ¿quién es el enemigo nuestro? El enemigo nuestro, presidente Correa, de esa desigualdad que usted apunta con mucha razón, es la falta de educación; es el analfabetismo; es que no gastamos en la salud de nuestro pueblo; que no creamos la infraestructura necesaria, los caminos, las carreteras, los puertos, los aeropuertos; que no estamos dedicando los recursos necesarios para detener la degradación del medio ambiente; es la desigualdad que tenemos, que realmente nos avergüenza; es producto, entre muchas cosas, por supuesto, de que no estamos educando a nuestros hijos y a nuestras hijas.

    Uno va a una universidad latinoamericana y todavía parece que estamos en los sesenta, setenta u ochenta. Parece que se nos olvidó que el 9 de noviembre de 1989 pasó algo muy importante, al caer el Muro de Berlín, y que el mundo cambió. Tenemos que aceptar que este es un mundo distinto, y en eso francamente pienso que todos los académicos, que toda la gente de pensamiento, que todos los economistas, que todos los historiadores, casi que coinciden en que el siglo XXI es el siglo de los asiáticos, no de los latinoamericanos. Y yo, lamentablemente, coincido con ellos. Porque mientras nosotros seguimos discutiendo sobre ideologías, seguimos discutiendo sobre todos los “ismos” (¿cuál es el mejor? capitalismo, socialismo, comunismo, liberalismo, neoliberalismo, socialcristianismo…), los asiáticos encontraron un “ismo” muy realista para el siglo XXI y el final del siglo XX, que es el pragmatismo. Para sólo citar un ejemplo, recordemos que cuando Deng Xiaoping visitó Singapur y Corea del Sur, después de haberse dado cuenta de que sus propios vecinos se estaban enriqueciendo de una manera muy acelerada, regresó a Pekín y dijo a los viejos camaradas maoístas que lo habían acompañado en la Larga Marcha: “Bueno, la verdad, queridos camaradas, es que mí no me importa si el gato es blanco o negro, lo único que me interesa es que cace ratones”. Y si hubiera estado vivo Mao, se hubiera muerto de nuevo cuando dijo que “la verdad es que enriquecerse es glorioso”.

    Y mientras los chinos hacen esto, y desde el 79 a hoy crecen a un 11%, 12% o 13%, y han sacado a 300 millones de habitantes de la pobreza, nosotros seguimos discutiendo sobre ideologías que tuvimos que haber enterrado hace mucho tiempo atrás.

    La buena noticia es que esto lo logró Deng Xioping cuando tenía 74 años. Viendo alrededor, queridos presidentes, no veo a nadie que esté cerca de los 74 años. Por eso solo les pido que no esperemos a cumplirlos para hacer los cambios que tenemos que hacer.

    Muchas gracias”.

    Dr. Oscar Arias Sánchez

    Fonte: http://www.nacion.com/ln_ee/2009/abril/26/opinion1944940.html

  7. Muito bom seu artigo Prof. Antonio.

    Mas bem mais do que o processo de privatização, leia-se “doação, dilapidação” do patrimônio público, a face mais perversa do processo de globalização da economia é a degradação dos serviços públicos, paradoxalmente, quanto mais o estado arrecada, menos ele devolve em serviços, pior, a grande mídia conservadora taxou com al alcunha de “gastos públicos”, é preciso a qualquer custo diminuir os “gastos públicos” vaticina todos os dias, para sobrar mais recursos para o pagamento dos júros das dívidas públicas (interna principalmente que só faz crescer, e externa), enquanto agiotas nacionais e internacionais enchem seus bolsos de dinheiro, a educação pública está uma calamidade, a saúde então, nem se fala, as aposentadorias cada vez mais parcas, o transporte público é precário, não se constrói habitação condizente com a demanda, lazer então …

    É muito triste constatar a vericidade de sua frase:
    ” … Mas a política é influenciada pela economia e, normalmente, os governos são tão subservientes que os interesses do capital são simplesmente aceitos como interesse do Estado …”, quando na verdade a economia deveria estar subordinada à política.

    Queria aproveitar para saudar o Prof. Ozaí pelo esforço de manter um espaço onde pode-se debater temas tão relevantes para a atual conjuntura.

    Sds,
    Nelson Breanza

  8. Bom artigo! Faço apenas duas ressalvas pois, afirmar Lula como “candidato da oposição” sem contextualizar isso e atribuir à “fortes ameaças” a “obrigação” de Lula adapatar-se cada vez mais ao mercado e não expressar “opinião que possa ocasionar uma “fuga de investimentos”, de certa forma, isentam o Presidente, seu partido e sua amplíssima base de sustentação pelas opções políticas e programáticas que fizeram, não só para acomodação, mas também para aprimoramento dos mecanismos de espoliação dos trabalhadores em nome do mercado. É como se não existissem outros caminhos.

  9. é quase ” se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”? unica alternativa: sociedade organizada – mas organizada como? a forma que me vem expontaneamente sao micro associaçoes fermentadas diretamente dos interesses de comunidades de cidadaos: pequenos comerciantes, pequenos agricultores, pais de alunos, etc.- mas a palavra chave seria “pequeno”? e como derivado, “diversidade”?
    ou seja, movimento contrario a essa marcha constante de aglutinaçao de interesses em grupos de poder econômico gigantescos, que nao têm parado de crescer nestes nossos tempos?
    cordialmente,
    Regina

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