Idosos, raça e desigualdades

por Gilberto Pucca*

O que aconteceu, nas últimas décadas, em relação à população brasileira? Que mudanças fundamentais aconteceram e que podem determinar planejamentos e decisões em saúde pública?  Estes indicadores, que funcionam como uma espécie de mapa e bússola no momento de se encaminhar discussões e de se distinguir o que é importante de que é urgente, apontam alguns fatos inesperados e outros nem tanto.

De uma maneira geral, porem, o estado atual da população brasileira, em relação a categorias como urbanização, educação e saneamento não são mais do que o resultado de processos históricos recentes e de uma seqüência de políticas que visam predominantemente  à manutenção de um sistema econômico-financeiro fechado em si mesmo, em detrimento de políticas de cunho social. Senão vejamos:

Queda na natalidade e na fecundidade, o que implica, obviamente, numa diminuição do crescimento populacional.

Aumento significativo da população idosa, aqui entendida enquanto pessoas com mais de 60 anos. Este grupo já constitui 8,7% da população total no Brasil. Este aumento constitui-se em fortes demandas ao sistema de saúde, que devem ser equacionadas o quanto antes. A tendência é que o sistema de saúde tenha que enfrentar problemas de doenças da Terceira Idade, e mais um grande contingente da chamada “velhice abandonada”. Pobreza e idosos caminham juntos nesse país.

Na década de 80 e 90 houve um forte movimento de urbanização. Este fenômeno esta relacionado a três outros; à aceleração nas cidades de porte médio, à redução drástica da população rural e à menor pressão sobre as capitais, mas não sobre as cidades periféricas das regiões metropolitanas.

No entanto são os indicadores econômicos que parecem constituir a espinha dorsal da situação brasileira., isto é, o que nos permite ver de maneira mais clara e panorâmica o estado em que as populações dos vários ‘brasis’ parecem viver, ou sobreviver. Três  aspectos saltam aos olhos, um em cada década antecedente; concentração de renda (década de 70); recessão sem distribuição (década de 80), estabilização da moeda e desemprego (década de 90).

Este caminho histórico legou, naturalmente, o aumento das desigualdades territoriais e sociais, onde estão incluídas desigualdades de renda e serviços e gastos públicos entre regiões, o surgimento de estratos sociais e dicotomias bem marcadas – e profundamente desiguais – como ‘cidade e campo’ , ‘centro e periferia’.

Quando ao saneamento, houve expansão da cobertura dos serviços de saneamento, particularmente da água.

Os números da Educação não revelam muitas mudanças, apesar do alarde do Governo Federal: os índices de analfabetismo e baixa escolaridade permanecem elevados, e a única boa noticia é um pequeno aumento da escolaridade da população mais jovem. Sem se analisar a qualidade, por certo.

Na Saúde, nota-se a expansão da cobertura da rede básica de saúde e assistência hospitalar, mas com qualidade ainda extremamente insatisfatória.

A situação dos idosos no Brasil desvela as profundas desigualdades sociais no pais. É preciso revelar os mecanismo das desigualdades. Um exemplo disso é o estudo divulgado recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA) mostrando a distorção entre o nível educacional de brancos e negros: a pesquisa revela que os índices são os mesmos do século XIX, isto é, que a grande diferença entre o nível educacional dos brancos e o dos negros não foi sequer atenuada. Dados indicam que irá demorar cerca de 20 anos para o negro igualar esse período. Isso se algo começar a ser feito hoje. Só isso.


* Mestrado em Epidemiologia do Envelhecimento pela Escola Paulista de Medicina. Trabalha no Ministério da Saúde. Publicado na REA nº 15, agosto de 2002, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/015/15pucca.htm

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4 comentários sobre “Idosos, raça e desigualdades

  1. Gilberto Pucca, muito obrigado pelo brilhante texto, demostra coisas importante e reflexões que devem ser levado acabo no futuro das politicas publicas e sociais. Mas o meu grande questionamento vem em relação ao tema que não esta bem claro, quando fala de Idoso, raça e desigualdade, não mostra como os idosos de raças diferentes são desiguais, Onúmero de idoso são proporcionais entre as raças, origem social, centro de acolhimento como comporta as diferentes raças?
    Deixo estas questões para reflexão e melhorar o seu artigo, quem sabe até podes desenvlover no teu Doutoramento e noutros circulos de debates.
    Meu grande abraço.
    Gostaria de ter a tua reação.

    Joaquim Miranda Maloa

    Moçambique
    Centro de Pesquisa e Promoção Social

  2. Bom dia, considero esses textos uma maneira de repensarmos um pouco a nossa realidade. São textos que nos permite relfetir sobre as várias situaçoes dos vários seguimentos sociais. Estamos necessitados de verdadeiros representantes nesse país, pessoas compromissadas com as causas sociais.

  3. assunto de estrema necessidade aser ecessivamente ser explorado pois se trata de uma realidade

  4. OLá bom dia, gosto muito de receber esses textos, pois faz a gente questionar e refletir a realidade durante a correria da vida. O Brasil, mesmo alcançando um crescimento economico e a expectativa de vida subindo temos a mesma política de decadas atrás, e realmente, precisamos de representantes mais interessados com o social, como o meio ambinete, não queremos somente um país que tenha reservas de dinheiro, isso é importante sim, mas queremos acima de tudo e precisamos de estrategias que traga igualdade a todos e oportunidade, para termos realmente um país melhor.

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