Por que não festejo e me faz mal o Natal

por Mário Maestri*

Não festejo e me faz mal o Natal por diversas razões, algumas fracas, outras mais fortes. Primeiro, sou ateu praticante e, sobretudo, adulto. Portanto, não participo da solução fácil e infantil de responsabilizar entidade superior, o tal de “pai eterno”, pelos desastres espirituais e materiais de cuja produção e, sobretudo, necessária reparação, nós mesmos, humanos, somos responsáveis.

Sobretudo como historiador, não vejo como celebrar o natalício de personagem sobre o qual quase não temos informação positiva e não sabemos nada sobre a data, local e condições de nascimento. Personagem que, confesso, não me é simpático, mesmo na narrativa mítico-religiosa, pois amarelou na hora de liderar seu povo, mandando-o pagar o exigido pelo invasor romano: “Dai a deus o que é de deus, dai a César, o que é de César”!

O Natal me faz mal por constituir promoção mercadológica escandalosa que invade crescentemente o mundo exigindo que, sob a pena da imediata sanção moral e afetiva, a população, seja qual for o credo, caso o tenha, presenteie familiares, amigos, superiores e subalternos, para o gáudio do comércio e tristeza de suas finanças, numa redução miserável do valor do sentimento ao custo do presente.

Não festejo e me desgosta o Natal por ser momento de ritual mecânico de hipócrita fraternidade que, em vez de fortalecer a solidariedade agonizante em cada um de nós, reforça a pretensão da redenção e do poder do indivíduo, maldição mitológica do liberalismo, simbolizada na excelência do aniversariante, exclusivo e único demiurgo dos males sociais e espirituais da humanidade.

Desgosta-me o caráter anti-social e exclusivista de celebração que reúne egoísta apenas os membros da família restrita, mesmo os que não se freqüentaram e se suportaram durante o ano vencido, e não o farão, no ano vindouro. Festa que acolhe somente os estrangeiros incorporados por vínculos matrimoniais ao grupo familiar excelente, expulsos da cerimônia apenas ousam romper aqueles liames.

Horroriza-me o sentimento de falsa e melosa fraternidade geral, com que nos intoxica com impudícia crescente a grande mídia, ano após ano, quando a celebração aproxima-se, no contexto da contraditória santificação social do egoísmo e do individualismo, ao igual dos armistícios natalinos das grandes guerras que reforçavam, e ainda reforçam – vide o peru de Bush, no Iraque – o consenso sobre a bondade dos valores que justificavam o massacre de cada dia, interrompendo-o por uma noite apenas.

Não festejo o Natal porque, desde criança, como creio para muitíssimos de nós, a festa, não sei muito bem por que, constituía um momento de tensão e angústia, talvez por prometer sentimentos de paz e fraternidade há muito perdidos, substituindo-os pela comilança indigesta e a abertura sôfrega de presentes, ciumentamente cotejados com os cantos dos olhos aos dos outros presenteados.

Por tudo isso, celebro, sim, o Primeiro do Ano, festa plebéia, hedonista, aberta a todos, sem discursos melosos, celebrada na praça e na rua, no virar da noite, ao pipocar dos fogos lançados contra os céus. Celebro o Primeiro do Ano, tradição pagã, sem religião e cor, quando os extrovertidos abraçam os mais próximos e os introvertidos levantam tímidos a taça aos estranhos, despedindo-se com esperança de um ano mais ou menos pesado, mais ou menos frutífero, mais ou menos sofrido, na certeza renovada de que, enquanto houver vida e luta, haverá esperança.


* Historiador e professor do curso de História e do Programa de Pós-Graduação em História da UPF, RS. Publicado em La Insignia.

Anúncios

93 comentários sobre “Por que não festejo e me faz mal o Natal

  1. Olhem, eu não conheço o professor, nunca havia lido um artigo dele. Mas não gostei do que disse de Jesus. Super ofensivo. O ateísmo está se disseminando pelo facebook geométricamente, e muito me admira pessoas boas compartilharem este texto. Pra mim uma decepção. Já estava previsto que nesta época quase não haveria mais fé entre a humanidade. As pessoas não estão vendo que tudo isso faz parte de um plano diabólico para acabar com o Cristianismo, levar as pessoas para o mal até se matarem por não terem objetivos espirituais de vida.. é assim que começa. Depois a pessoa acaba perdendo a alma pela eternidade inteira. Nossa Senhora de Fátima deu uma fórmula: rezar o terço para ajudar a salvar as almas. Hoje, semana de Natal e Ano Novo, fiz um propósito: rezar mais pelas pessoas, pela humanidade, para que creiam Nele.. Professor, eu vou rezar pelo senhor e pelas pessoas que dizem que são ateus. Porque no meio delas tem muita gente boa, do bem!

  2. Disse o apostolo Paulo que todas as coisas nos são lícitas mas nem todas nos convém. Gosto de ver e ouvir comentários de pessoas que se dizem ateus, percebo o quanto precisamos estudar a respeito de Jesus Cristo.Eu éra um homem que vivia fazendo coisas que desagradavam aos ensinos da bíblia, bebia muito,mentia, desobedecia meus pais, achava que éra o dono da verdade,uma vida promiscua,sem ter paz e achava que todas as pessoas eram falsas e egoista . Até que um dia tudo começou a mudar, foi quando percebi que tudo o que eu fazia não preenchia o vazio dentro do meu ser, comecei a observar os meus amigos que também faziam e aconteciam mais tambem eram vazios e sem vida como uma lata vazia que cai de uma ribanceira que só faz barulho mas que não tem nada dentro. Me apresentaram o evangelho de Jesus Cristo, eu de todo o meu coraçao o aceitei. Hoje tenho minha abençoada esposa, minhas duas filhas, enfrento o que tiver que enfrentar seja no trabalho, sentimental, saúde,conjugal ou qualquer outra coisa que for necessário com fé em Deus,com a ajuda do Espírito Santo e com as habilidades que Deus me deu.Deixo um abraço a todos, estou muito feliz com a minha resposta e deixo aqui uma oportunidade para que voces possam pensar no que eu disse e talvez quem sabe aceitar a Cristo como Ele realmente é.João Batista dizia arrependam-se pois é chegado o reino de Deus e então as pessoas eram batizadas para perdão dos pecados, Saulo(grande) de Tarso que depois foi chamado por Jesus de Paulo(pequeno) foi perseguidor da igreja de Cristo até o momento que foi lançado ao chão por uma voz que dizia: Saulo Saulo porque me persegues.Eu não acreditava em nada disso, chingava pregadores, falava mal das coletas nas igrejas, e outras…, até que um dia esta voz falou forte em meu intelecto.DEIXE ESTA VIDA DE SEPULCRO DE MARMORES (que por fora é bonito, mas por dentro só têm morte e cheiro ruim) ENTÃO VÊM E ME SIGA. Confesso queridos este dia chorei muito mas foi sem dúvida o meu NATAL porque JESUS nasceu dentro de mim, acredito queridos que acreditando ou não, Jesus Cristo, Deus eo Espiríto Santo não deixaram de existir porque voces não estão crendo ainda tenha fé acredite sua vida pode ser bem melhor ou Deus pode te dar uma outra . Aqui termino vou ceiar as delicias de guloseimas na casa da mamãe, um abraço, brincadeiras à parte reflitam até a próxima tchal.

  3. Querido amigo,

    Você tem o direito de acreditar ou não acreditar. De comemorar ou não comemorar o Natal como qualquer outra pessoa livre deste mundo. Porém, quando critica a frase de Jesus “Daí a Deus o que é de Deus e a César o que é de César”, dizendo que Ele “amarelou” e lendo que é um professor, me admira muito o que disse.
    Foram sábias palavras….Se todos as seguissem não teríamos tantas injustiças e omissões no mundo.
    César era uma AUTORIDADE desse mundo. Jesus mostrava ao povo que não veio confrontar as “autoridades”. Ele não almejava ser um rei. O “reino” dele não era parte desse mundo. É intangivel. E o povo humilde da época era facilmente manipulável e Ele queria que as pessoas o reconhecessem como o salvador das almas e não como uma autoridade que afrontava o poder humano. Portanto, TINHAM que respeitar César e as leis da época. Ele não queria tomar o poder e ser um tirano. Outra boa frase: “Quem tiver olhos para ver, que veja. Quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça”, ou seja, se quiserem me seguir, que me sigam.
    Acreditar ou não em sua existência é um direito seu, mas não use as palavras de Jesus dessa forma.

    Jesus não tem religião. A humanindade que se “re-ligou” a Ele, e vemos tantas formas de expressão por ai. Inclusive a negação total, como no seu caso e até mesmo o fanatismo absoluto.

    Claro que é uma data comercial. Vivemos no capitalismo, mas de novo: não foi Jesus que implantou o capitalismo, nem está na Biblia que é o certo trocar presentes. Muito pelo contrário. Fraternidade, solidariedade, amor ao próximo, são esses ensinamentos que lá estão. Vejo muitas manifestações de solidariedade neste dia. E mesmo sendo UM DIA fico feliz. E o que o Sr. faz? Por que não vai as ruas oferecendo o seu melhor? Por que não mostra que o Natal pode ser mais do que tudo isso? Tenho certeza que se sentiria muito bem. E se já o faz, em nome do próximo e não de Deus/Jesus/Buda/Maomé, já é mais um bem feito para essa humanidade sofrida.

    Desejo que nesse Natal as verdadeiras intenções dessa festa toquem o seu coração.

    Muito obrigada.

    Patricia Fernandes.

  4. FESTEJOS NATALINOS E DE ANO NOVO, DIA DOS PAIS, DIAS DAS MÃES, E OUTROS SERVE SOMENTE PARA MOVIMENTAR O COMÉRCIO EM GERAL. É UMA TOTAL HIPOCRISIA , ONDE AS PESSOAS SE CONFRATERNIZAM, SE ABRAÇANDO E SE BEIJANDO, COM OS VIZINHOS E PARENTES INTRIGADOS, E NO DIA SEGUINTE, CONTINUAM NÃO SE FALANDO, DESEJANDO O PIOR PARA ELES. ORA GENTE, INDEPENDENTEMENTE, DE EXISTIR UM DEUS OU NÃO, EXISTE SIM, PESSOAS NECESSITADAS QUE NUNCA TIVERAM A CHANCE DE RECEBER UMA EDUCAÇÃO BÁSICA, SUBNUTRIDAS; PORTANTO, SEM QUALQUER OPORTUNIDADE DE SOBREVIVER DIGNAMENTE. GENTE, A HIPOCRISIA IMPERA NESSE PAÍS, SÓ SE PENSA EM LEVAR VANTAGEM, O RESTO QUE SE ESPLODA, COMO DIZIA O PERSONAGEM DE CHICO ANÍSIO (JUSTO VERÍSSIMO). A RELIGIÃO SÓ SERVE PRA QUE OS MAIS “SABIDOS” TIREM PROVEITO DOS MENOS ESCLARECIDOS. NÃO PASSA DE UMA PICARETAGEM SEM TAMANHO. DEUS E JESUS NÃO CRIARAM IGREJA, APENAS JESUS DISSE: AMAI A DEUS SOBRE TODOS AS COISAS E AO TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO. AQUI LANÇO DOIS DESAFIOS: 1 – QUEM NESTE MUNDO CONSEGUE PRATICAR ESSE MANDAMENTO ? 2 – SE ME DEIXAREM REALIZAR UMA AUDITORIA NAS CONTAS DE QUALQUER IGREJA/RELIGIÃO E NO FINAL CHEGAR A CONCLUSÃO QUE CADA CENTAVO REALMENTE É HONESTAMENTE EMPREGADO, PASSAREI SER O PRIMEIRO A ARRECADAR TUDO QUE ME FOR POSSÍVEL E DEIXAR PARTE DO MEU PATRIMÔNIO PARA ESSA INSTITUIÇÃO. SE PENSARMOS 5 MINUTOS DO NOSSO DIA DE COMO FAZER PARA MINORAR O SOFRIMENTO DOS NOSSOS IRMÃOS CARENTES, TENHO CERTEZA QUE UM DIA CHEGAREMOS A TER UM MUNDO MAIS JUSTO.

  5. […] Abaixo o Natal, e viva o Ano Novo! Publicado em 26 de dezembro de 2009 por Rodrigo Cardia var addthis_product = 'wpp-264'; var addthis_config = {"data_track_clickback":true,"data_track_addressbar":false};if (typeof(addthis_share) == "undefined"){ addthis_share = [];}O Natal de 2009 já é passado, mas achei mais um ótimo texto sobre o tema “anti-Natal”. É de Mário Maestri, professor de História na Universidade de Passo Fundo (UPF). Desta vez não publico inteiro, vai só dois parágrafos: para ler na íntegra, clique aqui. […]

  6. Nesta epoca de natal podemos dizer que o Ambiente è provocado logo apos,12 de outubro ,então o ambiente forma esta data ou a tal data provoca pelos os COMERCIANTES Mundiais

  7. Caros colegas, pensadores ou meros opinadores.

    Lendo o que os senhores escreveram, embasados em vários pensadores das mais diferentes culturas, somente um questionamento me ocorre: O que será que realmente os atormenta?… Será que é a falta de um abraço amigo no nosso conturbado e corrido dia a dia, será a falta de um simples olhar de compaichão de um outro ser humano ou até mesmo de um animal.. Sinceramente não sei….A busca insessante por uma verdade que resolva o enigma “Será que realmente existiu um Deus”, atormenta certos pensadores e filósofos….. Conheço muitos mestres e doutores que por terem esse título se julgam acima do bem e do mal e explanam teorias patéticas embasados em outros da mesma formação… Sinceramente a beleza do natal está no fazer o bem sem buscar algo em troca… Quem sabe o mundo não se torne melhor a começar pelos senhores..

    Um feliz natal a todos…independente de cultura, raça, religião.

    Professor Carlos

  8. Viva a festa pagã! Viva 2010! Para os que defendem o natal e acreditam no cristo libertário e “revolucionário” passado, acreditem no do presente! Se a memória não me trai, ele mora em Curitiba e atende pelo nome de “Inri Cristo”!; Está precisando urgentemente de seguidores para libertar a humanidade, isto tudo se não “amarelar” também!
    Li todos os comentários. Grande maioria de uma irracionalidade obscurantista invejável, somente proporcionada pela fé retrogada e anti-libertária da existência do onipresente. Outra parte dos indiferentes, dos de cima do muro, aqueles que Gramsci odiava. Se tem miséria social na realidade material , não concordo, não compreendo mas não vou me contrapor por quê “deus escreve certo por linhas tortas”! deus quiz que eles passasem fome; que não tivessem moradia, não tivessem acesso a educação, saúde, saneamento básico, alimentação, salários decentes! Quiz tudo isso para provar sua fé! Continue passando fome, sem casa, educação, com salários ínfimos. Não lute pelos seus direitos e pela melhoria da sua qualidade de vida terrena e material, pois no reino dos céus só existem lugar para os miseráveis e submissos! quer ideologia mais perenenizante que esta para o sitema? Parabéns MM ao tocar na essência comercialista da maior festa alienante cristã. Viva a festa pagã! Viva 2010.

  9. Olá caros academicos,

    Como simples leitor e observador ouso escrever nesse espaço. Parabenizo, de todos os textos que li, inclusive o do autor Mario Maestri, o comentário de Jacques Jules Sonneville. Fino e educado. Não sou ateu militante, mas sou alguém que acredita no diálogo, e que através dele podemos aprender uns com os outros…sem que haja os donos da verdade, que aqui se mostraram tão vorazes. Amo verdade, e estou em busca dela.

  10. *O que seria uma ateu praticante*? Os cristãos,judeus, muçulmanos,… são crentes em um ser superior e têm, como forma de expressar sua fé, uma série de práticas, ritos, seja através das orações, das vestimentas, dos cultos,
    manifestações como a comemoração do natal, da páscoa, do ramadã, jejuns, quaresma etc.ISTO tudo são PRÁTICAS da fé de cada crente, segundo sua crença. *Que tipo de práticas tem um ateu? *O cristão praticante manifesta sua crença, exterioriza seus sentimentos, sua fé para com o seu Deus, de que FORMA o ateu MANIFESTA sua descrença? Cada um é livre para seguir o que quiser, mas deve ser coerente com o que diz ser ou então engana a si mesmo tentando enganar os outros. Se o descrente não sabe o que é ser ateu
    praticante, não deveria se exaltar em ser o que não sabe o que é.
    É o meu comentário ao texto do senhor Mário Maestri.
    Luis Rodrigues.

  11. Mário Maestri certamente ainda vivencia problemas antigos. A crença em um Deus que nós nunca podemos ver, e tudo que existe ao nosso redor, confesso que é preciso estar bem desesperado para simplesmente acreditar 100 % em tudo que a Biblia diz. È mesmo profundamente polêmico e caótico o fato de termos que acreditar em Deus, e festejar o Natal. Não somos cegos nem estúpidos. A humanidade não surgiu do nada. Tudo que vemos não foi uma criação espontânea. É muito, e muitíssimo fácil atribuir à Deus todas as boas coisa que não sabemos explicar; como também ao Satanás, as coisa horrendas e inexplicávéis. Explicar tais existencias é mergulhar num buraco negro. Sou simplório, e me satisfaço em tentar viver sem ferir conscientemente ao meu semelhante e sem julgar ao próximo (não é um julgamento que estou fazendo da sua pessoa), pois, seria uma ousadia minha julgar. Contudo, sair por aí acreditando em tudo que é dito, é estupidez, e não importa o que diga Edir Macedo ou o Papa.
    O Natal é triste para mim também. Deixa-me melancólico e cosntrangido. Não gosto de fazer promessas que não vou realizar.

  12. Mário Maestri,
    Ser ateu é uma coisa. De acordo, também sou.
    Ser ateu militante é outra coisa. É não aceitar a legitimidade de ter uma crença em Deus.

    Critica a figura de Cristo que “amarelou” diante do invasor romano.
    Critica o sentimento de falsa e melosa fraternidade geral que impera na época do natal.
    Critica a promoção mercadológica escandalosa que invade o mundo exigindo que se presenteie quase todos.

    Tem todo direito de pensar assim, e concordo com muita coisa que escreveu.
    Mas, posso me imaginar que, como ateu “militante”, se dependesse de você, tudo isso (o natal etc.) ia ser banido, proibido.
    Parece um pastor evangélico criticando a igreja católica ou o candomblé.
    Mas, a crítica, a depender do poder que se tem, pode se tornar uma política bastante agressiva.

    Como, por exemplo, os sunitas explodindo os chihitas, em nome de Alá.
    Ou a igreja católica queimando as bruxas, em nome da fé cristã.
    Ou Robespierre decapitando em nome da pureza da “razão”.
    Ou Stalin exilando os adversários em nome da pureza comunista.
    Ou os militares torturando os subversivos, para combater este mesmo comunismo.

    Toda “militância” ideológica é intolerante na sua essência e condena os que têm outra fé, ideologia ou convicção, praticando atos, desde a pura crítica até os atos mais condenáveis, em nome da “causa”, da direita ou da esquerda.

    Ser ateu é ser convencido de que a ética é possível sem um Deus, sem fé em alma, céu ou inferno depois da morte.
    As religiões também tem uma ética, o respeito ao próximo, à vida etc. Por serem militantes, porém, elas acreditam que as outras religiões estão erradas em um ou outro aspecto da ética. Os ateus, então, para elas só podem ser imorais, por não temerem o castigo divino. Não percebem, ou fazem de conta que não percebem, que é exatamente em nome da fé ou de uma ideologia que se praticam os atos mais horríveis contra a pessoa humana.

    Acredito na possibilidade de um diálogo entre os ateus e as religiões, a fim de encontrar uma ética comum, baseada naquilo que todos acreditam ser essencial para uma vida de compromisso e respeito para com os outros.

    Um feliz 2010, com amor, paz, saúde e prosperidade, o desejo de todos os homens e mulheres na terra.

    Abraços,
    Jacques

  13. Para Paula,

    Nós ateus ou agnósticos somos rancorosos e chatos? Pois bem, segue uma lista resumidíssima de ateus importantes, e que fizeram muito pela Humanidade, tanto em termos “chatos” (sérios) quanto em matéria de divertimento, entretenimento e cultura em geral:

    Destacando: Herbert de Souza (Betinho); John Lennon; Leonardo da Vinci; Albert Einstein; Charles Chaplin;Oscar Niemeyer; Pablo Neruda; Pablo Picasso; Renato Russo; Sigmund Freud; Thomas Edison; Zac Efron (astro da série infanto-juvenil da Disney: High School Musical)…

    Albert Camus; Aleksandr Lukashenko; Alfred Hitchcock; Álvares de Azevedo; Ambrose Bierce; André Breton; Andrew Carnegie; Angelina Jolie; Antero de Quental; Antonio Banderas; Antonio Gramsci; Arthur C. Clarke; Arthur Miller; Béla Bartók; Bertolt Brecht; Bertrand Russell; Bill Gates; Björk; Bruce Lee; Burt Lancaster; Camila Pitanga; Charles Darwin; Charles M. Schulz; Chico Buarque; Christopher Reeve; Daniel Radcliffe; David Bowie; Dercy Gonçalves; Diane Keaton; Dias Gomes; Drauzio Varella; Eddie Vedder; Émile Durkheim; Federico Fellini; Frank Miller; Friedrich Engels; Friedrich Nietzsche; George Clooney; George Orwell; George Soros; Glória Maria; Giuseppe Garibaldi; Graciliano Ramos; H. G. Wells; Hugh Laurie; Sir Ian McKellen; Ingmar Bergman; Isaac Asimov; Iuri Gagarin; James Watson (descobridor do DNA); Jean-Paul Sartre; João Cabral de Melo Neto; Jodie Foster; Johan Cruijff; John Byrne; Jorge Amado; Jorge Guinle; José Saramago; Juca Kfouri ; Keanu Reeves; Ken Follett; Machado de Assis; Malu Mader; Marlon Brando; Matheus Nachtergaele; Michael Caine; Monteiro Lobato; Nilton Santos; Paulo Autran; Sebastião Salgado; Stephen King; Uma Thurman;
    Umberto Eco; Vinicius de Moraes, …

    Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_ateus

    Vale ressaltar que em uma sociedade como a nossa a orientação religiosa só se torna conhecida de pessoas famosas. Por isso, não é de estranhar, que a maioria dos ateus ou agnósticos declarados publicamente sejam de artistas ou intelectuais, bem como em matéria de religião também. Ainda mais, num país intolerante como o Brasil, que apesar de ter 12 milhões de ateus ou agnósticos (segundo grupo, atrás apenas de católicos em relação à orientação religiosa) afirmar-se como ateu é correr o risco de sofrer preconceito e rejeição social.

  14. Texto e comentários instigantes, que por sua ‘natureza’ polêmica remetem ao mito da torre de Babel – emprestei a referência de fonte religiosa sem a intenção do vínculo.
    Se por critérios científicos, se por critérios religiosos ou outros critérios mais difíceis de definir ou compreender, que cada um continue a colocar suas posições e argumentações – respeitosamente.
    Ainda que não me permitam conclusão em termos Absolutos – o que não sei se seria possível, as proposições me enriquecem e me satisfazem neste “espaço” da ConVivência – ainda que virtual.
    As posições ‘fundamentadas’ em Correntes de Pensamento científicos ou religiosos, são, segundo meu entendimento, posições Pessoais.
    Viva a multiplicidade de Seres e Saberes!

  15. CARA PAULA, É MUITO DIFÍCIL PARA UM INTELECTUAL AFIRMAR EM SEU MEIO QUE NÃO É ATEU. PARA OS “PENSADORES” DIZER QUE ACREDITAMOS EM DEUS É QUASE UMA OFENSA, COMO SE FÔSSEMOS INFERIORES, INGÊNUOS E INCOMPLETOS POR CAUSA DISSO. PORÉM, SÓ CONHEÇO ATEUS RANCOROSOS, PESADOS, INFELIZES… ENFIM… INGÊNUO MESMO, PENSO EU, É QUEM TEM A VISÃO LIMITADA DE ACREDITAR SOMENTE NO QUE OS OLHOS PODEM VER.

  16. Caro professor, acreditar ou não acreditar é direito de cada um… Só achei que o seu texto foi um pouco “depressivo” de fato….ou seja o problema não foi o que você disse, pois tem todo o direito de dizer o que quiser, mas COMO você disse. Transpareceu infelicidade, amargura com a vida…. Sem críticas, mas talvez você precise se divertir mais… Lembre-se da música: “Eu fico com a pureza da resposta das crianças: é a vida, é a vida e é bonita!”

  17. O mundo sempre precisou e sempre irá precisar de pessoas que preguem a paz… trata-se de algo tão difícil que nós precisamos ser lembrados constantemente… Acho que já passou muito tempo para ainda falarmos em Inquisição.É hora de superar todo esse discurso. Não falo em ir à missa ou beijar a mão do padre. Mas sim ser grato por tudo o que você tem, por estar vivo, por existir a felicidade, o amor… não precisamos ser tão amargurados por conta dos problemas, aliás, os amargurados e depressivos não mudam a realidade, só os entusiasmados, aqueles que têm sua fé independente das religiões, os que têm alegria e sede de vida. Esses mudam o mundo para melhor.

  18. Acho que está havendo um grande equívoco por parte de todos. Vocês estão confundindo Deus com religião, com Jesus Cristo, enfim… pelo visto poucos estudaram religião de fato pra saber que Jesus Cristo foi um grande líder, mas ao invés de enaltecerem o que ele dizia, enalteceram o homem. Divinizaram Cristo e não prestaram atenção ao que realmente importava: o que ele dizia. Jesus nunca disse que Deus era uma entidade cruel ou julgadora. Ele falava “procure Deus dentro de ti”, se referia à Deus como uma força da Natureza, à grande mãe, à Criação, à força interior de paz e amor que todos temos. Esse Deus masculino e terrível veio pelas mãos de São Paulo, apóstolo que deturpou totalmente as palavras de amor e criou a tal religião Católica, como se conhece. Mas não era para ser assim, se as pessoas da época tivesse um pouquinho mais de discernimento. Então, ao invés de criticarem Deus, Jesus, Natal ou fé saibam exatamente o que estão criticando, pois como alguém em sã consciência pode condenar as palavras de perdão, de generosidade, tolerância que Jesus, Buda, Khrisna e outros líderes espirituais vieram nos trazer? Ou vocês acham que não é necessário?

  19. O que estamos discutindo exatamente? O consumo e a exploração social como motivos para não comemorar o Natal? Ora, façam-me o favor. Injustiça social, corrupção, egoísmo são problemas que sempre existiram e sempre vão existir, desde que o mundo é mundo. Agora não é por isso que as sociedades deixaram de fazer suas festas, rituais, comemorações de todo tipo… Vamos virar pessoas amargas, sem alegria no coração porque os problemas existem e ninguém é bonzinho? Ora! Os ateus devem ser anjos de pureza, eu imagino.Vamos sim comemorar, ser gratos por tudo o que temos e abraçar nossos familiares, dizer, pelo menos nessa época que os amamos. Qual o problema em ser “ser humano”, falho, cheio de defeitos, mas também com amor e com uma vontade atrapalhada de ser feliz? Ser amargurado não vai deixar o mundo melhor. Feliz ano novo a todos.

  20. ACOMPANHEI TODOS OS COMENTÁRIOS E, COM TODA SINCERIDADE, ACHEI TUDO MUITO CÔMICO. PRIMEIRO, GOSTARIA DE ENTENDER PORQUE TODOS OS ´”INTELECTUAIS” SÃO ATEUS, E DESFILAM TODOS OS MESMOS DISCURSOS RACIONAIS QUE NUNCA CONTRIBUÍRAM EM NADA PARA A PAZ OU MELHORIA DA SOCIEDADE. OU SERÁ QUE FORAM OS ATEUS QUE DEIXARAM O MUNDO MELHOR? GANDHI ERA ATEU? LAO- TE-SUNG? NELSON MANDELA? MADRE TERESA? ATEU SÓ SABE SER “ARTISTA” OU “INTELECTUAL”, VERBORRANDO TODAS AS ASNEIRAS “CIENTÍFICAS”, QUE POR SINAL, NÃO DEIXA DE SER TAMBÉM UMA RELIGIÃO PERVERSA E INTERESSEIRA.

  21. Professor Mário:

    Respeito sua opinião ou não crença em Deus. O respeito é um dos ensinamentos de Jesus. Ele nos deu liberdade de escolher, é o ser humano que escolhe o caminho pelo qual deseja caminhar. Sendo assim, os desastres sociais não é culpa de Deus, mas das ações humanas. Deus não seria Deus se tivesse que desfazer as injustiças praticadas pela humanidade e, ainda, ninguém cresceria como pessoa, como gente Todos nós seríamos robôs. Mas, aqueles que O seguem são protegidos e recebem muitas graças. Quem não é adepto ao cristianismo pode até achar simplista essa minha colocação. Eu poderia escrever muitos argumentos para tentar justificar a presença de Deus, porém tudo isso é mais uma questão de fé e não, necessariamente, de argumentos. Mesmo assim, aprecio alguns pontos apresentados pelo senhor em seu texto, por exemplo, “sou ateu praticante e, sobretudo, adulto”.É melhor ser ateu do que professar uma crença morna. Dizer que acredita em Deus, mas não procura conhecê-LO, porém, vai a uma igreja, independente de religião, apenas para cumprir um rito social. Infelizmente, muitos apenas pegam fragmentos da Bíblia e não contextualizam, levando, assim, a banalização da palavra de Deus. Todos os cristãos sabem que essa data não representa verdadeiramente o nascimento de Jesu. E se não há uma data precisa na Bíblia é porque, com certeza, Jesus deve nascer todos os dias em nossas vidas. Os ateus podem considerar minhas palavras um absurdo, assim como, eu posso considerar um absurdo as palavras dos ateus. É por isso que afirmo que a crença em Deus é uma questão de fé e não, necessariamente, de argumentos.E, por fim, a troca de presentes e outras práticas relacionadas ao consumismo são ritos apenas sociais. Se todos que trocam presentes acreditassem e vivessem em Jesus, o mundo, com certeza, estaria bem melhor. E digo mais, não tenho nenhum constrangimento ou repulsa por estudiosos ou filósofos que não professam o cristianismo. O Deus que conheço me impulsiona para viver em harmonia, equilíbrio, buscar a justiça e a verdade. Vever a paz. Estudar, trabalhar e ainda cuidar de mim, da saúde. E digo para realmente finalizar: Deus é o centro da minha vida.

    Atenciosamente,

    Sandra Nunes

  22. Lamento pelo vazio que existe em sua alma.
    Esse vazia só o Criador pode preencher por meio de Jesus.
    “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprove a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação… Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. Mas Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as despreziveis, e as que não são, para aniquilar as que são”.
    (I Coríntios 1:18-21 e 25-27 – Bíblia Sagrada)

  23. Caro professor, embora, seja de opinião contrária a do senho – no tocante a crença em Deus pai todo poderoso, estou e sou de total harmonia em relação a hipocrisia desmascarada e vergonhosa que assola o globo nessa data tão sem nexo que é o natal.

    Analizemos o nascimento do menino Jesus através da lógica: Qual o verdadeiro nascimento de cristo? Já que ele foi morto, e, resussitou ao terceiro dia, então, qual nascimento podemos comemorar com exatidão?
    Será que seu nascimento não se anula por seu renascimento?

    Gostaria de aproveitar o espaço e sem modesta compartilhar um texto de minha autoria, para juntos (todos os leitores) analizarmos, nossas ações hipócritas – e mencionar que todos, (inclusive o próprio professor) somos hipócritas.

    Por que Natal?

    Desde criança sempre gostei de festas, sempre fui atraído por elas, ficava a perguntar a meus pais o porquê que no carnaval as pessoas se melam, no São João… Bombas são soltas, e no Natal as pessoas trocam presentes? Fui crescendo e duas dessas festas chamaram-me à atenção: carnaval e Natal.

    Bem, como é tempo de natal convoco-vos para que meditemos sobre esta, deixemos o carnaval para uma outra e bem próxima ocasião.

    Tenha um Feliz Natal… Com essa frase absurda, nojenta, falsária e sem dúvida a frase mais cruel e falsa que nem Lúcifer ousa a dizer ou desejaria para seu pior inimigo, que é Deus (será mesmo?), nós seres humanos cumprimentamo-nos, abraçamo-nos e beijamo-nos. Por que somos tão falsos uns com os outros? Por que passamos “todos os dias” uns pelos outros e não nos falamos? Às vezes, e muitas são às vezes; nós quando avistamos alguém conhecido, desviamos o caminho para nem se quer olhar para esta pessoa. Nem Satã age assim… Ele pelo menos não se esquece de nos perturbar, de colocar empecilhos para que caiamos todos os dias de nossa vida!

    Até pais e filhos que passam o ano inteiro sem se vê direito, casais jovens e velhos que não se amam o ano inteiro… Nesta data tão especial, se abraçam e se desejam.

    E o burguês! Kkkkkkkkkkk

    Eu nem sei de quem dou mais risadas nesta data tão macabra. Se do patrão que pisoteia todo o ano o empregado e quando chega natal – o tal carrasco, torna-se ser humano, seu sentimento de brutalidade converte-se em sentimento de comiseração pelas vergalhadas que deu o ano todo em seu escravo capital, ou, se do próprio operário que fora humilhado e assim como o cordeiro leal fora e é levado constantemente ao matadouro, e agora, por ser natal, ele esquece-se das malvadezas do patrão e recebe da mão deste – como um hippie; sua mísera “promoção”, desejos fúteis que são piores que o fogo eterno que Mefistófeles irá sentir.

    Pois é! Por que somos tão falsos? Será que é por que essa data representa o nascimento do menino Jesus? Se for isso… Todos vocês (refiro-me aqui, só aos hipócritas que se julgam cristãos) irão para o inferno, pois ele morreu e ressuscitou ao terceiro dia, então, logicamente seu nascimento não é mais nesta data!
    Kkkkk dou risadas de vocês kkk, por que vocês crentes em Jesus, tão crentes e, não sabem nem o nascimento do Deus que dizem servir sem serem realmente servos. Que paradoxo complexo! Eu estou a dar risadas e Satã a bater palmas, “pá, pá, pá”.

    O nascimento dele (do menino Jesus) anulou-se com a chegada de seu renascimento.

    Será que não seria melhor ao invés de nos desejarmos com sentimentos falsos, com uma frase tão cruel, como os campos de extermínio da SS, passássemos a agir como de costume… A nos matar, maltratar-nos, fofocar, enfim a sermos verdadeiros?

    Para não dizer que também não sou hipócrita… Tenham todos, um Feliz Natal!

    Com risadas minhas e palmas do fogo eterno que vocês irão sentir.

  24. Amigo Arthur
    Concordo, até certo ponto. Explico: para legitimar o natal e os penduricalhos que lhes adorna e aliena os seguidores, é preciso antes legitimar a existência de Cristo e de seu pai. Ou seja, sem nascimento de cristo não há natal nem papai-noel.
    Cordialmente,
    José Pinto de Queiroz Filho

  25. Caro José, acredito que além dessa questão, o principal no texto é a ênfase no caráter alienante da data festiva.

    Cara Ana Maria, era pra ser um argumento isso? Vamos começar a questionar qualquer hábito secularizado porque no seu início tinha caráter religioso? Pára tudo então…

  26. Caro Professor, pergunto. Se não comemoras, ou mesmo desconsidera o aniversariante, como comemora então a passagem de ano, que é justamente a data do aniversariante, ou, em que ano está considerando a sua história de vida… não poderá então celebrar 2010, pois se bem sabemos esse homem que você diz que amarelou é o aniversariante, de Nome CRISTO, fez tão grande diferença que consideramos A.C.e D.C., ou seja, Antes de Cristo e Depois de Cristo. Em que momento você está agora, A.C., D.C., ou melhor, deve estar mesmo é S.C.S.V. (SEM CRISTO SEM VIDA)…

  27. O debate se processa com fundamento nos vieses primais: deus existe; deus não existe. Ficou-me a impressão de que ficou dito o relevante sobre o assunto. Depurando as posturas fundamentalistas radicais, temos a favor do Natal, dois argumentos pertinentes que podem ser resumidos assim: 1) Sonhar é preciso. 2) Melhor que haja um dia de confraternização – com todas os defeitos (humanos) -, do que nenhum. E contra, o seguinte: é difícil, muito difícil, um indivíduo, adulto, racional acreditar num deus onipotente, onipresente, onisciente, cujas ações, observadas do ponto de vista da racionalidade humana, ou se quiserem, do famigerado livre arbítrio, nos leva a enxergá-lo como um mau caráter cuja ocupação principal é a de exigir do ser humano a obediência restrita aos “seus mandamentos”, para obter a salvação pós morte; mesmo sabendo antecipadamente (onisciência) quem irá ou não falhar. Um jogo de gato e rato. No meu entender, Noel e Natal são meros argumentos secundários; o que existe, na essência do debate, é a persistência dos vieses primais: deus existe, deus não existe. O resto é o resto.

  28. Acompanho a REA já há algum tempo e não me lembro de um tema que tenha suscitado tanta polêmica, contudo há um fato interessante a se registrar, de todos os comentários, os que parecem mais INTOLERANTES, vêem justamente, paradoxalmente aliás, daqueles que se consideram mais religiosos …

  29. Brilhante o texto de Maestri! Permitam-me o jogo de palavra simplório, é de extrema maestria em criticar o, horror!, senso comum. Sinto-me do mesmo jeito, pelas mesmas razões, em relação ao Natal. Como ateu, considero ofensivo a obrigação de crer ou de participar a exaltação de algo, que como cientista social, não sei se existiu, mas que não foi na data prevista. Pior: se Jesus existiu, foi um traidor de seu povo na hora em que ele mais precisava. Prefiro a certeza da não-existência de Deus, que permite-me a fé racional da construção coletiva humana, da superação desta, do que na existência de algo, que se existisse, só poderia ter um mau caráter gigantesco: como um ser todo poderoso e todo bondade permite que a humanidade viva da maneira que vive. Ou, mesmo, teria a total falta de empatia com seu filho, largando-o no momento que mais precisa (talvez seja daí que Jesús tenha aprendido a trair e lavar suas mãos frente ao sofrimento de seu povo subjugado).
    O Natal, festa do consumo, sem sentido. Se fores mitraísta, feliz natal, feliz nascimento de Mitra. Não o sendo, esqueça, não há nada a comemorar.
    Ah, e a forçação de barra para que tenhamos fraternidade com todos, mesmo com aqueles que nos exploram ou nos destratam? E a depressão que muitos que não tem culpa, sentem sozinhos em seus lares? Ou a obrigação de confratenizar com pessoas a quem só temos a consangüineidade, mas não a amizade dos que escolhem o convívio por similitudes?
    Maestri estais de parabéns!

  30. Depressivo? Me parece é que a maioria dos comentários partem de seguidores da Inquisição… isso sim.

    Não gosto da época de Natal, não só porque não creio em Deus, mas porque a situação social que nos cerca fica destacada, isto é, a enorme desigualdade social fica evidente. Feriados como esses servem apenas para regozijo da burguesia que gasta com prazer em produtos supérfulos. A população em geral vê a data como momento de reunião familiar, eu mesmo vejo assim, mas de certa maneira é uma solidariedade hipócrita mesmo, como o professor Maestri nos diz. Com a família dilacerada, qual o sentido em comemorar uma data que a valoriza superficialmente? É o momento de “aturar” aqueles parentes chatos que você fica o ano inteiro evitando. E pra quê?

    Quanto ao Ano Novo, fazemos referência ao que faremos ou que deixamos de fazer no nosso cotidiano. É a situação prática que liga a reflexão de fim de ano e não algo sobrenatural. Pra mim, a data em si não tem tanta importância como no texto, na realidade essas descontinuidades são ilusórias para quem não está alienado para o que o cerca todos os dias. Tenho a esperança que num lampejo aqueles que não refletem sobre suas ações no dia-a-dia consigam fazê-lo ao menos nesse período final do calendário.

  31. É meu caro, parece – me que falta AMOR em seu coração e um pouco não, muita noção e percepção sobre o que acha ou deixa de achar.
    Bom, vindo de um Ateu não poderia esperar nada melhor.
    Cristo amarelou?? Faz me rir, quem é você pobre homen para criticar Cristo??? Se auto critique primeiro e avalie se essas suas palavras edificam algo ou destroem algo.
    Tenha paz e que Deus lhe abençoe, pois você está precisando.

  32. TEXTO DEPRESSIVO…ONDE UM ATEU BUSCA A PAZ NO CORAÇÃO, O SENTIMENTO DE PERTENCER A ALGO MAIOR, NOBRE, ONDE ENCONTRAR PALAVRAS TÃO VERDADEIRAS E ÍNTEGRAS COMO A DOS LÍDERES ESPIRITUAIS (MESMO TENDO SIDO ELES “DISTORCIDOS” POSTERIORMENTE POR SEUS DISCÍPULOS OU SEGUIDORES). ENFIM, COMO SER VERDADEIRAMENTE FELIZ ACHANDO-SE APENAS UM MONTE DE MATÉRIA SEM VIDA REAL?

  33. O texto do professor Maestri é, no mínimo, contrditório, pois ao mesmo tempo em que rechaça o espírito de Natal, declara uma outra data como momento de comemoração. Se seguirmos sua linha de raciocínio, deveríamos nos recusar em comemorar qualquer data. Só tenho uma coisa a dizer: sonhar não faz mal a ninguém.

  34. Seu ponto de vista é no mínimo cruel e desrespeitoso por ter um objetivo implícito de tentar negar as pessoas de valorares laços afetivos e culturais tão inerentes ao período natalino,e ainda mas quando propõem que neguemos a Cristo como inverdade,reconheço porém que o natal escancara as diferenças sociais quando deixa claro que tem poder de consumo ou não.Mas o culpado certamente não é o aniversariante pois este jamais propôs situações como a sociedade tem buscado viver.Afirmo que todo dia deveria ser natal a vista o poder de atitudes tão benéficas reconhecidas até mesmo pelo incrédulo autor da infeliz opinião sobre esta maravilhosa festa.

  35. não tem nada de amargo é logico e honesto, e não precismos\esperar dia 25 de dezembro e toda sua iconografia para sermos generosos e gentis.

  36. A confraternização deveria existir em todos os dias do ano. Porém é melhor que exista em um único dia do que em nenhum.
    O texto diz verdades: Natal é consumismo. A troca de presentes se torna algo comercial e interesseiro. Não se sabe a data exata em que Cristo nasceu e com certeza não foi dia 25.12.
    A data foi “emprestada” pela religiao catolica do Deus( ou Deusa?) Mitra.
    Acredito na existência de Jesus e se o personagem não existiu, de qualquer forma suas lições e histórias ensinam verdades eternas que estão no nosso inconsciênte coletivo.
    O amor é sempre será a lei superior e única forma de sermos felizes. Isso resume as liçoes de Cristo.
    Jorge Roriz – http://www.jorgeroriz.com

  37. Num mundo de violências e roubalheiras, não vejo mal nenhum em “acreditar” num pouco de fantasia. Aliás, acho uma festa linda, onde se tem a oportunidade de confraternização e amizade.

  38. O texto do professor Maestri é amargo, deprê, deixa transparecer mais problemas pessoais do que existenciais. Quem sofre – como eu – por não entrar no clima consumista e profano da época de Natal, lendo o seu texto cai em desgraça, porque sua crença é fundamentalista agnóstica. Provavelmente, no passado próximo, ele foi um crente da fé marxista (como eu já fui), comemorava outra data metáfora do Natal… Ainda que exagerado, hipócrita, falseado, penso ser menos pior as pessoas estarem leves nessa época do ano, confraternizando umas com outras, do que carregarem o peso do academicismo ateu, que esconde outras crenças, outros profetas, e outars escrituras sagradas querendo se passar de cientificas. Lamento muiiito.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s