Óleo de Lorenzo e Patch Adams: a arrogância titulada

por ANTONIO OZAÍ DA SILVA*

Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas. (Machado de Assis)

A sabedoria vale mais que a força; mas a sabedoria do pobre é desprezada e às suas palavras não se dão ouvidos. A sabedoria vale mais que a força; mas a sabedoria do pobre é desprezada e às suas palavras não se dão ouvidos. (Eclesiastes 9,16)

Todos os dias, milhares de pessoas se submetem ao deus criado pela humanidade: sua santidade o cientista. Seu santuário localiza-se nos edifícios dos modernos laboratórios, hospitais e universidades. Em todos os lugares, encontramos o especialista, guardião do conhecimento científico, o qual, pretensamente, tem resposta para todos os males que afligem a humanidade. São os pequenos profetas, representantes do saber canônico legitimado pela sociedade, autoridades instituídas que têm o poder da palavra. Como escreve Bourdieu:

“A especificidade do discurso de autoridade (curso, sermão etc.) reside no fato de que não basta que ele seja compreendido (em alguns casos, ele pode inclusive não ser compreendido sem perder seu poder), é preciso que ele seja reconhecido enquanto tal para que possa exercer seu efeito próprio.” (1998: 91)

Os estudantes, por exemplo, ficam extasiados com a erudição do mestre. Em certas circunstâncias, quanto mais incompreensível for o discurso do professor mais ele parecerá inteligente. Em geral, passa despercebido o fato de que a instituição universitária legitima o discurso professoral: o docente não precisa saber, mas sim aparentar que sabe. Tempos atrás, havia uma novela onde o personagem, estilo professor-filósofo, discursava em solenidades e o público ficava boquiaberto com tanta sabedoria e erudição; na verdade, embromação.

Este tipo de autoridade se impõe devido à nossa cumplicidade. Quando procuramos o médico aceitamos de bom grado a sua autoridade: suas palavras expressam a verdade científica. Como nós, míseros ignorantes, podemos questioná-lo? Terá o aluno a ousadia de questionar o saber do professor? Ainda que este ou aquele professor seja inquirido neste ou naquele ponto, a sua autoridade estará resguarda pela posição que ocupa na instituição. Ou seja:

“A linguagem de autoridade governa sob a condição de contar com a colaboração daqueles a quem governa, ou seja, graças à assistência dos mecanismos sociais capazes de produzir tal cumplicidade, fundada por sua vez no desconhecimento, que constitui o princípio de toda e qualquer autoridade.” (Id.)

A imposição do saber canônico, da palavra autorizada, inclina-se à arrogância, manifesta ou camuflada (na forma da humildade demagógica). Isto ocorre na medida em que o portador do conhecimento científico não reconhece outro saber. Há quem considere que a posse da sabedoria livresca e do conhecimento titulado e legitimado pela instituição concede status superior. Não fosse o mal e o sofrimento que causa – para si e para os outros –, a arrogância bem que poderia ser desconsiderada ou simplesmente debitada às compreensíveis fraquezas humanas.

Imagine-se no lugar da criança submetida à arrogância professoral, do estudante sacrificado no templo dos pequenos profetas, ávidos e autoritários [1]; imagine-se nos corredores de um hospital, submetido à autoridade dos médicos e burocratas e sem outra opção a não ser esperar e esperar…

E quando, mesmo com toda a cumplicidade à autoridade instituída, nos vemos diante de uma situação desesperadora, para a qual a ciência não tem resposta? O filme O Óleo de Lorenzo ilustra bem esta situação. Trata-se da história de uma criança que tem uma doença rara e, pelos prognósticos dos doutos cientistas, não viverá muito. Logo nas primeiras cenas um fato se sobressai: o sofrimento ao qual o menino é submetido e as dificuldades da ciência em diagnosticar. A fala fria e científica do médico, ao informar o diagnóstico, contrasta com o desespero dos pais. A mãe pergunta se não há uma remota possibilidade de cura, se ele tem certeza. O doutor responde, secamente: “Absoluta”. Só resta a resignação.

Em Patch Adams, fica claro como se chega à objetividade científica traduzida em gestos e falas que mais se assemelham a autômatos. O filme relata a história de um homem com tendência suicida que, no hospício, descobre um sentido para a vida: ajudar o próximo. Nesta busca do outro, ele decide fazer o curso de medicina. Na faculdade, entra em choque com a burocracia e, principalmente, com a filosofia de ensino defendida pelo professor-reitor. O paciente se submete à autoridade do médico, o que atesta o seu poder. Como o poder causa dano, a solução apregoada pelo reitor para evitar ou minorar as conseqüências é a recusa dos sentimentos e a valorização absoluta da objetividade científica. Nesta perspectiva, a tarefa dos professores é desumanizar os futuros médicos, isto é, recusar-lhes o status de humanos (com suas paixões, sonhos, fraquezas e dilemas), e transformá-los em médicos. A relação deixa de ser uma relação entre humanos e passa a ser uma relação sujeito-objeto, do médico com a doença. Os doentes são desumanizados, anulados em sua identidade e transformados num número da ficha hospitalar, num caso a ser estudado, diagnosticado e tratado.

Eis como se forma um cientista desprovido de subjetividade – como se isto fosse possível! A propósito, seria a sisudez um aspecto inerente ao ato de fazer ciência? Observa-se nestes filmes como alguns indivíduos que representam o saber científico (médico, professor, pesquisador, etc.) distanciam-se dos demais seres humanos e adotam um ar de gravidade – confrontado, em Patch Adams, pelo bom humor e o jeito peculiar de encarar a profissão. É interessante como este estilo influencia os estudantes: o aprender transforma-se em sinônimo de desprazer, competição e inveja (como se a cretinice e a chatice fosse condições para o trabalho intelectual). A prática de Patch Adams coloca em xeque o método de ensinar-aprender tradicional. Não por acaso, o reitor defende-se dos questionamentos com um argumento tipicamente científico: “Nosso método é o resultado de séculos de experiência”.

O filme O Óleo de Lorenzo demonstra que, em sua arrogância, os guardiões do saber canônico não admitem concorrência: reflete a contradição entre o saber considerado científico e o saber não reconhecido no campus. Os pais de Lorenzo, na luta para salvar o filho, tornam-se autodidatas, rivalizando com os renomados doutos. As autoridades científicas relutam em aceitar os avanços obtidos nas pesquisas realizadas externamente ao seu controle.

Mas, a resistência não é apenas dos médicos: os demais pais, cujos filhos sofrem da mesma doença de Lorenzo, não aceitam que alguém fora da academia possa atingir o saber científico. Ou seja, negam legitimidade ao saber não-diplomado. “Querem ensinar os médicos”, acusa uma mãe. Em sua opinião, o desafio ao saber estabelecido é um ato arrogante. E ela tem certa razão. Com efeito, a palavra arrogante vem do latim arrogare, que significa apropriar-se de. E de fato, o que o pai de Lorenzo faz é, por meios próprios, apropriar-se do conhecimento científico.

Patch Adams também representa um desafio ao saber instituído, na medida em que questiona seus pressupostos e projeta uma experiência autogestionária, onde todos aprendem e ensinam mutuamente (a idéia de um hospital no qual os doentes e médicos aprendem uns com os outros e somam esforços no sentido de tornar a vida melhor).

Ambos os filmes não descartam o saber instituído. Não há contradição absoluta entre os tipos de saber: o autodidatismo do pai de Lorenzo se referencia no conhecimento científico acumulado e disperso; a crítica de Patch Adams se insere no contexto do campus. Num e noutro caso, não há a negação absoluta do saber científico, mas sim de uma determinada maneira de compreendê-lo e de agir. Tanto o pai de Lorenzo quanto Patch Adams são incorporados e assimilados pelo campo acadêmico.

Óleo de Lorenzo e Patch Adams, baseados em histórias reais, questionam a arrogância titulada e o intelectualismo desencantado do mundo: o saber cientificista, abstrato e sisudo, profundamente desvinculado do humano; um saber que não mergulha no mar da humanidade, um saber desumanizado.

O amor pelo filho e pelo próximo alimenta a paixão pelo conhecimento. “Com efeito, para o homem enquanto homem, nada tem valor a menos que ele possa fazê-lo com paixão”, afirma WEBER (1993: 25). O trabalho realizado com paixão inspira e realiza o homem; o contrário, exprime obrigação, opressão. O exemplo do pai de Lorenzo comprova que o diletantismo, como admite Weber, é positivo:

“No campo das ciências, a intuição do diletante pode ter significado tão grande quanto a do especialista e, por vezes maior. Devemos, aliás, muitas das hipóteses mais frutíferas e dos conhecimentos de maior alcance a diletantes. Estes não se distinguem dos especialistas (…) senão por ausência de segurança no método de trabalho e, amiudamente, em conseqüência, pela incapacidade de verificar, apreciar e explorar o significado da própria intuição”. (Id.: 26)

O saber confrontado pelas experiências relatadas nestes filmes vincula-se, via de regra, à vaidade – que, em defesa dos intelectuais, não é uma propriedade exclusiva do campus. Se todos somos vaidosos, em menor ou maior grau, o problema começa quando a vaidade se traduz em atos autoritários ou se erige em obstáculo às relações humanas (talvez, por isso, há quem prefira os animais).

O mais preocupante nisto tudo é a perda do sentido da vida e da percepção da sua finitude. Se levarmos em conta as sábias palavras em epígrafe, quem sabe nos tornemos mais humildes em relação às nossas pretensões intelectuais e tenhamos uma atitude mais crítica (quanto ao pretenso conhecimento científico) e mais flexível (em relação à sabedoria popular). Quem sabe, aprendamos a controlar a arrogância e nos convençamos de que os títulos acadêmicos não nos tornam essencialmente melhores do que os nossos semelhantes não-titulados.

Referências

BOURDIEU, Pierre. (1988) A Economia das Trocas Lingüísticas:O que Falar Quer Dizer. São Paulo: Edusp.

MACHADO DE ASSIS, Joaquim Maria. Memórias póstumas de Brás Cubas. Santiago (Chile), Editora América do Sul LDA, 1988. (Biblioteca de Ouro da Literatura Universal)

WEBER, Max. Ciência e Política: Duas Vocações. (1993) São Paulo: Cultrix.


* ANTONIO OZAI DA SILVA é docente no Departamento de Ciências Sociais, Universidade Estadual de Maringá. Blog: http://antoniozai.wordpress.com. Publicado na REA, nº 28, setembro de 2003, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/028/28pol.htm

[1] Ver: As dimensões da relação aprender-ensinar e “Estudo Errado”: Qual é a capital de Kubanacan? (Revista Espaço Acadêmico, nº 25, Junho de 2003).

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22 comentários sobre “Óleo de Lorenzo e Patch Adams: a arrogância titulada

  1. Ozai, sou maringaense, e estou em SP agora. Parabéns pelo artigo. Às vezes você acerta!! rsrsrsrsrsrsr

    Encaminhei esse seu artigo a pessoas muito especiais. Obrigado.
    abs, Luis.

  2. Fantástico! Excelente artigo.
    Tenho acompanhado sus publicações há muito tempo. Elas proporcionam algo que o homem pouco gosta de fazer – Pensar.

    Quanto ao filme Óleo de Lorenzo e… Já assisti e concordo plenamente. Um dos motivos da academia desestimular seus acadêmicos é o fato do mestre não querer “perder” sua posição
    atoritária e centralizadora do conhecimento. Infelismente muitos que eu conheço só tem o titulo, mas não o conhecimento. Passei por esse problema na minha graduação e pós.

    Parabéns Ozai. Gostaria de ver mais professores comprometidos como vc.

  3. Veja a entrevista de Patch Adams, na tv cultura, e verá que ele desqualifica o filme feito a seu respeito, por esvaziá-lo do conteúdo proposto por ele, por ser apenas uma obra cinematográfica com finalidade de lucro, como qualquer outra.

  4. Parabéns professor pelo belíssimo artigo. Vou utilizá-lo em minhas aulas com o oitavo período do curso de pedagogia da UEMG, aqui em BH. Depois lhe conto o resultado. Um grande abraço, Regina

  5. Meus parabéns Antonio. O fundamentalismo científico arrogante pode ser tão ou até mais letal que o fundamentalismo religioso. Ao desumanizar o ser humano, ele subtrai aquilo que o deveria caracterizar na sua essência.

  6. Boa noite concordo com a arrogância do Dr.Patch Adams ,porém ,discordo quando generaliza todos que conseguem com luta , muita leitura,muito estudo reelaborar,redefinir ideias de muitos autores em suas obras,às vezes nem percebidas por quem as escreve,muitas são boas em ajuda ,a muitos leitores .Em relação aos médicos esses sim são arrogantes,presunçosos,se não os são em berço os tornarão nos bancos acadêmicos,mas seu artigo é excelente,magnífico ,bem escrito em linguagem simples,fugindo de outros artigos escritos por você aos quais já os li ,encaixando-se muitos em seus próprios artigos do passado “A imposição dos saberes canônicos…”,e por aí vai ,não repreendo-o em suas palavras muito bem escritas ,mas há ambiguidade das ideias .Mesmo assim parabenizo-o pelo belo e corajoso artigo .

  7. Parabéns pelo artigo!
    É uma grande reflexão: antes do método, processo, ou objeto de entendimento, estamos lidando com ser humano.

  8. Muito bom, como costumam ser os seus comentários. Relevante e equilibrado. Um pequeno exemplo, que observei: numa livraria, ao meu lado, o jovem livreiro identifica um luninar da medicina e lhe pede conselho sobre seu filho “excepcional”. Resposta: “Execpcional é a criança acima da média; a sua é retardada”. Fim de conversa.

  9. O tema debatido em epígrafe é relevante em nosso tempo. Vivemos, como bem escreveu o preclaro sociólogo Max Weber, na era do desencantamento do mundo. Os prazeres de saber tornaram-se impostos pelo sistema, que exige-nos que saibamos, porém, o saber ditado pelo sistema.

    Não interessa mais o diletantismo, embora todos saibão que este devotar-se a um conhecimento é relevante e rendeu-nos bons frutos no caminhar da humanidade, mas o saber carrancudo, imposto pela técnica, comprovado pelo método. Não há lugar no atual modelo para o diletante, nem sobreviver da sua arte ele poderá.

    Sabemos que, tanto a técnica quanto o método são periodicamente renovados: cada geração faz suas próprias perguntas.

    O problema maior, penso, é a subordinação, a assimilação do saber científico pela indústria. Não existe mais aqueles “Dom Quixotes” que desafiavam moinhos de vento. Ou o saber está dentro da indústria que o financia, o alimenta e também, é claro, o dirige para seus propósitos, ou está na academia. Nesta última, o gosto pela descoberta morreu; renasceu um sentimento de uso mútuo: utiliza-se do saber acumulado pelo séculos para preparar profissionais que, por conseguinte, têm de se render ou somente buscam uma posição dentro sistema, dentro da indústria.

    Enfim, muito ainda há por fazer para repararmos aquilo que desleixadamente deixamos vender-se ao mercado. Termino com um pensamento de Rubem Alves e que tento passar aos meus alunos, nas aulas de sociologia: “O cientista se tornou um mito e o mito é perigoso, porque inibe o pensamento e estimula o comportamento”.

  10. Belo texto, expressivo e sincero.
    Mas também podemos recorrer a Weber para confirmar, de certa forma, a autoridade do saber científico em face dos experimentos não controlados.
    Os roteiros dos dois filmes exageram, visivelmente, certos traços, para melhor sublinhar seus propósitos, que seriam os de negar, pelo menos parcialmente, o saber científico, para melhor ressaltar a aposta no inusitado, no fora do comum, no excepcional.
    Weber, ao construir seu conceito de tipo-ideal também sublinhava que ele não correspondia, exatamente, a situações encontradas na realidade, mas a uma exacerbação de certos traços típicos, para melhor ressaltar as peculiaridades do fenômenos que se procurava estudar.
    Talvez seja um pouco isso.
    De toda forma, seu ensaio incita à reflexão.
    Paulo Roberto de Almeida

  11. Julgo o texto muito interessante embora seja necessário relativizar a postura docente. Nem todos os professores, arrogantemente, se “encastelam” em conhecimentos inexpugnáveis.
    Recomendo especialmente o filme O óleo de Lorenzo para todos os educadores, afim de que percebam como o conhecimento pode navegar, ainda bem, por “mares” que passam longe das especialidades e da academia.
    Abraço

  12. Amigo Ozaí: Mais uma vez você acerta no alvo delicado das pessoas que insistem em apenas ensinar (?) e nunca em aprender. Gostei da abordagem sobre estes filmes. Você faz uma outra reflexão que ainda não tinha estudado nestes filmes, em especial no Óleo de Lorenzo. Tenho usado este e outros filmes para trabalhos em equipe com os estudantes de Administração, em especial nas disciplinas que envolvem Metodologia, como Pesquisas em Administração, Projetos e Pesquisas, Estágio I e II (TCC), levando-os a refletirem sobre a importância da persistência, da ousadia e da coragem em encarar um problema e investigá-lo à exaustão. Não sei se você já comentou em outro momento, mas faça uma leitura do filme Quase Deuses que também reflete o que ocorre na academia e como pessoas simples podem ajudar na resolução de problemas complexos que nós, acadêmicos, pensamos sermos os deuses das soluções. Um abraço.

  13. Ozai, como sempre suas reflexoes caem bem para pensar a atualidade social e individual.
    o que me ocorreu comentar foi a citaçao do Eclesiastes – ao obedecer cegamente à ciência gramatical, o redator/tradutor do texto sagrado, parece-me, incorre num absurdo.
    os gramaticos da lingua portuguesa interpretam sistematicamente o “se” + verbo transitivo direto como particula apassivadora, o que exige acordo do verbo com o sujeito real. isso da como resultado, na dita citaçao, “às suas palavras nao se dao ouvidos”. interpretada assim, deveria ser possivel repor a frase na voz ativa, o que daria mais ou menos que “os ouvidos nao se dao à sua voz”. meio esquisito, nao?
    enquanto que se se adotar a gramatica popular, que sempre soube que nas placas de anuncio de venda de casa devia-se dizer “vende-se casas”, ja que se trata de alguem (sujeito indeterminado) que quer vender suas propriedades, e nao de umas casas inquietas que querem mudar de proprietario, o resultado fica mais claro:
    “às suas palavras nao se da ouvidos” – geralmente nao se (sujeito indeterminado, né nao?) escuta o que ele diz, os que o rodeiam (os ditos sujeitos indeterminados) nao o ouvem.
    para mim, fica mais claro assim, adotando a regra ditada pela milenar sabedoria intuitiva dos falantes da lingua – nosoutros.
    como você vê, todos os fatos sociais merecem que o cidadao meta o bedelho e reflita por conta propria, mesmo a lingua, fato primordialmente social.
    abraço e bom domingo.
    R

  14. Nossa, admiro muitos dos seus textos, mas fazia tempos que o senhor não escrevia algo tão ruim… Os cientistas só tem esse poder da sua perspectiva, talvez porque você esteja na universidade e esse poder tem um “efeito” sobre você e os seus. As classes populares e boa parte da classe média não os respeita tal como o senhor pensa. Antes fosse, assim a sua crítica teria efeito, mas ainda não chegamos neste “estágio”, a superstição e a religião ainda tem autoridade maior que os pequenos profetas…. Quando passar a moda Bourdieu, talvez voltem a ler a Ideologia Alemã, obra muito mais rica para se compreender esse tema.

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