A delinqüência acadêmica

* por MAURÍCIO TRAGTENBERG**

O tema é amplo: a relação entre a dominação e o saber, a relação entre o intelectual e a universidade como instituição dominante ligada à dominação, a universidade antipovo.

A universidade está em crise. Isto ocorre porque a sociedade está em crise; através da crise da universidade é que os jovens funcionam detectando as contradições profundas do social, refletidas na universidade. A universidade não é algo tão essencial como a linguagem; ela é simplesmente uma instituição dominante ligada à dominação. Não é uma instituição neutra; é uma instituição de classe, onde as contradições de classe aparecem. Para obscurecer esses fatores ela desenvolve uma ideologia do saber neutro, científico, a neutralidade cultural e o mito de um saber “objetivo”, acima das contradições sociais.

No século passado, período do capitalismo liberal, ela procurava formar um tipo de “homem” que se caracterizava por um comportamento autônomo, exigido por suas funções sociais: era a universidade liberal humanista e mandarinesca. Hoje, ela forma a mão-de-obra destinada a manter nas fábricas o despotismo do capital; nos institutos de pesquisa, cria aqueles que deformam os dados econômicos em detrimento dos assalariados; nas suas escolas de direito forma os aplicadores da legislação de exceção; nas escolas de medicina, aqueles que irão convertê-la numa medicina do capital ou utilizá-la repressivamente contra os deserdados do sistema. Em suma, trata-se de “um complô de belas almas” recheadas de títulos acadêmicos, de um doutorismo substituindo o bacharelismo, de uma nova pedantocracia, da produção de um saber a serviço do poder, seja ele de que espécie for.

Na instância das faculdades de educação, forma-se o planejador tecnocrata a quem importa discutir os meios sem discutir os fins da educação, confeccionar reformas estruturais que na realidade são verdadeiras “restaurações”. Formando o professor-policial, aquele que supervaloriza o sistema de exames, a avaliação rígida do aluno, o conformismo ante o saber professoral. A pretensa criação do conhecimento é substituída pelo controle sobre o parco conhecimento produzido pelas nossas universidades, o controle do meio transforma-se em fim, e o “campus” universitário cada vez mais parece um universo concentracionário que reúne aqueles que se originam da classe alta e média, enquanto professores, e os alunos da mesma extração social, como “herdeiros” potenciais do poder através de um saber minguado, atestado por um diploma.

A universidade classista se mantém através do poder exercido pela seleção dos estudantes e pelos mecanismos de nomeação de professores. Na universidade mandarinal do século passado o professor cumpria a função de “cão de guarda” do sistema: produtor e reprodutor da ideologia dominante, chefe de disciplina do estudante. Cabia à sua função professoral, acima de tudo, inculcar as normas de passividade, subserviência e docilidade, através da repressão pedagógica, formando a mão-de-obra para um sistema fundado na desigualdade social, a qual acreditava legitimar-se através da desigualdade de rendimento escolar; enfim, onde a escola “escolhia” pedagogicamente os “escolhidos” socialmente.

A transformação do professor de “cão de guarda” em “cão pastor” acompanha a passagem da universidade pretensamente humanista e mandarinesca à universidade tecnocrática, onde os critérios lucrativos da empresa privada, funcionarão para a formação das fornadas de “colarinhos brancos” rumo às usinas, escritórios e dependências ministeriais. É o mito da assessoria, do posto público, que mobiliza o diplomado universitário.

A universidade dominante reproduz-se mesmo através dos “cursos críticos”, em que o juízo professoral aparece hegemônico ante os dominados: os estudantes. Isso se realiza através de um processo que chamarei de “contaminação”. O curso catedrático e dogmático transforma-se num curso magisterial e crítico; a crítica ideológica é feita nos chamados “cursos críticos”, que desempenham a função de um tranqüilizante no meio universitário. Essa apropriação da crítica pelo mandarinato universitário, mantido o sistema de exames, a conformidade ao programa e o controle da docilidade do estudante como alvos básicos, constitui-se numa farsa, numa fábrica de boa consciência e delinqüência acadêmica, daqueles que trocam o poder da razão pela razão do poder. Por isso é necessário realizar a crítica da crítica-crítica, destruir a apropriação da crítica pelo mandarinato acadêmico. Watson demonstrou como, nas ciências humanas, as pesquisas em química molecular estão impregnadas de ideologia. Não se trata de discutir a apropriação burguesa do saber ou não-burguesa do saber, mas sim a destruição do “saber institucionalizado”, do “saber burocratizado” como único “legítimo”. A apropriação universitária (atual) do conhecimento é a concepção capitalista de saber, onde ele se constitui em capital e toma a forma nos hábitos universitários.

A universidade reproduz o modo de produção capitalista dominante não apenas pela ideologia que transmite, mas pelos servos que ela forma. Esse modo de produção determina o tipo de formação através das transformações introduzidas na escola, que coloca em relação mestres e estudantes. O mestre possui um saber inacabado e o aluno uma ignorância transitória, não há saber absoluto nem ignorância absoluta. A relação de saber não institui a diferença entre aluno e professor, a separação entre aluno e professor opera-se através de uma relação de poder simbolizada pelo sistema de exames – “esse batismo burocrático do saber”. O exame é a parte visível da seleção; a invisível é a entrevista, que cumpre as mesmas funções de “exclusão” que possui a empresa em relação ao futuro empregado. Informalmente, docilmente, ela “exclui” o candidato. Para o professor, há o currículo visível, publicações, conferências, traduções e atividade didática, e há o currículo invisível – esse de posse da chamada “informação” que possui espaço na universidade, onde o destino está em aberto e tudo é possível acontecer. É através da nomeação, da cooptação dos mais conformistas (nem sempre os mais produtivos) que a burocracia universitária reproduz o canil de professores. Os valores de submissão e conformismo, a cada instante exibidos pelos comportamentos dos professores, já constituem um sistema ideológico. Mas, em que consiste a delinqüência acadêmica?

A “delinqüência acadêmica” aparece em nossa época longe de seguir os ditames de Kant: “Ouse conhecer.” Se os estudantes procuram conhecer os espíritos audazes de nossa época é fora da universidade que irão encontrá-los. A bem da verdade, raramente a audácia caracterizou a profissão acadêmica. Os filósofos da revolução francesa se autodenominavam de “intelectuais” e não de “acadêmicos”. Isso ocorria porque a universidade mostrara-se hostil ao pensamento crítico avançado. Pela mesma razão, o projeto de Jefferson para a Universidade de Virgínia, concebida para produção de um pensamento independente da Igreja e do Estado (de caráter crítico), fora substituído por uma “universidade que mascarava a usurpação e monopólio  da riqueza, do poder”. Isso levou os estudantes da época a realizarem programas extracurriculares, onde Emerson fazia-se ouvir, já que o obscurantismo da época impedia a entrada nos prédios universitários, pois contrariavam a Igreja, o Estado e as grandes “corporações”, a que alguns intelectuais cooptados pretendem que tenham uma “alma”. [1]

Em nome do “atendimento à comunidade”, “serviço público”, a universidade tende cada vez mais à adaptação indiscriminada a quaisquer pesquisas a serviço dos interesses econômicos hegemônicos; nesse andar, a universidade brasileira oferecerá disciplinas como as existentes na metrópole (EUA): cursos de escotismo, defesa contra incêndios, economia doméstica e datilografia em nível de secretariado, pois já existe isso em Cornell, Wisconson e outros estabelecimentos legitimados. O conflito entre o técnico e o humanismo acaba em compromisso, a universidade brasileira se prepara para ser uma “multiversidade”, isto é, ensina tudo aquilo que o aluno possa pagar. A universidade, vista como prestadora de serviços, corre o risco de enquadrar-se numa “agência de poder”, especialmente após 68, com a Operação Rondon e sua aparente democratização, só nas vagas; funciona como tranqüilidade social. O assistencialismo universitário não resolve o problema da maioria da população brasileira: o problema da terra.

A universidade brasileira, nos últimos 15 anos, preparou técnicos que funcionaram como juízes e promotores, aplicando a Lei de Segurança Nacional, médicos que assinavam atestados de óbito mentirosos, zelosos professores de Educação Moral e Cívica garantindo a hegemonia da ideologia da “segurança nacional” codificada no Pentágono.

O problema significativo a ser colocado é o nível de responsabilidade social dos professores e pesquisadores universitários. A não preocupação com as finalidades sociais do conhecimento produzido se constitui em fator de “delinqüência acadêmica” ou da “traição do intelectual”. Em nome do “serviço à comunidade”, a intelectualidade universitária se tornou cúmplice do genocídio, espionagem, engano e todo tipo de corrupção dominante, quando domina a “razão do Estado” em detrimento do povo. Isso vale para aqueles que aperfeiçoam secretamente armas nucleares (M.I.T.), armas químico-biológicas (Universidade da Califórnia, Berkeley), pensadores inseridos na Rand Corporation, como aqueles que, na qualidade de intelectuais com diploma acreditativo, funcionam na censura, na aplicação da computação com fins repressivos em nosso país. Uma universidade que produz pesquisas ou cursos a quem é apto a pagá-los perde o senso da discriminação ética e da finalidade social de sua produção – é uma multiversidade que se vende no mercado ao primeiro comprador, sem averiguar o fim da encomenda, isso coberto pela ideologia da neutralidade do conhecimento e seu produto.

Já na década de 30, Frederic Lilge[2] acusava a tradição universitária alemã da neutralidade acadêmica de permitir aos universitários alemães a felicidade de um emprego permanente, escondendo a si próprios a futilidade de suas vidas e seu trabalho. Em nome da “segurança nacional”, o intelectual acadêmico despe-se de qualquer responsabilidade social quanto ao seu papel profissional, a política de “panelas” acadêmicas de corredor universitário e a publicação a qualquer preço de um texto qualquer se constituem no metro para medir o sucesso universitário. Nesse universo não cabe uma simples pergunta: o conhecimento a quem e para que serve? Enquanto este encontro de educadores, sob o signo de Paulo Freire, enfatiza a responsabilidade social do educador, da educação não confundida com inculcação, a maioria dos congressos acadêmicos serve de “mercado humano”, onde entram em contato pessoas e cargos acadêmicos a serem preenchidos, parecidos aos encontros entre gerentes de hotel, em que se trocam informações sobre inovações técnicas, revê-se velhos amigos e se estabelecem contatos comerciais.

Estritamente, o mundo da realidade concreta e sempre muito generoso com o acadêmico, pois o título acadêmico torna-se o passaporte que permite o ingresso nos escalões superiores da sociedade: a grande empresa, o grupo militar e a burocracia estatal. O problema da responsabilidade social é escamoteado, a ideologia do acadêmico é não ter nenhuma ideologia, faz fé de apolítico, isto é, serve à política do poder.

Diferentemente, constitui, um legado da filosofia racionalista do século XVIII, uma característica do “verdadeiro” conhecimento o exercício da cidadania do soberano direito de crítica questionando a autoridade, os privilégios e a tradição. O “serviço público” prestado por estes filósofos não consistia na aceitação indiscriminada de qualquer projeto, fosse destinado à melhora de colheitas, ao aperfeiçoamento do genocídio de grupos indígenas a pretexto de “emancipação” ou política de arrocho salarial que converteram o Brasil no detentor do triste “record” de primeiro país no mundo em acidentes de trabalho. Eis que a propaganda pela segurança no trabalho emitida pelas agências oficiais não substitui o aumento salarial.

O pensamento está fundamentalmente ligado à ação. Bergson sublinhava no início do século a necessidade do homem agir como homem de pensamento e pensar como homem de ação. A separação entre “fazer” e “pensar” se constitui numa das doenças que caracterizam a delinqüência acadêmica – a análise e discussão dos problemas relevantes do país constitui um ato político, constitui uma forma de ação, inerente à responsabilidade social do intelectual. A valorização do que seja um homem culto está estritamente vinculada ao seu valor na defesa de valores essenciais de cidadania, ao seu exemplo revelado não pelo seu discurso, mas por sua existência, por sua ação.

Ao analisar a “crise de consciência” dos intelectuais norte-americanos que deram o aval da “escalada” no Vietnã, Horowitz notara que a disposição que eles revelaram no planejamento do genocídio estava vinculada à sua formação, à sua capacidade de discutir meios sem nunca questionar os fins, a transformar os problemas políticos em problemas técnicos, a desprezar a consulta política, preferindo as soluções de gabinete, consumando o que definiríamos como a traição dos intelectuais. É aqui onde a indignidade do intelectual substitui a dignidade da inteligência.

Nenhum preceito ético pode substituir a prática social, a prática pedagógica.

A delinqüência acadêmica se caracteriza pela existência de estruturas de ensino onde os meios (técnicas) se tornam os fins, os fins formativos são esquecidos; a criação do conhecimento e sua reprodução cede lugar ao controle burocrático de sua produção como suprema virtude, onde “administrar” aparece como sinônimo de vigiar e punir – o professor é controlado mediante os critérios visíveis e invisíveis de nomeação; o aluno, mediante os critérios visíveis e invisíveis de exame. Isso resulta em escolas que se constituem em depósitos de alunos, como diria Lima Barreto em “Cemitério de Vivos”.

A alternativa é a criação de canais de participação real de professores, estudantes e funcionários no meio universitário, que oponham-se à esclerose burocrática da instituição.

A autogestão pedagógica teria o mérito de devolver à universidade um sentido de existência, qual seja: a definição de um aprendizado fundado numa motivação participativa e não no decorar determinados “clichês”, repetidos semestralmente nas provas que nada provam, nos exames que nada examina, mesmo porque o aluno sai da universidade com a sensação de estar mais velho, com um dado a mais: o diploma acreditativo que em si perde valor na medida em que perde sua raridade.

A participação discente não constitui um remédio mágico aos males acima apontados, porém a experiência demonstrou que a simples presença discente em colegiados é fator de sua moralização.


* Este texto foi apresentado no I Seminário de Educação Brasileira, realizado em 1978, em Campinas-SP. Publicado em TRAGTENBERG, M. Educação, política e sindicalismo. São Paulo: Editores Associados; Cortez, 1978 (e também pela Editora Unesp, 2004). O texto A Delinquência Acadêmica também foi publicado em http://espacoacademico.com.br/014/14mtrag1990.htm

** MAURÍCIO TRAGTENBERG (1929-1998) foi professor da PUC/SP, Unicamp e FGV/SP.

[1] Kaysen pretende atribuir uma “alma”à corporação multinacional; esta parece não preocupar-se com tal esforço construtivo do intelectual.

[2] Frederic LILGE, The Abuse of Learning: The Failure of German University. Macmillan, New York, 1948

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10 comentários sobre “A delinqüência acadêmica

  1. senhores,

    não adianta fingir que não é comigo ou consigo, pois a questão da ‘delinqüência acadêmica’ [https://espacoacademico.wordpress.com/2010/09/04/a-delinquencia-academica/] continua aí em nosso cotidiano…

    SABER não é só PODER, mas também CAPITAL acumulado:

    “A apropriação universitária (atual) do conhecimento é a concepção capitalista de saber, onde ele se constitui em capital e toma a forma nos hábitos universitários” (tragtenberg).

    a ‘crise’ que perdura na sociedade capitalista reflete em todas as suas instâncias, pois o que está em jogo é uma velha máxima cunhada por Lampedusa (o Leopardo): “é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma”.

    portanto, “A universidade reproduz o modo de produção capitalista dominante não apenas pela ideologia que transmite, mas pelos SERVOS que ela forma. Esse modo de produção determina o tipo de formação através das transformações introduzidas na escola, que coloca em relação mestres e estudantes” (tragtenberg).

    temos, ou não, uma postura a tomar diante de tal fato… ou então vamos continuar gastando megabyte de memória digital para armazenar opiniões que acobertam as nossas covardias diante do capitalismo e sua pseudo autoridade acadêmica.

    el__brujo

  2. não adianta fingir que não é comigo ou consigo, pois a questão da ‘delinqüência acadêmica’ continua aí em nosso cotidiano…

    SABER não é só PODER, mas também CAPITAL acumulado:

    “A apropriação universitária (atual) do conhecimento é a concepção capitalista de saber, onde ele se constitui em capital e toma a forma nos hábitos universitários” (tragtenberg).

    a ‘crise’ que perdura na sociedade capitalista reflete em todas as suas instâncias, pois o que está em jogo é uma velha máxima cunhada por Lampedusa (o Leopardo): “é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma”.

    portanto, “A universidade reproduz o modo de produção capitalista dominante não apenas pela ideologia que transmite, mas pelos SERVOS que ela forma. Esse modo de produção determina o tipo de formação através das transformações introduzidas na escola, que coloca em relação mestres e estudantes” (tragtenberg).

    temos, ou não, uma postura a tomar diante de tal fato… ou então vamos continuar gastando megabyte de memória digital para armazenar opiniões que acobertam as nossas covardias diante do capitalismo e sua pseudo autoridade acadêmica.

    el__brujo

  3. Interessante o texto, mas gostaria de fazer alguns aprtes:

    – Trangtenberg propõe uma nova estruturação para a e3ducação acadêmica que recuperaria a função social da universidade, porém, não propõe um novo modelo de ação, apesar de dizer que o pensamento não poder ser separado da ação.

    – Concordo que a função da universidade deve ser mais ampla, contudo, para que um professor possa fazer um papel de moderador na aula ele precisa de muito conhecimento. Tenho visto muita confusão entre liberdade e desleixo. O professor para guiar uma aula precisa de um mínimo de método, senão todos perdem o foco e ninguém ouve ninguém. Há muito desrespeito aos turnos.

    – Por último, é importante pensar se o papel da universidade é ensinar aos interessados ou garantir que todos os que a frequetam apresentem um nível mínimo de conhecimento. No último caso, não vejo outra alternativa ao exame.

  4. É VERDADE O QUE FOI MENCIONADO NESTE TEXTO PÚBLICADO EM SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO BRASILEIRA.PODE TER DUAS CAUSAS A PERDA DA AUTORIDADE DA MAIORIA DOS PAIS,A INCAPACIDADE DOS DA ESCOLA LEVAR OS ALUNOS A PENSAR,IR EM BUSCA DO CONHECIMENTO.MAS TAMBÉM OUTRO LADO, EM A ESCOLA FINGE QUE ENSINA E OS ALUNOS FINGEM QUE APRENDEM, NÃO ESTOU GENERALIZANDO ,MAS NA MAIORIA DOS CASOS É ISSO QUE ACONTECE !!!! BOM OS ALUNOS INTELIGENTES NA MAIORIA DAS VEZES NÃO SÃO AQUELES SE COMPORTAM EM SALA D AULA, DEVIDO O MAU PLANEJAMENTO REALIZADO POR ALGUNS PROFESSORES NAS AULAS MINISTRADAS.OS ALUNOS SE SENTEM DESMOTIVADOS PARA ESTAR EM SALA DE AULA, DEVIDO A PRESSÃO VÃO PARA A ESCOLA .BOM A VÁRIAS razões para encontrarmos da Delinquênia acadêmica,bom se tivesse uma receita para ser seguida, mas não depende de eu ou vc, mais de todos façam sua parte.

  5. Nosso querido professor artisticamente toca em questôes de fundo na universidade.
    Creio que a fase artística de um intelectual pode lhe permitir algumas ^licenças poéticas^, pois já ultrapassou a fase dos detalhamentos cansativos.
    TODOS QUE VIVERAM A UNIVERSIDADE COM SERIEDADE TEMOS ALGUMAS HISTÕRIAS PARA CONTAR SOBRE A DELINQUËNCIA E SUAS CONSEQUËNCIAS.
    Será que se fizéssemos uma pesquisa nas ruas alguém lembrar-se-ia de algum feito acadëmico que resolveu alguma coisa em sua vida….
    HÁ PRODUÇÕES CONTADAS E INCENTIVADAS MAS NO DIA A DIA NADA DE CONCRETO ACONTECE ROTINEIRAMENTE PARA DE FATO ATESTAR A UTILIDADE DAS UNIVERSIDADES, exceto produzir títulos e livros inconsequentes, NA SUA IMENSA MAIORIA.
    Produção delinquente….
    Estariam os acadëmicos alheios ‘a realidade….
    LEMBRANDO O COMPANHEIRO ACIMA, COMO EXPLICARÍAMOS A EXISTËNCIA DE UM LULLA-LA….
    Acho mesmo que isto é um mega atestado da delinquëncia acadëmica, mostrando que os sofrimentos impostos pelas universidades não formam estadistas responsáveis, isto relembrando que temos números de guerra e epidemias retornando misteriosamente na esteira de estatísticas de avanços na saúde pública.
    A CONJUNTURA NACIONAL BRASILEIRA E MESMO MUNDIAL É UM GIGANTESCO ATESTADO DA DELINQUËNCIA ACADËMICA, CADA VEZ MAIS PRODUTIVA E INCAPAZ DE FAZER ALGO PARA O BEM COMUM.
    Um exército de acadëmicos empoleirados em burocracias universitárias que não produzem nada de significativo para as DECISÕES MAIORES CORRUPTAS, aqui marcadas por sindicalistas diversos e UNS POUCOS que não identifiicamos como solucionadores das crises que sempre existem e sempre existirão.
    TUDO ISTO COBRA UMA NOVA UNIVERSIDADE MAIS ENGAJADA COM UMA REALIDADE MENOS AGRESSIVA COM TODOS, MAIS REPUBLICANA DE FATO, MENOS FORMAL.
    Nosso querido mestre lembra bem o espírito da Revolução Francesa, quando na mente e corpo dos fazedores da História pulsava uma ética profundamente engajada com a ética de uma Humanidade mais fraterna, igual e livre.
    Desfrutamos de uma República sem fazer nossa lição de casa – viver ardorosamente por UM MUNDO MELHOR, esquecendo preceitos básicos constitucionais civilizados.
    Que me perdoem também querer desfrutar da “licença poética” dos mais experientes.
    SHALOM

  6. Prezado Professor MAURÍCIO TRAGTENBERG

    — Na concepção de Hannah Arendt, duas causas podem ter relação profunda com a crise da educação em nossa época: a incapacidade de a escola levar os alunos para pensar e a perda da autoridade dos pais e professores. Ambas fazem com que as crianças e adolescentes fiquem sujeitos à tirania de uma maioria qualquer (grupo social, tribos, gangs) e de um líder carismático ou populista. Portanto, o ato educativo é ao mesmo tempo político e ético, porque visa transformar alunos “não-pensantes”, “incivilizados”, “não-humanizados”, em seres humanos que podem exercitar o pensamento crítico sobre a realidade e seus atos.
    Tais indagações nos levam, com Arendt, a formular a seguinte questão: “Tem a Política ainda algum sentido?” (ARENDT, 2006, p.38). O que de fato é a política? (TORRES, 2007, p. 235-236).

    No entanto não podemos mais nos enganar e esconder do povo brasileiro o porque e quem, tirou deles obedecendo rigorozamente os consensos de Washington, a possibilidade da escola de qualidade gratuita, aliada a cultura tão necessária e que falta a nossa população nos dias de hoje.
    Veja Professor: http://brasileafragilrepublica.blogspot.com/2010/07/o-periodo-em-que-o-ensino-no-brasil.html
    Saudações,
    Marilda Oliveira
    São Paulo -SP – Brasil

  7. Esse texto com 32 anos; ainda denuncia os contextos entre saber e poder na universidade que ainda aprisiona o conhecimento. Porém hoje, acredito que os meios em que se faz essa “seleção” são mais perspicazes tornando a universidade uma “prestadora de serviços” em proll do capital, e isso é muito evidente, nas chamadas parcerias público-privadas, entre a universidade e as empresas públicas ou privadas. O discurso legitimador está calcado na produção de conhecimento dos seus operantes, seja professores, técnicos ou mesmo estudantes. Estes na maioria das vezes; desconhecem os fins da sua produção acadêmica enfeitiçados pelas promessas dos brios acadêmicos e endoçam uma massa de profissionais sem a devida formação política e comprometimento ético-profissional para com a sociedade. Por tanto, a ciência nunca foi e nunca será neutra, ela hoje é a maior arma política usada para a dominação simbólica.
    O sujeito cientista-político, geralmente um doutor, é capaz de manipular dados, estatísticas que justificam os seus interesses. No campo ambiental isso é muito frequente, pois o domínio de informações fica restringido a poucos que se utilizam de laudos técnicos pelo viès político. Uma outra face desse tipo de utilização do conhecimento, se faz também, através do surgimento de ONG’s de profissionais diplomados e que reproduzem o comportamento predatório da academia em seus campos de atuação militante através de consulltorias. Como se vê existem vários desdobramentos a serem discutidos entre o saber ( necessário ) e a dominação através das máscaras da desigualdade.

  8. “o conhecimento a quem e para que serve?” É uma importante questão a se refletir!

    “Nenhum preceito ético pode substituir a prática social, a prática pedagógica.”
    Com certeza!

    Não é difícil identificar fatores que contribuem para a “delinqüência acadêmica”.

    Nosso maior líder! Que é o senhor Lula, presidente do Brasil!
    É um exemplo de ética? É um exemplo de como se adquirir conhecimento?
    É um exemplo de honestidade?
    É um exemplo de como ter responsabilidade social? http://www.youtube.com/watch?v=KOKS_apCwzA
    Um homen que se gaba de não ler livros, que acha que é bonito ser ignorante!

    Agora, vejamos nossa grande mídia.
    A nossa querida rede globo (bobo), é um exemplo disso tudo que citei acima?
    Jornais que não divulgam a verdade como ela é.
    Jornais que protegem políticos corruptos, pois não divulgam nada.
    Novelas que doutrinam nossas crianças e adolescentes.
    Falar o que do Big Brother? Do número incrível de pessoas que se importam com esse programinha desqualificado!

    Nosso empresários! Será que eles têm responsabilidade social para com as universidades?
    Ou só querem sugar informações o mais rápido possível para obter lucros maiores e mais rapidamente?
    Pelo jeito nossa classe de líderes empresariais também são uns omissos, deixam as coisas rolar e fingem que nada está acontencendo.
    Já que estamos tendo lucro, tá tudo certo.

    Talvez, isso tudo seja um grande problema cultural brasileiro.
    E se for a coisa é muito séria, pois se virou cultura, virou costume!!!

    Se isso tudo não contribuir para a delinquência acadêmica, não sei o que contribui.

    Saudações!

  9. Mauricio Tragtenberg foi um acadêmico extremamente culto; foi também um homem de uma integridade moral admirável. Tendo sido seu aluno e aprendido muito com ele, mantendo enorme simpatia pelo seu caráter, prosa agradável e maneira rebelde de ser — o que combina muito comigo — sempre o admirei como pessoa e como intelectual. Tudo isso não me impede de manter uma postura crítica em relação ao que ele dizia e escrevia, ou seja, nada disso me impede de pensar com minha própria cabeça, sem ser obrigado a concordar com o mestre em tudo o que ele dizia.
    Ele diz que a universidade está em crise porque a sociedade está em crise, no que é um dos mais usados e abusados lugares-comuns de todos os tempos. Todas as sociedades evoluem e passam por processos contínuos de transformação, o que significa que se alguém quiser encontrar um motivo de “crise” não lhe faltarão argumentos.
    Recusar a seleção vestibular, os critérios de escolha acadêmicos para alunos e professores significa adentar no populismo das “escolhas sociais” ou “políticas” que não são necessariamente melhores, ao contrário.
    Também concordo que exista muita mediocridade e muita futilidade na vida acadêmica. Dai a resvalar para um democratismo de baixo clero, para o assembleismo populista e demagógico, vai uma longa distância.
    Sem dizer quais são os novos, “excelentes” critérios de responsabilização de professores fica muito fácil fazer a critica generalizada…
    Paulo Roberto de Almeida

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