Terra e Liberdade: a revolução espanhola de volta ao cinema

por CARLOS EDUARDO CARVALHO*

A revolução aparece em fotos amareladas, recortes de jornais, um lenço vermelho com um punhado de terra. A mala de recordações do avô revirada pelo olhar curioso da jovem neta. Tudo aquilo é novidade para ela? Seriam histórias contadas e recontadas pelo velho e seus amigos, sabidas de cor pelos netos, e que só agora, na dor da morte, ela quer enfim olhar com vistas próprias? Ou só terá descoberto a mala e aquele mundo quando o avô já se fôra?

O jovem David, operário inglês desempregado, membro do Partido Comunista, partiu por conta própria para a Espanha como voluntário. Foi parar no centro da revolução e dos graves conflitos que a destruiriam meses depois. Alistou-se meio por acaso na milícia do POUM, partido de que nunca ouvira falar.

Tudo ali é improvisado, desordenado. O comandante quer imprimir alguma disciplina militar. Parece inútil, ou até cômico. Mas foram pessoas como aquelas que derrotaram o levante fascista em metade da Espanha poucas semanas antes. Sem armas e sem disciplina, o povo cercou os quartéis e imobilizou os rebeldes. Alguns generais golpistas hesitaram, outros permaneceram leais à república, uns poucos não quiseram ou não puderam impedir que os civis se apoderassem de algum armamento. Com estas poucas armas, com bombas caseiras e dinamite, com as mãos quase nuas, os trabalhadores liquidaram o levante na maioria das grandes cidades, tomaram os quartéis dos rebeldes e se tornaram o poder de fato em boa parte do país.

A sublevação militar fascista queria liquidar a revolução espanhola, e não apenas a república. Instaurada em 1931, a república era odiada pela direita, mas não conseguira encaminhar políticas que atendessem aos interesses da maioria do povo espanhol. A repressão ao movimento operário prosseguiu, a reforma agrária não saía do papel. O levante dos mineiros nas Astúrias em 1934 foi esmagado selvagemente pelos militares, comandados pelo general Francisco Franco. A luta heróica e a grave derrota estimularam a reaproximação das forças populares.

No Partido Socialista destacava-se nitidamente uma ala esquerda, com posições cada vez mais radicais e procurando agir em conjunto com os anarquistas, depois de terem vivido às turras por décadas. O anarquismo era amplamente majoritário na Catalunha, especialmente em Barcelona, mas também nas regiões agrárias vizinhas e na Andaluzia, e representava mais da metade do movimento operário e camponês de toda a Espanha. Os comunistas tinham influência muito reduzida no movimento operário. Uma de suas facções formou o POUM, Partido Operário de Unificação Marxista. Organizado em 1935, definia-se como marxista revolucionário e mantinha boas relações com os anarquistas. Era violentamente criticado pelo PC e pelos trotsquistas, com os adjetivos infamantes típicos da época. Sua influência era pequena, mas vinha crescendo com certa rapidez, especialmente na Catalunha.

Em 1935 formou-se uma coligação eleitoral, a Frente Popular, envolvendo o PS, o PC e alguns partidos centristas e antifascistas. A promessa de anistia aos milhares de presos políticos foi decisiva para convencer os anarquistas a votar. Em fevereiro de 1936 a vitória eleitoral da Frente Popular transformou-se rapidamente em um movimento revolucionário. Os presos foram arrancados das cadeias por multidões eufóricas e autoconfiantes. As greves iam num crescendo, com seguidas vitórias em suas reivindicações. Multiplicavam-se as ocupações e as coletivizações de terras.

O governo da Frente Popular ficou desorientado. Socialistas e comunistas não integravam o ministério, embora apoiassem o governo. Os partidos republicanos hesitavam. Os generais, a direita, a igreja e os fascistas conspiravam abertamente. “Exilado” pela Frente Popular no Marrocos, colônia espanhola, Franco comandava os preparativos para a sublevação. Para transportar as tropas coloniais até o continente, incluindo soldados árabes (os “mouros”), os golpistas dependiam do apoio da aviação nazista. Não contavam, porém, que o povo fosse reagir com tamanha fúria e determinação, derrotando o levante nas principais cidades do país. Começava uma guerra longa e sangrenta, que se estenderia até março de 1939.

As jornadas de julho de 1936 geraram um triplo poder na Espanha. Cerca de metade do país ficou em poder dos militares e dos grupos fascistas, sob o comando dos “quatro generais” sublevados, aos quais Franco acabaria se impondo como comandante único. Na outra metade o poder legal era o governo republicano de Madri, apoiado por parte das forças armadas, pelos partidos centristas, pelo Partido Socialista e pelos comunistas. Na maior parte da Espanha republicana, porém, o poder de fato era dos trabalhadores. Organizados em milícias e sob o impulso das grandes vitórias de julho, tomaram terras e fábricas e passaram a tocar a produção por conta própria em muitas regiões.

Os partidos e as organizações dos trabalhadores, contudo, não tomaram o poder político, não trataram de organizar um novo governo. Comunistas e socialistas mantinham o apoio ao governo da Frente Popular. O líder da ala esquerda do PS, Largo Caballero, tornou-se primeiro-ministro.

Os anarquistas tornaram-se o único poder de fato em Barcelona e na maior parte da Catalunha, situação inédita em sua história. Derrotado o levante, o governo regional catalão chamou os líderes anarquistas e colocou-se à disposição para fazer o que eles quisessem, inclusive apoiá-los na organização de um novo governo. Os anarquistas recusaram. Deixaram o governo no seu posto, aceitaram alguns cargos de menor importância e se dedicaram a organizar a produção coletiva em fábricas e fazendas e a combater os rebeldes fascistas, formando milícias para defender a Catalunha e libertar as províncias vizinhas, em especial o Aragão.

David chega à Espanha neste momento, outono de 1936. É engajado nas milícias revolucionárias que defendem as posições republicanas na Catalunha e no Aragão. Algumas semanas depois as milícias passam à ofensiva para libertar as aldeias dominadas pelos fascistas. David descobre o que é a guerra. Na aldeia atacada pelos milicianos a população cai no meio do fogo cruzado. Os fascistas usam mulheres como reféns. Da torre da igreja, o padre atira nos civis e nos milicianos. Enfim agarrado, descobre-se que ele havia denunciado os jovens anarquistas da aldeia às tropas fascistas e ajudado a assassiná-los. O padre é fuzilado, a igreja é incendiada.

Os camponeses ocupam a casa do chefete local e discutem de forma apaixonada se devem coletivizar todas as terras ou não. David parece confuso com a exaltação dos ânimos. Estão contra a coletivização um camponês enriquecido e alguns dos estrangeiros. A coletivização é decidida no voto, por ampla maioria.

Será que David sabia do que se passava em outras partes da Espanha naqueles meses? Se sabia, o que pensava? Enquanto na frente de Aragão se discutia a aplicação imediata ou não do programa revolucionário, Franco concentrava suas forças para conquistar Madri. Batalhas ferozes se sucediam nos arredores da capital ameaçada. O governo se retirou para Valência e a cidade ficou nas mãos das poucas tropas leais, do povo armado e das brigadas internacionais.

A heróica defesa de Madri fortaleceu o prestígio e a influência dos comunistas. Organizadores competentes e incansáveis, apareciam como os únicos que sabiam exatamente o que fazer e os únicos capacitados a fazê-lo. Sua política era simples: submeter tudo ao esforço de guerra. Para eles a revolução social era um equívoco naquele momento. Coletivizar terras ou aplicar medidas socialistas seria um apoio efetivo aos fascistas, pois desuniria a frente popular e isolaria a república do possível apoio externo da França e da Inglaterra, abrindo caminho para uma intervenção aberta da Alemanha nazista e da Itália fascista. Conselheiros soviéticos auxiliavam as tropas mal preparadas a defender Madri. Nas brigadas internacionais os comunistas de muitos países se destacavam pela abnegação e pela disciplina. O material bélico que chegava da URSS era pouco, mas era o único que a república conseguia obter.

Junto com o prestígio dos comunistas crescia sua hostilidade aberta às outras forças de esquerda, em especial os anarquistas e o POUM. Para agravar o quadro, a coluna anarquista formada em Barcelona para defender Madri não se saía bem naquele tipo de luta, na qual não tinha qualquer experiência ou preparação. Era uma luta de trincheiras, casa por casa, prédio por prédio, diante de tropas bem preparadas, as melhores que os generais sublevados conseguiram reunir. Os anarquistas eram bravos e heróicos, mais de metade deles morreu ali, mas não conseguiam deter o avanço dos mouros nos trechos a eles confiados. A falta de disciplina e de organização aparecia cada vez mais como um problema decisivo frente à ameaça mortal representada pelas tropas de Franco. Se os mouros tomassem Madri, não haveria revolução nem frente popular.

Os fascistas foram afinal detidos nos arredores da cidade, depois de combates sangrentos. No início de 1937 os comunistas apresentaram a fatura. Exigiram a integração das milícias no exército regular, o fim das coletivizações e a devolução das propriedades a seus donos. Mais grave ainda, a máquina policial soviética operava com crescente desenvoltura em território espanhol. Forjaram acusações de que o POUM conspirava com Franco e de que os anarquistas preferiam a vitória dos fascistas a uma política de colaboração com os demais partidos da Frente Popular. Os socialistas de esquerda se opuseram às intrigas, mas os comunistas conseguiram a demissão de Largo Caballero. Formou-se um governo bem mais à direita e que deixou os comunistas à vontade para liquidar seus adversários na esquerda e acabar com as milícias e as coletivizações.

Recuperando-se de um ferimento em um hospital de Barcelona, David não parece compreender bem o que ocorre. Prefere confiar que o partido deveria ter razões para fazer tudo aquilo. Abandona a milícia do POUM e se alista nas brigadas internacionais, controladas pelos comunistas. Neste momento, maio de 1937, estoura o conflito armado em Barcelona. O PC decide tomar o prédio da companhia telefônica, em poder dos anarquistas desde as jornadas de julho de 1936. Provocação deliberada ou apenas mais um passo na escalada para assumir o poder completo e destruir a esquerda?

Os operários anarquistas entrincheiram-se no prédio, dispostos a resistir a qualquer preço. Não conseguiriam mantê-lo por mais que alguns dias e logo deporiam as armas. Acusados de agentes provocadores e aliados do fascismo, o POUM e a Federação Anarquista Ibérica, FAI, foram declarados ilegais. Líderes do POUM retirados em segredo das prisões foram assassinados por agentes soviéticos. A revolução espanhola chegara ao fim, embora a guerra ainda fosse prosseguir por quase dois anos mais.

A esquerda não-comunista estava enfraquecida e intimidada e não conseguiu reagir à altura quando os comunistas provocaram os conflitos armados nas ruas de Barcelona. É espantoso que isto possa ter ocorrido com as mesmas forças que a reação espanhola não conseguira dobrar depois de décadas de repressão brutal e sistemática. As mesmas forças que, menos de um ano antes, haviam derrotado o levante dos militares em condições bem mais adversas, quase sem armas e tomadas de surpresa.

É impossível explicar uma mudança desta magnitude apenas pela violência implacável dos comunistas. O rápido debilitamento da esquerda revolucionária deveu-se muito mais às suas próprias dificuldades para enfrentar a conjuntura criada pelo magnífico triunfo de julho de 1936. Foi fatal o desinteresse ou a incapacidade de organizar o poder conquistado. Os que detinham o poder de fato, como os anarquistas na Catalunha, não tinham clareza sobre a necessidade de transformá-lo em poder efetivo, em um novo governo. Os que sabiam que organizar o poder seria decisivo, caso dos comunistas, queriam concentrar o poder exclusivamente em suas mãos, para deter a revolução e acabar com a ação independente dos trabalhadores, acabar com os comitês populares e com as milícias armadas.

Nos meses seguintes os principais líderes anarquistas hesitaram continuamente em colaborar ou não com o esforço de guerra nos moldes propostos pelos comunistas. Hesitaram em submeter ou não as milícias à disciplina exigida pelos conselheiros soviéticos, em condições que implicavam o fim do caráter revolucionário das tropas. Fábricas e fazendas coletivizadas sofriam com as restrições e a sabotagem do governo e dos capitalistas. Organizações anarquistas de base denunciavam os seus líderes inclinados a colaborar com os comunistas e a aceitar a restauração de aspectos cada vez mais importantes do antigo regime. Uma facção do POUM rompeu com sua direção, acusando-a de falta de espírito revolucionário.

David acaba envolvido no conflito pelo prédio da telefônica e só então percebe a gravidade dos acontecimentos. Abandona o tiroteio, dizendo a si mesmo que não dava mais para continuar naquilo. Rasga sua carteira do PC britânico e volta para a milícia do POUM, a tempo de participar de uma batalha desesperada com as tropas fascistas em que os milicianos são deixados à própria sorte, sem apoio nem cobertura. É o fim. Após uma retirada difícil, a Guarda Civil e o Exército aparecem para dissolver a milícia e prender seus líderes, acusados de colaborar com os fascistas. No tumulto, atiram nos milicianos que haviam acabado de voltar das trincheiras. Mortos e feridos. David tem que fugir da Espanha republicana. Acaba aí seu relato.

Tudo muito chocante e cruel para o nosso olhar, sessenta anos depois. Muitos de nós choramos na platéia. A dor é insuportável. Como pode ter ocorrido tudo aquilo?

A dor é tão grande quanto a consciência de quão grosseiras e superficiais são as respostas simplificadoras, repetidas durante tantos anos, sempre colocando os trabalhadores como vítimas de alguma “direção traidora”, como se os próprios trabalhadores não fossem responsáveis por sua história e como se as tais direções não fossem formadas em grande parte pelos trabalhadores mais interessados e mais experientes na luta sindical e política, os mais capacitados para dirigi-la.

A dor é tão grande quanto a consciência de que o impasse criado em julho de 1936 era real. Levar a revolução adiante demandava a ampliação das coletivizações e do controle popular sobre a produção e o fortalecimento das milícias armadas. Isto só seria possível pelo desmantelamento do Estado e de sua autoridade. Os anarquistas não se propunham a fazê-lo, os poumistas queriam fazê-lo mas não tinham força para tal, os socialistas de esquerda apoiariam quem fizesse mas não tinham disposição para tomar a iniciativa. Por outro lado, reforçar o governo republicano e ganhar a confiança de Paris e Londres só seria possível sufocando a revolução: devolver fábricas e terras, dissolver as milícias e submeter seus membros à disciplina do Exército regular. Os socialistas de direita queriam fazê-lo, mas não tinham autoridade política para tanto. Os comunistas o fizeram, com os métodos implacáveis do stalinismo.

A dor é tão grande quanto a consciência de que a possibilidade de levar adiante a revolução em 1936 não era um delírio irresponsável dos anarquistas. Poucas vezes os trabalhadores estiveram tão próximos do poder como na Espanha. O poder não estava ao alcance de suas mãos: estava praticamente em suas mãos. Os operários industriais passavam massivamente a posições revolucionárias, crescia um amplo movimento camponês disposto a invadir e coletivizar as terras. As idéias revolucionárias estavam profundamente difundidas e enraizadas em grande parte dos trabalhadores e da sociedade espanhola. O capital estava desorientado e dividido, havia uma grave questão nacional separando a Catalunha e o País Basco do governo de Madri. A sublevação militar empurrara a maior parte do povo para a revolução.

O contexto internacional era favorável e dava margem de manobra para a revolução, como na Rússia de 1917. A Frente Popular estava no governo na França e ainda não havia se desmoralizado, os EUA resistiam a intervir na Espanha e a Inglaterra hesitava em tomar atitudes que pudessem internacionalizar o conflito espanhol e abrir caminho para a intervenção militar aberta da Alemanha no sul do continente. Declarar a independência do Marrocos poderia enfraquecer as tropas de Franco. Em boa parte da Europa parcela crescente dos social-democratas passava a posições radicais e aceitava a unidade de ação com os comunistas e os anarquistas. A ânsia de derrotar o fascismo era enorme. A simpatia pela luta antifascista e pela revolução espanhola atraiu grande número de voluntários, de todas as correntes políticas de esquerda e democráticas, intelectuais, operários, exilados, perseguidos políticos.

Os argumentos dos comunistas não eram absurdos, porém. Apostar na revolução era muito arriscado, por certo, e a ameaça militar dos golpistas era muito real. O aumento do seu prestígio se deveu em parte a esta consciência clara. Deveu-se também ao medo do desconhecido, ao medo da revolução. As camadas médias que odiavam o fascismo também odiavam os anarquistas e temiam o povo organizado. Ofereciam sólida base de apoio para a política dos comunistas. A burguesia republicana não tinha escolha: ou dava liberdade de ação aos comunistas ou se rendia a Franco.

Mas os comunistas não eram apenas mais uma força política espanhola, com opiniões próprias sobre questões complexas. Eram também uma força de natureza totalitária. Queriam submeter tudo a seu controle e acabar com a ação independente dos trabalhadores. E mais: representavam os interesses de uma grande potência estrangeira, de sua política externa. A URSS não queria a revolução na Espanha. Tudo devia ser submetido à busca de um acordo defensivo com a França e à neutralização da Inglaterra e dos EUA, para evitar a formação de um bloco único com a Alemanha para agredi-la. Cruel ironia: em 1941 a Alemanha agrediu a URSS sem qualquer ameaça a oeste, dispondo da indústria e dos recursos naturais da França e de boa parte da Europa ocupada.

Não sabemos o que David pensou de tudo isso nos longos anos que se passaram desde que saiu da Espanha revolucionária. Terá se empenhado em discutir e compreender? Terá guardado a dor em silêncio? David agora está morto, a revolução também. A terra da Espanha e o lenço vermelho o acompanham. À beira do túmulo a neta declama um belo poema, quer trazer de volta a esperança. Os velhos amigos cerram os punhos. Como nos velhos tempos.

Dicas de leituras

Há muitos textos sobre a revolução e a guerra civil na Espanha. Uma boa análise dos acontecimentos no contexto político da época está em A Crise do Movimento Comunista, de Fernando Claudín (Global, 1985, vol.1, 318 p.). A Guerra Civil Espanhola, de Hugh Thomas (Civilização Brasileira, 1964, 2 v.), procura apresentar uma visão histórica completa e detalhada do conflito, mas subestima seus elementos revolucionários. O Curto Verão da Anarquia, de Hans Magnus Enzensberger (Companhia das Letras, 1987, 323 p.), traça um amplo panorama do anarquismo espanhol e de suas posições durante a revolução. El Reñidero Español, de Franz Borkenau (Ruedo Ibérico, Paris, 1971, 240 p.), é leitura indispensável, pela análise profunda e cuidadosa, baseada em observações in locoLutando na Espanha, de George Orwell (Globo, 1987; no original inglês, Homage to Catalonia), constitui um depoimento precioso sobre a revolução na Catalunha. A posição comunista oficial está em Guerra y Revolución en España (Moscou, Editorial Progreso, 1967, 4 vols.). Sobre o POUM, La Revolución Española, de Andreu Nin (Editorial Fontamara, Barcelona, 1978, 313 p.), um dos principais líderes poumistas, assassinado pela polícia soviética na Espanha em 1937. As posições trotskistas encontram-se em Revolução e Contra-Revolução em Espanha, de Felix Morrow (Edições Delfos, Lisboa, 1975, 339 p.), e em artigos do próprio Trótski na época. Os acontecimentos vividos por David em Terra e Liberdade são tratados com destaque em todos estes textos. Uma análise mais específica sobre as coletivizações anarquistas e a política agrária dos comunistas está em Lucha de Clases y Lucha Política en la Guerra Civil Española, de Gabriele Ranzato (Editorial Anagrama, Barcelona, 1977, 119 p.).

 


* CARLOS EDUARDO CARVALHO é Economista, Professor da PUC/SP.

Nota do Editor: este artigo foi publicado originalmente na revista Teoria e Debate, 32, jul./set., 1996, p. 73-79. Agradecemos à Teoria e Debate por autorizar a publicação na REA, nº 78, novembro de 2007, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/078/78carvalho.ht
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4 comentários sobre “Terra e Liberdade: a revolução espanhola de volta ao cinema

  1. Assisti várias vezes o filme aoTerra e Liberdade. Gostei muito do comentário de Carlos Eduardo. Gostaria de sugerir ainda a leitura do livro Filosofia da Práxis de Vazquez. O loivro não faz referencia ao filme, mas se este for assistido pela perspectiva da práxis… Pense!… Fica muito melhor!

  2. Não deixa de ser animadora a busca por emancipação na perspectiva revolucionária indicada por Marx. Nem sempre os resultados se coadunam aos interesses dos trabalhadores, apesar de serem eles mesmos os envolvidos no processo. Há uma “força estranha”, uma espécie de “mão invisível” que divide os trabalhadores quer durante o processo revolucionário como antes e depois. Talvez tenhamos que abrir demasiadamente os ouvidos para ouvir o brado retumbante: “trabalhadores de todos os países, uni-vos”, pois temos um inimigo comum: a burguesia.

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