Tragédia em Realengo se transforma em circo de horrores dissociado de reflexão social

por DUARTE PEREIRA*

“Alô, alô, Realengo:
Aquele abraço!”
(Gilberto Gil, no samba-exaltação Aquele abraço, ao partir para o exílio, forçado pela ditadura militar)

A dor pelas mortes e pelos ferimentos, brutais e gratuitos, das crianças e pré-adolescentes da Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro do Realengo, na cidade do Rio de Janeiro, não deve obscurecer nossa consciência crítica.

Nada que é humano é somente individual. É individual e social. Mesmo a loucura e suas consequências.

Em que exemplos de violência e insensibilidade, reais e fictícios, o rapaz Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, ex-aluno da escola atingida, buscou inspiração? Onde conseguiu informações sobre o manejo de armas e o planejamento de massacres? Como adquiriu os dois revólveres e a farta munição que utilizou? Por que Wellington, filho de uma paciente psiquiátrica, arredio desde criança, e que já apresentava há vários meses, após o falecimento dos pais adotivos, sinais perceptíveis de descontrole e decadência pessoal, foi esquecido sozinho numa casa herdada, sem apoio nem assistência?

A forma capitalista de vida social, sobretudo em seus traços contemporâneos, engendra um individualismo cada vez mais exacerbado e uma perda crescente de atenção e solidariedade das pessoas entre si. Não é possível outra forma de sociabilidade humana, que reduza tragédias como a que ensanguentou ontem pela manhã o bairro carioca de Realengo?

Estou cada vez mais estarrecido com a cobertura predominantemente passional e facciosa da tragédia ocorrida em escola municipal do Rio de Janeiro, no bairro do Realengo.

O jovem Wellington de Oliveira, autor dos disparos que mataram e feriram alunos inocentes da escola, foi chamado de “meliante” nas primeiras declarações do policial que o abateu e continua sendo indigitado como “assassino” por quase toda a mídia, embora já se saiba que sofria de esquizofrenia desde criança. A mídia negligencia as informações de que Wellington, quando era aluno da escola, passou por vexames e humilhações por causa de sua introversão e bizarrices. Não aborda a falta de acompanhamento e tratamento adequados de um paciente diagnosticado de esquizofrenia desde criança, o que agravou a evolução de sua enfermidade. Não trata das informações sobre atentados e manejo de armas que podem ser acessadas facilmente na internet. Não reavalia a divulgação maciça, cotidiana e acrítica dos mais variados atos e formas de violência praticadas por grandes potências e contumazes delinquentes, reproduzidos em filmes de sucesso e até mesmo em jogos eletrônicos. Não esclarece como Wellington conseguiu as armas e as munições, sem as quais não poderia ter feito seus disparos cruéis e desvairados. Não alerta para a atmosfera envenenada de individualismo e competição em que a infância e a juventude vêm sendo forjadas.

Com essa cobertura irresponsável e superficial, a maioria da mídia apenas acirra a dor e as reações equivocadas dos parentes das vítimas e de um amplo setor popular. E, nesse clima irracional, as autoridades policiais já alertam para possíveis ataques de represália a familiares do jovem atirador.

São poucos também os professores e mais reduzidas ainda as entidades do magistério que têm vindo a público para lembrar a violência que se tornou endêmica nas escolas, principalmente nas escolas públicas, rebatendo a ideia de que a tragédia do Realengo possa ser considerada um fato isolado e imprevisível. Surpreende também que os movimentos de saúde, sobretudo os de saúde mental, não se empenhem em repor a apreciação do trágico acontecimento num quadro mais objetivo e multilateral, que leve em conta a condição do autor dos disparos, a falta de acompanhamento e tratamento de seu padecimento mental e as circunstâncias finais de abandono e solidão que precederam seu gesto de sofrida insanidade. Preocupa também que juristas de indiscutíveis convicções democráticas não se pronunciem para reclamar o tratamento jurídico adequado que merece um jovem esquizofrênico, mesmo que pratique atos de grande crueldade.

Abalados pelo acontecimento, que não conseguem entender satisfatoriamente, muitos parecem retroceder à Idade Média, quase pregando a condenação dos loucos como endemoninhados e bruxos e seu justiçamento nas chamas de fogueiras.

Vêm à lembrança as advertências de Engels e de Rosa Luxemburgo de que o declínio da civilização capitalista poderia ser seguido não por um salto socialista, mas por uma regressão à barbárie. É preciso insistir, portanto, na necessidade de lutar pela alternativa de uma civilização superior, socialista, baseada não apenas no poder democrático dos trabalhadores, na propriedade social dos meios de produção, no  planejamento das atividades econômicas ou em serviços públicos universais e de qualidade, principalmente nas áreas de saúde, educação e previdência, mas também em valores de respeito, solidariedade e ajuda mútua no convívio social.

Questões que não querem calar

O programa “Fantástico” transmitido pela Rede Globo na noite de domingo exibiu novas reportagens sobre a tragédia que se abateu sobre a Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro do Realengo, na cidade do Rio de Janeiro. As reportagens devem ter suscitado novas preocupações nos espectadores atentos.

1) É legal e admissível que a polícia carioca repasse imagens e documentos da investigação para a Rede Globo com exclusividade, discriminando os outros veículos de comunicação?

2) Segundo as imagens transmitidas, as professoras das duas salas de aula invadidas pelo atirador foram as primeiras a fugir, deixando para trás as crianças e adolescentes pelos quais eram responsáveis. Por que a entrevistadora não questionou esse comportamento? Por que as autoridades educacionais do Rio de Janeiro não apuram, nem discutem com as famílias dos alunos, a conduta da direção, dos professores e dos funcionários da escola no episódio, até mesmo para estabelecer padrões de reação escolar na eventual repetição de ocorrências semelhantes? Segundo regra conhecida, o comandante de uma embarcação que naufraga deve ser o último a abandoná-la.

3) Relatos de colegas de Wellington de Oliveira, reproduzidos pelo programa da Globo, confirmaram que o menino introspectivo e vulnerável costumava ser objeto de gozações e humilhações na escola. Grupos de alunas o cercavam, roçando seu corpo e simulando assediá-lo sexualmente, para o sádico divertimento de outros alunos e alunas que assistiam. Em uma ocasião pelo menos, colegas mais fortes o levantaram pelas pernas, enfiaram sua cabeça numa privada e acionaram a descarga, conforme os entrevistados admitiram. Contraditoriamente, uma das professoras que abandonou precipitadamente a sala de aula, deixando para trás seus alunos, declarou enfaticamente no programa da Globo que nunca houve “histórico de violência” na Escola Municipal Tasso da Silveira. O que era feito com Wellington não configura violência e violência repetida? Como são supervisionados os banheiros, os horários de recreio e as saídas das escolas, que se têm revelado momentos e espaços críticos para a integridade e a segurança de alunas e alunos mais indefesos?

4) Conforme as declarações de um dos irmãos de criação de Wellington, a mãe deles foi chamada à escola, alertada para o comportamento discrepante do aluno e aconselhada a procurar um psicólogo ou psiquiatra para avaliá-lo. Isso foi feito? Em nossa sociedade capitalista, sobretudo na fase neoliberal e privatizante que atravessa há cerca de duas décadas, existe serviço público na região capaz de assegurar esse atendimento, tratamento e acompanhamento? Por que esses aspectos da tragédia não são pesquisados, nem discutidos?

5) Por que não têm sido ouvidos juristas competentes sobre os aspectos penais envolvidos em atos de jovens esquizofrênicos, mesmo que esses atos sejam chocantes, brutais e injustificáveis como os que abalaram a escola do Realengo? Se Wellington tivesse sobrevivido, ele poderia ser levado a júri e condenado à prisão? É correto tratá-lo raivosamente como “criminoso” e “assassino” como qualquer jovem normal e imputável, esquecendo seu prolongado e negligenciado sofrimento mental? A dor merecida pelas vítimas de sua insanidade e a solidariedade com os familiares dos alunos mortos e feridos devem impedir a solidariedade com os familiares do autor dos disparos e a compaixão pelo jovem que premeditou e executou o massacre e acabou sendo vítima de seus próprios atos tresloucados?

A tragédia do Realengo precisa ser debatida de forma séria e multilateral se a intenção for evitar a repetição de ocorrências semelhantes e não apenas disputar índices de audiência.

É preciso insistir: tudo que é humano é inseparavelmente individual e social. Inclusive a loucura e suas consequências. O capitalismo contemporâneo incentiva, mais do que nunca, o individualismo, a competição, a insensibilidade. Exalta os vencedores e despreza os derrotados. Pode queixar-se de colher os frutos de seu darwinismo social?

Internem a Globo?

O locutor William Bonner anunciou ontem à noite (11/04) em tom dramático pelo Jornal Nacional, transmitido pela Rede Globo para todo o país, que o “homem” que assassinou “covardemente” alunas e alunos da escola carioca Tasso da Silveira mantinha contatos com um grupo “terrorista” supostamente islâmico, insinuando que esse grupo o poderia ter influenciado a planejar e executar o ataque sangrento à escola.

Era o que faltava. A Globo encontrou a linha ideal de investigação policial para tentar impedir qualquer discussão séria e abrangente sobre as causas que levaram à tragédia do Realengo e para deslocar as responsabilidades por essa tragédia da direita para a esquerda do espectro político. Nada de falar na esquizofrenia do jovem Wellington de Oliveira, nem na falta de apoio e tratamento que agravou sua enfermidade. Nada de recordar as perseguições e humilhações que sofreu quando era aluno da escola atacada. Nada de mencionar as informações sobre armas e massacres que podem ser acessadas facilmente na internet. Nada de aludir à cultura de individualismo, competição e insensibilidade disseminada pelo capitalismo contemporâneo. Nada de referir-se aos filmes, jogos e exemplos de truculência e crueldade que vêm dos Estados Unidos e das outras potências imperialistas. A grande questão passou a ser, para a Globo, os contatos de Wellington com um alegado grupo “terrorista”, que pode nem ser real, mas criado pela imaginação doentia do jovem.

Acresce que para os monopólios capitalistas de informação como a Globo a palavra “terrorismo” abarca tanto os atos de terror propriamente ditos e as organizações que os praticam quanto à resistência armada de povos oprimidos, como o palestino. Em contrapartida, para esses monopólios da informação, Estados, exércitos e partidos como os de Israel e dos Estados Unidos, que bombardeiam e devastam outros países e assassinam seletivamente seus líderes, não praticam o terrorismo. Assim, ao tentar envolver um suposto grupo “terrorista” nos atos tresloucados do jovem Wellington, a Globo busca comprometer setores que a população costuma considerar de esquerda no massacre justificadamente repudiado.

No esforço para montar essa versão tendenciosa, a Globo não se constrangeu sequer com uma objeção de simples bom senso: por que algum grupo terrorista, de direita ou de esquerda, teria interesse em insuflar um ataque à modesta escola municipal de bairro periférico do Rio de Janeiro?

Para revestir de alguma credibilidade a insinuação, o Jornal Nacional ouviu o ministro da Justiça que se prestou a declarar que a Polícia Federal apoiará todas as linhas de investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, inclusive a do alegado envolvimento de grupo “terrorista” com as maquinações do jovem Wellington de Oliveira. O que não consegue a poderosa Globo?


* DUARTE PEREIRA é jornalista, escritor e ex-dirigente da Ação Popular. Publicado no CORREIO DA CIDADANIA, 13/04/2011, disponível em http://www.correiocidadania.com.br/content/view/5716/9/

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13 comentários sobre “Tragédia em Realengo se transforma em circo de horrores dissociado de reflexão social

  1. Quem nao conhece esquizofrenia poupe comentarios e julgamentos idiotas !Esquizofrenia é uma das piores enfermidades que um ser humano pode ter.Com certeza absoluta esse rapaz estava em surto psicotico.Falo com propriedade e nao leviandade.

  2. Caro illyushin zaak,

    Você disse:
    “Punição para a Globo que ensina os nossos filhos desde criancinhas (inclusive meus dois filhos) a idolatrar e praticar a violência.”

    Que tal começarmos a punição por você, que é co-autor do crime de deixar seus filhos assitirem a rede globo!

    Detector de metais em escolas???
    São escolas ou presídios que você envia seus filhos todos os dias??

    “Também resgata o fato de que a nossa sociedade como um todo, através dos meios de comunicação que são apenas uma expressão da cultura (tendenciosa, é claro, e responsável pela propagação da própria violência em filmes e outros programas), permitiu que os valores individualistas chegassem a produzir tal extremo…”

    Ninguém é obrigado a asisitir programa ou filme algum, mas, somos obrigados a assistir progapanda política mentirosa e ideológica como a da maioria de nossos políticos!
    Quem representa e expressão de cultura tendenciosa mesmo???

    Faça-me o favor!!

  3. Quanta frustração aqui nesses comentários… Jefferson, Maurício, Francisco Bendl, etc…
    As pessoas simplesmente “se negam” a ver as vantagens que uma análise como esta, construída nas bases do materialismo dialético, propicia para entender todo o contexto em volta do massacre de realengo.
    Cegos que não querem admitir uma ferramenta de análise superior, mas que lhes impeça de manifestar sua sanha de vingança pessoal.
    Obviamente, os atos desse infeliz sujeito são de extrema cruealdade e covardia. Matar todo um grupo de crianças desta maneira… covardia sem tamanho.
    O que o texto resgata, é que o Estado brasileiro, por omissão total no plano imediato, seja pela facilidade de comprar e contrabandear armas, seja pela falta de segurança nas escolas (por exemplo, falta de detector de metais), seja pela falta de preparo dos profissionais da educação (professoras que correram ao invés de tentarem impedir o assassinato), e por omissão profunda no plano histórico (falta de atendimento adequado a este jovem, em casa, como preceitua a lei, ou em instituições adequadas), é que é o grande responsável pela tragédia.
    Também resgata o fato de que a nossa sociedade como um todo, através dos meios de comunicação que são apenas uma expressão da cultura (tendenciosa, é claro, e responsável pela propagação da própria violência em filmes e outros programas), permitiu que os valores individualistas chegassem a produzir tal extremo…
    E ponto final.
    Não vai chegar a lugar algum ficar “colocando a culpa” nesse jovem idiota e covarde, sem olhar também para todo o ambiente doentio ao seu redor que lhe permitiu praticar esse ato horrível.
    Punição para a Globo que ensina os nossos filhos desde criancinhas (inclusive meus dois filhos) a idolatrar e praticar a violência.
    Punição para a secretaria de educação por permitir que a equipe escolar da escola do Realengo abandonasse as crianças na mão de um assassino e saísse correndo.
    Punição para a secretaria de segurança pública por permitir que armas sejam compradas ao “Deus dará”.
    Punição para a secretaria de saúde por permitir que um esquisofrênico ficasse sozinho em casa sem qualquer acompanhamento ou tratamento.
    E finalmente, punição para esses sacanas de classe média omissos e acomodados que não fazem nada pra transformar a realidade, mas aparecem em momentos como esse postando bobagens sem nexo nos posts da vida.

  4. “A forma capitalista de vida social, sobretudo em seus traços contemporâneos, engendra um individualismo cada vez mais exacerbado e uma perda crescente de atenção e solidariedade das pessoas entre si. ”

    Por favor, essa ladainha é velha.
    Não é possível e nem sustentável um sistema econômico socialista ou controlado.
    Sem livre comércio não há lógica alguma para o mercado.
    Justamente o intervencionismo é o que acaba com os sistemas econômicos, claro que com ajuda de agentes capitalistas poderosos, mas são pessoas e não sistemas que causam o mal.
    Inclusive esses mesmos agentes financiaram e financiam regimes comunistas, exemplo, Alemanha nazista, Rússia e hoje em dia a China.

    Agora, voltando para o caso do infeliz garoto, só mostra como o Estado brasileiro, bem socialista por sinal, é ineficiente, não dando assistência alguma a esse rapaz como a vários outros nesse país que não possuem família.
    O Lula gasta Bilhões em propaganda enquanto milhares de brasileiros jovens não possuem assistência alguma e se tornam delinquentes.

    Pagamos 1/4 do nosso salário em impostos para termos esses resultados com a nossa juventude.

    Porcaria de Estado socialista!

  5. Repercussões como essas, trasnmitidas pela mídia, é que me fizeram fazer uma pesquisa antropológica acerca da “Polícia Indígena do Alto Solimões – PIASOL”, criada pelos índios Tikuna do Alto Solimões no Amazonas. Muitas das vezes a mídia repassa algumas idéias preconcebidas, sem observar as entrelinhas do problema. Comofoi a situação de chamarem a PIASOL de “milícia”, “organização paramilitar”, “organização aliada às FARC”, etc. A situação é delicada, e que a meu ver não condiz com nenhuma das categorias relatadas pela mídia. Da mesma forma, esse caso de Realengo. É claro, nada justifica a perda de tantas vidas, mas também ninguém pára para pensar em “novas situações” que possam acontecer, pela falta de tratamentos e cuidados que devem ser tomados com relação à crianças, adolescentes, jovens e até adultos, que possam estar passando pela situação que Wellinton passou.

  6. Sou professora a 50 anos. Nunca vi nada igual. A submissão de uma tragédia envolvendo crianças e jovens- inclusive Wellington de Oliveira- servir os interesses mais infames do capitalismo. Como silenciar diante da análise de DUARTE PEREIRA. A exploração midiatica REQUER o pronunciamento do dos Conselhos Tutelares, dos Juizados de Menores, Do conselho de defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes, da Secretaria de Saúde, dos CAPSIS. é ISTO MESMO: ” Nada que é humano é somente individual. É individual e social. Mesmo a loucura e suas consequências.

  7. Prezado Professor Ozaí, infelismente o Ministério da Saúde em nosso País esqueceu do doente mental; – esquizofrenia, bipolaridade, psicopatia, psicótico, levaram estes doentes para serem tratados em casa (tudo bem) MAS, sem o menor auxílio por parte do bem estar social GOVERNO. É penoso para as famílias lidarem com portadores de tais disturbios no convívio familiar; – os pobres muitas vezes são obrigados a amarrarem seus filhos para trabalhar, e são punidos pelo conselho tutelar. TUDO ERRADO. Sómente quem tem na família casos parecidos consegue avaliar; – o descaso dos governantes omissos, que fingem dirigir nosso País nos últimos quarenta anos. Vejo mães chorando com filhos já trêmulos (parkson) pela medicação ministrada pelos psiquiátras, que os perítos no INSS simplesmente recusam seus pedidos de auxílio alegando condições laborativas, quando sabemos que não tem. Muitas destas famílias abandonam estes filhos por não suportarem o fardo da agressividade ocasionado pelos disturbios, depois de tentativas insuportáveis e de ouvirem NÃO TEM VAGA nas portas dos poucos centros de recuperação psiquiátrica e psicomotora fornecida pelos governos atuantes. É LASTIMÁVEL.
    Abraços / Marilda Oliveira

  8. Gostei do texto do Duarte Pereira. Naquele fatídico dia 7 de abril, em que, admito, ao mesmo tempo perguntava o porque de tanta crueldade e como uma adicta por noticias não parava de assistir aos noticiários, em especial as notícias veiculadas pela Rede Globo, também não pude deixar de relfetir sobre todas estas questões que o texto elucida. De fato a estratégia da mídia de alimentar uma pedagogia do medo dá muito mais IBOPE que alimentar um debate sobre o que fazer para evitar outras tragédias.

    E enquanto educadora que sempre trabalhou o ensino público, outro aspecto preocupante que chamou a minha atenção foram os comentários que insinuaram como aquela escola, que é uma escola pública, poderia ter feito para evitar a tragédia: não permitir que os ex-alunos e a comunidade tivessem livre acesso à escola, já que os meios de comunicação , em especial a TV Globo, se referia ao projeto que a Escola Tarso da SIlveira em que ex-alunos davam palestras como o motivo de todo horror; ao mesmo tempo que sugeria ter na entrada das escolas seguranças armados ou mesmo detector de metais como forma de impedir a teda de armas na escola. Quem faz parte do cotidiano de uma escola pública sabe que esta verborragia em busca de audiencia, esta maneira pouco respeitosa de tratar a escola pública não resolve o problema.

    Só comparando com outro fato há algumas semanas atrás a propria Globo noticiou o Jornal Hoje que uma criança morreu afogada em uma piscina de uma escola particular (que não teve o nome divulgado na matéria) em Brasilia. A cena que foi ao ar mostrou os familiares da criança inconformados e sedentos por justiça. Quanto a escola onde teve lugar o acidente/incidente esta se limitou a explicar através de nota que o caso estava sendo apurado, que não iria permitir a divulgação de imagens internas da escola e nenhum responsável pela escola iria conceder entrevistas . E fim de papo! Ninguem mais voltou a falar do do assunto em qualquer dos telejornais da Globo. Por que tratar de assuntos que dizem respeito ao cotidiano das instituições particiulares de ensino, especialmente se se tratam de escolas frequentadas pelos filhos da elite, é considerado invasão de privacidade? Por que o mesmo não acontece com as escolas publicas do nosso país? E a exposição massificada do sofrimento daquelas crianaças e adolescentes não é uma invasão de privacidade?

    Aliás todos se aventuram a dar uma opinião sobre a escola publica . E a grande maioria dos que fazem isso, como a equipe de jornalismo da Rede Globo (e dos outros veículos de comuicação em massa, não sejamos ingênuos) nunca entrou uma escola pública a não ser quando esta se converte em um “furo” de jornalismo como a tragédia de Realengo. Nenhum deles estao preocupados com o cotidiano da escola, com as historias de vida de alunos, professores, funcionários enfim da comunidade em geral que depende da escola pública, que necessita que esta instituição dê certo, porque é uma das poucas chances que realmente tem de inclusão e ascenção social.

    Minha solidariedade a toda a comunidade da Escola Municipal Tarso da Silveira e de todas outras escolas públicas o Brasil que sofrem cotidianamete com os mais diversos tipos de violencia física ou simbólica. E o meu convite aos profissionais da educação pública a não tomar os comentários do jornalismo descomprometido com a escola pública como parâmetro. Não podemos desistir do nosso ofício, dos nosso projetos para aproximar a comunidade da escola, da nossa insistencia por uma cultura de paz dentro e fora das sala de aula, da nossa utopia de que o nosso trabalho pode sim construir novos seres humanos que respeitem as diferenças desde crianças. O nosso compromisso é com o provcesso de formação humana e não com o IBOPE.

  9. Do texto:

    “… embora já se saiba que sofria de esquizofrenia desde criança. ”

    Quer dizer então que a pessoa esquizofrênica e a pessoa sem esquizofrenia são influenciadas pela “forma capitalista” na mesma intensidade? É isso que o autor quis dizer?

  10. O texto acima do jornalista, sr. Duarte Pereira, é mais um que tenta encontrar as razões da chacina no Rio.
    Preocupa-me o seu teor, que, “justifica”, por assim dizer, o ato cometido pelo doente mental e culpando o capitalismo (não é o primeiro a enveredar por esta seara).
    Se o criminoso – e não vou usar de eufemismos para classificá-lo, mesmo reconhecendo o seu estado de abalo psicológico – tinha problemas consigo e em tão graves níveis, a ponto de ter matado aquela quantidade de crianças e depois deu cabo de sua própria vida, respeitosamente eu duvido que ele teria sido afetado de uma forma ou de outra pelo capitalismo, socialismo ou qualquer outra forma de regime econômico!
    E mais: ele não adquiriu esta doença (ou várias outras de origem psicológica). Ele já trazia consigo patologias neste sentido, que foram alimentadas, sim, por uma SÉRIE de fatores, desde a sua mãe biológica que apresentava instabilidades emocionais e a sua família de adoção que não possuía recursos para diagnosticar que o comportamento introspectivo deste jovem pudesse resultar naquele ato INSANO!
    Agora, textos com devaneios políticos, sociais, religiosos, apesar de bem escritos, vão se miscuir com outros sem maiores importãncias, sem relações com o lamentável episódio por uma simples razão:
    O rapaz estava DOENTE. com problemas mentais.
    Repetindo o que eu disse em comentários anteriores, se tivesse na escola – como nas demais escolas municipais e estaduais do país – um serviço psicológico eficiente e eficaz que detectasse esse tipo de aluno quieto, de difícil relação com os colegas, que sua vida fosse também analisada para que se apurasse por completo como ele vivia fora do colégio também, POSSIVELMENTE esta tragédia poderia ter sido evitada.
    Evidentemente que existem responsabilidades governamentais quanto ao fracasso no controle de vendas de armas ilegais, segurança para a população etc, etc.
    Porém, o aspecto decisivo foi o seu estado mental conturbado, que nos coloca à mercê de outros gestos iguais como este, basta que olhemos em volta e para dentro de nós mesmos para perceber a violência e a agressividade que nos comportamos.
    Quanto ao socialismo ser a solução – credo, que disparate -, concordo que de fato os índices de suicídio e crimes nesta ordem praticamente inexistem porque os governos tomam o lugar dos assassinos.
    A China, por exemplo, Cuba e o “paredón”, afora uma “democracia” muito conveniente de se perpetuarem no poder e seus dirigentes maiores enriquecerem às custas de um povo sofrido ou extraordinariamente reprimido, como na Rússia e sua “nomenklatura”.
    Vou passar a acreditar em regimes ideais a partir do momento que o ser humano deixar de lado as suas fraquezas e defeitos.
    Até lá, não me venham dizer que este é melhor ou aquele não presta, haja vista que o interesse e a ambição humanas sobrepujam qualquer conceito relativo ao bem comum!

  11. Meu caro professor Ozaí, se comento é porque o leio e gosto de seus artigos. Portanto, não tome o comentário como “critica” – palavra que tem péssimo conceito em nossa cultura auto-depreciativa. Seus comentários são – a meu ver – corretíssimos e enriquecidos pela excelência do comentário do Luiz Fernando. Contudo, considerando a teoria dos sistemas complexos, culpar o “capitalismo” antes de enunciar o emaranhado das forças intervenientes no evento é mais ideológico que crítico. Claro que todas as pessoas medianamente informadas rejeitam o capitalismo pela des-humanização que promove, mas nem tudo é culpa dele.
    Um abraço.

  12. Na tragédia de Realengo, sim, houve massacre, houve doença mental, e houve miríade de opiniões rídiculas. Weliington não é homicida. O fato trágico foi sintoma de patologia mental. Ainda nada vi que se tenha dito sobre Wellington de se ter oferecido como vítima como em holocausto. As virgens tornadas, não me refiros a elas. Porque não se deram. Refiro-me a ele que vivia às voltas com leituras religiosas, entendidas mitologicamente. Sua recomendação àqueles que fossem lidar com seu corpo finado visavam a um estado de pureza mítica. As religiões primeiro e a medicina agora ocupam-se na oferta higiência do corpo. Essa higienização Wellington desejava para si. Afastar fornicadores, infieis, as luvas necessárias , o banho no corpo, o lençol que deveria estar na mochila. Holocausto não se caracteriza pelo massacre… de quantos? Com que número massacrado inicia o holocausto? Holocausto é dar-se como vítima ” a um deus”. Difere da Shoah. Foi Churchill o primeiro a usar erradamente o conceito. Com os armênios. O caso Wellington semelha um dar-se em sacrifício à busca de pureza religiosa. Tomo holocausto em sua etimologia grega, e não por aquilo que o massacre nazista ofertou na Segunda Guerra. Finalizo nesta passagem do fato: – Wellington perguntou a uma adolescente: – Você é virgem ? Ela não reponde. Dirigiu em seguida a outra essa mesma pergunta. Ela responde: – Sou. E ele balea em seguida sua testa. Para mim, é a passagem mais emblemática do fundo mitológico da ação.

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