Nelson Werneck Sodré

por CARLOS HEITOR CONY*

Nelson Werneck Sodré (1911-1999)

RIO DE JANEIRO – Entre os centenários que, neste ano, estão sendo comemorados, destaco o de um dos homens que mais me impressionaram pela sua cultura e dignidade.

Não o conhecia pessoalmente, mas lia os seus livros com prazer e proveito. Logo no início da quartelada de 1964, estava preso numa das fortalezas da Guanabara, fora dos primeiros a ser punido pelos seus colegas de farda, pois se tratava de um general cujo pensamento desagradava aos homens que haviam tomado o poder.

Todos os que o conheceram tinham a certeza de que era um dos homens mais íntegros de nossa paisagem intelectual. Podiam discordar dele, mas sabiam que Nelson Werneck Sodré (1911-99) colocava, acima de tudo, a dignidade do ser humano, a sua e a dos outros. Sua obra abrange três segmentos interativos pela sua cultura de fundo humanístico: a literatura, a sociologia e a história. Foi mestre nos três departamentos.

Tornou-se citação obrigatória de todos os pesquisadores que estudam o processo brasileiro como um todo, e não em seus departamentos estanques.

Um texto de Nelson Werneck Sodré sobre Machado de Assis ou sobre um dos nossos ciclos econômicos se destaca pela abrangência de sua visão. Conhecia o geral e chegava ao particular. Sabia ver a árvore e a floresta.

Um dos líderes mais respeitados da nossa intelectualidade, nunca se deixou fascinar pela badalação inconsequente de certa época, nem pelo radicalismo carreirista que marcou a carreira de tantos. Nunca deixou de ser um ponto de referência do pensamento brasileiro. Teórico do nacionalismo, jamais se tornou xenófobo.

Recusou cargos, compensações e homenagens. Viveu austeramente. Formava o escalão mais consciente da esquerda que ele procurou ensinar, explicar e pela qual sacrificou sua vida


* Publicado na Folha de S. Paulo, São Paulo, quinta-feira, 19 de maio de 2011.

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3 comentários sobre “Nelson Werneck Sodré

  1. Nunca me esqueço que meu primeiro livro de história do brasil, lá nos confins de mato grosso, nos idos de 1954- era de autoria de Nelson W. Sodré e, aqueles ensinamento eu os tenho até sempre.

  2. Retificação ao comentário: Onde se lê “minhas orientação”, leia-se “minhas orientações”. Afinal não desejo colaborar com a nova gramática que o nosso “Ministério do Emburrecimento” está adotando para nossas crianças o que, certamente, nosso querido Werneck Sodre não aprovaria.

  3. Cony foi muito feliz em lembrar para todos nós (digo, nós aqueles que sobreviveram aos embates de 1964) a brilhante figura do general Nelson W. Sodre. Ele foi para mim uma das melhores referências sobre o que é o Brasil e sempre está comigo em meus estudos sobre a Formação Histórica do Brasil. Devo-lhe não só uma boa parte de meu conhecimento sobre história e sociologia como também sobre minhas orientação À ESQUERDA DAS NOSSAS ESQUERDAS festivas e oportunistas. Muito bem, Cony.

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