A Peste Integralista no Brasil

MÁRIO MAESTRI*

É direito constitucional crer que os homossexuais queimarão no inferno. Ou que os negros descendem de macacos e os arianos, de cisnes brancos. É lícito crer que o fato de Karl Marx ter escrito O capital comprova que o judeu só pensa em dinheiro. Ninguém pode ser reprimido por pensar que a mulher é um ser incompleto. Sequer há crime em sentir-se atraído por criança. As concepções e as pulsações individuais são direitos individuais inarredáveis, por exóticas e desviadas que sejam.

É socialmente inaceitável que homofóbicos, racistas, pedófilos, misóginos e assemelhados afirmem positivamente suas concepções e impulsos, com palavras ou ações, ferindo comunidades frágeis ou descriminadas e, através delas, à sociedade como um todo. Realidade que a lei toma crescentemente consciência, ao punir em forma cada vez mais ampla o racismo anti-negro, o anti-semitismo, o sexismo, a pedofilia e, ultimamente, a homofobia.

Preceitos religiosos não justificam atos anti-sociais. Quem incentivar ou praticar o bíblico “Olho por olho, dente por dente” terminará diante do delegado. Ninguém defende hoje a condenação à morte do adúltero e da adúltera – que despovoaria nosso país! Todos concordam que não teríamos vereadora, governadora ou presidenta, se seguíssemos a ordem da Bíblia que as mulheres “sejam submissas aos maridos” e “fiquem caladas nas assembléias […]”!

O integralismo – evangélico, católico, mulçumano, judaico, etc. – não nasce da vontade de respeitar estritamente preceito religioso. Ele exacerba a consciência alienada e ferida das populações, para propagandear conservadorismo que viabiliza seus objetivos políticos, ideológicos e econômicos. A família real saudita é a mais pia, a mais conservadora e a mais rica do Oriente. Edir Macedo construiu reino nesta terra prometendo a salvação na outra. Se fosse pelo papa, ele seguiria mandando sobre Roma, onde ninguém teria votado neste domingo!

O proselitismo integralista luta para formatar a sociedade segundo o seu arbítrio e a sua autoridade, apoiado no que diz ser a vontade divina inquestionável. Ancora seu reacionarismo na negação obscurantista da racionalidade como padrão de convivência e de organização social. Os integralismos comungam na defesa da superioridade da revelação, sobre a razão; da autoridade, sobre a autonomia; da tradição, sobre o progresso. Em sua militância, recebem o apoio magnânimo dos grandes interesses econômicos, no Brasil e através do mundo, interessados na conservação dos privilégios social.

No Brasil, o integralismo mobiliza-se contra o divórcio; contra a interrupção voluntária da gravidez; contra o reconhecimento civil da homo-afetividade; contra a escola laica, pública, de qualidade; contra os direitos plenos da mulher, etc. Tudo em defesa de ordem natural, determinada pelos céus, onde reinam indiscutidos o patriarca, sobre a mulher e os filhos; o patrão, sobre os trabalhadores; os governadores, sobre os governados; o pastor e o sacerdote, sobre os fiéis.

No Brasil, avança a galope desenfreado o integralismo religioso, expandindo sua peste, suas sombras e suas tristezas sobre a mídia, sobre a educação, sobre a política, sobre o lazer, sobre a educação, etc., com o apoio oportunista e interessado dos representantes e autoridades públicas. Recua o laicismo acanhado, parido em 1889 pela República elitista, e apenas estendido, às custas de duras lutas, neste pouco mais de meio século.


* MARIO MAESTRI, 62 anos, é historiador e professor do Curso e do Programa de Pós-Graduação em História da UPF. E-mail: maestri@via-rs.net

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22 comentários sobre “A Peste Integralista no Brasil

  1. Prof. Mário.
    Já li muita bobagem sobre o Integralismo, mas, o Sr. superou tudo! O Sr. jamais leu um Livro Integralista em toda a sua vida, nada conhece da nossa História e Doutrina, porém, não tem nenhuma vergonha em exibir toda esta sua ignorância em público! Lamentável! Vá estudar o Integralismo e depois venha palpitar.
    Pelo Bem do Brasil!
    Anauê!
    Sérgio de Vasconcellos.

  2. Prezado Prof. Mário Maestri

    Quero parabenizá-lo pelo texto. O neo-integralismo associado a outros setores ultraconservadores de nossa sociedade estão tentando restringir liberdades individuais, ameçando o estado laico, reforçando o racismo etc. Desde os anos 90 pesquiso o integralismo na Bahia e compartilho com o sr. a preocupação com a sobrevivencia dessa ideologia nos dias atuais e seus efeitos danosos ao regime democrático tão duramente conquistado.

  3. Que os sujeitos progressistas pensem individualmente que dar a bunda, queimar bíblias, acreditar que o homem veio do macaco, invadir e depredar propriedade privada, fumar maconha e cheirar cocaína, ter relações fora do casamento e depois sugar o infeliz embrião fruto dessa insensatez com algo como o roto-rutter, que tudo isso é lícito, nada se pode fazer, já que qualquer sem vergonha como esse aí é livre. O inadmissível é que esses façam um presidente, sejam maioria no congresso, infestem as escolas e faculdades onde desvirtuam a juventude, façam marchas pelas nossas ruas e ainda tenham a audácia de se declararem donos da verdade e defensores do direitos constitucionais e da democracia. Como esse menino aí em cima secreta o veneno, essa “peste” do esquerdismo deve ser …”dedetizada”? Não! Nós, que acreditamos nas Leis do Senhor, Integralistas ou não, e que damos ouvido a mensagem de Seu Filho e Messias Jesus de Nazaré, fazemos melhor do que esse instinto esquerdista , melhor dizendo, instinto nazista exterminador de “pestes”, o Cristianismo, cheio de amor verdadeiro, os chamam ao arrependimento dos pecados. Que o Senhor Dùs levante homens e mulheres, soldados defensores da Pátria, para nos livrarem de toda essa corrente infernal de esquerdistas, socialistas, nacionais-socialistas, petistas e comunistas. Que o Brasil seja eternamente feliz e que seu povo saiba conservar seu caráter cristão e direito!! Vitória!! Anauê!!

  4. Eduardo Viana,

    não compreendi bem o seu questionamento.
    Em nenhum momento falei que o famigerado “Kit” é válido para pensar a questão da diversidade sexual. Do contrário, eu me referi à ele criticamente por não enxergar positividade no mesmo. O tal kit, a meu ver, se trata de uma política bastante conservadora em bem marcar o diferente não como constituinte da sociedade, mas como “algo” a ser devidamente explicado e tolerado (princípio esse, o da tolerância, bastante complicado por supor hierarquia: “eu tolero aquilo que me é inferior, por isso suporto”).
    Quando me refiro ao kit, me dirigo a isso que acho ridículo de se confeccionar uma cartilha escolar para ser ensinado em escolas sobre homossexualidade. Vejo muito mais avanço em tratar do tema dentro da temática sexual em geral. Não vejo muito sentido em falar de homossexualidade especificamente. E nisto enxergo um perigo: ao invés de gerar esclarecimento, repito, em relação a comportamento sexual, e aqui me remeto a Foucault quando em crítica a proposta de um colega (Cauguilhem) de tornar a sexualidade um tema de investigação filosófica, responde com uma pergunta que dá bem o tom de antipatia à ideia de Cauguilhem: “por que a sexualidade é objeto de uma preocupação moral?”. Tal indagação desarma a ‘naturalidade’ da questão, já deixa de ser óbvio que o sexo é um problema moral: está claro que alguém, alguma instituição, um poder necessita que o sexo seja supervisionado pela moral.

    Concluindo, acredito que a temática da sexualidade é coisa delicada, e a homossexualidade, pelo problema da homofobia, mais delicada ainda para ser posta em cartilhas.

  5. Os evangélicos, após deixarem de ser minoria e ocuparem mais espaço na sociedade, agora querem massacrar uma minoria com um bíblico discurso burro.

  6. Olá, Bruno Oliveira.

    Por medida válida no sentido de se abordar a diversidade, você se refere ao famigerado “kit-gay”? Rapaz, eu ouvi falar tanto e fui obrigado a ler tanto sobre esse bafafá, que confesso não ter tipo paciência para examinar o tal “kit”, pra ser bem sincero não aguento mais ouvir falar disso. Agora, mesmo sem um juízo muito bem embasado, eu digo que é preciso tomar cuidado. Qualquer besteirinha que o pessoal faça, mesmo do modo mais válido e etc, será utilizada pela direita cada vez mais à direita e sabemos disso, esse pessoal nasceu com um vontade louca de deitar e rolar. Temos de conjugar inteligência e coragem, quanto a este assunto e quanto a todos os outros.

  7. Felicitações pelo texto professor.

    Não mais funcionamos única e exclusivamente pela lógica patriarcal que era amparada pelo direito, onde o machismo era bastante privilegiado pela legislação. Os tempos são outros. A recente decisão do STF, em reconhecer a união estável para homossexuais, demonstra que, hoje, essa sociedade patriarcal enfrenta grandes entraves para respaldar-se na lei. Esta sociedade (fortemente arraigada e presa a preceitos religiosos, em sua maioria cristãos) tenta, através da discriminação, da intolerância e da violência, resistir aos novos tempos. Contudo a realidade social é bastante distinta dos tempos de outrora. O que o STF trouxe foi um avanço em consonância com a realidade que vai além da prática e rompe, em certa medida, com o horizonte ideológico da comentada sociedade patriarcal, atrasada e conservadora, quanto a este aspecto.

    A diferença não precisa nem ser tolerada, nem ensinada, tampouco imposta. Antes respeitada como parte constituinte do corpo político. A diversidade é o que nos marca como modernos. Acredito ser válida a intenção de esclarecer e desconstruir mitos que foram gerados em torno da homossexualidade. Ou para melhor dizer, em torno da sexualidade, porque o sexo ainda é assunto demasiado “mistificado”, para ser gentil. Muito disso devido à religião, em especial a cristã entre nós ocidentais, na tentativa de incutir nas mentes e nos corações, para falar como Rousseau, seu ideário político para o mundo, onde a heteronormatividade se faz fundamental, haja vista a lógica da reprodução (lógica essa espinhosa de enfrentar para os homossexuais), identificando na monogamia à norma, a regra, a sanção, a “legítima” e, pior, natural – lembremos do criacionismo bíblico – maneira de ser para o ser humano.

    Escolhi trazer para reflexão a questão da diferença sexual, por entender ser um excelente exemplo de enfraquecimento, embora ainda tímido, dessa peste, concordando com o senhor, que é o integralismo religioso.

  8. Quer dizer que “San Thiago Dantas (da Universidade do Brasil) e Alfredo Buzaid (da USP, mais tarde ministro da Justiça), os filósofos Miguel Reale e Gofredo Telles Jr. (ambos da USP), o escritor católico Alceu de Amoroso Lima, o religioso Dom Helder Câmara (mais tarde arcebispo de Olinda e Recife), os historiadores Luiz da Câmara Cascudo e Américo Jacobina Lacombe, o médico sanitarista Belizário Penna (Ministro da Saúde), os poetas Tasso da Silveira e Augusto Frederico Schmidt (este, depois Subchefe da Casa Civil de Juscelino Kubitscheck), os romancistas e acadêmicos Adonias Filho e José Lins do Rego, os escritores Gustavo Barroso e Gerardo de Mello Mourão, o príncipe Dom Pedro de Orleans e Bragança (chamado D. Pedro III) e seu filho Dom João Maria de Orleans e Bragança (que, inclusive, participou do ataque ao Palácio Guanabara, em 1938, ficando gravemente ferido), os empresários e banqueiros Roberto Simonsen, Henrique Laje e Conde Francisco Matarazzo, o mais tarde general-de-exército Olímpio Mourão Filho (além de diversos mais, generais e almirantes), número superior a mil figuras de proa no cenário nacional, integravam suas fileiras.” são fascistas/nazistas?

    Foi a falta de um movimento conservador que levou o nacional socialismo ao poder, os racistas americanos eram do partido democrata, a esquerda americana, a NAMBLA, grupo pró-pedofilia nasceu junto com o movimento LGBT. E pesquise as cartas de Plínio antes de compará-los a nazistas. Se informe se ainda se considera inteligente.

  9. Alô, pessoal, desculpem se o meu comentário causou qualquer coisa de esquisita aqui na página, a susceptibilidade dos Bíblias mais à direita aí anda em alta. Eles gostam de agredir, mas não aguentam nem uma cutucadinha, como sempre.

    Aliás, ser de direita está muito na moda, não é não? Eu tenho visto até aqueles tipos como Olavo de Carvalho, Julio Severo, Diogo Mainardi, entre outros palhaços ideológicos, que saíram do Brasil apenas porque quiseram sair, fazendo insinuações de que seriam agora “exilados políticos”. É claro que não passam nunca das insinuações, pelos mais óbvios dos motivos.

    Mas o que me dói mesmo é considerar que, se os fascistinhas brasileiros quisessem pôr as mangas de fora por aqui como fizeram recentemente na Bolívia (los cruceños), nós ficaríamos tão acuados quanto ficaram por lá, já que nos habituamos a ser bonzinhos, “democráticos”, “tolerantes”, etc. Sabemos perfeitamente bem que, se houver a convulsão social que desejamos que haja, esses galinhas azuis virão pra cima da gente, com todas as baixezas e covardias que os caracterizam. Alguém aí acha que devemos dar um buquê de rosa pra eles?

    Conhecendo a obra do Mário Maestri, penso que ele estaria plenamente de acordo comigo. Os integralistas e fascistas gostam de violência, e eu também gosto. Penso que todos nós deveríamos ter a obrigação de gostar.

  10. Caro professor, seu texto é brilhante. Espero há muito tempo que alguém leia a fala dos pastores, principalmente os evangélicos, como o renascimento de Plinio Salgado aqui no Brasil e Hitler mundo a fora. Não à toa homossexuais são agredidos e mortos em diversos estados. Ando preocupadíssima com o ritmo e a direção que estes discursos fascistas estão tomando. Há um número grande de adeptos. Só ficar acordado de madrugada e assistir.
    Hitler cevou durante bom tempo suas teorias até chegar aos fornos que matavam judeus, negros, homossexuais. Percebo uma organização forte de uma repressão violenta. Não podemos esquecer que muiros dos nossos políticos comprometeram-se com vários lideres religiosos antes das eleições. E agora?
    Parabéns professor pela sua coerência e observação do nosso momento brasileiro.
    Abraços.

  11. Caramba, senhores(as)!
    Que bom poder ter acesso ao subjetivo de todos, parabenizo-os por tamanho conhecimento e nível nessa leitura de mundo!
    Sou matemático, um dia gostaria poder estar a altura de tamanho saber histórico!
    Preciso que me indiquem uma boa leitura relativa ao tema.
    Abraço à todos!

  12. Para Eduardo!

    Vai puxar o saco de comunista agora!
    Com certeza esses palpiteiros que escreveram acima não conhecem a história da igreja e ficam com aquele blablablá de inquisição…

    Eles não sabem que a igreja (cristã) foi pioneira na forma de educação universitária, na forma de julgamento, o modelo qual é existente hoje.
    Sem falar nas inúmeras contribuições para ciência, economia, física, astrologia, filosofia, etc.

    Esses palpiteiros reclamam da religião, mas veneram a besta quadrada de Karl Marx como se fosse um gênio, quando não passa de um farsante que foi refutado a séculos!!!

  13. Perfeito. A tragédia contra o laicismo é assistirmos a imposição – adejativando de fascista – de mecanismos morais de cunho religioso e que não respondem ao conjunto da sociedfade. Nesse sentido, suas citações biblícas são perfeitas. O fato é que integralismo cristão – nossa versão do fundamentalismo islâmico – não consegue conviver com a diferença. E o mais grave: aproveita a falta de cultura política e visão de longo prazo para impôr sua visão estreita e arcaica de mundo.

  14. Jeferson:

    “Nunca vi tamanha revolta sem causa e tanta besteira escrita junto em um mesmo texto!”

    E por acaso tu nunca leste a Bíblia, ô meu?

  15. A lei do “olho por olho, dente por dente” é coisa do antigo testamento que como bem
    sabemos é uma lei antiga e já foi revogada, nos tempos imemoriais, portanto….

  16. Prezado professor,como um sociólogo o senhor é ótimo.Porém,quando invoca textos bíblicos nas suas ponderações,o faz de forma, no mínimo desinformada,para não dizer maldosa e preconceituosa.Usa versículos bíblicos fora de seu contexto, sem respeitar regras mínimas de interpretação. Agindo assim,em que o senhor se considera melhor do que aqueles que o senhor critica?
    A próposito,o pior cego é o que não quer ver!

  17. Professor Mario Maestri, não adianta atirar contra aquilo que é obvio, a religião é o ópio do povo, como parodiava Marx, mas as pessoas que realmente tem fé são mais felizes que os ateus que não acreditam nem em si mesmo, assim como os homens casados são mais felizes que os solteiros. A história nos mostra, e o senhor é professor dela, que muito se matou nesse mundo por religião, mas muito se produziu de bem através da religião. O amor incondicional de Deus por nós é claro e objetivo, mas os homens influenciados por outros, deturpam as palavras de Deus, para se encaixar no mundo, pois se sente as margens, por ser diferente, ou pelos vícios que não quer abrir mão. A alma necessita de pureza para ser feliz. “Deus ama o pecador, mas detesta o pecado”, existem diferenças entre pecador e pecado, o homem sofre com aquilo que carrega nos ombros. A liberdade é diferente da libertinagem, e essa diferença os homens atuais não fazem distinção, pois necessitam da baderna filosofal para se encaixarem na sociedade.

  18. Professor Ozaí, Prezado mestre MARIO MAESTRI, perfeita suas colocações no texto “A Peste Integralista no Brasil” eu vou além, não no Brasil mas EM TODO O MUNDO.
    Portanto, para sentirmos alguma mudança neste mundo cruel em que vivemos, caberá a cada um de nós divulgarmos e praticarmos…

    Pela senda do bem, na esperança que os povos do mundo inteiro sem interferência de bispos e ou crenças religiosas, descubram o CRISTO que existe dentro de cada um de nós, representando a fonte de um pensamento novo sem as ideologias de separatividade, e inundando todos os campos das atividades humanas com uma nova luz.

    Saudações,
    Marilda Oliveira

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