Le Dernier Tango à Paris faz 40 anos

por UBIRACY DE SOUZA BRAGA*

 

“A vontade é esmagada pela repressão. A liberdade é assassinada pelo egoísmo. Família, porra de família!”

A epígrafe alude ao filme. Quando Le Dernier Tango à Paris estreou nos Estados Unidos em 1975 foi diante de uma enorme controvérsia. O frenesi da imprensa em torno dele gerou enorme interesse do público (cf. Aslan, 2010), assim como grande condenação moral, típica de norte-americanos, levando a reportagens de capa nas duas maiores revistas semanais do país. A revista Time – que colocou o ator Marlon Brando na capa: Last Tango in Paris Cover Story – e Newsweek – Tango: The Hottest Movie em 12 de fevereiro, 1973. O Village Voice descreveu “passeatas de comitês de moralidade na porta de cinemas” e “mulheres bem vestidas vomitando” (cf. “Last Tango in Paris: Can it arouse the same passions now?”. In: The Independent). Vincent Canby, crítico do The New York Times, descreveu o contexto sexual do filme como “a expressão artística da era de Norman Mailer”. O principal centro do aparente escândalo foram as cenas de penetração anal, onde “Paul” sodomiza “Jeannie”, usando manteiga “como lubrificante”, e quando ele pede a ela “que enfie os dedos em seu cu”, ou, “prometa fazer sexo com um porco”, provando sua devoção a ele.

Maria Schneider & Marlon Brando em “Le Dernier Tango à Paris” (1975).

A prestigiada crítica de arte Pauline Kael, da revista The New Yorker, deu ao filme um dos mais entusiásticos endossos de sua carreira profissional, considerando que ele tinha “mudado a face de uma forma de arte, um filme que as pessoas esperam por ele há muito, muito tempo, desde que filmes existem”. Seu elogio, vindo de alguém tão comedida neles e com tanto prestígio na chamada indústria cultural, foi republicado pela United Artists num anúncio do filme em página dupla na edição dominical do New York Times. Na versão que foi mostrada na pré-estreia mundial, no Festival de Cinema de Nova York, havia uma cena em que Paul afugentava de seu apartamento um vendedor de bíblias, colocando-se de quatro e latindo como um cachorro. A cena foi elogiada pela crítica de cinema Pauline Kael na revista New Yorker, mas Bertolucci decidiu cortá-la da edição final.

Uma semana depois “a polícia confiscou todas as cópias por ordem da Justiça e Bernardo Bertolucci foi processado por obscenidade”. O diretor Robert Altman assistiu ao filme e declarou que saiu da sala de projeção e disse a si próprio: “Quem vai se preocupar se eu fizer um novo filme? “Minha vida pessoal e artística nunca mais será a mesma”. Brando e Bertolucci foram ambos indicados ao Oscar “como melhor ator e melhor diretor”. Na Itália, o filme foi lançado apenas em dezembro de 1975, “mas a Suprema Corte Italiana selou o destino do filme na Itália, ordenando que todas as cópias fossem destruídas”.

Na França, onde o Le Journal du Dimanche o chamou de “um dos maiores filmes da história”, o público enfrentava filas de duas horas nas ruas durante seu primeiro mês de exibição em sete cinemas de Paris. Na velha e conservadora Grã-Bretanha, os censores diminuíram a duração da cena de sodomia para permitir que ele estreasse no país, enquanto políticos conservadores lamentavam a decisão como “uma licença para a degradação”. No Brasil, por causa da censura militar dos anos de chumbo, desgraçadamente o filme só foi liberado em 1979 quando estes já estavam saindo do armário; “no Chile de Augusto Pinochet, passou trinta anos proibido” (cf. “Chile Relaxes Its Censorship”. In: The New York Times, 13 de December de 2002).

Na Itália, o filme foi lançado apenas em dezembro de 1975, mas uma semana depois a polícia confiscou todas as cópias por ordem da Justiça e Bernardo Bertolucci foi processado por obscenidade. Mas na cozinha da Europa fora mal menor! Após vários apelos em diversas instâncias, a Suprema Corte Italiana selou o destino do filme na Itália, ordenando que todas as cópias fossem destruídas. Bertolucci foi condenado a quatro meses de prisão, sentença suspensa, e teve seus direitos civis e políticos cassados por cinco anos. Apenas em 1987, quinze anos após seu lançamento original, com a entrada em vigor de uma “nova lei de costumes”, Le Dernier Tango à Paris pôde finalmente ser exibido integralmente na Itália. No Brasil, mutatis mutandis, por causa da tirania da censura militar (1964-1984) repetimos o filme só foi “liberado” em 1979 e no Chile do ditador Augusto Pinochet, passou trinta anos proibidos.

Para Wilhelm Reich, o orgasmo é, primeiramente, a expressão de um abandono de si, sem inibição, em direção ao parceiro. A libido do corpo inteiro flui através dos genitais. O orgasmo pode não ser considerado completamente satisfatório se for sentido apenas nos genitais; movimentos convulsivos de toda a musculatura e uma leve perda de consciência são atributos normais e indicação de que o orgasmo como um todo teve participação. A tese do cineasta é que “a vontade é esmagada pela repressão. A liberdade é assassinada pelo egoísmo. Família, porra de família”. Salvo engano, talvez o cineasta tenha retomado o tema em Stealing Beauting (1996), onde após o suicídio de sua mãe, Lucy, uma garota americana de 19 anos, viaja para a Itália onde irá passar um tempo com velhos amigos da família. Lucy tem dois objetivos: “descobrir quem é seu verdadeiro pai” e rever um antigo namorado para quem tem se guardado esse tempo todo. O espírito inocente e jovem de Lucy provoca em todos uma profunda agitação. Ela se torna uma fonte de alegria e o principal assunto das refeições quando “para espanto geral descobrem que ela ainda é virgem”. Mas Lucy encontra seu primeiro amor e no meio de tantas mudanças, desvenda a verdadeira identidade de seu pai.

Antes de fazer cinema, Bernardo Bertolucci estudou na Universidade de Roma e ganhou fama como poeta. Em 1961 trabalhou como assistente de direção no filme Accattone, de Pier Paolo Pasolini. Em 1962, dirigiu La commare secca, mas obteve reconhecimento com seu segundo filme, Antes da revolução, em que já demonstrava seu estilo político e comprometido com seu tempo. Em 1967, escreveu o roteiro de Era uma vez no oeste, um dos melhores filmes de Sérgio Leone. Já nos Estados Unidos, dirigiu O conformista (1970), que chegou a ser indicado para o Oscar de melhor roteiro. Em 1972, a sua primeira obra-prima, O último tango em Paris, escandalizou meio mundo e deu a Bertolucci mais uma chance de concorrer ao Oscar, desta vez como diretor. Depois de fazer 1900, um filme monumental e muito ambicioso, Bertolucci partiu para o drama intimista em La Luna.

Poucos cineastas demonstram tanta versatilidade, aqui fora do voguismo, mantendo sempre sua marca autoral. Em 1987, consagrou-se com O último imperador, que recebeu nove Oscars, incluindo os de melhor filme e melhor diretor. Em O céu que nos protege (no Brasil), Um chá no deserto (em Portugal), nova obra-prima, rodado em 1990, em pleno deserto do Sahara, Bertolucci extraiu interpretações fantásticas de Debra Winger e John Malkovich. Seguiram-se O pequeno buda e Beleza Roubada. Seus últimos filmes falam de relacionamentos e sentimentos, são profundamente intimistas como e Beleza roubada e Assédio. Bertolucci é um cineasta ousado, que gosta de movimentos de câmara sofisticados, roteiros inteligentes e não tem medo de experimentar, mesmo quando trabalha com grandes orçamentos. Está em plena atividade e certamente vai virar o século à procura de um novo “clássico” para a sua já ampla coleção

A ideia do filme Le Dernier Tango à Paris surgiu das fantasias eróticas (cf. Alberoni, 1986) de Bertolucci, “que certa vez viu uma bela mulher desconhecida na rua e imaginou em ter relações sexuais com ela sem nem saber quem era”. O roteiro foi escrito por ele, Fanco Arcalli e Agnès Varda, que cuidou dos diálogos adicionais. A fotografia foi entregue ao premiado Vittorio Storaro. Bertolucci havia considerado Jean-Louis Trintignant e Dominique Sanda para os papéis principais, mas Trintignant acabou recusando o roteiro e quando Marlon Brando o aceitou, Sanda estava grávida e não pode mais fazer o filme. A trilha sonora jazzística, que se tornou famosa, é do compositor e arranjador argentino Gato Barbieri, transformado em estrela internacional da música após o sucesso do filme. O lendário compositor de tangos Astor Piazolla iria escrever a trilha sonora do filme e chegou inclusive a mandar alguns demos para Bertolucci. O diretor, no entanto, mudou de ideia e escolheu o músico de jazz Gato Barbieri, porque “achou que seu saxofone ajudaria na criação de uma atmosfera mais rica e sensual”.

Maria Schneider nasceu em 27 de março de 1952, em Paris, filha do ator Daniel Gélin e de uma dona libraire. Depois de alguns pequenos papéis em filmes de pouca repercussão, ela foi escolhida por Bernardo Bertolucci “para viver a jovem francesa que entrava numa relação obsessiva com um norte-americano 30 anos mais velho, este vivido por Marlon Brando”. A ideia do casal era se encontrar para manter relações sexuais sem que eles trocassem qualquer informação sobre suas vidas pessoais. A sequência mais famosa do filme transcendeu a tela do cinema e foi parar na cultura pop: “no chão de um apartamento, o personagem de Brando usa manteiga para auxiliar na prática do sexo anal com a personagem de Maria”.

Imagem da famosa cena em que Paul (Marlon Brando) sodomiza Jeannie (Maria Schneider) com ajuda de manteiga, causou escândalo, polêmica e censura mundial ao filme.

Curiosamente, assim como em filmes anteriores, Marlon Brando recusou-se a decorar suas falas em várias cenas. Ao invés disso, ele escrevia as falas em cartazes espalhados pelo set de filmagem e “deixava o problema de não enquadrá-los na câmera para Bertolucci e Storaro”. Durante o monólogo sobre a morte de sua mulher, por exemplo, sua dramática expressão levantando os olhos enquanto falava, não é um recurso de interpretação, “mas uma procura pelo próximo cartaz”. Ele chegou a pedir a Bertolucci para escrever algumas falas nas costas de Schneider, o que o diretor recusou. Durante as entrevistas de publicidade para o lançamento do filme, Bertolucci declarou que “Maria tinha desenvolvido uma fixação edipiana em Brando”. Na mesma ocasião, ela declarou que “Brando lhe tinha enviado flores e se comportado como um pai durante as filmagens”, mas negou a afirmação anos depois, dizendo que “Brando tentou uma relação paternalista comigo, mas o que houve não era exatamente uma relação entre pai e filha”. Mais tarde, Schneider deu outras declarações sobre humilhação sexual durante as filmagens. Um trecho de 10 segundos em que Paul põe os dedos entre as nádegas de Jeanne foi cortado da cena de sodomia na conservadora versão britânica.

Eu deveria ter chamado meu agente ou meu advogado ao set, afirmou Maria Schneider, “porque não se pode forçar alguém a fazer algo que não esteja no roteiro”, mas na época, eu não sabia disso. Marlon Brando disse: “Maria, não se preocupe, é só um filme”. Mas durante a famosa cena, afirma a protagonista, “mesmo que ele não estivesse me possuindo realmente, eu me senti humilhada e as minhas lágrimas eram verdadeiras. Senti-me algo estuprada, tanto por Brando quanto por Bertolucci”. Após a cena, Marlon Brando não me consolou nem se desculpou. Felizmente, foi gravado em apenas uma cena. Maria Schneider depois declararia que fazer o filme foi “o único arrependimento de sua vida” e que ele “havia arruinado sua carreira” e que considerava Bernardo Bertolucci um “gangster e um cafetão”. Assim como Schneider, Brando depois declarou sentir-se violado e humilhado pelo filme e disse a Bertolucci que “se sentia completamente e interiormente violado por ele e que jamais faria outro filme como aquele”.

Por pouco não foi atriz de um só filme, pelo menos na memória dita popular: a película ganhou fama pelo conteúdo erótico, de sexualidade quase explícita, algo até então inédito numa obra com uma estrela de primeira grandeza como era Brando. A atriz tinha apenas 20 anos quando fez o filme, em que interpretava uma jovem francesa que mantém uma relação exclusivamente sexual com um norte-americano de meia-idade num apartamento vazio de Paris. Schneider tornou-se uma celebridade mundial em virtude do impacto imenso da fita. Filha do ator Daniel Gélin que não reconheceu legalmente a paternidade, Schneider nunca mais teve outro papel com o mesmo reconhecimento popular, mas ainda conseguiu co-protagonizar mais dois filmes de relevo cinéfilo.

Logo em 1975 contracenou com Jack Nicholson em “Profissão: Repórter”, de Michelangelo Antonioni, e em 1981 protagonizou “Merry-Go-Round”, de Jacques Rivette. Apesar de ter feito vários filmes na década de 1970 e 1980, mas nenhum ficou verdadeiramente registado na memória. A maioria deles, como “Crónica da Mais Velha Profissão do Mundo”, foi criado para aproveitar o potencial erótico e sexual que se colara à pele da atriz, que por esses anos teve a vida marcada por depressões e pelo abuso de drogas. Maria Schneider continuou sempre a trabalhar, por vezes em papéis secundários em filmes de maior relevo como “Noites Bravas”, mas nunca mais teve qualquer tipo de projeção.

Em 2007, numa entrevista ao jornal britânico “The Daily Mail”, a atriz disse que a cena da manteiga não estava no roteiro e que teria sido uma ideia de Brando, durante a filmagem. Maria também afirmou ter se arrependido de fazer o filme. “Eles me enganaram. Eu me senti humilhada e, para ser honesta, um pouco estuprada, tanto por Marlon, quanto por Bertolucci. Essa cena não estava prevista. As lágrimas que se veem no filme são verdadeiras”, disse. “Sua morte chegou cedo demais, antes que eu pudesse voltar a abraçá-la e, pelo menos uma vez, pedir-lhe perdão”, disse Bertolucci ao jornal italiano “La Repubblica”, após receber a notícia da morte da atriz.  O ministro da Cultura francês Frederic Mitterand divulgou um comunicado em que chamou Schneider de “uma grande artista” e elogiou sua habilidade de levar a ambiguidade às telas, sedutora e enigmática, quando trabalhou com diretores como Rene Clement e Bernardo Bertolucci. “Ela continua sendo a imagem singular da mulher de hoje, um dos exemplos da liberdade feminina que reconquista eternamente as novas gerações”, afirmou.

Enfim, 40 anos depois Marlon Brando como “retorno do reprimido” interpreta Don Juan deMarco que é um filme estadunidense de 1995, do gênero romance, dirigido por Jeremy Leven e produzido por Francis Ford Coppola. Don Juan é personagem fictício, geralmente tido como símbolo da libertinagem. Originado no folclore, adquiriu forma literária no romance do século XVII El Burlador de Sevilla (1630), atribuído ao dramaturgo espanhol Tirso de Molina. Posteriormente, tornou-se o herói-vilão de romances, peças teatrais e poemas; sua lenda adquiriu popularidade permanente através da ópera de Mozart Don Giovanni (1787).

Agora Don Juan visa o poder em suas relações amorosas: sacrificar as mulheres à sua glória, pela glória dominar os homens, e sua dominação se exerce de forma teatral: no espaço coletivo ele procura as mulheres a quem seduzir e quando às conquista, ele traz para um lugar oculto, privado. E finalmente o que interessa é devolver a mulher já marcada pela posse e lhe entregar, ao espaço público, dessa multidão que assiste o seu triunfo. Fazendo-se espetáculo, ele garante que não exista mais rival para seus feitos ou controle para suas ações. E isto é o que há de mais notável na ação de Don Juan: ele domina os homens por um recurso único, o de teatralizar o social.

O filme Dom Juan De Marco trata da vida amorosa de um jovem que aos 20 anos de idade, tenta cometer um suicídio por configurar-se miticamente ser Dom Juan e encontra-se desiludido amorosamente. O jovem é resgatado pelo Dr. Jack Mickler, um experiente psiquiatra freudiano, que ao se apresentar ao suposto Dom Juan, entra na sua fantasia e assume o papel de um suposto Don Octávio del Flores, e o leva para um hospital psiquiátrico, o qual ele acredita ser uma vila. A partir daí, o filme desenrola-se de maneira muito interessante. O psicanalista apaixona-se pelo caso do garoto, e fica tão fascinado com a sua história psíquica, que o deixa livre a ponto de fazer o próprio psicanalista repensar a sua vida e a sua conduta até ali. O jovem mostra-se o tempo inteiro como uma pessoa extremamente sedutora, mas que na verdade criou um mundo para si, onde buscava esquecer os acontecimentos traumáticos da sua vida, principalmente relacionados a sua mãe, que, ao que parece, foi uma mulher adúltera. Para proteger o seu ego dessa impactante realidade, O “Dom Juan” se utiliza de vários mecanismos de defesa, como por exemplo, a negação, que pode ser observado fortemente no filme. Ele nega a sua realidade o tempo todo, porque aquilo lhe provoca uma angústia insuportável. Outro mecanismo que fica bem evidente é o da identificação.

O “retorno do reprimido” se dá quando O Dr. Jack, inspirado pela narrativa de seu paciente, começa a enxergar o quão cinzenta havia se tornado sua vida amorosa, ao lado de sua esposa. Ele, então, passa a ter um comportamento diferente, começa a querer resgatar o romantismo no seu casamento. Leva flores para a mulher, convida-a para jantar, para fazer viagem romântica etc. O delírio de Don Juan é extremamente apaixonante, pois trata de uma forma suprema e graciosíssima das questões do amor, da sexualidade e a velhice. Foi uma troca bastante interessante, na qual o terapeuta talvez tenha sido o real beneficiado naquele tratamento, já que, a partir daquele caso num processo de transferência pôde trazer a cor de volta para sua vida. No final do filme, Don Juan mostra-se consciente da sua realidade, sendo assim, liberado para um convívio normal na sociedade.

 __________

* UBIRACY DE SOUZA BRAGA é Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

Bibliografia geral consultada.

MÁRQUEZ, Gabriel García, La increíble y triste historia de la cândida Eréndira y de su abuela desalmada. Colombia: DeBols!llo, 1972; DE MARCHI, Luigi, Wilhelm Reich: Biografía de una idea. Barcelona: Península, 1974; REICH, Wilhelm, La Función del Orgasmo. Buenos Aires: Paidós, 1974; Idem, O combate sexual da juventude. 2ª ed. Lisboa: Antídoto, 1978; BAKER, Elsworth F, O labirinto humano: as causas do bloqueio da energia sexual. São Paulo: Summus Editorial, 1980; BOADELLA, David, Nos caminhos de Reich. São Paulo: Summus Editorial, 1985; STOLKINER, Jorge, Recontextualizando Reich. New York: Open Orgonomy, 2005; BENJAMIN, Walter, L`opera d`arte nell`epoca della riproducilità técnica. Turim: Einaudi, 1966; Idem, “L`ouvre d` art à l` ere de sa reproductibilité techinique”. In: L` Homme, le langage et la culture. Paris: Danoël, 1971; BRECHT, Bertolt, Furcht und Elend des Dritten Reiches. Suhrkamp Verlag: Frankfurt am Main, 1957; Idem, Escritos sobre Teatro. Buenos Aires: Ediciones Nueva Visión, 1970 (volumen 1); Idem, Über Politik und Kunst. Suhrkamp Verlag: Frankfurt am Main, 1971; Idem, Escritos sobre Teatro. Buenos Aires: Ediciones Nueva Visión, 1973 (volumen 2); Idem, Escritos sobre Teatro. Buenos Aires: Ediciones Nueva Visión, 1976 (volumen 3); ADORNO, Theodor W., Teoria Estética, Arte e Comunicação. São Paulo: Martins Fontes, 1970; ALBERONI, Francesco, O Erotismo, Fantasias e Realidades do Amor e da Sedução. São Paulo: Circulo do Livro, 1986; BORNHEIM, Gerd A., Brecht e a Estética do Teatro. Rio de Janeiro: Graal, 1992; ASLAN, Odette, O ator no século XX. São Paulo: Perspectiva, 2010, entre outros.

Anúncios

10 comentários sobre “Le Dernier Tango à Paris faz 40 anos

  1. Por favor, professor, eu quis dizer “Eros e Tanatos”, faltou o “s”, em Tanatos.
    Minhas desculpas.

  2. Interessante a sua frase, professor: ” O desejo é órfão porque é anarquista e ateu!”
    Anarquista por que é sem regras?
    Ateu por que o pensamento ultrapassa os ditames religiosos e, dos pecados, o menor?
    Órfão por que isolado, o desejo se manifesta independente do sexo e do erotismo, é isso?
    Será que o desejo não teria paternidade?
    O sexo, além do prazer, tem as suas funções orgânicas e psicológicas.
    Até mesmo a necessidade de se “aliviar”, tanto homens quanto mulheres.
    Não seria esta “necessidade”, professor, o gerador do desejo?
    Talvez não fosse assim e não haveria explicação para a zoofilia, quando ultrapassa certas barreiras morais?
    Por isso que afirmei que o filme O Império dos Sentidos foi superior ao Último Tango, pelos símbolos sugeridos e variedade de temas abordados.
    Ora, se nascemos do sexo que morramos por ele, quando ele pede que ela a estrangule, de modo que pudesse sentir um prazer maior.
    Desajeitada, ela o mata e, então, corta-lhe o pênis.
    Seria a natureza que nos dá a vida e ela mesma a tira?
    Neste caso não seria a mulher sendo a própria natureza e motivo da volúpia do companheiro que confiaria a ela a sua vida em troca de um orgasmo tão intenso?
    Se a vida está atrelada à morte e o sexo pode gerar vida, então que este prazer indescritível que é proporcionado que tenha um preço, a própria vida!
    Eu não sou um crítico de cinema, vê-se logo, muito menos tenho condições de discutir Eros e Tanato, mas este filme foi o melhor filme erótico feito até hoje, na minha opinião.
    E com muito mais profundidade que o filme de Bertolucci, que foi apenas abusado.

  3. Fran,

    Wilhelm Reich, no ensaio “La Función del Orgasmo” (Buenos Aires: Paidós, 1974), é bastante claro a este respeito: “O orgasmo pode não ser considerado completamente satisfatório se for sentido apenas nos genitais; movimentos convulsivos de toda a musculatura e uma leve perda de consciência são atributos normais e indicação de que o orgasmo como um todo teve participação”. A tese do cineasta é que “a vontade é esmagada pela repressão. A liberdade é assassinada pelo egoísmo. Família, porra de família”. Para ambos, em sua progênie W. Reich e, claro, B. Bertolucci, alguma coisa “está fora da ordem” no que se refere à produção do desejo na esfera nuclear da família burguesa.

  4. Francisco Bendl,

    Sobre o filme Império dos Sentidos há que se destacar as formas pelas quais o sexo oral pode provocar cenas de forte erotismo. Destacam-se o orgasmo do protagonista, ejaculando na boca de Sada Abe; o momento em que um ovo cozido é colocado dentro da vagina da protagonista, sendo logo depois “botado” e colocado na boca de seu amante; e até um defloramento ocorrido num bacanal onde várias prostitutas dominam uma jovem e introduzem nela um consolo com forma de passarinho. O desejo é órfão porque é anarquista e ateu!

  5. Didi Tenório,

    Infelizmente seu comentário é atualíssimo: “sempre a mulher sofre algo que humilhe”. Basta lembramos de Lennon quando diz na sua música: “Woman is the nigger of the world/Yes she is…think about it/Woman is the nigger of the world/Think about it…do something about it…”.
    Felicidades

  6. Eu me lembro do lançamento deste filme, O Último Tango em Paris.
    De fato, causou um rebuliço muito grande. Mas não pelo roteiro e, sim, pela famosa cena que todos conhecemos.
    Acredito que parte desta propaganda foi porque um ator de renome a interpretava, o grande Marlon Brando, que ainda estava no seu auge.
    Por outro lado, penso ter sido um exagero os elogios ao filme que, para mim, absolutamente comum.
    Ora, mostrar implicitamente sexo anal, mesmo que forçando a companheira que eventualmente se encontrava em um apartamento vazio, vamos e venhamos, que surpresa isso ocasiona?
    Talvez pelo ineditismo da cena e para os padrões à épóca, forte, mas somente isso.
    Nada genial, ao meu ver, repito, tentando eu trazer este filme à categoria de uma película diferente, nada mais.
    Na minha concepção, muito mais importante e que fazia o espectador sair do cinema pensando foi O Império dos Sentidos.
    Um filme magistral porque colocou o sexo explícito na tela sem a costumeira pornografia, em princípio.
    O enaltecimento do desejo e do prazer numa busca incessante e sufocante naquele minúsculo aposento onde o sexo era o único objetivo, mostrava também um erotismo jamais visto antes nas telas do cinema.
    Claro, o filme de Bertolucci foi lançado antes, em 72, e, o japonês, de Nagisa Oshima, em 76, pois, mesmo assim, este último surpreendeu muito mais ao público que se acostumava com filmes que traziam cenas nada ortodoxas.
    Resgato Bonnie and Clyde de 1.967, onde ambos estão numa relva e as imagens dão a entender em sexo oral dela para ele.
    Mas, tenho para mim que, o imério dos Sentidos, merecia um comentário seu, professor, à altura do impacto que causou nas platéias do mundo inteiro quando apresentado.
    Se a questão é sexo e seus componentes, desejo, prazer e erotismo, certamente não me lembro de outro filme mais espetacular do que este japonês, inclusive pela atuação soberba de seus atores.
    Brando e Schneider que faziam sexo pelo sexo, teriam muito que aprender com seus colegas nipônicos a arte da sedução.

  7. Bira,

    Exploramos, cada um e uma de nós, a sexualidade que nos impera!

    Vejo nisso a maior hipocrisia, quem não sente tesão? desejo?

    sei que o prazer e o orgasmo são frutos mais difíceis de colher, por conta dos divinos cuidados que exigem, mas são reais.

    Vivamos nossos sexos, diversos como sejam …

  8. Seu comentário ao filme agora aniversariando, está ótimo.
    Não seria um filme que eu escolhesse.
    Sempre a mulher sofre algo que humilhe.
    Valeu a pena conhecer o estilo.
    Muito obrigada. Didi

  9. Oi nina,

    Obrigado. Temos aí uma porta aberta para um bom debate, e cinema é arte!
    Obrigado

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s