USP X Maconha

RAYMUNDO DE LIMA*

Os encapuzados da USP, invasores da reitoria cuja bandeira de luta é o direito de uso de maconha e contra a presença da PM no campus, nos remete a uma pesquisa com 4.395 alunos realizada em 1998: a maconha havia se transformado num hábito tão comum como fumar cigarro no campus. De cada 100 alunos, 20 fumavam maconha com frequência; 27 costumam fumar cigarro. “De cada 100 alunos de medicina no sexto ano da faculdade, 82 bebem com frequência – o que não significa um caminho inexorável ao alcoolismo; 20% disseram usar com frequência algum tipo de tranquilizante quando estão no último ano do curso”. Próximo do final do curso aumenta o número de usuários e a propensão ao vício de drogas e álcool entre alunos. Os motivos para esse aumento são diversos: pressão dos estudos, estresse, solidão, depressão, convivência grupal pró-relax.

Alarmado com o envolvimento dos alunos da USP com as drogas e álcool, o reitor da época, Jacques Marcovitch, convocou um seminário multidisciplinar, para uma discussão sobre a descriminação da maconha e medidas de prevenção e tratamento. O narcotráfico já dominava a USP/capital, e os demais campi do interior de São Paulo em 1998.

Fiz meu doutorado na USP, entre 2001 e 2005: notícias corriam que cidade universitária era insegura, havia assaltos e estupros, o cheio de maconha era forte, os narcocapitalistas se vestiam como estudantes politizados. O crack ainda não tinha invadido o campus. O movimento estudantil estava esvaziado de alunos e de bandeiras de lutas. Depois dos ataques aos EUA, em 2001, o dito marxista “a religião é o ópio do povo” virou algo como “religião pode ser arma contra o capital”. Pior, alguns admiravam os narcoguerrilheiros das Farcs. O movimento estudantil uspiano – entre outros – teriam se rendido ao vício e à barbárie?

Ninguém duvida que boa parte do movimento estudantil é braço dos micro-partidos de vocação anti-democrática (a maioria odeia a democracia “burguesa”). Também há os independentes, pró-democracia. Há os que defendem o direito de fumar maconha, crack, cheirar coca, liberar bebidas em torno das universidades – como já aconteceuem Maringá. Ora, uma das funções dos cursos universitários é também praticar “extensão”: prevenção e tratamento aos drogadictos, alcoolistas, doentes psíquicos e somáticos. Há professores que se omitem; outros fazem discurso com um olho só (O Diário, 15/11/2011-Opinião e Cx Postal 17/11).

No episódio da USP/2011, um professor pediu na imprensa fazer vistas grossas aos grupos, principalmente na FFLCH e nas moradias do CRUSP, fumando maconha ou crack? O falso argumento que só a comunidade pode vigiar, só reforça o riso dos narcotraficantes. As comunidades dos morros do Rio vigiavam com medo do poder dos narcocapitalistas que criaram um governo paralelo. É isso que eles querem que ocorra com a USP? Alguns fazem discursos cínicos do tipo: “maconha inspira ideias filosóficas”; “fumar maconha é um delito menor”, “a juventude é a fase do experimento”,”o cigarro mata mais do que a maconha” (frases de professores respeitáveis). O mais surpreendente discurso veio do ex-presidente FHC, com cara de bem intencionado.

A exemplo do Rio, há pedidos de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) para a USP. Mas parece que a PM paulistana não tem força moral-estratégica para enfrentar o conluio entre alunos e narcocapitalistas. Até porque a história desta PM remete ao tempo da ditadura: reprimia as liberdades políticas no campus. Que fazer quando a resistência é fundadaem paranóia. Blá!

As universidades públicas hoje passam pelo dilema: autorizar o policiamento no campus, ou deixar o narcotráfico mandar? Universidades públicas bem investem no ensino e pesquisa, mas ignoram a sabedoria e são reféns dos interesses político-ideológicos. A cultura uspiana é arrogante, se pensa numa ilha, alunos, professores e funcionários exigem privilégios de burgueses, mas se imaginam proletários. Imagine: o pai ou mãe contente de ter o filho estudando numa boa universidade fica sabendo que ele foi adotado pelos os narcocapitalistas, ou é laranja de um micro-partido fundamentalista. O movimento estudantil uspiano – entre outros – precisa ser mais razoável e estar sintonizado com o movimento estudantil mundial, no mínimo.

Obs.: os alunos que invadiram a reitoria da USP consideram “de direita” o PSOL e o PSTU.


* RAYMUNDO DE LIMA é Doutor em Educação (USP) e Professor do Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Estadual de Maringá (DFE/UEM).

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23 comentários sobre “USP X Maconha

  1. Não adianta ficar nessa briga boba dizendo que os traficantes estão lucrando demais se na verdade só o que o difere do vendedor de bebidas alcólicas é que ele alimenta o poder paralelo e não contribui com impostos (não se pode dizer que isso não é problema, é óbvio). Sabe-se muito bem que os efeitos do álcool também são avassaladores e muitas famílias sofrem com essa fatalidade. Então acredito que enquanto o discurso se basear nos males causados para a saúde é preciso ser mais honesto e colocar as coisas como realmente são.
    Se formos partir para a questão econômica e, logicamente política – porque não existe realidade econômica desatrelada de algum projeto político – do ponto de vista de Estado, temos um problema muito grave com as drogas, assim como temos também com um monte de coisas. São exemplos os diversos produtos piratas que são comercializados sem oferecer segurança ao consumidor e sem contribuir com a arrecadação. Portanto, o problema é muito maior do que parece e muito complexo. Não dá pra resolver simplesmente colocando ou tirando a polícia dos lugares afetados. É preciso fazer muito mais do que isso atacando com responsabilidade os diversos pontos necessários.

  2. Meu querido Jeferson Pereira Leal…
    Sinto muito pela sua falta de informação, mas vou tentar te dar uma ajudinha.
    Queria que vc pensasse a causa da maioria das mortes, não somente no transito, mas nas periferias das cidades, não somentes nos ultimos tempos, mas tambem na época colonial do País ou medieval no resto do mundo. A maconha históricamente é utilizada em rituais de tribos indígenas assim como o peyote para alguns índios. Por favor, não desvirtuemos o ponto de discussão, a questão aqui não é a maconha, isso é falsa polemica causada por pessoas que não tem o minimo para se compreender a realidade em que vive, apelando para lei, ja disse, “qual o porquê de a maconha ser proibida por lei?” Ninguem conseguiu me responder ainda!!!!!!
    DOLE UMA!!!!!!!

    Então pessoal, assim fica dificil, não da pra ficar perdendo tempo aqui, escrevam outro artigo melhor nesse espaço por favor.

    aH ! só mais uma coisa, mas não vamos arrastar a discussão pra maconha de novo!

    vejam isso :
    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19076&mid=53

  3. Essas pessoas deveriam entender que a USP é um bem mantido com dinheiro público, e está sujeita a lei vigente, logo , é a polícia que tem que exercer o monoópilo da segurança. Se os Srs não estão de acordo, formem-se magistrados, fumem um baseado e enviem ao congresso um projeto de lei e mundem as coisas. O pior de tudo, é o Estado pagar cursos caríssimos a maconheiros, alcoólatras e outros futuros degenerados, enfim, gente que não conhece disciplna e Pensa que o mundo é um OBA OBA. Esses é quem formarão a elite do Brasil.

  4. Prezado, é um equívoco abordar a questão das drogas como maconha, alcool e tantas outras, tendo como ponto de vista o fato de serem PROIBIDAS OU NÃO PROIBIDAS.
    Sobre a questão, não pretendo com isso lhe dar respostas, mas sim, discutir a forma como vemos este problema, refletindo com liberdade sem cair na ARMADILHA do PROIBIDO OU LIBERADO. Uma pessoa inteligente e livre, não usa drogas ou qualquer coisa que seja, pelo fato de ser proibido ou livre! OS INTELIGENTES E LIVRES ESCOLHEM COM RESPONSABILIDADE! O TRAFICANTE NÃO SE DROGA!
    A bem da verdade, drogar uma parte da juventude universitária ou não do meu país, significa cumprir uma estratégia de aniquilar mentes inteligentes para se perpetuarem no poder dominando, inclusive pela droga, por uma educação que não desenvolve, que empurra a juventude para a destruição… lamentavelmente, nossos jovens não percebem a armadilha em que cairam, ou caem, ao usar drogas!!!
    O sistema capitalista gera necessidades e dependência, seu objetivo é gerar volumes incalculáveis de valores monetários, para isso, se for preciso, detona as mentes da USP e de onde precisar, desagrega famílias e vidas, pois uma das suas finalidade é acumular.

  5. É a natureza contra o criador? Os fumadores de maconhas e outras coisas mais, se esquecem que enquanto se permitem a destruição de suas capacidades cognitivas, as vacas sagradas permanecem na linha de frente como detentores de uma reserva de mercado do conhecer. Fumando maconha nada se transforma, somente com uma educação verdadeiramente de qualidade é que se pode lutar e transformar uma instituição seja ela de que natureza seja. Reflitam! É com lucidez que se faz as mais significativas transformações.
    De acordo com a Lei, quando em uma propriedade se encontra maconha plantada, esta propriedade pode ser desapropriada para fins de Reforma Agrária, então, que tal se criar uma lei, onde fique assegurado que o estudante que fumar droga como maconha e outras nas instituições de ensino, PERDEM A VAGA PARA OUTRO JOVEM CARENTE ESTUDAR, SE FORMAR, SERVIR A SOCIEDADE…!

    • Sr Costa Silva…
      por favor, ja que és entendido no assunto, e mesmo sem ser eu usuário de maconha, poderia me explicar, coerentemente é claro, por que a maconha é proibida e o álcool não, por exemplo?

      aguardo!

      • Respondo por ele.
        Óbvio que é do interesse dos grandes empresários e políticos que seja assim.
        Mas, é possível controlar a dose de álcool ao beber, muitas pessoas o fazem.

        Agora com a maconha isso não dá certo, independente da dose o estrago acontece.
        E em pouco tempo se a pessoa não partiu para uma droga pior, com certeza seu cérebro ficou lesado.

        Não estou defendendo o álcool, mas não a dose segura para a maconha.

        Para min toda a droga deveria ser controlada, mas… Não faço leis…

  6. Ninguém é obrigado a concordar com o argumento do professor que escreveu o artigo.

    Por exemplo, eu me declaro capitalista, economicamente falando e não concordo com esse negócio de narcocapitalista. Agora, isso não me dá o direito de atacar a pessoa do professor.

    Esses palpiteiros que ficam entrando só para atacar as pessoas que escrevem ao invés de discutir os argumentos, por que não vão ver novela?

    Pelo jeito nunca trabalharam na vida, pois não aprenderam ainda que em uma discussão ou debate honesto, não se ataca a pessoa e sim o argumento.

    Pelo jeito nunca participaram de uma reunião entre pessoas.

    E ainda se acham no direito de escrever essas baixarias.

    Por que não mostram serem homens e mulheres de verdade e apresentem-se para todos ao invés de ficarem escondidos atrás de “avatares” escrevendo besteira a torto direito?

  7. Weliton Tarelho e Luis, excelentes seus comentários, parabéns pelo pensamento crítico e lucidez.
    Leandro Comodoro, você foi curto e muito preciso, gostei!
    Mais uma vez meus pêsames ao blog pelo texto do Sr. Raimundo ;-(

  8. Como publicar um texto de tamanha pobreza e superficialidade de um ser que se diz docente de universidade público e …pasmo na área de educação. Triste os caminhos do ensino no país, muito triste, meus pesames ao blog que de acadêmico nada tem ao publicar tamanha atrocidade.

  9. Outra coisa!
    Esse negócio de aluno de universidade Pública ficar fazendo movimento contra isso contra aquilo, é coisa de moleque.
    Molecada que nunca pegaram no batente, muitos não todos claro, filhinhos de papai que só sabe encher a cara de álcool e fumar maconha.
    Eles não tem direito algum sobre a universidade a ponto de reivindicar alguma coisa, pois estão todos lá estudando as custas dos impostos de todos nós.

    Esses alunos tem é que ficar quietinho e comer os livros e falar sim senhor para os seus superiores, isso sim!

    O que vemos cada dia mais é molecada sem educação que não tem o mínimo de respeito por ninguém e não sabem de seus deveres, fúteis o extremo, se preocupam mais com cervejadas e baladas que com seus estudos.

    E eu posso falar isso sim pois já vivenciei isso tudo e vejo muitos jovens fazendo isso até hoje!

    Essa é a realidade de nossas universidades e o futuro da nossa sociedade!

    A única coisa me resta fazer é orar a Jesus Cristo mesmo, pois na minha limitação humana não vejo solução alguma para nossa juventude universitária!

    Saudações e que Deus abençoe essa mulecada!

  10. Bom, para falar mal desse artigo só sendo maconheiro mesmo.

    E essa estória que maconha é natural e não faz mal é coisa de ignorante que não entende nada de reações químicas e bioquímicas.
    A maconha destrói nosso cérebro!

    Mas tem garotões por aí que querem se mostrar os bons, então paguem para ver.

    Ótimo artigo!

  11. Lamentável, o professor não conhece nada sobre o movimentos estudantil uspiano e as causas da ocupação.
    Procure saber mais sobre os acontecidos, entre em contato com seus orientares uspianos antes de escrever bobagens.
    Guilherme Historia -ups

  12. Muito bom seu texto. É exatamente isso o que os fatos mostram. Os que estão criticando-o talvez faça parte da ideologia desse “fumantes” que ocupam uma carteira escolar que deveria ser de outros alunos bem mais intencionados. O grito desses rapazes está sendo de graça, outras coisas na política desse país estão merecendo, faz tempo, uma rebelião dessas. Roubalheira geral, corrupção, eetc.etc. Isso , sim, é deveria estar na pauta desses pseudos alunos.

  13. ´
    É fácil falar de longe. Muitos argumentos, alguns sinceros e consistentes, nos dividem a respeito do evento ocorrido na USP.
    Este texto do Raimundo de Lima é o primeiro que leio abordando a questão chave do tráfico. Parabéns. Por que a omissão a respeito de que só há trouxinhas, porque há alguém que trouxe um caminhão e dividiu? É o usuário que financia o tráfico. Se é de classe média não é visto como perigoso e se deixa de fora. Cinismo perante os vícios, a doença mental e moral. E o narcotráfico avança. O pior dos mundos é ter uma pretensa elite intelectual drogada – nunca chegará a ser.

  14. Nosss, nunca vi tanta bobeira em um artigo só. Sugiro que baseie melhor seus fatos. O uso da maconha não foi o motivo para o movimento que vemos hoje, mas sim o estopim! O que está em jogo é algo político não só questionado por radicais da USP, mas por pessoas que nem são drogadas e querem uma melhor democratização no campus e a retirada da polícia militar.

  15. Ô, que droga!
    Eu sou de esquerda, comunista desde criança, sem partido faz tempo, e tenho me visto obrigado a concordar em gênero, número e “degrau” com boa parte das opiniões como essa do professor Lima, que certamente tem todo um posicionamento político diferente do meu.
    Ô LIMA, VOU TE DIZER UMA COISA: MINHA IMPRESSÃO É A DE QUE TODOS NÓS AQUI NO BRASIL ANDAMOS NESTE MOMENTO MAIS OU MENOS LOUCOS!

    E tem mais um negocinho: a cultura uspiana, arrogante e ridícula, somente poderia mudar se o POVO ocupasse a USP, por meio da revolução educacional preconizada por Anísio Teixeira, mais atual hoje que em qualquer outro momento da nossa história.

  16. Brilhante Raimundo! Temos aqui registrada a marca do seu ímpeto, coragem e brilhantismo intelectual. Neste mundo de condescendências montadas para a formalidade e frieza das relações, temos o privilégio de contar com poucos que são como você: homens dados à força de dizer o que pensam. Parabéns pelo texto.

    Marlene Novaes

  17. Texto lamentável, permeado por generalizações. Em nenhum momento levantou-se a bandeira pelo direito de fumar maconha; a contrariedade à PM na usp advém de suas práticas repressoras (invasões de C.A.s, lançamento de bombas de gás lacrimogênio nos corredores da moradia estudantil, por onde circulam crianças, mulheres grávidas, entre outras arbitrariedades cometidas, mas que por não serem noticiadas na grande mídia não devem ser de conhecimento do articulista).
    Percebe-se o uso do sensacionalismo pelo autor, típico dos programas televisivos que “espirram sangue”, talvez visando aterrorizar quem não conhece a realidade do campus: “Fiz meu doutorado na USP, entre 2001 e 2005: notícias corriam que cidade universitária era insegura, havia assaltos e estupros, o cheio de maconha era forte, os narcocapitalistas se vestiam como estudantes politizados. O crack ainda não tinha invadido o campus.”

    Pelo visto o autor adentrava os muros excludentes da USP apenas para assistir as aulas ou pesquisar na biblioteca, já que mostra completa falta de senso de realidade! Sou aluno graduado em Ciências Sociais e ingressarei n ocurso de História ano que vem, portanto frequento quase diariamente a usp (e particularmente a fflch, epicentro do movimento “mimado-burguês”, segundo a lógica do texto) há nove anos, e posso garantir que o crack não invadiu o campus, que existe sim alguma insegurança, principalmente por parte dos que não possuem automóvel particular, já que a geografia do campus é feita para este tipo de locomoção. Mas é mais fácil para o reitor fazer um “convênio” com a PM do que aumentar a iluminação nas escuras ruas da usp, do que fomentar a ocupação dos espaços ociosos, enfim de tentar fazer a usp se tornar efetivamente uma universidade, ao invés de um local de passagem para os que querem apenas o status de uspiano para dar então seu “retorno à sociedade”, na forma de lucros e dividendos no mercado capitalista de trabalho.

    Não me estenderei mais, mas deixo para finalizar uma nota dos estudantes da FEA, faculdade de economia e administração da usp, local que com certeza não é conhecido por contestar o status quo, não só dentro da universidade como na sociedade:

    NOTA DOS ALUNOS PRESENTES EM ASSEMBLEIAS CONSULTIVAS REALIZADAS PELO CAVC

    Em Assembleias Consultivas realizadas pelo Centro Acadêmico Visconde de Cairu, às 18h do dia 10 e 11h do dia 11 de
    Novembro, reuniram-se ao todo em torno de 120 estudantes da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, para discutir temas centrais relacionados com os recentes acontecimentos dentro da Universidade de São Paulo.
    Esta Nota contém a opinião consensual dos estudantes que participaram do evento.
    Nesse sentido, repudiamos a forma irresponsável como foi realizada a desocupação da Reitoria pela Polícia Militar, ação que assumiu caráter violento e imprudente, em que bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas na Moradia Estudantil, local habitado por estudantes e crianças.
    Demonstramos também nosso repúdio aos recorrentes excessos realizados pela PM em diversos lugares do campus, e especialmente no CRUSP, conforme depoimentos relatados por alunos da FEA e que moram no local.
    Entendemos que é inadmissível que a PM infrinja o âmbito privado dos alunos, sendo impraticável a invasão de apartamentos sem mandado judicial, assim como as constantes revistas, caracterizadas pelo abuso de autoridade a que são submetidos os estudantes desta Universidade.
    Da mesma forma, denunciamos as ações indevidas da instituição ao entrar nos Centros Acadêmicos da ECA e da POLI, ferindo os espaços estudantis e a atuação livre desses órgãos. Diante do que foi abordado, defendemos, sim, o aumento de segurança no campus, mas também é nítida a indignação com os abusos de poder realizados pela Polícia Militar.
    Dentro desse contexto, chamamos a comunidade acadêmica a discutir o conteúdo do convênio firmado entre a PM e a USP e as formas de atuação da Polícia Militar no trato com os estudantes. Relembramos que os termos do Plano de Segurança proposto incluem, além da formalização da presença da PM no Campus, a criação de fóruns de discussão (os “Fóruns da Cidadania pela Cultura da Paz”) e o treinamento em policiamento comunitário para o efetivo atuante na Universidade, elementos os quais foram amplamente propagandeados, mas que ainda não foram cumpridos.
    Levando-se em consideração a opinião dos alunos da FEA presentes nas Assembleias, percebemos a necessidade de não nos pautarmos por um debate raso que ridiculariza os estudantes em detrimento de uma abordagem que deveria ser realizada de forma mais responsável e fidedigna aos recentes acontecimentos na Universidade. Cabe-nos aqui uma crítica à atuação da cobertura da mídia, que reduziu os conflitos internos a uma questão superficial, faltando com o compromisso de um jornalismo responsável, que contribuiu para a radicalização e polarização de visões mais extremadas e antagônicas dentro do movimento estudantil.
    Diante da situação atual vista na Universidade e dos conteúdos discutidos, entendemos a importância de uma maior participação dos demais estudantes da faculdade no debate, de forma a aumentar a representação de possíveis decisões que poderiam ser deliberadas em nossa unidade.
    Estamos agindo no sentido de construir e estruturar um ambiente propício de discussão e participação política dos estudantes nos assuntos de suma importância que não devem, e não podem, ser ignorados por nós, alunos da FEA.

  18. Prezado Professor Raymundo de Lima.
    Assim, todos os professores, catedráticos, passem a apresentar teses precisas do problema que afetam os jovens estudantes no Brasil, atingidos no lugares mais sagrado para a juventude e para as famílias que são: AS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS DE ENSINO. O que planejaram para a evolução da juventude brasileira foi cruel! e as governanças SEMPRE tiveram os olhos fechados para evitar os problemas existentes, favorecendo assim os interesses dos mais fortes sobre os mais fracos.

    http://mudancaedivergencia.blogspot.com/2010/07/o-periodo-em-que-o-ensino-no-brasil.html
    Saudações,
    Marilda Oliveira – SP

  19. MAS, AFINAL, PARA QUE SERVE A TAL AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA?
    A PM é instrumento de poder do Estado. A Universidade, é uma autarquia e, como tal, deveria ter autonomia administrativa. O conceito de Universidade pressupõe a supremacia da ciência, sem submissão a interesses políticos e econômicos como o senhor mesmo propõe, logo, não vejo de onde tiras tanta vontade de legitimar a presença de um aparato como este em um ambiente como este. A Guarda Universitária deve ser responsável pela segurança da universidade. Onde esta o Estado que parece que tanto defendes para reforçar o efetivo de segurança dentro do campus?
    Essa guarda já existe, mas está completamente sucateada. Falta contingente, treinamento, equipamento e uma legislação amparando sua atuação. Seria muito mais razoável aprimorá-la que permitir a PM no campus.
    A autonomia Universitária serve para que a Universidade possa cumprir suas funções da melhor maneira possível.
    De maneira simplista, são elas:
    *Melhorar a sociedade com pesquisas científicas, sem depender de retorno financeiro imediato.
    * Formar cidadãos com um verdadeiro senso crítico, pois mera especialização profissional é papel de cursos técnicos e de tecnologia.
    Importante: autonomia universitária total não existe. O dinheiro vem sim do Governo, do contribuinte, no entanto a autonomia universitária não serve para tirar responsabilidades da Universidade, mas sim para que ela possa cumprir essas responsabilidades melhor.
    Em São Paulo, a eleição indireta para reitor, com seleção pessoal por parte do governador do Estado, ilustra uma descarada submissão. O atual reitor João Grandino Rodas, era homem forte do governo Serra antes de assumir o cargo. As lutas que estão ocorrendo na USP são localizadas, mas tratam de temas GLOBAIS. São duas bandeiras: SEGURANÇA e CORRUPÇÃO, e acreditamos que opiniões sobre elas não sejam tão divergentes. Alguém apóia a corrupção? Alguém é contra segurança?
    O que você acha mais sensato:
    Rechaçar reivindicações justas por conta de depredações e atos reprováveis de uma minoria, ou;
    Aderir a essas mesmas reivindicações, propondo ações mais efetivas?
    Você tem a liberdade de escolher, contra-argumentar ou mesmo ignorar.
    Mas lembre-se de que liberdade só existe com esclarecimento,
    espero ter contribuído para isso.
    Mas de qualquer forma, as mídias independentes informam, mais e melhor…
    pois não tem atrelamento tão intenso e pré tencionado reflete com menos interesses corporativistas!

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