ABDIAS DO NASCIMENTO – Um ano na Eternidade

AMAURI MENDES PEREIRA* **

Abdias do Nascimento (14/03/1914 – 24/05/2011)

Homenagem após um ano de seu falecimento, o texto aborda a trajetória de Abdias do Nascimento através da visão de um jovem militante, nos anos 70 e 80, encantado e afrontado por sua personalidade, capacidade de articulação e realização. Procura, então, evidenciar a importância fundamental de Abdias para o amadurecimento de uma nova geração de militantes, e para o avanço mais eficaz e consistente da luta contra o racismo no Brasil.

 

 

 

ABDIAS DO NASCIMENTO
Imagem da luta negra no Brasil e um ser humano maiúsculo

O TEN-Teatro Experimental do Negro,
fundado em 1944 por um grupo liderado por Abdias do Nascimento,
é, no Brasil, a manifestação mais consciente e espetacular da nova fase,
caracterizada pelo fato de que, no presente,
o negro se recusa a servir de mero tema de dissertações “antropológicas”,
e passa a agir no sentido de desmascarar os preconceitos de cor.
Guerreiro Ramos (1957)

Faz um ano que se foi Abdias do Nascimento. Nunca tantas homenagens, de tantos setores sociais, políticos, culturais, tão sensíveis, tão longo tempo a um militante negro. Surpreende, porque ele nunca teve “papas na língua”, ou cultivou meneios com quem não partilhasse a luta contra o racismo. A um homem como Abdias não se faria homenagens meramente formais. Parecia autocrítica de quem não lhe fez em vida e aproveitou o momento de se render, finalmente.

Eu chegava a Manaus. Ainda no aeroporto abri o e-mail: mensagens de Elisa Larkin e “de todo mundo para todo mundo” sobre o falecimento de Abdias! A palestra que me cabia, na abertura de um Seminário Iniciativas Negras[1] não poderia ter outra abertura – breve comunicação e explicação sobre a trajetória daquele ser humano admirável, um minuto de silêncio e um de aplausos em sua homenagem. Fácil: a camiseta do evento, que todos os-as participantes receberam estampava uma frase combatente de Abdias… Ele já estava lá! E estará sempre onde haja essas lutas.

Uma sucessão de compromissos “infaltáveis”, e não pude acompanhar as cerimônias de despedida. Despedida?

*  *  *

Foi pelo olhar de minha mãe que vi Abdias do Nascimento pela primeira vez. Por volta de 1973. “Era um homem muito nervoso que botava todo mundo nervoso, e defendia a raça”.

Depois em sua exposição de pinturas, em 1977, numa galeria em Ipanema-RJ. Gostei demais dos quadros, e de serem obras de um negro de sucesso. Mas no fundo, além de certo despeito, sentia um desconforto: ele era um lutador no passado, agora éramos nós, os jovens, que estávamos na frente!

Ele era diferente de nós: maturidade, imensa bagagem (intelectual, política e de outras vivências), abrangência das idéias, prestígio e reconhecimento, no Brasil e em outras partes do mundo. Lélia Gonzáles e Benedita da Silva, que se lançaram à arena internacional nos anos 80 vivenciaram isso: a imagem de luta contra o racismo dentro e fora do Brasil era a de Abdias.

Abdias e Lélia estiveram no 7 de Julho e na reunião do dia seguinte. Estavam – todos estávamos – surpresos, e pouco a vontade: o momento era da nova militância. Sua radicalidade, desprendimento, coragem (consta que foi o primeiro ato público no centro de São Paulo desde 68)[2] e objetividade.[3]

Após o 7 de Julho a jovem militância viu que “o buraco era mais embaixo”: ousadia e consonância com bandeiras da esquerda, contra a ditadura… Isso era pouco! A crença (ou o desejo) no mito da democracia racial era, também, amplo, geral e irrestrito.

Se era difícil ter a palavra em certos ambientes políticos, Abdias tinha ou a tomava. Ele não havia feito isso em Lagos-Nigéria 1977, no FESTAC-Festival de Arte e Cultura Negra?[4] Quando ele – e agora sua companheira Eliza Larkin – realizou o 3° Congresso de Culturas Negras das Américas-SP-1982, a ficha caiu de vez: nossa (da nova militância) força e discursos mais estruturados eram fundamentais, mas insuficientes. Enquanto a trajetória das lutas negras como parte das lutas sociais e da história social do nosso país não conquistasse o direito à história – e essa seria uma bandeira crucial da nova militância – precisaríamos sempre nos desgastar enormemente (e a todos em cada momento) nos contextos de oposição e de proposições de redemocratização, para termos a palavra, para falar que havia, também, a necessidade de lutar contra o racismo.

Era preciso estratégia. A anterioridade e maturidade de Abdias se revelavam: o único partido político que, de fato, concedia espaço para discussão livre e aberta da questão racial era o seu – o PDT.

(Eu mesmo partilho da visão de que era um quadro complexo, de que é preciso considerar muitas outras coisas)… Mas, ao fim e ao cabo, apenas um partido político – e só por aí se tinha acesso (naquele momento) à esfera pública mais ampla e audiência e visibilidade social e política – incorporou negros ao primeiro escalão em 1983. Determinações internas no partido e no governo eleito no RJ propiciaram a Abdias – que ficara suplente – assumir o mandato na câmara federal.[5]

Havia momentos em que o temperamento forte de Abdias atropelava reuniões, idéias, pretensões de jovens militantes, e assumia as frentes, muitas vezes sem olhar para os lados. Minha admiração crescia, apesar de tudo, e tentava entender e partilhar seu senso de oportunidades, sua obstinação em enfrentar os meio-discursos e meio-apoios. Eu pensava que já era hora dele passar o bastão, que nós daríamos conta dos embates diários e de cotoveladas necessárias… Que ele se poupasse. Que se constituísse em nosso emblema, nossa foto de estímulo nas paredes de nossas organizações… Que ele fosse o exemplo e apontasse horizontes!

Mais uma vez eu estava enganado. Conquistáramos espaços, sim! Mas o racismo, ou a inconsciência social sobre o racismo, ou a displicência no trato com o racismo, são facetas manhosas, cujo culto não reflexivo, incorporado e naturalizado, é capaz de convencer os incautos de que podem, simplesmente, “ir em frente”… Para muitos “solidários” aos negros, lutar contra o racismo é um detalhe. “Vamos sim, mas sem exageros, não se pode ficar preso a isso…”. A sensatez a serviço da perpetuação do status quo, agora sem dramas íntimos, sem constrangimentos – afinal “já nos dispusemos a lutar contra o racismo”!

Aos poucos fui entendendo melhor: estratégia eficaz só com amplitude de visão, que só é dada a quem está, realmente, à frente. Na disputa de melhores encaminhamentos é essencial a noção de complementaridade, de que a luta tem muitas frentes e exige diferentes jeitos e talentos, e que é preciso somar tudo isso, e atuar em convergência. A incipiência, o açodamento e os impulsos da jovem militância são fundamentais em certas circunstâncias, mas atrapalham em outras. Vivenciei isso na organização do maior comício das Diretas Já, em 10 de Abril de 1984, no RJ – mais de um milhão de pessoas. Naquela oportunidade percebi que Abdias curtia a complementaridade: sem disputar ele aceitou falar pela representação Nacional do Movimento Negro do PDT, e eu falei representando uma ampla articulação do Movimento Negro, o Comitê Pró-Diretas Contra o Racismo, no palanque principal na Candelária.

Um bom exemplo de objetividade com serenidade foi a resposta ao deputado Gerson Péres, que aparteou Abdias, quando ele discursava na tribuna da câmara federal em 21 de março de 1985, e denunciava o racismo brasileiro e a manutenção de relações diplomáticas entre o Brasil e a África do Sul:

Nobre deputado Abdias do Nascimento, com o respeito e a admiração que tenho por V. Exa. Permita-me discordar da tese genérica que expõe nessa tribuna. Quanto ao ponto de que no nosso país existe discriminação racial, V. Exa. violenta uma das maiores tradições aqui existentes, pois o que aqui existe, deputado, são preconceitos sociais, provenientes, talvez, do sistema capitalista vigente. Mas não há discriminação racial. Aqui, o preto, o negro é tão nobre e tão digno que o povo brasileiro o traz para a tribuna do Congresso. E hoje V. Exa. aqui fala, defendendo suas idéias, seus pensamentos. E nós o respeitamos. Aqui, os brancos votam nos pretos, como votaram em V. Exa. milhares de brancos. Veja que falo com o respeito que tenho por V. Exa. Não há discriminação às mulheres; o que há são preconceitos sociais, provenientes do sistema capitalista existente, onde milhares têm pouco e poucos têm muito, gerando realmente este conflito na sociedade, o que atinge muitas vezes, as camadas mais pobres, onde há milhares de brancos, como milhares de pretos. E a nossa Constituição, deputado Abdias Nascimento, não permite a discriminação; proíbe-a desde o Império, desde a República, até a última Constituição, a de 1946, gerada pela vontade soberana do povo brasileiro, através da Constituinte. Eu o admiro, realmente, por condenar o apartheid, a discriminação racial nos Estados Unidos, onde existe uma democracia que falta ser completada com a eliminação dessa discriminação. Mas, no nosso país, deputado, o preto e o branco são uma dualidade como uma unidade de substância, que é a nossa fraternidade, o nosso amor, a nossa maior bandeira para o mundo. É um país livre, feliz, tão feliz quanto nós, que nesta tarde ouvimos um deputado negro que honra este parlamento (Peres apud Nascimento, 1985: 17).

Ao que Abdias retrucou:

Retribuo a V. Exa. o sentimento que externou em relação à minha humilde pessoa, mas quero também manifestar-lhe que foi com profunda consternação que ouvi o seu aparte. V. Exa. está afastado não só das ocorrências históricas, como da nossa realidade atual. Em primeiro lugar, devo informar a V. Exa. que foi exatamente o racismo do Brasil e do mundo que criou o capitalismo. V. Exa. vê o racismo como conseqüência do capitalismo. V. Exa. desconhece o assunto. O capitalismo é o resultado do racismo e da exploração escravagista. Em segundo lugar, desejaria dizer-lhe que, ao afirmar que não há racismo no Brasil por existir um deputado negro no Congresso Nacional, V. Exa. está exatamente provando que ele existe. A maioria do povo brasileiro é de origem africana, e só um deputado negro vem aqui falar a respeito do seu povo. Este é o exemplo mais clamoroso de racismo. Acabo de receber um convite de 30 deputados que formam o bloco negro no Congresso americano, no sentido de lá comparecer em setembro. Há trinta deputados negros nos Estados Unidos, num país onde o negro representa 15% da população. No nosso país, somos mais de 70%, e há somente um deputado negro neste parlamento. V. Exa., no seu aparte, apresenta a minha pessoa como testemunho da ausência de racismo no nosso país. Com isso, V. Exa. está confirmando a tese de que no Brasil o racismo é mais evidente do que nos Estados Unidos e na África do Sul, onde, hoje, muitos negros morreram na celebração do Dia Internacional Contra o Racismo (Nascimento, 1985: 18, grifo de Santos, 2009: 143).

Era preciso “engolir” a proeminência de Abdias. Que fosse assim! Ganhava a luta contra o racismo e não perdíamos nada. Aprendíamos, também, a jovem militância, a esperar nossa vez, a ter cautela, a aprimorar intervenções, planos, perspectivas. Embates diretos? Só contra o racismo – esse sim o inimigo.

Sua atuação na Câmara Federal foi impecável. O pesquisador e militante Sales Augusto dos Santos (2009), aproveitando a biografia feita por Semog e discursos e escritos de Abdias e de Eliza Larkin, analisou agudamente a importância dessa trajetória parlamentar, seus momentos de brilho consistente, e a retidão e objetividade do primeiro mandato de parlamentar brasileiro voltado exclusivamente para os interesses da luta contra o racismo. Um marco histórico naquela instituição.

É imenso seu aporte para nós militantes negros, mas também, para o amplo universo da sociedade brasileira que aspira a efetiva construção da democracia e da justiça social. E abrange realizações artísticas, intelectuais e políticas. Como pensador sua obra é um testemunho de coerência e de paixão pela causa do negro brasileiro; como político, vimos um exemplo de sua atuação aqui (Câmara dos Deputados -DF) nesta casa legislativa. Como artista, nos anos 40 e 50, organizou, praticamente sem recursos, peças como O imperador Jones, de Eugene O´Neil.  Muitas audácias! Capacidade de realização de algo impensável na época: autorização do autor (dificultada por entraves burocráticos), tradução/versão de um texto considerado dificílimo e com muitos-as personagens, montagem de cenários, figurinos, ensaios, etc., etc. – protagonismo negro em pleno Teatro Municipal!… Em 1946 é o próprio Abdias contracenando com a grande dama do teatro brasileiro, na peça Otelo, de Shakespeare, no teatro Regina.[6]

Foi bom aprender que não bastava uma causa justa: era preciso estratégia. Também, que era insuficiente a combatividade da nova militância: eficácia só compondo forças, acolhendo participações de todo tipo, inclusive de não negros, de outros movimentos sociais.

Abdias representava entre nós – militantes negros e sociedade brasileira – aquela geração de grandes homens e mulheres, que nos meados do século XX levaram seus povos à re-conquista do direito à história. Em África eram Mandela na África do Sul, N´Krumah em Gana, Modibo Keita no Mali, Lumumba no Congo, Ahidjo, no Camerum, Senghor, no Senegal, Amilcar Cabral na Guiné Bissáu-Cabo Verde, Sekou Ture na Guine Conakry, Agostinho Neto, em Angola, Eduardo Mondlaine e Samora Machel em Moçambique, e tantos outros! Guerreiros, poetas, intelectuais de primeira linha…

E não apenas em África, mas em toda diáspora emergiram os bisnetos de todos os quilombos, palenques e marronajes, os herdeiros de Zumbi dos Palmares, de Toussaint L’Overture, de Marguerith Ashe, de Henriette Tubman, de Luiza Mahin, de Frederick Douglass. De tantos e tantas!!! É como se em cada lugar um pan-espírito libertário animasse a maioria e escolhesse um-a capaz de assimilar e produzir mais energia cósmica – o AXÉ – e produzir “como tivesse de ser” o avanço das lutas!

Ainda estava quente, vivo, o legado de Du Bois, Richard Wright, de Fanon, de George Padmore, de Garvey, de Luther King.

Com todo o diferencial de longevidade, quantidade e abrangência da presença negra no Brasil, ainda assim, custou para Abdias encontrar alguém como Sartre, que se orgulhou de prefaciar os Condenados da Terra de Fanon. Aqui, foram sempre e apenas as exceções de sempre – predominava uma intelectualidade “desterrada em sua própria terra”, envergonhada do seu povo, com “complexo de vira lata”, na feliz expressão de Nelson Rodrigues. Aqui Abdias teve Pompilho da Hora, Sebastião Rodrigues Alves, Ironides Rodrigues, Maria do Nascimento, José Correia Leite, Aguinaldo Camargo, Léa Garcia e Ruth de Souza, Alberto Guerreiro Ramos, Nelson Rodrigues, Florestan Fernandes, Jose Honório Rodrigues…

Ele viveu para ver frutos potentes e grandiosos de sua sementeira e de tantos e tantas que estiveram ao seu lado-sempre. Minha geração e a que já vai nos suceder NA LUTA QUE CONTINUA, pode ouvi-lo dizer com toda pompa e (às vezes) rispidez afetuosa que lhe era peculiar – na inauguração de uma sala com seu nome, do Coletivo DENEGRIR, juventude guerreira na UERJ – “Tudo bem, eu aceito essa homenagem. Mas preciso dizer que não foi para isso que eu fiz o que fiz no meu tempo. Tudo que eu fiz foi para ver meu povo livre, com dignidade e possibilidades de viver feliz como seres humanos. Só peço a vocês que possam dizer a mesma coisa quando estiverem velhos como eu”.

Aplausos sem fim ao eterno Abdias do Nascimento!


* Versão inicial desse texto foi apresentada na mesa solene em homenagem a Abdias do Nascimento e lançamento do documentário sobre sua trajetória de vida e realizações, na Câmara dos Deputados – DF, em setembro de 2011. O documentário realizado pela TV Câmara, foi dirigido por Fernando Brito (Bola), disponível em http://confrariadocurta.blogspot.com/2011/09/documentario-abdias-nascimento-e.html

** AMAURI MENDES PEREIRA é Doutor em Ciências Sociais (UERJ), Professor de Sociologia da Universidade Estadual da Zona Oeste – Rio de Janeiro; e Militante do Movimento Negro. Email: amauripereira1@uol.com.br

[1] Curso de Extensão Iniciativas Negras – Trocando Experiências da Região Amazônica parceria do programa de formação coordenado pela Professora Joselina da Silva-UFC, com a SEMEd de Manaus, e Organizações Negras da Região amazônica.

[2] As manifestações operárias do ABC não eram vistas como desafios à ordem vigente, não se realizavam num grande centro, mas em áreas industriais, com demandas bem definidas, não apresentadas ideologicamente, referentes a salários e direitos trabalhistas; o movimento contra a carestia, puxado pelas CEBs – Comunidades Eclesiais de Base, realizava reuniões e promovia eventos nos bairros, ao abrigo da Igreja Progressista de São Paulo. O Ato Público do Movimento Negro foi no centro de São Paulo, nas escadarias do Teatro Municipal.

[3] Importante ver, além dos relatórios das reuniões do dia 8/7, dos dias 22 e 23 de julho, e dos dias 9 e 10 de Setembro, as manchetes dos principais jornais de todo o país no dia 8.07, e reportagem e textos do Afro-Latino-América (seção do jornal VERSUS), elaborados por Hamilton Bernardes Cardoso, Milton Barbosa e Neusa Pereira.

[4] O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. Editora Paz e Terra. RJ. 1978. Quando o livro foi lançado foi uma surpresa: estávamos representados!!! Abdias dedica o livro a Florestan Fernandes, e este lhe dedica um prefácio sublime, amoroso – lembro de minha emoção imaginando como trilharam caminhos tão diferentes, mas se encontraram como irmãos!

[5] Em São Paulo o governo de Franco Montoro também honrou um compromisso com militantes negros. Apoiou-os firmemente na criação do primeiro Conselho do Negro, como órgão de Estado. Essa história é analisada por Ivair Augusto dos Santos no livro O Movimento Negro e o Estado (1983-1987). No prefácio, Carlos Figueiredo, Secretário de Participação e Descentralização do Governo Montoro, fala que haveria um negro no primeiro escalão daquele Governo – Esmeraldo Tarquínio, líder político cassado pelo regime militar, deputado federal e ex-prefeito de Santos, ocuparia a Secretaria de Justiça, mas faleceu durante a campanha.

[6] Não encontrei em diversos textos biográficos sobre Cacilda Becker referência a esse momento que honra sua carreira, para além da grandiosidade de seu talento – o enfrentamento público do racismo com corpo e alma!!! Para comparar o nível da “audácia” basta lembrar a onda de protestos de importantes setores das artes e cultura brasileira, em 1984, mais de 40 anos depois, quando Darcy Ribeiro promoveu o aniversário de Clementina de Jesus no Teatro Municipal-RJ!!!

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6 comentários sobre “ABDIAS DO NASCIMENTO – Um ano na Eternidade

  1. Professo Amauri, excelente texto, aos demais colegas recomento a leitura que à luz o nosso mestre, prof e parlamentar que nos ensinou como se caminha ao pensamento negro. Valeu.
    Abraço.

  2. […] Homenagem após um ano de seu falecimento, o texto aborda a trajetória de Abdias do Nascimento através da visão de um jovem militante, nos anos 70 e 80, encantado e afrontado por sua personalidade, capacidade de articulação e realização. Procura, então, evidenciar a importância fundamental de Abdias para o amadurecimento de uma nova geração de militantes, e para o avanço mais eficaz e consistente da luta contra o racismo no Brasil… LEIA NA ÍNTEGRA: https://espacoacademico.wordpress.com/2012/05/12/abdias-do-nascimento-um-ano-na-eternidade/ […]

  3. Reblogged this on Mamapress and commented:
    No primeiro ano da morte de Abdias Nascimento, muitas serão as homenagens a este homem. Destaco entretando já agora o depoimento de um companheiro militante do movimento negro como eu. Parabenizo Amauri Mendes pela sua coragem, ao reconhecer que se aprende nas contradições e nos embates, a melhor das lições de Abdias que era defender o direito que todos os negros, todos sem exceção exercecem o seu direito à igualdade e lutassem por ele. Abdias um homem com estratégia na luta política, mas que não aceitava concessões em nome de momentos ou partidos políticos. Era contra o racismo e contra o racismo.

  4. Muito boa esta narrativa de trajetória de um monumento de luta contra o racismo por meio do prisma de Amauri, que oscila entre memória pessoal e história num sentido mais acadêmico. Definitivamente, um belo ensaio, com as liberdades de estilo e narrativa que cabem a ensaios. Que tenhamos, então, mais ousadias deste tipo sobre tal tema! Que façamos crescer as arenas para prosperar um pouco de “Abdias” em cada um de nós, jovens e menos jovens…, mas jovens de coração, tal como Abdias… Parabéns, Amauri!… Salve, Abdias!…

  5. Importantes as informaçoes aue traz este artigo, pois como muita gente de boa vontade, meu conhecimento da obra e vida de Abdias do Nascimento era (ainda é) imperdoavelmente falho. Mas essa ignorância que partilho com muita, mas muita gente, talvez tenha a ver com a lacuna nas biografias de Cacilda Becker, por exemplo – divulga-se o que se imagina ter eco na doxa dominante… e nosso imbativel “complexo de viralata” continua a nos obrigar a fingir de arianos desenxavidos.
    Uma reclamaçao, todavia: senti falta, na enumeraçao dos intelectuais e poetas negros do século XX, do nome de Aimé Césaire, grande poeta e lançador de um termo que na época fez escândalo na lingua francesa, o de “negritude”.

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