Dois filósofos preocupados com Deus

pauloELOÉSIO PAULO*

Dois fragmentos da pequena “grande narrativa” que tem sido a renúncia e substituição de Joseph Ratzinger no papado chamaram a atenção deste desprevenido escriba. O primeiro foi a cena do papa renunciante subindo num helicóptero rumo a seu retiro espiritual; o segundo, sua declaração de que houve momentos de seu reinado pontifício que “o Senhor parecia estar dormindo”. Ambos remetem a uma sensação de incompatibilidade entre a crença religiosa e o mundo contemporâneo. E, antes que venham com seus rótulos os comentadores de artigos sem os ler, fique esclarecido que a própria abordagem do tema aqui, ainda mais partindo da leitura de dois filósofos que defendem a crença na divindade, desautoriza qualquer comentário organizado em torno da palavra “ateu”.

Bento XVI de helicóptero. Ninguém seria besta de fazer o papel do Tentador e perguntar por que “Sua Santidade”, há menos de uma década o sucedâneo dos inquisidores de antanho, não voou por conta própria para Castel Gandolfo. Mas é uma imagem incômoda o dito procurador do Cristo zanzar pelos céus no ventre de uma criatura tão representativa do que existe de mais anticristão, a tecnologia que torna crescentemente dispensável e imponderável qualquer intervenção sobrenatural na vida dos homens. Se o helicóptero caísse, o que diriam as pessoas? Que Deus havia castigado o pontífice boné-pedinte ou que o acidente era uma prova da investidura ilegítima do bispo de Roma como sucessor de Pedro? Ou que besteira outra?

O Senhor dormindo. Estaria o “santo padre”, na esteira dos escândalos que parecem ter sido o verdadeiro motivo de sua renúncia – em vez do piedoso reconhecimento da própria fragilidade diante dos desafios enfrentados pela fé católica –, assumindo oficialmente a dúvida que (no mínimo) de vez em quando deve assaltar até o mais fiel dos apostólicos romanos razoavelmente informados sobre o curso dos eventos contemporâneos?

Não sendo teólogo, aliás considerando a teologia uma ciência verdadeiramente humorística, o articulista prefere trazer à baila o pensamento de dois filósofos do já assaz distante século XX. A razão de invocá-los é pensar que as ideias de Miguel de Unamuno e Leszek Kolakowski, seja qual for a posição do leitor a respeito dos problemas da divindade e da religião, merecem ser conhecidas e levadas em consideração. Ambos os filósofos dizem, e mesmo quem é resolutamente ateu precisará concordar com eles, que a necessidade de acreditar em algo situado além do mundo empírico é um fato incontornável para quem pretenda entender os homens, não importa o quanto o mundo contemporâneo tenha objetivamente tornado inviáveis a maioria das percepções adotadas como fundamento de qualquer crença religiosa. Passo a resumi-los, então, com o viés de que sou capaz e com a profundidade permitida no espaço de um artigo assim, não destinado aos especialistas.

del tragicoMiguel de Unamuno, procurando reconstituir o sentido da condição humana em pleno século do relativismo, defende no livro Del sentimiento trágico de la vida (1912) uma curiosa filosofia, o quixotismo. Não apenas a defende, mas assume-a em seu texto, misto de escrita literária e reflexão a respeito do “abraço trágico” entre o desespero humano e uma visão esperançosa da vida, paradoxalmente nascida da consciência acerca do abismo de irracionalidade no qual parecia naufragar todo o pensamento ocidental.  Não obstante o assumido catolicismo de sua solução seja, para uma mente contemporânea, bastante discutível, o ataque do filósofo aos reducionismos implicados na visão racionalista do mundo continua bastante atual.

O livro de Unamuno propõe uma série de questões muito fecundas, unificadas em torno da ideia do sentimento trágico contraposto à racionalidade; sua tentativa de fundar a condição humana no irracional desemboca na loucura quixotesca, “filha da loucura da cruz”, como síntese de uma defesa do humanismo. Finalmente, Unamuno formula uma visão do humano que coincide em vários pontos com Schopenhauer, Nietzsche e a psicanálise, dados da cultura europeia que estão na base de uma crise do racionalismo cujos desdobramentos dizem respeito de perto ao problema da religião na atualidade.

O filósofo espanhol lembra que Hegel estabeleceu ser todo o racional, real e todo o real, racional, e já objeta que “somos muitos os que, não convencidos por Hegel, continuamos acreditando que o real, o realmente real, é irracional; que a razão se constrói sobre irracionalidades”. Mais adiante, ele opina que não adianta falar de homens sãos ou insanos, uma vez que “além de não haver uma noção normativa de saúde, ninguém provou que o homem tenha que ser naturalmente alegre”, como supõem os legisladores da vida social. No plano em que o maior problema do pensamento continua sendo o de conciliar as necessidades intelectuais com as afetivas, é certo que “fracassa toda filosofia que pretenda desfazer a eterna e trágica contradição, base da nossa existência”. Entre as inteligências tocadas pelo sentimento trágico, Unamuno inclui Pascal e Santo Agostinho, homens cujo brilho intelectual não se rendeu à sedução do puro racionalismo. Isso porque, na visão do filósofo espanhol, “a razão é inimiga da vida”:

É uma coisa terrível a inteligência. Tende à morte como a memória à estabilidade. O vivo, o que é absolutamente instável, é, a rigor, ininteligível. A lógica busca reduzi-lo todo a entidades e gêneros, a que não tenha cada representação mais que     um só e mesmo conteúdo em qualquer lugar, tempo ou relação em que nos ocorra. E não há nada que seja o mesmo em dois momentos sucessivos de seu ser. Minha Idéia de Deus é distinta cada vez que a concebo. A identidade, que é a morte, é a aspiração do intelecto.

Sem muitos rodeios, Unamuno declara que “a ciência é um cemitério de ideias”, pois tudo que é vital é irracional e, sendo a lógica o “poder terrível” de relacionar elementos irracionais, é essencialmente redutora de fatos concretos a abstrações. A aversão do filósofo ao mecanismo “dissolvente” da razão explica-se pelo relativismo radical a que chegava a consciência europeia no bojo da revolução moderna do pensamento e das artes.

A Unamuno só interessa o indivíduo: “Ser um homem é ser algo concreto, unitário e substantivo, é coisa, res”, afirma. E o que garante essa concretude, feita de unidade e continuidade, é a consciência. Nada justifica, para o filósofo, o sacrifício do indivíduo em nome de ideias abstratas como a Humanidade e o Bem. A incapacidade humana de determinar a duração da própria vida é a fonte de toda angústia, e, face ao problema “trágico” da morte, não adianta brandir razões e lógicas. De nada vale decretar a morte uma sentença irrevogável ou uma região inacessível ao pensamento, pois o amor do indivíduo a si mesmo é imune a considerações racionais. Assim, a essência da condição humana é a contradição entre a vontade de existir indefinidamente e a evidência da morte como horizonte inexorável. E aqui está a matriz de todas as outras contradições: “Loucura talvez, e loucura grande”, diz Unamuno, é querer penetrar o mistério da morte; loucura querer sobrepor nossas contradições ditadas pela vontade irracional de viver à verdade do que “uma sã razão nos dita”. Apesar de essa razão dizer que é trabalho perdido “encher com fantasias o oco do desconhecido”, a história do pensamento é a história da inquietação a respeito de nossa finitude.

Como a razão pretende que o homem aceite o veredito de um Universo vazio de significado e de uma condição humana sem qualquer esperança de transcendência, é inevitável o “combate trágico” entre vida e razão. Pois, diz Unamuno, “ninguém deve o que não pode”, e assim a vontade individual de crer em um sentido para a vida se expressa em alguma forma de negação da morte, por mais que essa negação seja contrariada pelas evidências. A razão postula a certeza, mas a incerteza é salvadora, pois o homem seria inevitavelmente desesperado tanto na certeza de morrer em definitivo como na de viver eternamente.  Assim, restam impotentes tanto o sentimento como a razão, uma vez que, se o primeiro “não logra fazer do seu consolo uma verdade”, tampouco a segunda “logra fazer de sua verdade um consolo”. Daí a condição humana ser essencialmente dolorosa e angustiada, pois o pecado original do homem é a consciência.

Miguel de Unamuno (1864-1936)
Miguel de Unamuno (1864-1936)

Para Unamuno, sofrer é necessário porque não sofrer é acostumar-se, e “acostumar-se é começar a não-ser”. É isso que faz o escândalo do cristianismo, na visão do filósofo – a ideia de que o homem sofre porque Deus sofre: “E esta verdade de que Deus padece, diante da qual se sentem aterrados os homens, é a revelação das entranhas mesmas do Universo e de seu mistério”. A angústia do homem vem da comunhão de sua alma com essa dor do Cosmos; o fundo irracional do Ser é a “miséria divina derramada em tudo”.

Em contraposição ao mundo varrido pela crença racionalista, Unamuno propunha à Espanha uma filosofia espanhola: o quixotismo, um sistema de “esperança no absurdo racional” fundado na mais importante personagem da literatura ibérica. Citando Giordano Bruno, que definiu o heroísmo como “próprio de naturezas superiores chamadas insanas”, o filosofo defende o apego da Espanha a sua tradição católica, mesmo contra o ceticismo triunfante da cultura europeia industrializada. A proposta se justifica pela adoção da personagem de Cervantes como modelo do homem que não se rendeu ao “pessimismo” do mundo renascentista, pelo qual se impunha ao indivíduo a resignação diante da própria insignificância. A conclusão do livro traz como epígrafe a profecia de Isaías a respeito de João Batista: “Voz que clama no deserto.” O deserto, na metáfora de Unamuno, seria o racionalismo triunfante da segunda metade do século XIX europeu, comparável a uma “nova Inquisição”: a da ciência ou da cultura racionalizada, que “usa por armas o ridículo e o desprezo pelos que não se rendem a sua ortodoxia”. Tal seria o papel dos discípulos modernos do Quixote: lutar contra as evidências do triunfo da razão, contrapondo-lhes uma filosofia especificamente espanhola “líquida e difusa em nossa literatura, em nossa vida, em nossa ação, em nossa mística, sobretudo, e não em sistemas filosóficos”. O quixotismo é a luta da Idade Média contra o Renascimento, atualizada para um novo momento em que a subjetividade tendia a cair em grande desprestígio. Arremetendo contra a “ortodoxia inquisitorial científica moderna” como o Quixote contra os moinhos de vento, seus seguidores modernos deveriam lutar para “trazer uma nova e impossível Idade Média, dualística, contraditória, apaixonada”.

Unamuno procura mostrar que, no abismo da desrazão onde naufraga o pensamento ocidental, o desespero humano diante do irracional encontra, paradoxalmente, sua solução ou ao menos seu alívio no “abraço trágico” entre a falta de sentido e a imperativa necessidade dele, ou seja, entre “o desespero sentimental e volitivo” da incerteza de uma ordem intrínseca à existência do Universo e o ceticismo racional que acaba por negar essa ordem. A descrença da razão que se volta sobre si mesma será, por estranho que pareça, o fundamento de uma esperança para o sentimento vital que recusa o nada e a mortalidade, pois a razão autocriticada chega à constatação de sua própria relatividade. A paz entre razão e sentimento é impossível, e por isso “há que viver da sua guerra”.

horrorOutro tanto, na mesma linha, pode ser dito da eterna procura de um ponto zero do conhecimento na filosofia ocidental. Como esse ponto inicial deveria situar-se além de todas as contingências, num plano metafísico, o filósofo polonês Leszek Kolakowski repropondo e atualizando as preocupações fundamentais de Unamuno permitiu-se um gracejo em sua discussão cerradíssima e amplamente fundamentada do problema, dizendo que “ele não se importa em ser chamado Deus”. Deus, escreve Kolakowski, é a última pergunta, o horizonte inatingível de um pensamento que, ao longo de dois milênios e meio, não logrou responder a nenhuma de suas principais questões. É dessa constatação que parte seu livro Horror Metafísico (1988): para Kolakowski, nenhum filósofo contemporâneo que não admita esse tremendo fracasso do pensamento merece ser lido.

Da contradição entre o pensar e o sentir, não se pode esperar a imobilidade; por isso, segundo Kolakowski, a busca de uma explicação metafísica para o mundo é “tão irremovível da cultura quanto a negação de sua legitimidade”, motivo pelo qual pretender que a metafísica deponha definitivamente as armas é um “pensamento esperançoso de empíricos obstinados”. Uma vez que ainda não se conseguiu chegar a essa explicação, procurar atingi-la é uma necessidade humana irreprimível “que não pode ser satisfeita com nada menos que o Absoluto”.

Embora destituída de qualquer finalidade prática ou científica, essa procura não pode ser esquecida: as pessoas querem que o mundo faça sentido, e a especulação racional leva sempre a um fundo vazio, inaceitável pelos sentimentos, por mais logicamente provado que esteja.  Uma ausência de sentido racionalmente demonstrada é o próprio horror. E no entanto, argumenta Kolakowski, a necessidade de sentido é da própria lógica.

O significado de dizermos que a existência do Ultimum (ou do Absoluto) é necessária não é somente que nós, humanos, somos incapazes de perceber sua falta dentro de nossas regras lógicas e usuais de pensamento, como não pode ser uma certeza a priori que nossa lógica é infalível. Podemos encontrar tais regras irresistivelmente ligadas, mas somos criaturas finitas e contingentes e nossa lógica não é menos contingente, e do fato de que não podemos dizer não a elas, não se deduz que a realidade final tenha que obedece-las também. O significado da necessidade da existência do Ultimum é que tal necessidade é dela própria e não nossa. Nossa lógica descobre a autocontradição na não-existência do Absoluto porque sua sua não-contradição está lá na verdade, e não vice-versa.

No fundo daquilo que Unamuno chamou “sentimento trágico” está sempre a idéia de contradição. Por mais que ela seja formulada de maneiras diferentes ao longo de várias épocas, sempre recai numa oposição entre as representações individuais e o mundo real. Como em Schopenhauer, para quem “o divórcio essencial da Vontade consigo mesma” transforma o ser humano (o qual, como tudo no Universo, é uma objetivação desse impulso irracional) em campo do insolúvel conflito entre a pura manifestação material das forças naturais e a consciência. No sistema de Schopenhauer, os diferentes graus de objetivação da vontade estão constantemente em luta, sendo impossível o equilíbrio entre eles. A própria Vontade é “esfomeada”, diz o filósofo, pois deve alimentar-se de si mesma, só tendo como fundamento e meta a própria cadeia de suas manifestações os diferentes graus de sua objetivação que constituem tudo o que existe no Universo. Cada grau de objetivação da Vontade “disputa ao outro a matéria, o espaço e o tempo”. Essa contradição manifesta-se, no homem, por meio da oposição entre a natureza vegetativa e a consciência, que seria uma forma superior de objetivação da Vontade: “A infalibilidade das leis da natureza (…) contém qualquer coisa que nos ultrapassa, e mesmo que por vezes nos parece terrível.” Schopenhauer parece estar dando uma formulação pessoal do conceito de Anangke (a Necessidade da mitologia grega, a quem os próprios deuses obedecem), e chega a soar antifilosófica sua afirmação de que “existe em todos os elementos da natureza um elemento inexplicável, cuja causa é inútil procurar”. A essa “qualquer coisa”, a esse “inexplicável” o filósofo chamou Vontade (Wille), algo que é a “essência de todas as coisas, o fundo de todos os fenômenos”. A Vontade é o “ser em si”, de que o mundo é o fenômeno, e está totalmente (jamais em parte, pois é indivisível) presente em cada ser. Não é uma causa, mas aquilo de que tudo é um fenômeno, e “está no fim da explicação etiológica e no começo da explicação metafísica”.

“A ausência de qualquer finalidade e de qualquer limite é (…) essencial à Vontade em si, que é um esforço sem fim.”  Nos seres concretos, a Vontade atinge sua objetivação; penetrados por ela, os homens têm a ilusão de serem senhores de suas vontades individuais.

A distância, e mesmo a oposição aparente que existe entre os fenômenos do mundo inorgânico e a vontade que nós olhamos como o que há de mais íntimo na nossa essência, vem            principalmente do contraste que se nota entre o caráter de determinação de uns e a aparência de livre-arbítrio que se encontra no outro, visto que, no homem, a individualidade sobressai  poderosamente (…)

O sistema schopenhaueriano assinala um momento fundamental da crise do racionalismo, crise que levou a filosofia, desde o final do século XIX, a crescentemente adotar como empresa “provar que de fato morreu”, na expressão de Kolakowski. O filósofo polonês assim resume o impasse do pensamento moderno:

Não existe acesso a um absoluto epistemológico, e não há acesso privilegiado ao Ser absoluto que pode resultar em conhecimento teórico confiável (esta última restrição é necessária, pois nós não excluímos a priori a realidade da experiência mística, que fornece a algumas pessoas este acesso privilegiado; mas suas experiências não podem ser reinventadas numa teoria). (…) Tornando operacional e inteligível uma de todas as linguagens possíveis e por consequência tornando um ponto metafísico e epistemológico confiável nunca começamos do começo. A escolha entre todas as linguagens possíveis não é feita por Deus mas por civilizações.

Não é porque o pragmatismo da ciência só reconhece como questões válidas aquelas que sejam aplicáveis à vida concreta que se cancelam as angústias essenciais do homem. Ao longo do processo em que o saber instrumental descartou a metafísica para restringir-se ao empirismo e à lógica, seu discurso não conseguiu responder à necessidade daquele “início absoluto do pensamento” embora faça muitos anos que alguns estejam a apregoar que isso é apenas uma questão de tempo. Então, não pode ser cancelada a questão central da metafísica, a suspeita de que há, sob as aparências do mundo concretamente verificável, “outra ordem”.  Se a filosofia quiser tornar-se ciência, enfim, cortará suas próprias raízes.

Leszek Kolakowski (1927-2009)
Leszek Kolakowski (1927-2009)

Além disso, Kolakowski lembra que entre ambas existe uma “área obscura” composta por diversas “meio-ciências”, ramos do conhecimento para os quais não se pode estabelecer critérios de validade lógicos e empíricos. Como Unamuno, ele insiste no fato de que os homens jamais renunciarão à busca:

Nunca paramos e nunca vamos parar de fazer tais perguntas. Nunca vamos nos livrar da tentação de entender o universo como um manuscrito secreto o qual teimosamente tentamos decifrar. E por que deveríamos nos livrar desta tentação que provou ser o recurso mais frutífero possível em todas as civilizações exceto a nossa (ou pelo menos sua tendência dominante)? E de onde vem a suprema validade do veredito que nos proíbe essa busca? Somente o fato de que esta civilização a nossa que teve que livrar-se desta busca há muito tempo, provou seu imenso sucesso em alguns aspectos; mas falhou pateticamente em  muitos outros pontos.

Seu livro termina com uma pergunta que o espanhol certamente subscreveria:

E não seria uma suspeita plausível de que se “ser” fosse algo sem sentido, e o universo vazio de significado, nunca teríamos alcançado a habilidade de imaginar nem a habilidade de pensar exatamente isto: que “ser” é de fato sem sentido e o universo vazio de significado?

REFERÊNCIAS

KOLAKOWSKI, L. Horror metafísico. Campinas: Papyryus, 1990.

SCHOPENHAHER, A. O mundo como vontade e representação. Porto: Rés Editora, s.d.

UNAMUNO, M. de. Del sentimiento trágico de la vida. 7 ed. Buenos Aires: Espasa, 1945.


* ELOÉSIO PAULO é professor da Universidade Federal de Alfenas (MG) e autor do livro de poemas Jornal para eremitas (Móbile Editorial, 2012)

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2 comentários sobre “Dois filósofos preocupados com Deus

  1. O que pude compreender (razão):
    Ainda que não existissem os homens, seres conscientes – tudo o mais existe é uma conclusão pela “Ratio essendi”, porque existimos conscientes. Portanto nós estamos condenados – por nós mesmos, com e pela razão “Sic et simpliciter”, à busca do que não existe, mas que fazemos crer, por pura necessidade. Embora se possa estar errado (sentimento).

    Citando:
    “o pecado original do homem é a consciência” ou, em Hamlet: “To be or not to be, that’s the question”.
    “A razão postula a certeza, mas a incerteza é salvadora, pois o homem seria inevitavelmente desesperado tanto na certeza de morrer em definitivo como na de viver eternamente. Assim, restam impotentes tanto o sentimento como a razão, uma vez que, se o primeiro “não logra fazer do seu consolo uma verdade”, tampouco a segunda “logra fazer de sua verdade um consolo””.

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