A revolta dos 140 caracteres

guilhermeCÁSSIO AUGUSTO GUILHERME*

 

É extremamente difícil reunir em um único texto tantos acontecimentos, vertentes, explicações, exemplos e ponderações, ainda mais quando se está vivendo aquilo que se quer explicar. É a terceira vez que começo este texto e não tenho certeza ainda se irá tomar o rumo que desejo. Acho que vou ter que fazer outros depois.

Penso que toda forma de expressão deve ser respeitada, porém, para ser respeitada, esta forma de expressão deve também respeitar. É muito válido e importante o momento que o Brasil vive. Gente na rua é o que nós, da esquerda, sempre defendemos e estimulamos. Como bom esquerdista, e assumo isso logo no começo do texto para que o leitor não seja induzido a uma falsa imparcialidade, sou a favor das manifestações e entendo que precisamos defendê-la. É justamente por defender as manifestações, que venho fazendo ponderações aos manifestantes em minha página no Facebook e agora neste texto (espero não me perder em meio a tantas).

Primeiro, é importante salientar que só temos um movimento nacionalizado hoje em dia, graças a três fatores: ação truculenta da Polícia Militar de São Paulo na noite de 13/06 (o que diga-se, acontece todos os dias nas periferias do Brasil contra a população miserável); a defesa que a mídia tradicional fez da atuação da Polícia e taxação do Movimento Passe Livre como meros “vândalos” comparáveis ao criminoso Primeiro Comando da Capital (o que também é comum contra todos os Movimentos Sociais, principalmente o MST); e a força que as redes sociais têm hoje em dia para disseminar opiniões. Tirando dois destes elementos, a questão continuaria circunscrita às municipalidades.

Não vejo nas manifestações uma coesão e isso me preocupa. Não existe “o” movimento, mas sim vários e dispersos movimentos dentro das manifestações. A questão do transporte público foi somente o estopim, mas agora vejo todo tipo de questão, umas até contraditórias entre si. Me parece mais uma comemoração de título mundial, muita festa, diversão do que necessariamente um Movimento Social com pautas, propostas, objetivos, lideres. Está na moda tirar foto no protesto para postar no Facebook.

Em 1968, os estudantes de várias partes do mundo foram às ruas protestar contra tudo e contra todos. Queriam mais liberdade, mais paz e amor, menos repressão, mais educação. Não havia claramente uma liderança, uma pauta, uma proposta para ser discutida. Ficaram sem nada ou com Ditaduras. Acredito que o exemplo seja válido para os dias atuais. O movimento atual não tem pauta, nem projeto, nem proposta, salvo raras exceções, como por exemplo em Maringá, onde os manifestantes conseguiram que todos os vereadores da cidade assinassem a abertura de uma CPI para investigar o monopólio do transporte público no município.

Um elemento a ser considerado é a crescente rejeição à classe política. Na boca destes neo-manifestantes, tudo é culpa dos políticos, como se eles fossem uma espécie de ETs que surgiram do nada e nos escravizaram. Esquecem-se que somos nós que os colocamos lá a cada quatro anos. Aliás, cabe a pergunta aos jovens, lembram-se em quem vocês votaram para presidente, senador, deputado federal, governador e deputado estadual nas últimas eleições?

O discurso apartidário presente em boa parte das bocas dos neo-manifestantes e prontamente encampado pela mídia tradicional por motivos óbvios também merece destaque e os partidos precisam rever suas formas de comunicação com a sociedade. Os gritos de “sem partido” mostram a total falta de conhecimento dos neo-manifestantes sobre o sistema eleitoral brasileiro e no caso, principalmente sobre a importante atuação de partidos como PSTU e PSOL, que estão na rua há anos e organizaram os primeiros protestos, uma atitude anti-democrática que vem servindo de excelente desculpa para que fascistas ataquem militantes  de esquerda.

Uma discussão que voltou à tona nestes dias é sobre a dicotomia direita x esquerda. Há quem diga que isso não exista mais nos dias de hoje. Não concordo. Somente a direita insiste em dizer que tal dicotomia não faz parte do século XXI e as diferenças continuam claras e as mesmas de séculos atrás. Enquanto a direita faz o discurso da meritocracia, do conservadorismo e da moralização, a esquerda insiste em suas bandeiras sociais e de tratar os desiguais de forma desigual, para reduzir a desigualdade. Aliás, tarifa zero para o transporte público, mais escolas públicas, mais hospitais públicos, mais rodovias públicas, são bandeiras da esquerda. Apesar disso, o movimento está tomado pela extrema-direita. Neo-nazistas, skinheads, saudosos da Ditadura Militar, homofóbicos, machistas, racistas se infiltraram na espontaneidade ingênua da maioria e vão aos poucos disseminando as suas pautas pseudo-moralistas, ou alguém viu cartazes pedindo reforma agrária, redução da jornada de trabalho, reforma urbana ou reforma política?

Bradar contra a corrupção é o grito principal. Porém, continua sendo de forma vaga, afinal, nenhum político vai admitir que é corrupto e todos virão à público dizer que também são contra a corrupção. Fiz umas provocações em minha página de Facebook dizendo que furar fila, colar na prova, dirigir o carro do pai sem carteira ou aceitar gasolina de candidato em época de eleição, não deixa de ser uma forma de corrupção e a aceitação não foi das melhores. É fácil pedir que o outro se moralize, quando nós aqui em baixo não nos moralizamos.

Os neo-manifestantes recém acordados não possuem consciência histórica. Não lembram, se esqueceram, mataram a aula ou estavam mais preocupados em colar na prova e assistir a Malhação do que em pensar a respeito de, por exemplo, Canudos, o petróleo é nosso, reformas de base, diretas já, ocupações de terras, caras pintadas, protestos contra a Alca e as privatizações. Aliás, esta classe média que hoje diz lutar por direitos, é a mesma que até quinze dias atrás rotulava os que lutavam por direitos como “desocupados, vândalos, baderneiros, comunistas comedores de criancinhas”, etc. Realmente, precisamos de mais educação. Estes recém acordados bradam o instigante “vem pra rua”, mas não possuem a mesma vontade para ir às bibliotecas estudar, por exemplo, sobre direito, cidadania e movimentos sociais.

São tão despolitizados (não que isso seja culpa deles, claro) que não fazem a mínima idéia, por exemplo, da existência dos Conselhos Municipais de saúde, educação, transportes e da possibilidade de criar um orçamento participativo em seu município. São tão despolitizados que nunca foram em uma reunião da câmara de vereadores da sua cidade, muito menos leram a Constituição Federal para saberem que o destinatário de um protesto contra a PEC 33, 37 ou pela saída de Renan Calheiros da presidência do Senado é o Poder Legislativo e não o Executivo; que a prisão dos “mensaleiros” compete ao Poder Judiciário e não à Presidente. Mas claro, é mais fácil culpar a Dilma.

Por falar em culpar a Dilma, parece que o Brasil passou a ter problemas apenas a partir de 2002, com a eleição de Lula. Nossos neo-manifestantes não viveram ou então se esqueceram do que foram os anos 1980 e 1990 neste país, para ficarmos apenas em exemplos recentes. Mas como são na maior parte desinformados, acreditaram no discurso de que o “mensalão” foi o maior escândalo de corrupção do Brasil e que tudo vai mal no país. Não sabem o que foi o desmonte do Estado feito no Governo Fernando Henrique, a tentativa de “flexibilizar a CLT”, o presidente que chamou os aposentados de vagabundos, que tirou dinheiro da educação para salvar bancos quebrados, que não construiu nenhuma nova universidade federal, que vendeu a preço de banana as nossas estatais e o dinheiro foi parar em paraísos fiscais na conta de pessoas ligadas ao PSDB (uma dica, ao invés de gastarem com combos de vodka na balada este final de semana, vão na livraria mais próxima e comprem o livro “A Privataria Tucana) que teve uma política externa submissa, que os escândalos de corrupção eram todos engavetados pelo Procurador Geral da República, como o do Sivam, banco Marka, Sudam, Sudene, e sequer chegavam ao STF.

Claro que o PT também tem culpa nesta questão e muita. Deixou de ser um partido de bases e militantes, para fazer acordos escusos com o coronelismo do PMDB, que inclusive possibilitou a eleição de Marco Feliciano para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara e perdeu a bandeira da ética, depois do escândalo do “mensalão”. É preciso fazer a mea-culpa.

Uma vez que o movimento perdeu o controle (o MPL anunciou que não convoca mais manifestações) não fazemos a mínima idéia para onde, como e com quem ele vai. A direita golpista parece se articular. Em 1963-64 a população estava nas ruas reivindicando reforma agrária e da educação. A elite conservadora, reacionária, com medo do povo, aproveitou a deixa para criarem o discurso de ameaça à ordem e da necessidade dos militares deporem o Presidente para salvar a democracia. Inclusive, se naquela época tínhamos o IPES/IBAD que fazia propaganda anti-esquerdista no Brasil, hoje temos o Instituto Millenium, a Veja, Folha e várias páginas no Facebook que fazem a mesma coisa. As cartas parecem estar na mesa, novamente. Infelizmente a maioria “faltou” nesta aula de História, também.

Outro exemplo é 1989. Saíamos de uma Ditadura e o sentimento geral da nação era por modernização, transparência e fim da corrupção. Como os dois candidatos favoritos era à esquerda, Fernando Collor de Mello, um ex-deputado federal pelo partido da Ditadura, encampou o discurso moralizante, nacionalista e anti-partidário, prometeu acabar com os marajás, convenceu a maioria, com a ajuda da Globo e muitos empresário e deu no que deu. Mais uma vez, parece que nossos neo-manifestantes “faltaram” a esta aula.

E a mídia tradicional também apanha. “O povo não é bobo, abaixo à Rede Globo” é um coro que soa como música aos meus ouvidos. Com medo, a Globo estabeleceu a estratégia certa para seus interesses: defende que as manifestações sejam “sem partido”, assim enfraquece o movimento, que fica ainda mais perdido e pode ser pautado pela emissora e seus amiguinhos midiáticos. Falando nisso, será que no facebook nossos jovens têm mesmo acesso à uma informação melhor? Pelo que vejo na rede social, não. Se o chefe da propaganda nazista Goebbels vivesse hoje, diria que uma mentira compartilhada mil vezes se torna uma verdade. É o caso por exemplo dos muitos brasileiros que acreditam que o Auxílio-Reclusão é para todos os presos e que o “Bolsa Prostituição” foi criado pelo Governo.

Para concluir, penso que o momento é delicado. Há boa vontade de muitos manifestantes, mas o desconhecimento acerca do funcionamento da democracia burguesa pode colocar todo o país diante de um revés perigoso. Levamos anos lutando contra uma Ditadura e agora estamos lutando para construir um país democrático e mais cidadão. Não podemos jogar fora a criança com a água e a bacia. É preciso mais reflexão tanto dos políticos como dos manifestantes. O Brasil não está perfeito, mas já esteve muito pior. É preciso garantir as conquistas sociais e econômicas dos últimos anos, estudarmos mais (para além dos 140 caracteres das frases de efeito!) participarmos mais da vida partidária-eleitoral, e o principal: apresentarmos propostas claras.


* CÁSSIO AUGUSTO GUILHERME é Meste em História pela UEM.

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7 comentários sobre “A revolta dos 140 caracteres

  1. Gostei muito do texto,e aposto que muitos do que estavam nas manifestações não conseguem ler o texto inteiro e compreender afinal de contas são movidos pelas informações apenas de facebook!

  2. Link do abaixo-assinado mencionado abaixo: http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=PECLRC13
    Lei de Reforma do Congresso de 2013 (emenda à Constituição) PEC de iniciativa popular: Lei de Reforma do Congresso (proposta de emenda à Constituição Federal)

    1. Fica abolida qualquer sessão secreta e não pública para qualquer deliberação efetiva de qualquer uma das duas Casas do Congresso Nacional. Todas as suas sessões passam a ser abertas ao público e à imprensa escrita,
    radiofônica e televisiva.

    2. O congressista será assalariado somente durante o mandato. Não haverá ‘aposentadoria por tempo de parlamentar’, mas contará o prazo de mandato exercido para agregar ao seu tempo de serviço junto ao INSS
    referente à sua profissão civil.

    3. O Congresso (congressistas e funcionários) contribui para o INSS. Toda a contribuição (passada, presente e futura) para o fundo atual de aposentadoria do Congresso passará para o regime do INSS imediatamente. Os
    senhores Congressistas participarão dos benefícios dentro do regime do INSS exatamente como todos outros brasileiros. O fundo de aposentadoria não pode ser usado para qualquer outra finalidade.

    4. Os senhores congressistas e assessores devem pagar por seus planos de aposentadoria, assim como todos os brasileiros.

    5. Aos Congressistas fica vetado aumentar seus próprios salários e gratificações fora dos padrões do crescimento de salários da população em geral no mesmo período.

    6. O Congresso e seus agregados perdem seus atuais seguros de saúde pagos pelos contribuintes e passam a participar do mesmo sistema de saúde do povo brasileiro.

    7. O Congresso deve igualmente cumprir todas as leis que impõe ao povo brasileiro, sem qualquer imunidade que não aquela referente à total liberdade de expressão quando na tribuna do Congresso.

    8. Exercer um mandato no Congresso é uma honra, um privilégio e uma responsabilidade, não um uma carreira. Parlamentares não devem servir em mais de duas legislaturas consecutivas.

    Se cada pessoa repassar esta mensagem para um mínimo de vinte pessoas, em três dias, a maioria das pessoas no Brasil receberá esta mensagem.

  3. Texto muito bem elaborado, expôe com clareza muita coisa que os jovens que estão nas ruas sequer sabem por que como você diz, “faltaram a aula de História Contemporânea”, se não saberiam a que dirigir suas justas reivindicações.

  4. Após ler o texto do Cássio, devo reconhecer que ele vive em uma bolha deliciosa vermelha(também gosto muito da cor vermelha). Como é bom e confortável ser teórico, ter um bom cargo, certamente por ser petista.(tudo fica bem mais fácil). Lógico, que sei que este rapaz estudou, se esforçou e conhece mais ou menos história. digo isto,sem querer desmerecer alguns pontos, que ele colocou muito acertadamente, como: nem todo presidiário recebe do INSS, somente se tiver contribuído legalmente. E, também, se todos os presos recebessem, como os jogadores das copas onde o Brasil foi campeão, que já tem mais de 60 anos, ganhariam os 100 mil reais e ainda aposentaria mensal de mais de R$ 3000, oo, ou seja o teto máximo??Lógico, que se houver déficit na Previdência, há os eternos bodes espiatórios, NÓS, OS APOSENTADOS. Também faltaria dinheiro para pagar as suítes do hotel em Roma e o aluguel dos luxuosos carros usados pela equipe presidencial ?? Afinal o Papa Francisco merecia toda essa homenagem, não é mesmo? E o povo brasileiro que se dane! São burros, panacas telespectadores de “Malhação.” Vendidos para a direita radical. Mnhas desculpas, não sei quantas pessoas lerão o que estou escrevendo, mas não me importo com isso, pois é apenas o desabafo de uma aposentada e voluntária de reforço escolar para crianças carentes (disléxícos e hiperativos, principalmente) Bem, vou escrever em parágrafo único e não vou me importar tanto com a pontuação. Desabafo é assim. Todos os dados históricos do Cássio estão mais ou menos corretos, porque nossos livros de história são sempre feitos com a história que os governos “querem” contar e não com a história real. sobre a Rede Globo, concordo totalmente. Somente há alguns meses fiquei sabendo o que é a tal Malhação, através de uma aluna que estava com um modelito do tal seriado.como a gente atualiza os “conhecimentos” com os alunos. Sobre o FHC, faltou um detalhe importante, além de nos chamar de vagabundos, nós, que trabalhamos e pagamos a (In) Previdência Nada Social,por 30, 35 anos, o nobre sociólogo, chamou uma famigerada mulher desgraçada, cujo nome fiz questão de esquecer e criou o FATOR PREVIDENCIÁRIO, esta maldita injustiça – que o senador Paim, PT outro grande traidor, para quem farei campanha CONTRA (e como dá certo) Já ajudei dois prefeitos, quatro vereadores, cinco deputados estaduais e dois federais a NÃO se elegerem ou se reelegerem. Boca de boa professora tem força.Bem, procurem, principalmente OS APOSENTADOS ou os que estão para se aposentarem, o que é essa porcaria triste, porque a explicação é longa demais e por favor, vamos derrubar pra valer mais esse entrave à nossa vida. Na verdade, como diria BRIZOLA, que certamente faria estádios já próprios para se tornarem escolas de tempo integral, não creio que as pessoas nas ruas (onde também estivemos, meu marido e eu) não são de esquerda, nem de direita ou centro. Pessoalmente, detesto esses termos, pois nasci com o que as pessoas em 1956 chamavam de ter “a mão do diabo,” escrevia com a mão esquerda, era canhota (o qe sofri de bulling na escola, ninguém imagina) como era boa de dar soco com minha canhotinha, acabei sendo mais respeitada e temida que agente da DOPS depois de 64. Levei tanta reguada de professora maluca e mal preparada, que aprendi a escrever com a mão direita. Então, já entenderam a minha repulsa. O povo não dá importância para essas ideologias bestas, só o Jabor e os teóricos. Gostaria de que quem acha ruim o “Movimento das ruas,” fosse na feira e visse o preço das verduras, legumes e frutas. O tomate virou iguaria e já tem os seus seguidores, como a batata, a banana, etc. Alface está ficando coisa de rico. E contamos com quem ??? Com o poder legislativo ??? Os senhores deputados estão dando uma banana para a gente. Lógico que a amnésia que sofrem assim que eleitos está sendo curada, pois precisam de nós em 2014.Já começam a nos mandar cartas, e-mails e alguns visitam a nossa cidade e nos cumprimentam na rua.Não sou contra o PT, que tinha uma linda militância e foi covardemente traído pelo espertalhão do lula (é minúsculo mesmo), que se tivesse nascido em São Paulo em uma família burguesa, recheada de grana, seria muito, muito pior que o FHC. A gente sabe quem criou o projeto lula, principalmente quem tem mais de sessenta anos. Sobre a Dilma, eu esperava muito mais dela, mas creio que pegou uma bomba terrível, o chefe se mandou e deixou o bando para a coitada administrar.Foi jogada aos leões. Sinto mais é pena, ela parece bem perdida. O nosso Congresso é um saco de gatos malandros, pois senão não aceitariam ser os nababos que ganham aqueles salários e mais ajuda disso e daquilo, enquanto o salário mínimo é uma miséria. O Judiciário parece ter mais bundão do que homem com vergonha na cara, senão não permitiriam que uma jovem dentista fosse queimada em seu consultório e nem que os traficantes tomassem conta do Brasil. Ah! Faltou falar sobre um dos piores do Brasil, que não entendo como é eleito senador: Collor. Neste ponto o Cássio está coberto de razão e a poderosa Rede Globo é a mãe e dona do projeto. Quando da eleição deste sujeito, eu estava no E. Santo e nós: meus filhos, eu e meu marido, pregávamos até em poste propaganda sobre quem era este falso “caçador de marajás.” Quem não inventem outro “Zé Bonitinho” para nos prejudicar a vida, e por favor, povo do nordeste não votem mais em canalhas. É terrível saber que o cocollorido é senador da república e o Renan presidente da Câmara.. Tenham dó da gente, que precisa morar no Brasil. Outro detalhe, jovem Cássio – os conselhos???Oh! Doce ilusão da juventude teórica, acha mesmo que os “raposas” dos partidos deixam o povo falar e funciona ??? Só o que for do agrado deles. Câmara de Vereador??? Quantas reuniões você já foi?? Até me aposentar, eu trabalhava oito horas por dia, estudava para o vestibular à noite em um círculo de estudos. Fui umas duas vezes e não havia edis suficiente para a reunião.Reclamei e passei a ter o apelido de “mulher maluca.” Já me estendi demais.Peço apenas que não subestimem tanto o povo. Há vozes reais e inteligentes nas ruas. Sobre os baderneiros e bandidos, sãos os mesmos que nos assaltam até dentro dos bancos, porque a nossa polícia, tem um contingente menor e mal equipada. quanto aos bandidos??? Têm o melhor equipamento e devem ter altos lucros, bem distante do salário minguado dos policiais. Ou esses bandidos seriam pagos por algum grupo?? Por que usam máscaras? Por que o rapaz que se disse estudante de arquitetura, identificado em um vídeo, que confessou as depredações que fez, não ficou preso?? A ojeriza geral é contra os partidos e os aproveitadores que existem neles. É lindo e idealista achar que através dessas entidades consigamos alguma coisa positiva. é como uma bolha de sabão, tudo ilusão. De promessas e discursos estamos saturados. Lembrar o nazismo é no mínimo sadismo cruel e aproveitador. Nosso governador veio com essa balela e que o povo nas ruas poderia motivar a terceira guerra mundial. O homem é um sátiro. Dá uma dor no coração da gente, o Rio Grande do Sul já produziu tanta gente boa para a nossa política. Eu tinha que viver para ouvir isso, bem feito para mim que votei na Dilma, no Tarso Genro….no lula jamais, nem sob tortura. Estudei sempre à noite, lutei muito para me formar, para votar em vagabundo, mensaleiro, aproveitador, etc. etc. Nunca tive medo de ser feliz,nem de estudar, nem de trabalhar.Desculpem pelo excesso de palavras.Em 2014 vamos votar com sabedoria. Que seja eleito(a) um(a) presidente que esteja submetido(a) a nenhum bando de safados, aproveitadores e corruptos.

  5. No fundo, Cássio, há o desafio de tentar codificar numa metanarrativa antiga uma situação de experiência social que a ultrapassa. A nossa primeira reação é querer definir uma natureza global para o fenômeno, normatizar o que falta e dizer o que deveria ser. Aqueles que tentam já devem ter percebido que dificilmente uma metanarrativa dará conta de nosso caldeirão de reivindicações. Cada manifestação ou espécie de manifestante precisa de uma análise focal sem preconceitos redutores. Somente depois de muitas análises focais poder-se-á dizer se há ou não um padrão global, ou ausência de rumo. No momento, há apenas pontos de partidas centradas numa patente insatisfação com a estrutura política e com o descaso do poder público. No momento, isso está personalizado na presidenta, mas não quer dizer que os jargões levantados pelos manifestantes sejam evidência da total alienação da estrutura democrática que você afirma haver. Nem todos assistem à “Malhação”. Eu também fui um manifestante. Estou ciente das vias institucionais não ditas nos jargões ocasionais de passeatas, mas também compreendo por que as pessoas personalizam na presidência as mazelas do país. Isso também tem explicação histórica e social. Você mesmo a expõe, sucintamente, em sua análise.

    No mais, gostaria de destacar deste artigo:

    “…é importante salientar que só temos um movimento nacionalizado hoje em dia, graças a três fatores: ação truculenta da Polícia Militar de São Paulo na noite de 13/06 (o que diga-se, acontece todos os dias nas periferias do Brasil contra a população miserável); a defesa que a mídia tradicional fez da atuação da Polícia e taxação do Movimento Passe Livre como meros “vândalos” comparáveis ao criminoso Primeiro Comando da Capital (o que também é comum contra todos os Movimentos Sociais, principalmente o MST); e a força que as redes sociais têm hoje em dia para disseminar opiniões. Tirando dois destes elementos, a questão continuaria circunscrita às municipalidades… Não existe “o” movimento, mas sim vários e dispersos movimentos dentro das manifestações. A questão do transporte público foi somente o estopim, mas agora vejo todo tipo de questão, umas até contraditórias entre si. Me parece mais uma comemoração de título mundial, muita festa, diversão do que necessariamente um Movimento Social com pautas, propostas, objetivos, líderes… O discurso apartidário presente em boa parte das bocas dos neomanifestantes e prontamente encampado pela mídia tradicional por motivos óbvios também merece destaque e os partidos precisam rever suas formas de comunicação com a sociedade… Uma discussão que voltou à tona nestes dias é sobre a dicotomia direita x esquerda. Há quem diga que isso não exista mais nos dias de hoje. Não concordo. Somente a direita insiste em dizer que tal dicotomia não faz parte do século XXI e as diferenças continuam claras e as mesmas de séculos atrás…Os neo-manifestantes recém acordados não possuem consciência histórica. Não lembram, se esqueceram, mataram a aula ou estavam mais preocupados em colar na prova e assistir a Malhação do que em pensar a respeito de, por exemplo, Canudos, o petróleo é nosso, reformas de base, diretas já, ocupações de terras, caras pintadas, protestos contra a Alca e as privatizações…São tão despolitizados (não que isso seja culpa deles, claro) que não fazem a mínima idéia, por exemplo, da existência dos Conselhos Municipais de saúde, educação, transportes e da possibilidade de criar um orçamento participativo em seu município. São tão despolitizados que nunca foram em uma reunião da câmara de vereadores da sua cidade, muito menos leram a Constituição Federal para saberem que o destinatário de um protesto contra a PEC 33, 37 ou pela saída de Renan Calheiros da presidência do Senado é o Poder Legislativo e não o Executivo; que a prisão dos “mensaleiros” compete ao Poder Judiciário e não à Presidente. Mas claro, é mais fácil culpar a Dilma…Claro que o PT também tem culpa nesta questão e muita. Deixou de ser um partido de bases e militantes, para fazer acordos escusos com o coronelismo do PMDB, que inclusive possibilitou a eleição de Marco Feliciano para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara e perdeu a bandeira da ética, depois do escândalo do “mensalão”. É preciso fazer a mea-culpa… E a mídia tradicional também apanha. “O povo não é bobo, abaixo à Rede Globo” é um coro que soa como música aos meus ouvidos. Com medo, a Globo estabeleceu a estratégia certa para seus interesses: defende que as manifestações sejam “sem partido”, assim enfraquece o movimento, que fica ainda mais perdido e pode ser pautado pela emissora e seus amiguinhos midiáticos…Para concluir, penso que o momento é delicado. Há boa vontade de muitos manifestantes, mas o desconhecimento acerca do funcionamento da democracia burguesa pode colocar todo o país diante de um revés perigoso…”.

    Parabéns, Cássio, e obrigado por colaborar!

  6. Gostei muito do texto. O raciocínio ficou bem claro e as colocações reflexivas são de muito valor. Parabéns.

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