Quem são “eles” no caldeirão?

ERIKA BATISTA*

Foto: Alexandre Adas (17/06/2013)
Foto: Alexandre Adas (17/06/2013)

A sucessão de atos políticos desencadeada pelo Movimento Passe Livre (MPL) no Brasil trouxe novos ingredientes políticos e ressuscitou outros, tanto à esquerda quanto à direita. Falemos do caldeirão formado por estes atos na cidade de São Paulo até o último dia 20 de junho. Desde o 1º Grande Ato do MPL em seis de junho até o 4º Ato de 13 de junho, “eles” foram o alvo da repressão policial.  Diversos setores populares organizados como partidos e organizações políticas – PSTU, PCB, PSOL, PCR, LER-QI, ANEL, UNE, MST, MTST – anarquistas e apartidários simpatizantes destas bandeiras, alinharam-se às causas do Movimento Passe Livre – a revogação imediata do aumento das passagens nos transportes coletivos de R$3,00 para R$3,20, a ampliação da participação popular no debate sobre a reforma urbana e a qualidade do transporte público na capital.

“Eles”, os governos estadual e municipal de São Paulo, representados pelos partidos do PSDB e PT, preferiram se esconder atrás do braço pesado da repressão da Polícia Militar aos manifestantes em geral, que, neste momento, foram criminalizados e chamados de vândalos indiscriminadamente pelos porta-vozes dos governos e pela mídia tradicional – as emissoras de televisão e rádio filiadas ou associadas às Organizações Globo, Central Record, Grupo Bandeirantes, Grupo Abril, Grupo Folha e Grupo Estado, principalmente. A postura adotada pelo governador Geraldo Alckmin e pelo prefeito Fernando Haddad foi a mesma, a da intransigência. Por outro lado, a cada ato o número de pessoas crescia e a repressão violenta da PM também.

Um ingrediente importante neste caldeirão foi o uso de mídias sociais como Facebook e Twitter. Representantes do MPL – “movimento social autônomo, apartidário, horizontal e independente, que luta por um transporte público de verdade, gratuito para o conjunto da população e fora da iniciativa privada” conforme se caracteriza o Movimento – iniciaram os convites às manifestações por meio destas ferramentas, alastrando-os para além de seu alcance na medida em que outros movimentos sociais e partidos que apoiavam o Movimento se apropriaram da ferramenta compartilhando as chamadas. Cada vez mais pessoas tomaram conhecimento dos atos e do próprio MPL em São Paulo e a partir daí e aderiram às manifestações.

A partir do 4º Ato mais ingredientes foram adicionados. O primeiro foi que “eles” da imprensa promoveram os “vândalos” à manifestantes de respeito do dia para a noite. Não se trata de fazer a apologia da violência, mas depois que estes profissionais sentiram na pele a violência que a periferia experimenta cotidianamente o caldeirão esquentou. Os mesmos veículos de comunicação que contribuíram para a imagem dos “baderneiros” trataram de transformar os discursos de louvor à atuação da polícia em acusações, denunciando os abusos cometidos pela repressão policial. O segundo foi que “eles” adentraram no caldeirão – jovens, convencidos ou não da legitimidade das causas do MPL – e também foram vítimas das agressões policiais. Mais uma vez o ingrediente das mídias sociais se fez presente, divulgando os registros das bombas, gás lacrimogêneo, sprays de pimenta, cacetadas e balas de borracha utilizados para “conter” os manifestantes praticamente em tempo real.

O 5º ato do dia 17 de junho foi marcado pela heterogeneidade. Como muitos que estavam no ato anterior foram inclusive presos – alguns pela audácia de portar vinagre para se proteger dos efeitos causados pelo gás – o ridículo e o absurdo que “eles” da repressão, apoiados pelos governos do PSDB e PT, estavam praticando mobilizou mais “eles” às ruas. Uma variada quantidade de demandas sociais reivindicadas tantos pelos partidos e organizações de esquerda como por movimentos sociais que já estavam “acordados” na luta contra a homofobia, contra o estatuto do nascituro, contra o racismo, contra a privatização da educação, saúde e habitação, juntou-se às demandas como o fim da corrupção e a melhoria dos serviços públicos. E eis que “eles” começaram a se mexer. Movimentos característicos da elite brasileira, como o “Cansei”, juntaram-se às grandes marchas que pipocavam pelas grandes capitais do Brasil acolhidos pela bandeira dos “sem partido”, e este novo ingrediente começou a salgar o ato e a chamar a atenção pela sua forma e conteúdo.

Durante a manifestação que reuniu cerca de 100 mil pessoas, palavras de ordem como “vem pra rua vem”, “se a tarifa não baixar, São Paulo vai parar” se confundiram com brados como “o gigante acordou”, “sou brasileiro com muito orgulho” e “sem partido”. Jovens com bandeiras do Brasil e a cara pintada de verde-amarelo se divertiam e se misturavam a jovens que exibiam bandeiras vermelhas, a outros que carregavam bandeiras pretas e a outros ainda que seguravam somente cartazes ou trajavam roupas comuns, formando um grande mosaico de reivindicações e tendências políticas que se dividiu em três direções. O segmento que seguiu pela Avenida Paulista contou com o show de luzes que projetou no prédio da FIESP as palavras “acorda Brasil”.

Até aqui quatro tendências podem ser notadas e brevemente avaliadas. Primeiro a dos grupos apartidários e anticapitalistas como o próprio MPL, que, mesmo simpatizantes dos partidos de esquerda, não se reconhecem nestes modelos de organização coletiva. Este é um ponto que deve ser compreendido por esta esquerda, que precisa se reinventar e encontrar formas de diálogo e unificação para a criação de uma verdadeira frente ampla, de esquerda e democrática. O risco de se perder no caminho e perverter princípios fundamentais da luta social que esta esquerda trava há décadas existe. Por outro lado, parece que a linguagem e as formas de politização eleitas por estes partidos para se aproximarem destes grupos demonstra sinais de esgotamento e é preciso renovar as táticas de educação popular e aproximação. A juventude que já milita nestes partidos pode ser a chave para o equilíbrio entre a experiência dos mais velhos e a urgência dos mais novos neste novo caminho.

Outra tendência é a dos grupos apartidários por ignorância, formado por jovens que desconhecem a trajetória histórica dos partidos, sindicatos e movimentos sociais de esquerda e, além de não se identificarem com o discurso projetado por estas organizações, o compreendem como alguma forma de insulto porque “eles” evocam palavras ideologicamente satanizadas, como “classe”, “capitalismo” e “socialismo/comunismo”. Esta juventude parece conter uma dose de indignação suficiente o bastante para saber o que não quer, mas que parece não dar conta de saber o que quer e como, daí sua importância. Existe a oportunidade – e necessidade – de um amplo trabalho de educação política que “eles” da esquerda organizada precisam compreender e realizar, uma vez que “eles” da direita parecem já ter compreendido e iniciado.

Uma terceira tendência é a dos apartidários por ressentimento, que aparentemente se refugiam no apartidarismo como escudo para evitar que “eles” da esquerda tomem o poder e façam como “eles” do PT. Porém, a tendência bastante perigosa que surge neste caldeirão é a dos “apartidários” por oportunismo, “eles” que se propuseram a esconder sua simpatia pela direita conservadora e dissimular suas bandeiras partidárias – PSDB, DEM, PMDB, PSD, PDT, PV e outras mais – substituindo-as pela bandeira nacional a fim de adocicar o ingrediente popular que começou a transbordar do caldeirão e tomar as ruas à esquerda. Nesta tendência que mais é a de um anti-partidarismo contra a esquerda, os que mais preocupam são “eles”, os grupos formados por setores reacionários da extrema direita, como os neointegralistas da FIB, neonazistas como os “carecas”/ skinheads e grupos paramilitares que vem se articulando e difundindo sua ideologia fascista por meio das novas tecnologias das quais as mídias sociais fazem parte.

Um 6º ato foi organizado por “eles” do MPL em 18 de junho, unificado com outros grupos apartidários e simpatizantes dos partidos e movimentos sociais de esquerda, a partir da Praça da Sé. O Movimento foi muito hostilizado por “eles”, os “sem partido” que agora carregavam bandeiras verde-amarelas e aglutinavam em torno de si os apartidários por ignorância, ressentimento ou oportunismo. A hesitação na definição do trajeto pelos próprios membros do MPL refletiu a segmentação dos grupos. A marcha seguiu para a Avenida Paulista e os ingredientes que agora ferviam no caldeirão se tornaram mais claros: de um lado da avenida estavam os militantes apartidários e simpatizantes de partidos e movimentos políticos de esquerda, e de outro “eles”, os “sem partido” que exigiam a retirada das bandeiras vermelhas. Focos de confronto entre os manifestantes se confundiram com saques e ataques a prédios públicos.

No dia 19 de junho as mídias sociais temperaram o caldeirão mais uma vez e a “rede” se concentrou na procura por “eles”, os culpados pelos atos de vandalismo que haviam barbarizado São Paulo no dia anterior a fim de se descobrir quem eram e desvendar um pouco mais do caldeirão. Enquanto isso, o aumento da tarifa de R$3,20 era revogado no Estado e na cidade de São Paulo e o caldo parecia estar pronto, ainda que já se sentisse um cheiro estranho no ar. “Eles”, os governos do PSDB e PT, anunciaram que reduziriam os investimentos públicos em outras áreas para arcarem com o aumento do subsídio repassado a “eles”, as empresas privadas que controlam os ônibus, trens e metrô do transporte coletivo de São Paulo.

Mesmo com o mau cheiro foi marcado um 7º ato pelo MPL, em comemoração à vitória da primeira batalha e para a celebração da unificação com os setores da esquerda democrática, inclusive com PT e PCdoB, contra o conservadorismo que se apropriava do caldo político pelo país. E eis que o caldeirão ferveu e o caldo entornou. Os grupos reacionários da extrema direita dos apartidários por oportunismo – muitos dos quais bradavam “anauê” durante o ato – aproveitaram-se dos apartidários por ignorância e houve um confronto violento com os apartidários da esquerda fazendo com que se retirassem do ato, juntamente aos partidos e movimentos organizados. Idosos, mulheres, nordestinos, negros e homossexuais foram hostilizados e alguns até agredidos verbal e fisicamente. Uma bandeira do movimento negro também foi queimada e as perigosas forças “apartidárias” revelaram o seu anti-partidarismo de esquerda e as orientações fascistas que permeiam seu interior.

Agora que o caldeirão ferveu, transbordou e o mau cheiro se espalhou pelo ar, a barbárie toma conta das ruas e o MPL começa a ser responsabilizado pelo caos, recuando para a reflexão. Como o caldo já estava azedo quando entornou, resta saber quais as forças que se farão hegemônicas para o novo caldo que se prepara. Ou “eles” da esquerda conseguem se articular com as forças populares e organizar uma ampla frente democrática ou os desfiles patrióticos e discursos nacionalistas convencerão os apartidários por ignorância de que “panela velha é que faz comida boa” e uma indigestão social e política generalizada acometerá todos nós, e aí realmente “vai dar merda”.


* batistaERIKA BATISTA é Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (UNESP/ Marília).

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5 comentários sobre “Quem são “eles” no caldeirão?

  1. Como sempre, “teorizando” sobre as mazelas da sociedade e fazendo uso dos recursos do próprio Estado para sustentarem-se. A academia realmente está condenada à perpetuar a “pseudo-ciência” sobre a dita “classe intelectual”. A lavagem cerebral feita nesta classe há de persistir por além do tempo, pois julgam-se “superior” aos “ignorantes”, mas, no fundo, mal sabem eles que são as próprias “crias” do sistema.

  2. Olá Alexander e Vera! Poxa, que legal contar com os comentários de vocês para expandir a reflexão no furacão de ideias e impressões que tenho tido nas ruas. Não sou filiada a nenhum partido ou membro de movimento social, somente tenho preferências políticas que estão à esquerda, sim.
    Participei das manifestações que mencionei no texto, daí a tentativa de separar o “joio do trigo” pelo menos no papel. O texto também está “datado”, pois trata dos atos ocorridos até o dia 20/06 e muita coisa já aconteceu desde então. Por exemplo, uma série de reuniões estão acontecendo com partidos, movimentos sociais e apartidários de esquerda ou não aqui em São Paulo, juntamente à manifestações das e nas periferias de São Paulo.
    Percebo que há um esforço de mobilizar esta energia de indignação e urgência para propostas concretas que busquem ampliar as vias institucionais de participação popular, ao mesmo tempo em que há a percepção de que esta ampliação é limitada pelas próprias bordas do jogo institucional.
    Outra coisa que chamou minha intenção é o próprio discurso de alguns militantes de partidos de esquerda, como o PCB, direcionar a atuação do partido para a participação no movimento, e não reclamar a direção, o que me pareceu muito prudente e inteligente diante da recusa do formato de organização utilizado por este partido pelos apartidários. Acho (e aqui é bem achismo mesmo) que é um começo para se tentar entender a linguagem das ruas, qual o formato mais adequado que pode surgir de tanta influência política. A própria forma da democracia representativa está sendo questionada e isso me parece bom.
    Também há dificuldade de se eleger ou construir novas lideranças diante de tantas demandas canalizadas pelo movimento das ruas, da mesma forma que não há como negar, principalmente se você esteve ou está nas ruas, a presença da extrema direita hostilizando o que considera “símbolos da inferioridade” nas manifestações e se organizando nas mídias sociais ao lado de antigas tendências que se autointitulam “nem de direita, nem de esquerda, mas à frente”.
    Penso que ainda não dá para neutralizar estes termos clássicos no exercício da reflexão, ainda que a “esquerda” e a “direita” estejam se reconfigurando nas ruas.

    Um abraço,
    Erika

  3. Análise muito boa de Erika Batista. À luz dos acontecimentos focais de São Paulo, a cientista social Erika Batista aponta para as seguintes tendências nas manifestações de junho de 2013: (1) os grupos apartidários e anticapitalistas, como o próprio MPL, que, mesmo simpatizantes dos partidos de esquerda, não se reconhecem nestes modelos de organização coletiva; (2) os grupos apartidários por ignorância, formados por jovens que desconhecem a trajetória histórica dos partidos, sindicatos e movimentos sociais de esquerda e, além de não se identificarem com o discurso projetado por estas organizações, compreendem-nas como formas de insulto porque evocam palavras de ordem ideologicamente satanizadas, tais como “classe”, “capitalismo” e “socialismo/comunismo”; (3) os apartidários por ressentimento, que aparentemente se refugiam no apartidarismo como escudo para evitar que “eles” da esquerda tomem o poder e façam como “eles” do PT; (4) os “apartidários” por oportunismo, que se propuseram a esconder a sua simpatia pela direita conservadora e dissimular as suas bandeiras partidárias – PSDB, DEM, PMDB, PSD, PDT, PV e outras mais –, substituindo-as pela bandeira nacional a fim de adocicar o ingrediente popular que começou a transbordar do caldeirão e tomar as ruas à esquerda. Esta última tendência caracteriza-se pelo antipartidarismo contra a esquerda: são grupos formados por setores reacionários da extrema-direita, como os neointegralistas da FIB, os neonazistas e grupos paramilitares, que vem se articulando e difundindo sua ideologia fascista por meio das novas tecnologias.
    Frente a este cenário, é importante que a esquerda se reinvente e encontre formas de diálogo e unificação para a criação de uma verdadeira frente ampla, de esquerda e democrática. Com tantas tendências, há o risco de se perder no caminho e perverter princípios fundamentais da luta social, pois as linguagens e as formas de politização eleitas pelos partidos de esquerda para se aproximarem dos grupos apartidários demonstram sinais de esgotamento. É preciso renovar as táticas de educação popular e aproximação. A juventude que já milita nestes partidos pode ser a chave para o equilíbrio entre a experiência dos mais velhos e a urgência dos mais novos neste novo caminho. A tendência dos “grupos apartidários por ignorância”, por exemplo, parece conter uma dose de indignação suficiente o bastante para saber o que não quer, mas que parece não dar conta de saber o que quer e como; daí a importância de lideranças que, de fato, representem e canalizem os seus anseios e amplifiquem a sua consciência social e a sua percepção das vias institucionais de ação em correspondência com as não institucionalizadas, mas que igualmente manifestam a energia social coletiva do descontentamento.

  4. Para saber quem são “elas e eles” do caldeirão, é preciso estar nele. As teorias, infelizmente, não abrangem a verdade dos fatos. Quanto aos “vândalos” são gente bandida, pobres coitados perdidos,que já se conhece das ruas, com ficha criminal. Segundo um que conheço, morador de rua e conhecido viciado em crack e alcoólatra, um moço bem vestido lhe deu até cocaína para arrebentar lojas e agências bancárias.
    Liguei para a polícia, que não pode vir imediatamente. O coitado sumiu e dias depois soube que foi morto. Queima de arquivo. Motivo oficial da sua morte: dívidas com o seu traficante.
    Creio que as panelas velhas cairão em outubro de 2014. Isto é, segundo um e-mail que me enviaram ontem, muito coerente: lula não quer a reeleição de Dilma. Eis a grande “panela velha” com suas mentiras e falcatruas. Ele ressurgirá como o salvador da pátria,do PT e de quem mais for trouxa para acreditar neste enrolão. Com muita mídia e marketing, João Santana será substituído por uma especialista norte-americana. Pode ser verdade, pois dinheiro a gente sabe que tem e muito. O nosso grande problema é que infelizmente, as pessoas do Nordeste e Norte são ludibriadas e enganadas pelas bolsas isso e aquilo.Se a Globo abraçar o projeto…adeus Brasil.
    São milhares de pessoas nas ruas, até na minha pequena e pacata cidade houve manifestações.
    Só espero que não comprem a carne bovina do Friboi, sabem quem é o dono??? Só uma chance para adivinhar.
    Os intelectuais sempre costumam subestimar o povo e chamá-lo de ignorante, quando não estão dependurados nos ditos partidos.Existe algum no Brasil que vale a pena? que não esteja infestado de cupins ??
    E, por favor, essa história velha, lavada de direita e esquerda não dá mais para aguentar. Sejam criativos, inventem outra e se possível cheguem perto e entrem no “caldeirão.” Lógico, que entendo se tiverem a “Sindrome Figueiredo,” ele não gostava do cheiro do povo, preferia o dos cavalos. Há gosto para tudo, mas o povo brasileiro sempre teve fama de cheiroso e de gostar de tomar banho, é nossa herança índigena.

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