Ao jovem que pretende fazer Ciências Sociais

dominguesLEONARDO DE LUCAS DA SILVA DOMINGUES*

De repente você está lá com os seus 17/18 anos e se depara com a decisão crucial sobre o futuro de sua vida: qual curso superior escolher? É um momento em que se misturam anseios distintos e indecisões juvenis com pressões familiares e preocupações financeiras. Tudo acontece ao mesmo tempo. O candidato a uma vaga no ensino superior dificilmente faz um questionamento prévio sobre todas essas questões. Mas, enfim, você tem que escolher alguma coisa. E aí, sabe-se lá por que cargas d’água, razões, decisões ou motivações você escolhe fazer o quê? Ciências Sociais.

Não é simples identificar o que faz alguém escolher um determinado curso. Fatores subjetivos podem se sobrepor aos objetivos, tornando a explicação ainda mais complexa do que aparenta ser. No caso de uma escolha para o curso de Ciências Sociais, pode-se dizer que talvez a pessoa já tenha alguma inclinação para a área desde pequena ou talvez apenas a escolha por não se enquadrar em nenhuma das outras categorias disponíveis. As constatações podem ser as mais diversas.

Atualmente, há muitos recursos cibernéticos para buscar informações sobre a área de Ciências Sociais. Na internet, encontram-se textos e mais textos, livros digitalizados, vídeos educativos, páginas eletrônicas dos cursos de graduação e de pós-graduação, entre outros. A inserção da Sociologia como matéria obrigatória para o ensino médio também ajuda imensamente o aluno a já ter um contato com o mundo acadêmico, com as leituras e com outros aspectos que são próprios desse universo.

É claro que tudo isso ajuda, mas o certo é que você só vai saber mesmo o que é fazer Ciências Sociais, quando já o estiver fazendo. Tal fato não é nenhuma anomalia, se comparado aos outros cursos. Há uma surpresa com a escolha tão bem pensada. Talvez, só depois de terminada a graduação é que você vai perceber o que aquela escolha realmente significou para seu futuro. Quando essas mediações não estão bem construídas na cabeça do estudante em fim de curso, esse choque de realidade, abrupto, pode ser um problema. Antes de adentrar nesse campo, como você pode chegar e o que vai fazê-lo chegar a escolher esse curso?

Você fez seu ensino médio e viu que só as matérias de humanas lhe interessaram. História, Filosofia e Sociologia foram os pontos altos no boletim. Você se vê como uma pessoa engajada, interessada nos destinos do mundo; parece que a maioria de seus outros amigos não consegue ao menos entender os verdadeiros problemas humanos que você levanta em conversas e bate-papos. Você já deve ter defendido os palestinos, os tibetanos, os cubanos, os indígenas, os haitianos, os sem-terra, os sem-teto, os animais em extinção… Certamente participou de passeatas e de todo tipo de manifestação. Talvez já tenha visto filmes-cabeça, dos quais mais ninguém gosta. Geralmente esse tipo de contexto e de trajetória de vida, mais outros tantos elementos não destacados aqui, é que levam alguém a escolher Ciências Sociais.

Essa não é uma condição necessária. Fora os que escolhem por esse lado mais politizado, há também aqueles que, por várias razões, têm uma inclinação para um viver chamado de alternativo. Nessa categoria inserem-se roqueiros, hippies, punks, straight edge, poetas e “malucos” de toda estirpe. Em qualquer universidade de médio ou grande porte, é possível notar que os alunos de Ciências Sociais são tidos como uns dos mais estranhos e acabam, muitas vezes, recebendo nomes muito “carinhosos” da “comunidade” universitária como os “bicho-grilo”.

Essa representação caricatural pode se explicar, em termos, e com o devido distanciamento crítico, pelo visual diferente dos alunos. Dreadlocks, barbas compridas, piercings, cabelos coloridos, vestimentas de tendências distintas e adereços diversos adornam a alteridade do grupo.

O que em cursos como Design Gráfico, Comunicação, Jornalismo, Marketing e Propaganda é visto muitas vezes como uma demanda de mercado, o “ser alternativo” (ter estilo despojado, criativo), lá nas Sociais é uma realidade não-fabricada (com seu grau de autenticidade que o afasta da gravitação mercadológica). Talvez nenhum outro curso o coloque tão próximo da diversidade, em seu sentido mais amplo e pleno. Por trás de cada uma dessas pessoas existe uma complexa teia de relações com os submundos da cultura não-convencional. Vozes díspares e antagônicas vão querer falar e você vai aprender a conviver com elas, a ouvi-las e a interagir com elas.

Depois de todas essas etapas, você quer saber, afinal, que curso é esse? O que ele representa? Qual a atuação das pessoas que passam por esse tipo de formação? Calma, a história é longa. Até você entender o que é um cientista social vai algum tempo (o que faz, então, demora mais ainda). Talvez, até lá você já vai ter passado por boas crises existenciais e por muitas experiências inesquecíveis. Você vai se deparar, em algum momento dessa empreitada, com célebres perguntas: até que ponto suporta seguir? É realmente intelectual o bastante para ser um acadêmico? Quais opções existem sem ser a vida universitária? Trabalhar como cientista social profissional, ser professor ou se engajar em alguma causa? Dinheiro…dinheiro…dinheiro….

Vai perceber que tudo aquilo que demora a compreender, será ainda mais complicado para explicar aos outros, principalmente aos que o rodeiam. Se, para descobrir a diferença entre Serviço Social e Ciências Sociais bastam algumas semanas, para todo o resto leva quase a totalidade de uma existência. Enfim, essa não é uma tarefa fácil. Descobrir o universo que representa esse curso de graduação leva muito mais do que seus quatro anos de duração.

Na sua consistência bruta, Ciências Sociais é um daqueles cursos dentre os quais a leitura é um hábito indispensável. Gostando ou não, querendo ou não, o certo é que você vai se cansar de ler. No início isso pode ser muito tortuoso. As leituras são difíceis, os temas algumas vezes são indecifráveis, assim como os termos e o linguajar próprios.

Apesar dos pesares, decifrar as teorias pode ser muito prazeroso. Além de ler, também é essencial fazer leituras críticas. Não se importe em gastar o tempo que for necessário para entender um trabalho intelectual. Sua confecção pode ter demorado anos ou, às vezes, até décadas. Nesse caminho, você pode encontrar matérias que não o agradam, temas que não tem nada a ver com suas pesquisas ou intenções futuras, mas isso não o impede de aproveitar o mínimo possível e o mentalmente necessário dessa experiência incomum.

Ao longo dos anos, dificilmente irá se manter o mesmo. Certamente, o estudante do início do curso não se confunde com o que se forma. E tal mutação não se dá só por uma questão heraclitana do fluir do rio ou de alguma outra coisa parecida, vai muito além disso. Não há naturalidade nesse processo (aliás, o natural, como verá, não existe na sociedade). Essa graduação o fará pensar e repensar muitas coisas: certezas se reduzirão a pó em pouco tempo e um novo leque de possibilidades se abrirá diante de seus olhos. A leitura sobre as teorias será a bagagem fundamental a ser utilizada nessa viagem sem destino fixo ou provável.

Somando-se a isso, provavelmente você vai começar fazendo disciplinas muito diferentes entre si, lendo livros, algumas vezes, com séculos de distância uns dos outros. Vai ser uma salada de compreensões e de reflexões. Nesse ponto, a melhor saída é recorrer à Filosofia. Para estudar Ciências Sociais é preciso ter alguma base sobre as correntes do pensamento filosófico.

E tudo isso vai gerar muita mudança. Talvez essa seja uma das marcas indeléveis de alguém que passa pelo processo de graduação em Ciências Sociais. Há mudança porque, na realidade, há um mudar em diversos sentidos. Mesmo para os alunos que não tenham lá tanta simpatia com o curso ou que estejam mais interessados somente no diploma irão ser provocados a saírem do lugar.

Isso acontece principalmente se você passa a viver numa cidade universitária distante de sua família. Todo esse ambiente de novidade estimula ainda mais a necessária desconexão com o mundo diário dos problemas corriqueiros. Ainda que tenha de trabalhar para se manter nessa nova morada, como boa parte dos alunos acaba fazendo, isso não vai alterar sua jornada de reconstrução do mundo social que o cerca por meio das diversas orientações teóricas.

Talvez tal fato até potencialize seu distanciamento crítico em relação ao emaranhado de relações entre pessoas e coisas que se pulverizam numa apreensão imediata do cotidiano. O certo é que, de uma maneira ou de outra, independente de sua origem social, de seu credo e todas as outras coisas que nos distinguem/diferenciam uns dos outros, a despeito disso tudo, você vai repensar sua vida; vai questionar seu mundo; vai parar, nem que for por alguns instantes, para pensar sobre coisas que, por circunstancias das mais diversas (e que irá estudar sobre elas), dificilmente pensaria.

É lógico que cada um terá o seu modo de vivenciá-la. Alguns viverão essas mudanças de modo extremamente intenso, outros já irão percorrer o caminho com moderação. Em todo caso, tudo será novo. Por isso é interessante estudar em uma cidade distante da sua de origem. Também é importante escolher uma universidade com muitos cursos diferentes; esse contato com grupos distintos é fundamental.

Paris, maio de 1868
Paris, maio de 1968

No que diz respeito especificamente ao curso de Ciências Sociais, as mudanças incluem não só o contato com novas visões de mundo, mas, também, a conexão com uma miríade de formas de vida alternativa. Se sua sala for realmente representativa nesses quesitos, uma genuína classe de Sociais, prepare-se para tomar contato com vegetarianos, marxistas, hinduístas, feministas, crentes (padres, pastores), anarquistas, liberais, dentre outros. Em paralelo às mudanças de rotas, uma série de crises se sucederá, uma atrás a outra: existenciais, psicológicas, teórico-metodológicas, religiosas, financeiras…. Não há quem não passe por elas (a que trata da existência material será, certamente, a mais problemática).

Muitas dúvidas podem surgir. Todo questionamento vai levá-lo ao movimento. Não há nada mais básico em um trabalho de reflexão. Não importa o quanto isso vá contra seus próprios pensamentos ou convicções, duvide, questione, problematize. O conforto no campo das ideias não é para os que lidam com os problemas do pensamento, muito menos para os que refletem sobre a realidade social.

Criticar parece ser uma resposta simples para problemas complexos. Não é bem assim. A crítica é um elemento fundamental nesse processo (assim como a autocrítica). Lembre-se que os pensamentos só servem para fazê-lo pensar e para continuar pensando. Não cultue os pensamentos de modo a se fixar inflexivelmente em certas ideias, principalmente as que abstratamente (no campo lógico) pareçam perfeitas. Pense agindo concretamente, transformando sua realidade.

Desde o primeiro momento na graduação, tente abarcar em suas inquietações o máximo de referenciais distintos. Leia sobre tudo. Converse muito com professores de matérias diametralmente opostas. Procure saber, já no primeiro ano, quais os projetos desenvolvidos nas pesquisas do corpo docente. Mergulhe no erro. Teste suas afinidades teóricas. Discuta. Quando sentir que as ideias não saem de certo limite de segurança, provoque-as, remova obstáculos; jogue os pensamentos contra si mesmos. A realidade não vai até onde se estende a racionalidade lógica de meros conceitos abstratos.

Se for instigado a pensar, fará do mundo uma grande experiência criativa. Verá que a mudança que se materializa em você se expressa antes na realidade que o cerca. Esse movimento o levará a investigar sobre o que está inscrito no universo social que nos rodeia. Por trás de explicações supostamente óbvias sobre cada coisa que existe no mundo, apreenderá o jogo contraditório das relações que constituem esse agora antagônico mundo.

Portanto, ao jovem que pretende ingressar nesse ramo do saber, nessa gama de experiências humanas, fica o alerta de que este pode ser um caminho sem volta: a realidade nunca mais será a mesma (ou melhor, sua percepção sobre essa realidade não será a mesma), depois que você passar por uma graduação em Ciências Sociais.


* LEONARDO DE LUCAS DA SILVA DOMINGUES é Graduado em Ciências Sociais pela UEL e mestre em Sociologia pela UFRGS; membro do Laboratório de Divulgação de Ciência, Tecnologia e Inovação Social (LaDCIS/UFRGS). E-mail: leonardo_delucas@hotmail.com

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54 comentários sobre “Ao jovem que pretende fazer Ciências Sociais

  1. Conlui o ensino médio ano passado e tinha plena certeza que faria licenciatura em Ciências Sociais, mas após a reforma do ensino médio o medo e a dúvida dominaram de forma significativa. E agora? Ultimamente é o que me pergunto sem parar. Vi que se cursar o bacharelado, posso fazer um curso de licenciatura para bacharel, mas o contrário não. Não me imagino trabalhando com políticas públicas, ou no cenário político. De certo, sinto que a minha vocação é ofertar questionamentos, instigar, mostrar que há um mundo além dessa caixinha que vivemos. Devo me arriscar a fazer a licenciatura assim mesmo ou cursar o bacharelado e depois tentar a licenciatura?

  2. Eu já sabia que queria ciências sócias, mas agora tenho mais certeza ainda, a ciências humanas faz nos vemos o mundo e entender de outra maneira, já amo ciências sócias, é uma área a qual eu tenho certeza que quero seguir..

  3. Esclarecimentos foram feitos. Obrigada profundamente. Tenho 17 anos e acabei de terminar o meu ensino médio. Tô perdida em relação ao meu curso na faculdade, meu coração quer ciências sociais, mas a razão… nem tanto. Talvez seja a influência dos meus pais em relação aos recursos financeiros. Mas desde que li seu texto, não tenho mais dúvidas, é esse o meu curso 🙂

  4. Estava muito confusa sobre o que estar,e esse texto me ajudou muito. Gostaria de lecionar após a faculdade, mas não encontro lugar algum que informe quais matérias posso ensinar.Se souber me falar agradeceria muito!

  5. Tenho 20 anos e estudo Sistemas da Informação na UMESP, sempre tive o interesse em cursar Ciências Sociais porém acabei ingressando em um curso relacionado a TI por já estar atuando na área. Hoje curso o 4º semestre e me sinto arrependido por não ter cursado logo de cara o que eu queria, fui analisar o curso de CS na UMESP e é licenciatura com 4 anos de duração, não sei se é a melhor opção, pois faculdades que oferecem bacharelado somente federais e de difícil acesso. A UFABC possui o curso Bacharelado em Ciências e Humanidades como curso de ingresso, que depois é direcionado a Bacharelado em Filosofia, Ciências Econômicas ou Políticas Públicas. Estou em dúvida se vale a pena tentar um bacharelado ou se é melhor cursar licenciatura na UMESP.

  6. Incrivelmente satisfatório e bem escrito! Obrigado Leonardo, precisava ouvir msm em escrito tudo isso.

  7. Maravilhoso o texto; começo a cursar CS agora no segundo semestre; a dedicação será se corpo e alma.
    Parabéns pelo texto

  8. Muito bom o texto; tudo que eu precisava ouvir . Começo agora neste 2º semestre a cursar CS; vou me dedicar de corpo e alma; pretendo desenvolver trabalhos na área de ciência politica.
    parabéns pelo texto!!!

  9. Agradeço imensamente por este texto incrível.
    Tenho uma dúvida e gostaria muito do esclarecimento de alguém. Irei começar a faculdade de ciências sociais mês que vem em SP, mas lá é licenciatura e três anos, isso seria ruim? Penso em tentar transferência para uma publica futuramente que dizem ser a melhor aqui e é bacharelado e licenciatura, mas caso não de certo já estou cursando. Mas fiquei com essa duvida referente ao curso. Me esclareçam por favor.

    • Giuliana, o fato de ser licenciatura não é ruim por si só, a única coisa é que, teoricamente, essa formação te habilita apenas para ser professora do ensino básico. E três anos pra uma licenciatura é um tempo razoável, não acho que o curso seja ruim por isso. Mas, se vc conseguir uma vaga em um curso que ofereça tanto o bacharelado quanto a licenciatura, seria uma ampliação em sua formação e em suas possibilidades profissionais. Boa sorte!

  10. minha mãe me mandou esse texto e de alguma maneira ler isso fez ela entender melhor o por quê da minha vontade de cursar sociais! parabéns pelo texto! fantástico !

  11. Olá. Estou pensando em cursar ciências sociais. Dizem que no meio do curso, se divide entre sociologia e antropologia, é verdade? Aliás, ótimo texto.

    • O curso de Ciências Sociais concentra-se em três áreas: Sociologia, Antropologia e Ciência Política, não há separação durante o curso. O que há é maior ou menor identificação com uma ou mais das áreas. Abraços

  12. Uau, era tudo que eu precisava ouvir/saber. Tenho 17 anos passei pra CS, pq sabe-se lá por que cargas d’água, razões, decisões ou motivações eu escolhi esse curso.

  13. Bom, concordo com muito do que os amigos disseram.
    Tenho 50 anos e começo meu curso agora em fevereiro.
    Adorei o texto e ha muito tenho em mente cursar CS, e chegou o momento.
    Parabens.

  14. Muito bom, Parabens, isso aconteceu comigo, sou bacharel em Servico Social e a partir da minha inquietacao e perspectivas de mercado de trabalho, resolvi produzir artigo sobre todos os minhas duvidas sobre essa profissao, com unico objetivo, proporcionar para futuros academicos em Servico material para subsidiar na escolha de uma profissao. ” O mercado de Trabalho para Assistentes Sociais Masculino no Estado do Amazonas” publiquei na SBPC 2009

  15. Post genial, mostra o quanto é maravilhoso o curso de ciências sociais , você que esta na duvida em fazer curso de ciências sociais ! ? Não temas , sua visão de mundo vai mudar a tal forma que nunca mas terá certos conceitos do senso comum , passara por uma mudança que a sociedade alienada e alienante tenta nos mostrar sua verdade absoluta !! Mas o curso de ciências sociais vai gerar muitos questionamentos , até mesmo sobre suas crenças e crédulos, aumentara sua tolerância ao contraditório e creio que você não será mais a mesma pessoa , após passar por uma alquimia de ideias e questionamentos vivenciados ao decorrer do curso !! Eu digo a todos que estão querendo ingressar no curso de ciencias sociais venham ter esas experiencia única onde acontecerá quebra de paradigmas e saberá que no final valeu a pena ter feito este fantástico curso!!

  16. Nossa realmente surpreendente, o quanto ele foi genial em sua colocação referente ao curso de ciências sociais , parabéns ! A reflexão causada com este post é de tirar o chapéu, tudo com muita coerência e fino trato com as palavras , sem se quer fazer um discurso academicista !! Isso só comprova o quanto é maravilhoso o curso de ciências sociais e o quanto agrega valores intelectuais em sua vida , causando uma alquimia de valores em todos os aspectos , abrindo espaço para o contraditório e saber que a verdade ela é subjetiva a medida do olhar do próximo e suas crenças e dilemas que carregam ao decorrer da sua vida …

  17. Legal o texto. Só não ache que vai encontrar trabalho. Não existe ninguém que contrate um sociólogo, antropólogo ou cientista político. Não há vagas. Não existem concursos públicos. FUJA DISSO! Não seja um desempregado com nível superior!

  18. Não havia encontrado uma descrição tão boa quanto a sua em nenhum lugar !
    Desde a primeira aula de sociologia que assisti sabia que era isso que me instigava. Fui aprovado no curso de Ciências Sociais em uma universidade federal a poucos dias e estou ansioso para começar. Seu texto caiu como uma luva, em meio as diversas inseguranças características deste curso “alternativo” foi bom saber que existem muitos “revolucionários malucos” por aí que também compartilham esses sentimentos.
    Os benefícios intelectuais que ganharei com este curso compensarão a injusta desvalorização financeira de mercado desse ramo.
    Obrigado e um abraço a todos futuros antropólogos, sociólogos e cientistas políticos que comentaram esse post.

  19. Muito bom o texto. Sempre tive interesse em filosofia e ciências sociais, mas, por medo, acabei optando por um curso técnico em mecânica: foi a minha pior escolha. Não conseguia entender e nem mesmo tinha interesse em aprender as matérias. Do ano passado para cá, retomei os laços com essas minhas paixões ao adquirir um livro de filosofia que estava em promoção. De lá para cá, me matriculei num curso de Ciências Sociais e estou aguardando o início das aulas ansiosamente. Enquanto não começa, analiso cenários políticos e econômicos, faço “estudos” sobre movimentos sociais e fotografo algumas manifestações. Baseado nessas minhas experiências, o melhor conselho que eu posso dar é que jamais se deve fazer um curso esperando retorno financeiro. Se tem um sonho, uma paixão, siga o sonho e deixe a paixão te consumir. É a melhor forma de extasiar-se de satisfação e felicidade.

  20. Muito obrigada por ter dedicado algum tempo de sua vida para escrever esse texto. Me fez transformar várias incertezas em certezas. Beijos.

  21. Ola, tenho 17 anos e estou em grande dúvida sobre o que vou cursar ano que vem. Sempre tive muita vontade de dar aulas no ensino médio, a área de humanas sempre foi uma grande paixão minha, desde pequena leio livros de filosofia e outros do gênero. Passei uma boa parte da minha vida tendo muita certeza de que queria fazer Letras, já que amo escrever (músicas, poemas, romances, contos, escrevo de tudo) e tenho muita vontade de lançar livros. Porém agora que estou pesquisando a fundo como funciona cada curso, não me sinto atraída pela possibilidade de passar quatro anos estudando linguagem e literatura. O curso de Ciências Sociais parece tão mais rico em conhecimento para mim do que Letras, e isso tem me causado uma dúvida enorme. Devo dar aulas de português ou sociologia? Devo escolher o curso pela graduação ou pelo que ele terá a me acrescentar?

    • Amanda, apenas uma opinião pessoal: faça o curso pelo que ele pode te acrescentar. Além disso, o curso de CS também te ajudaria inclusive em sua escrita, ainda que não científica, mas literária; contextualizar socialmente uma trama, afinal, é parte essencial de qualquer narrativa. Mas não quero puxar demais a sardinha pra Sociais, tenho certeza que vc, com a convicção que demonstra, irá se dar bem em qualquer uma das opções. Boa sorte!

  22. Valeu mano. Sou angolano e, estou fora da escola faz muito tempo. Resolvi voltar a estudar aos 38 anos e, fiquei longos meses a tentar compreender o fazer ou seja seguir, para licenciatura. Só hoje é em uma bela madrugada, resolvi quê devo fazer ciências sociais. Tudo porque tenho um grande interesse em entender os fenómenos sociais e, quase todo mundo me aconselhou a fazer… então fui buscar um pouco mais sobre ela, tentar entender e depois de ler o seu artigo, apaixonei-me por ciências sociais. É realmente estranho ter orgulho por alguém que não conhecemos. Valeu cara, você me guiou.

    • Estou quase concluindo o curso de ciência é sim um curso maravilhoso, intenso, porém aos que desejam cursar esse curso não entre pensando que é fácil, muito pelo contrário, requer muita dedicação e cargas pesadas de leitura, muita leitura, e se você for do tipo conservador prepare-se pra bater de frente com professores muitas vezes marxistas, no entanto, é um curso que que te abre o leque amplo sobre como olhar a realidade social.

  23. Meus sinceros Parabéns!! Texto simplesmente magnífico. Fiquei encantada com sua definição do curso. Tenho 16 anos e estou cursando o 3º ano do Ensino Médio. Eu descobri meu interesse por história pouco tempo atrás e estou procurando por um curso que me ofereça um amplo espaço profissional. Ciências Sociais realmente chamou minha atenção e através do seu texto afirmo ter encontrado meu curso. Excelente! Obrigada!

  24. Parabéns, esse texto é tão esclarecedor e motivador, que me impulsionam a me matricular em Ciências Sociais na Faculdade. Sempre sonhei com a Sociologia, mas, sempre tive muito medo em fazer esta faculdade por achar que não iria dar conta ou com medo de ser apenas uma modinha. Me matriculei em Serviço Social, que também gosto, mas falta o algo mais das Ciências Sociais, o pensar mais crítico, o amor pela matéria em questão.

  25. Cara, parabéns! É engraçada a sensação de orgulho por um desconhecido… Porém o que você faz, os seus ideais são realmente o que move todo um país. Jovens como você, que buscam de alguma maneira se identificar com os que nada têm, ou quem têm muito pouco, estão em extinção. Não só isso, mas que buscam a democratização, e justiça. Isso é bonito demais. É bonito demais! Como futura bicho-grilo, quis vir aqui te parabenizar! Voa!

  26. o que acontece com a àgua quando colocamos ela num copo com agua e tapamos com uma folha de papel e viramos o copo

  27. Leonardo, parabéns pelo teu trabalho. Ciências Sociais é uma das graduações que pretendo fazer na minha carreira acadêmica.
    Vou deixar como site um assunto que escrevi quando eu tinha 15 anos-(hoje tenho 17) sobre os atentados de 11 de Setembro. É certo que as bases que escrevi acerca deste assunto são no minimo equivocadas porém, a partir deste tema descobri uma certa vocação para o âmbito social.

  28. Boa noite !
    Gostaria de saber quem se forma em serviço social pode dar aula de sociologia e filosofia …

  29. Ótimo texto, ainda estou cursando o ensino médio e cada vez mais sinto que quero fazer ciências sociais e graças ao seu texto que descreveu de maneira bem vivida para mim o curso fico cada vez mais ansioso.

  30. Olá! Tenho 17 anos e estou no último ano do ensino médio. Estou exatamente com aquele mar de dúvidas sobre o que cursar, com o terrível medo de fazer a escolha errada, ou até mesmo o típico “não são boa em nada”. O que faz o curso de Ciências Sociais ser uma das minhas primeiras opções são as matérias de Sociologia. Desde o primeiro ano do ensino médio fiquei fascinada com pensamentos e como a sociedade é muito mais ampla e repleta de opiniões opostas do que eu poderia imaginar. Sem dúvidas, após cada aula sobre tal matéria, eu saio com uma visão mais ampla, fazendo com que eu veja o mundo de uma forma que eu jamais imaginaria. Durante as aulas eu sempre participo dos debates, sempre gosto de expor meu ponto de vista e ouvir o de meus colegas (embora eles, na maioria das vezes, não concordem com meu ponto de vista, rs). O texto está incrível, me ajudou a esclarecer muitas dúvidas e me fez ter ainda mais certeza de que é isso que eu quero pra mim. E mais uma vez: o texto está excelente, parabéns!

  31. Belo escrito. Sinta-se parabenizado por mim. Infelizmente, um mestrado se revela (por ora) uma opção distante de minha pessoa por conta da necessidade de dedicação integral à profissão. Profissão militar, o que por si só traz consigo uma potencialidade de choque com esta área do conhecimento. Como digo a meus colegas: “Procurem complementaridades, ao invés de “divergências academicistas”. Mas isto é um outro assunto.
    Reitero o elogio. Um abraço!
    Gerson Delgado Barros – Acadêmico CiSo / UFSM

  32. Ótimo texto, parabéns! Pretendo tentar vestibular para ciências sociais, embora ainda esteja num mar de dúvidas. Foi realmente estimulante ler algo tão realista e claro. Ajudou, obrigada!

  33. Primeiramente este texto ficou ótimo! Sou aluna de ciencias sociais da uff e o que me levou á fazer este curso foi simplesmente a falta de um conhecimento mais profundo sobre a sociedade e por sempre ter querido ser algo que não fosse encontrado em qualquer lugar. Hoje como graduanda. inserida em ṕesquisa e tudo mais, vejo o quanto este curso já toma conta da minha vida… quando converso com os amigos, quando estou bebendo, comendo..tudo é agora motivo de reflexão.. sou da licenciatura porque também sempre fui apaixonada pela temática da educação e por sempre ter gostado de ensinar..consegui juntar coisas maravilhosas… hoje já consigo ter um sonho de mestrado, doutorado mais perto do que imaginava..hoje posso dizer que estas ciencias estão me preparando a cada dia mais pra vida intelectual. Possuo um imenso orgulho de dizer que curso ciencias sociais..mesmo enfrentando as barreiras de ter que responder qual a diferença de ciencias sociais e serviço social..rsrs Mas deixo essa pra voce responder ao colega Henrique! Rs.. Parabéns colega cientista!

  34. Obrigado pelo retorno, Natanael, Luis e Henrique Pires. Também aproveito o espaço para agradecer aos estudantes de ensino médio e aos graduados em outras áreas (História, Geografia,…) que me enviaram e-mail. Não imaginei que o alcance seria tão grande. Percebi que há muito interesse sobre questões específicas a respeito da atuação de um cientista social e outros temas diversos. Muita gente se identificou com o texto. Fiquei muito tocado com isso também. Eu escrevi esse texto como um espécie de relato pessoal sobre a importância dessa escolha para a minha vida, em todos os sentidos.
    Eu coloquei essa questão da diferença entre Serviço Social e Ciências Sociais porque na época em que fiz graduação muitos alunos tinham dúvida sobre isso. Mas, assim, quem faz Serviço Social, de modo geral, atua como Assistente Social. Desde 2003 para cá, muita coisa mudou nesse campo. Hoje a Assistência Social ganha contornos objetivos de política pública (a implementação do SUAS é um exemplo disso). Antes, o profissional que se formava nessa área era muito confundido com práticas que eram percebidas como assistencialismo. Atualmente esse campo de atuação profissional e a sua formação acadêmica passam por mudanças significativas. Muitas pesquisas interessantes são feitas na área de Serviço Social.

  35. Muito bom texto, sem dúvida, quaisquer tenham sido os motivos que levam à escolha das Ciências Sociais, ao final dessa trajetória não somos os mesmos! E, mais importante, a vontade de aprender não vai embora nunca mais! Parabéns pelo texto, excelente!

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