Pais superprotetores criam filhos inseguros

cordeiroSUZI MARIA NUNES CORDEIRO*

Um certo número de crianças parecem inseguras, principalmente no período da  Educação Infantil. O que pode estar por trás desta timidez e o que a insegurança pode causar ao longo da vida da criança?

Quando nos propomos investigar as causas deste empecilho infantil, levantamos a hipótese que tal insegurança poderia ser decorrente de como tais crianças são educadas pela família superprotetora, possessiva ou repressora. Martin Herbert (1991), em seu texto “Convivendo com adolescentes”, explica que o posicionamento dos pais na educação dos filhos podem ocupar dois extremos: por um lado, serem excessivamente amorosos e, por outro, serem ou pais possessivos e superprotetores, ou pais indiferentes ou que até rejeitam um ou outro filho. Evidentemente parece ser praticamente impossível encontrarmos pais na medida certa, que sabem equilibrar carinho, proteção com assertividade no ato educativo. Contudo, paira a suspeita que filhos que se comportam de modo dependente, passivo e submisso provavelmente tem convívio asfixiante com pais com as característica acima indicadas.

Há diferentes razões para os responsáveis tomarem essa atitude ao educar as crianças. Segundo Macedo e Sandoval (2010)[1], em nosso país

[…] os [pais] superprotetores temem, sobretudo, o risco de sequestros, assaltos e acidentes e a oferta abundante e livre de álcool e drogas. Há, no entanto, um limite entre a preocupação aceitável e a excessiva, que pode fazer mais mal do que bem a uma criança ou adolescente. (MACEDO; SANDOVAL, 2010, p. 03)

A superproteção pode se tornar um bloqueio para a aprendizagem e desenvolvimento de seus filhos. De acordo com a Folha de S. Paulo (2010), pesquisas como a de Kosuke Narita realizadas no Japão, apontam que pais superprotetores  podem provocar uma reduzida velocidade de crescimento no cérebro.

Crianças na faixa de 02 a 07 anos, principalmente, estão na fase de descobrir, subir, descer, correr, pular, em poucas palavras, exploram melhor o mundo em que vivem. Portanto, é necessário que a educação familiar se dê o mínimo de liberdade para que os filhos realizem as atividades lúdicas e escolares com certa autonomia e liberdade. Porém, não é fácil para alguns pais/responsáveis permitirem que as crianças explorem o mundo por si próprias, pois na menor das hipóteses podem acabar caindo e se machucando gravemente. Portanto, a solução encontrada pelos mesmos é de não permitir que seus filhos “descubram o mundo”. O que para eles significa proteção, para a criança resulta, além de frustração, em problemas no desenvolvimento social, física e até psiquicamente.

Quando os pais/responsáveis protegem demais, tendem passar insegurança para os filhos pequenos, o que resulta déficits no seu modo de se relacionar com pessoas e experimentar viver plenamente as possibilidades que o mundo oferece. Parece que a timidez tem como causa a repressão e a asfixia da educação familiar. Além disso, encontramos em crianças superprotegidas a perda de autonomia, medo de enfrentar situações diferenciadas daquelas do cotidiano, falta de iniciativa, reclusão, distanciamento da realidade, dentre outras características.

No capítulo “Teoria geral das neuroses”[2] escrito por Freud nos primórdios da psicanálise, verificamos que atribuiu às neuroses dos adultos aos  traumas infantis, sendo que a extensão dos danos deles decorrentes variava de acordo com a vulnerabilidade de cada indivíduo.

De acordo com uma matéria, de 2012, da revista “Isto É”[3] que abordou sobre este tema:

O maior problema dos pais superprotetores é reconhecer que eles podem estar falhando no processo de aprendizagem do filho. Em geral, não percebem que, ao tentar fazer de tudo pela criança, estão evitando que ela aprenda a lidar com as próprias frustrações. E isso é fundamental no processo de crescimento e desenvolvimento do caráter e da personalidade. (Isto É, setembro/outubro de 2001)

Não pedimos que os pais se tornem liberais e permissivos, e deixem seus filhos soltos no mundo tão complexo e de alto risco de nossa época, o que seria insensato, porém, é necessário permitir aos filhos brincarem, experimentarem o mundo, que na infância é tão pequeno e tão simples. Por exemplo, brincar é uma atividade que naturalmente demanda liberdade e autonomia da criança, mas esta liberdade e autonomia também precisam  cumprir regras. Aprender a brincar ou jogar, tem o poder de expandir a  imaginação de cada criança.

Ao deixar as crianças correrem, pularem, observar e até levarem um pequeno tombo e se levantarem, se proporciona momentos de desenvolvimento e aprendizagem que permitirão seu filho se tornar um aluno muito mais esperto do que aquele que vive em uma redoma de vidro, pois a curiosidade estará presente e resultará em conhecimento, enquanto aquele inseguro terá medo de descobrir o que há no mundo.


* SUZY MARIA NUNES CORDEIRO é graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Maringá- UEM (2011). Atualmente cursa o último ano de Psicopedagogia Clínica e Institucional na mesma instituição. É professora da Educação Infantil no Colégio Santo Inácio (Maringá). Contato: suzynunes_@hotmail.com

[1] Para mais informações consulte: MACEDO, Daniela; SANDOVAL, Gabriella. Excesso de proteção faz mal ao seu filho. Disponível em: http://www.coleguium.com.br/arquivos/guia/pb_junho_10.pdf. Acesso em: 10 de Agosto de 2013.

[2] Consulte: FREUD, Sigmund. Teoria geral das neuroses. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago; 1976. vol. 16. p. 289-539.

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16 comentários sobre “Pais superprotetores criam filhos inseguros

  1. os meus pais querem que eu seja tipo um doente mental inclusivo na sociedade, me socializando com um sorriso no rosto e sendo alguém especial aceito pelos outros, com amizades falsas de falsas de pessoas que só iriam fazer bullying comigo e me humilhar. Ja que me isolo a anos, aí eles me veem como doente que naõ ta curado, que não ta adiantando o tratamento e por isso me internaram duas vezes.

  2. Eu não consigo mais viver a realidade, pois tenho muito medo de morrer. Pra mim é melhor viver uma fantasia. Tenho pais repressores, que ja me internaram duas vezes e me forçam a tomar remedio.

  3. no caso da angela, ela também exagerou demais, infelizmente os pais dessa geração são “8 ou 80” ou liberam demais ou prendem demais, muitos confundem superproteção com a proteção normal, mas são coisas totalmente diferentes. antigamente, as chances de alguém ser superprotegido eram bem menores, pois antigamente não havia os mesmos “confortos” da vida moderna. os pais de hoje querem fazer seus filhos pensarem que a vida é fácil e que todo mundo vai dizer sim para seus desejos, o que isso só é uma ilusão, porque o mundo não tem dó de ninguém e o que os pais não quiseram ensinar o mundo ensina, mesmo que isso demore…

    • Acredito que a educação seja, cada vez mais, um processo complicado. No âmbito familiar isso não é diferente, pois o que os pais precisam hoje em dia é de uma ajuda para educar seus próprios filhos.

      Vejamos, não podemos comparar a educação de antigamente com a de hoje. A sociedade, o contexto e as necessidades eram totalmente diferentes.

      Dentre as mudanças estão: a eliminação das punições abusivas como “surras”, com a ajuda de leis; a proibição do trabalho infantil; dentre outras que vieram a somar para o bem-estar das nossas crianças e adolescentes.

      Isso de certa forma causa confusão entre as gerações. A forma de educar passada de uma para outra vem mudando constantemente em um ritmo acelerado e uma das consequências dessas mudanças constantes é a superproteção.

      Por isso precisamos ver esses pais como pessoas que precisam de ajuda, também. Apesar de ser um erro superproteger alguém, muitos não fazem por mal, pois veem essa atitude como um ato de proteção e de amor, ainda que seja um amor que sufoca.

      Vamos olhar para esses pais como pessoas que precisam de ajudar, ajudar se possível e não criticar, apenas, de forma abrupta.

  4. eu recebi superproteção dos meus pais, meus pais eram do tipo que faziam tudo por mim, me davam mimos, não deixavam eu me virar sozinho e etc. resultado: acabei chegando na fase adulta “sem rumo”. até hoje não consegui entrar na faculdade e ainda acho que foi consequência dessa superproteção que me deram, acredito que isso me fez ter fobia social, complexo de inferioridade e ter mais tendência à depressão, ansiedade e etc, até eles reclamam de eu ser assim. Já tenho 23 anos e ainda não consegui mudar o meu jeito, acredito que se eu mudar, não vai ser muita coisa, pois nessa idade já se tem o caráter formado.

    • Olá!

      A superproteção de fato traz muitas implicações na vida social, afetiva e até cognitiva de quem recebe essa educação. Mas não devemos deixar que esses impactos sejam maiores do que nós, do que nossas vontades e nossas capacidades.

      As vezes, independentemente se fomos superprotegidos ou não, nossas inseguranças nos travam, nos deixando impossibilitados de conquistar nossos objetivos: profissionais, pessoais e/ou acadêmicos. Não pode!

      Olhe para si e reconheça suas capacidades e siga em frente, corra atrás do que quer e se precisar de ajuda, busque a ajuda necessária, pois isso não é um fracasso, mas sim, um avanço.

  5. Esperem ser pais para ver a mudança de idéia , sou mãe de uma adolescente de 15 anos e dei liberdade até para estudar em outro município e morar em república , confesso que só tenho decepção , dei pra ela a liberdade que não tive e ja me arrependi .lamento não te-la tratado como minha mãe me tratou na base do cabresto.

  6. EU SEI COMO É, TENHO PAIS ASSIM, E QUE ACREDITAM QUE NÃO SOMOS(EU E MINHA IRMÃ) CAPAZES DE FAZER NADA, EU ESTOU ENFRENTANDO PROBLEMAS SÉRIOS PSICOLOGICAMENTE, ME SINTO INSEGURA, INCAPAZ, E CHEIAS DE MEDO, NÃO SOU UMA PESSOA POSITIVA, E SEI QUE ISSO É RUIM, É HORRÍVEL PARA TUDO, NO EMPREGO, CURSOS, PRA TUDO, E PARECE QUE POR MAIS QUE EU FAÇA NÃO CONSIGO AGRADÁ-LOS.

    • Olá Paloma, deve ser muito difícil para você e sua irmã. Mas o ponto positivo é que você tem consciência e sabe de onde vem essa insegurança. Com isso você pode fazer um trabalho de autoanálise e perceber do que é capaz e se libertar da superproteção de sua mãe. A ajuda psicológica também é bem vinda pois oferece um auxílio para nortear esse caminho de autoanálise.

  7. Uma outra dica filmos de pais superprotetores confia em deus por que ele que e a chave para suas felicidades e ele justo ora sempre e pede ele por que ele vao saber a sua tristeza tenha fe em deus deus e contra a injustica beijos e ficam com deus se precisarem da minha ajuda aki esta meu numero ..93549352 brasil bh

  8. Aki pais superprotetores uma dica confia e deixa seus filhos aprederam como a vida e de verdade da liberdade pelo menos um pouco por que se nao vao perder seus filhos e eles nao vao querer sabe de voces fica a dica manes …

  9. Eu odeio pais assim dinimui o celebro dos seus filhos voces sao cegos aprenda inxegar isso olha como estao criando seus filhos despreparados para o fulturo que vergonha de voces aprenda a da liberdade para seus filhos

  10. Muito obrigada pelo comentário Raymundo. Gosteis das contribuições e concordo, principalmente com o fato de que já temos nas universidades o fruto dessa educação familiar que não podemos desvincular de nossa real sociedade, como você bem nos lembrou. Agradeço também pelo incentivo.

  11. COMENTÁRIO INSPIRADO NO TEXTO DA SUZY: A superproteção dos pais aos filhos é um fenômeno bem recente na humanidade. Ela coincide com a tendência do mundo ocidental de dois filhos por casal ou da imposição do Estado chinês de “cada casal um filho”. Na China, queixas surgem para com a geração de “novos imperadores” que mandam nos pais e tendem a obesidade.

    No mundo ocidental foi produzido o reality shown televisivo Super Nanny, que visa “trabalhar” pais errados para melhor [re]educar os filhos próximos a delinquência. Coincide tb a superproteção com a farta alimentação [supermercados] e demais bugigangas que empanturram o imaginário da criança e do adolescente. Enfim, a superproteção além de ser um fenômeno psicológico relacionado a pais e filhos, também é um fenômeno sociológico e antropológico de nossa época “liquida”.

    Já temos esta geração chegando a universidade, com todo direito de usar notebooks, tablets, celulares, dormir, cochichar, vale-tudo para driblar as aulas que eles acham chatas ou sabotar o trabalho do professor. Já temos esta geração de jovens mimados saindo por ai pichando, depredando, roubando roupas de griffe, portanto, se valendo apenas de atos – não de argumentos elaborados no sentido da política eficaz. Ora, atos sem “palavras com sentido” é próprio de psicóticos e perversos. Um perverso é puro ato. Seu ensaio refere as neuroses proposto por Freud, bem lembrado. Seria menos pior termos uma nova geração de neuróticos do que uma nova geração de perversos ou psicóticos. Suspeito que pais superprotetores, no fundo, sejam pais permissivos e indiferentes para o sentido de “justa medida” aristotélico. Ou seja, a educação convive com extremos: indiferença/abandono/negligência e superproteção/mimos/liberalidade/permissividade. Vale-tudo para mostrar para os outros e para si próprio que não somos “pais autoritários” (pior “pai-patriarcal) objeto inquisitorial da pósmodernidade. Parabéns pelo texto. Continue escrevendo e publicando.

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