O ensino da Teoria da Evolução e os criacionistas – notas para comentar o filme “O vento será tua herança”

RAYMUNDO DE LIMA*

Clipboard01“El sueño de la razón produce monstruos”[1]

A historiadora das religiões Karen Armstrong em seu livro “Em nome de Deus” (2001) relata que: “Em 1920, o político democrata e presbítero Willian J. Bryan [1860-1925] lançou uma cruzada contra o ensino da teoria da evolução nas escolas e faculdades. Achava que o responsável pelas atrocidades da 1a. Guerra Mundial fora o darwinismo”.

Esse pseudo-argumento contra a teoria de Darwin seria reaproveitado após a 2a. Guerra Mundial, com a revelação do holocausto dos judeus e a divulgação de que os nazistas tinham intenção de realizar uma “seleção da sociedade” fundado no arianismo; desse modo, “o darwinismo teria influenciado diretamente o militarismo alemão e a decisão da Alemanha declarar guerra” (ARMSTRONG, op. cit., p. 203).

Desde os anos 1920, os fundamentalistas[2] – termo originariamente dirigido aos cristãos presbiterianos, que definia cinco dogmas religiosos fundamentais pelos presbiterianos, em 1915 – temendo que o darwinismo levasse os jovens a perderem sua fé em Deus, na Bíblia, ou na doutrina ‘fundamental’ do cristianismo, vem criando mecanismos legais proibindo o ensino da Teoria da Evolução nos estados norte-americanos da Flórida, Mississipi, Louisiana e Arkansas etc.

Foi no Tennessee, na cidade de Dayton, que um jovem professor, John Scopes, confessou ter infringido a lei numa aula de biologia, atitude que o levaria ser símbolo em favor da liberdade de expressão e da evocação da Primeira Emenda da constituição dos Estados Unidos. Em julho de 1925, o professor Scopes foi levado a julgamento, e em sua defesa criou-se uma sociedade, a American Civil Liberties Union (ACLU), que enviou uma equipe de advogados encabeçada pelo racionalista Clarence Darrow [1857-1938]. A pedido dos fundamentalistas cristãos, Willian J. Bryan concordou em defender a “sua” lei. Segundo Armstrong (ibid.), o julgamento extrapolou o âmbito das liberdades civis e assumiu a dimensão de um embate entre Deus e a ciência, com grande repercussão nos jornais e rádios. Dos 12 jurados, 11 eram fundamentalistas, um era analfabeto, e nem um deles sabia qualquer coisa sobre ciência ou evolução (apud Hellman, 1999). Era um julgamento cuja sentença já se sabia a priori. Essa história também é contada nas três versões dos filmes Inherit the Wind.[3]

O jornalista mais influente da época H. L. Mencken – que aparece no filme sempre ironizando e debochando dos criacionistas – escreveu que, apesar de Scopes ter sido condenado, venceu o pensamento claro e racional de Darrow que soube derrotar o “paranóico” Bryan, representante do obscurantismo fundamentalista cristão que, por exemplo, achava que o mundo tinha apenas 6 mil anos de existência. Após o julgamento, Mencken continuou denunciando os fundamentalistas como “o flagelo da nação” e “inimigos da ciência e do progresso da humanidade”.

Neil Postman em Tecnopólio (1994, p. 58) compara o julgamento ‘de brincadeira’ de Scopes ao julgamento de Galileu. Guardado as devidas proporções em termos de virada na história da ciência, tanto o julgamento de Scopes como de Galileu são expressões de uma luta apaixonada entre duas tendências entre a ciência e a fé, entre os que sustentavam a validade de um sistema de crença, cuja origem de tudo estava escrito na Bíblia – “na palavra de Deus” – ameaçada pelas novas ideias levantadas pela ciência. Em ambos estão em jogo duas visões de mundo opostas que se enfrentam, cara a cara, em conflito aberto, instrumentalizadas em palavras e atos.

Todavia, segundo Postman, existe algo paradoxal presente no movimento fundamentalista cristão, no julgamento de Scopes. Escreve: “Quase setenta anos depois, não é impróprio dizer uma palavra em defesa deles: aqueles ‘fundamentalistas’ não eram ignorantes nem indiferentes aos benefícios da ciência e da tecnologia. Tinham automóveis, eletricidade e roupas feitas à máquina. Usavam a telegrafia e o rádio, e entre eles havia homens que poderiam ser chamados, com razão, de cientistas reputados. Estavam ansiosos para compartilhar das dádivas da tecnocracia americana, ao que vale dizer que não eram nem luddites nem primitivos. O que os preocupava era o assalto que a ciência fez na história antiga, na qual nasceu seu senso de ordem moral. A batalha estabeleceu a questão, de uma vez por todas: da definição de verdade, a grande narrativa da ciência indutiva assume precedência sobre a grande narrativa do Gênesis, e aqueles que não concordam devem permanecer na contracorrente intelectual”.

Criacionistas nas políticas de ensino

Revogadas as leis de inspiração religiosa fundamentalismo cristão evangélico, a nova estratégia dos criacionistas consistia em infiltrar seus adeptos nos Conselhos[4] das escolas ou assediando os professores de biologia e textos didáticos para prevalecer sua doutrina ou suprimir as ideias evolucionistas. Sistematicamente eles pregam slogans: “aceitar a Teoria da Evolução é abandonar Cristo”, “o homem não veio do macaco”. Taticamente, eles ocupam espaços da mídia (rádios, televisão, Internet, imprensa escrita), onde associam Darwin ao diabo, e fazem uso de estratagemas retóricos para boicotar o ensino da teoria da evolução, e as demais teorias consideradas produtos do agnosticismo.

A Creation Research Society, fundada em 1963, toma a linha de frente das organizações criacionistas e consegue aprovar em algumas leis, por exemplo, uma que exige nos livros escolares a advertência de que “a origem e criação do homem e seu mundo não é um fato científico”. A Bíblia era designada, uma vez mais, como texto de referência. A Associação Nacional do Professores de Biologia recorre e vence na Suprema Corte, em 1968 (TAMBOSI, 1999).

Em Grantsburg, Wisconsin um comitê “revisou” o currículo para ensinar “modelos científicos diversos de teorias da origem da vida”. Fazendo mal uso do termo “paradigma” de Thomas Khun, os criacionistas consideram a teoria da evolução um mero paradigma a ser superado por outra teoria. Essa tática aparentemente simples tenta elevar o criacionismo ao status de ciência, e justifica o direito de ser ensinada nas escolas nas disciplinas de ciências, história, antropologia.[5] Em algumas regiões dos Estados Unidos, por iniciativa da direção da escola ou dos comitês fundamentalistas os livros escolares contêm uma tarja com a inscrição “evolução é uma teoria, não um fato”.

O criacionismo com outro nome “Intelligent Design”

Como os criacionistas não conseguiram banir a teoria da evolução das escolas e da mídia, sua mais recente investida está na invenção do que eles consideram “uma nova teoria”: a Teoria do Design Inteligente (“Intelligent Design Theory”). Nela, fazem uso de uma linguagem como se fosse “ciência”: “ciência da criação”, “criacionismo científico”, “nova teoria da criação”.  Promovendo um intenso marketing e até “debates” supostamente científicos (na verdade pregações religiosas), convidando especialistas anti-evolucionistas como Duane Gish – um PhD em bioquímica – os ‘novos’ criacionistas reivindicam o mesmo espaço reservado à “ciência da evolução”, e, ao mesmo tempo, o CSRC desenvolve campanhas em que atribui ao evolucionismo a “decadência moral dos valores espirituais”, a “destruição da saúde mental” e o aumento dos divórcios, do aborto e, até, das “doenças venéreas”! (R. Numbers).

Segundo esse ponto de vista, a vida é tão complexa que sua origem só poderia ser dirigida por um ator sobrenatural. Deus criou o universo do nada (ex nihilo), isto é, criou-o sem matéria preexistente, e também teria daí criado uma alma imortal para o indivíduo.

Para alguns analistas, o Intelligent design exerce uma dupla função: no campo cientifico e no campo do ensino escolar. No campo científico, sua influência inclui desde o reconhecimento de ser também “ciência”, como até mesmo um ou outro membro da seita merecer o Premio Nobel por alguma descoberta (Cf.: COLUCCI, 2003).[6] Contra a laicização do ensino público e particular, seus agentes trabalham com o objetivo influenciar o conteúdo dos livros didáticos, tanto fazendo uso dos mecanismos de censura dirigido à teoria da evolução, como apontando “furos” nessa teoria; muitas vezes, seus agentes distorcem algumas ideias dos epistemologistas visando incluir Intelligent design como teoria científica. Conforme foi dito acima, a estratégia de ação dos criacionistas hoje está voltada para o reconhecimento do suposto “novo” paradigma, i.é, como se o Intelligent design fosse “ciência”. Esse reconhecimento formal dos cientistas genuínos abriria as portas para Intelligent design ser ensinado[7] nas disciplinas científicas escolares, e não ficar restrita ao ensino religioso.[8]

Para além do ensino

A partir do governo Ronald Reagan os grupos de extrema direita como a Identidade Cristã se sentem reforçados para agirem para além do âmbito do ensino. Ou seja, a oposição agressiva dos fundamentalistas evangélicos extrapola o debate entre criacionismo e darwinismo, por exemplo, fazem oposição cerrada ao marxismo e a psicanálise[9], condenam o homossexualismo e o aborto, e exercem forte influência por uma legislação contra a pornografia e outras práticas consideradas imorais. Os membros mais raivosos se sentem autorizados a impedir mulheres de fazerem abortos em clínicas legalizadas, ou destruí-las com por meio de incêndios, bem como também perseguem e espancam homossexuais etc. Esses efeitos ainda são noticiados pela imprensa.

Apesar de caminharem contra os avanços científicos – mas não os avanços tecnológicos, como sinaliza Postmam, acima – o movimento criacionista conquistou um considerável espaço político no governo G. W. Bush, um cristão “renascido”, cujo discurso ganhou status de doutrina geopolítica contra o fundamentalismo islâmico. Com essa doutrina são justificadas, por exemplo, a crença de que o governo Bush é agente do “bem” contra o “mal”, e o apoio dogmático a Israel, considerado o país do “bem”, mas manifestam a expectativa de o próprio um dia também se converter em cristão “renascido”.

Após os ataques de 11 de setembro de 2001, a tendência fundamentalista retornou com mais força de argumentos e nova doutrina dos “ataques preventivos” dos EUA e da “guerra contra o terrorismo”, cujo discurso presidencial está impregnado de palavras extraídas da Bíblia: “cruzada do Bem contra o Mal”, “justiça infinita”, “iremos libertá-los do Mal”, etc. Portanto, não se trata apenas de slogans vazios, mas sim, de intenções políticas racionalizadas para “converter” o mundo, desde o ensino escolar e universitário até a diplomacia internacional redirecionada para a evangelização de um mundo próximo ao ateísmo.

Ainda que alguns analistas observem que o criacionismo hoje representa um “ruído” ou “falsa-ciência”, portanto, sem nenhuma credibilidade no meio científico convencional, um rápido balanço desse movimento aponta algumas vitórias significativas: a) no campo político, eles influenciaram nas eleições norte-americanas elegendo três presidentes (G. Bush, R. Reagan e G. W. Bush) que os apoiaram principalmente nas políticas de ensino fundadas em princípios teológicos; b) no campo socioeducativo, eles conseguiram aumentar a ignorância do americano comum sobre as questões científicas. Nesse sentido, Carl Sagan, que dedicou boa parte de sua vida visando desmistificar a ciência e denunciar a pseudociência em livros, artigos jornalísticos, entrevistas, palestras, documentários para televisão, etc., no livro “O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como vela no escuro” (1996), Sagan escreve: “95% dos norte-americanos são ‘cientificamente analfabetos’”; “dos 535 membros do Congresso dos Estados Unidos, raramente 1% chegou a ter alguma formação científica significativa no século XX. O único presidente cientificamente alfabetizado foi talvez Thomas Jefferson”; “O Japão, com metade da população dos Estados Unidos, forma anualmente duas vezes mais cientistas e engenheiros com diplomas superiores”; “durante quatro anos da escola secundária, os alunos norte-americanos dedicam menos de 1500 horas a disciplinas como matemática, ciência e história. Os japoneses, franceses e alemães gastam com elas mais do que o dobro desse tempo”.

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Essas notas tinham como propósito enfocar como as teorias de Darwin despertaram o fanatismo religioso e moralista; terminou mais tratando do movimento criacionista, infelizmente. O debate criacionismo X evolucionismo não é reconhecido nos meios escolares e científicos no Brasil. Parece que nesse ponto somos mais críticos do que os norte-americanos. Mas, tal debate tem aparecido com mais frequência na mídia, ora noticiando que a Escola Mackenzie adota o criacionismo no seu ensino, ora divulgando que o governo Rosinha (Rio de Janeiro) introduziu o ensino criacionista nas escolas públicas.[10] Também seus agentes oferecem palestras gratuitas em universidades e escolas do país, visando ganhar adeptos para sua cruzada anti-evolucionista.

Ainda que seu discurso seja supérfluo e falacioso, o movimento criacionista parece estar organizado internacionalmente contra os avanços das pesquisas científicas, como aquelas que usam células-tronco. Recentemente a mídia deu visibilidade a esse movimento em Brasília, curiosamente sem nomeá-los como criacionistas.

 

Referências

ARMSTRONG, K. Em nome de Deus: o fundamentalismo no judaísmo, no cristianismo e no islamismo. São Paulo: C. Letras, 2001.

AS BRUXAS. [The witches]. Documentário produzido e dirigido por Michael Tretrick. Dove Point Entertinment the learing channel. EUA/Inglaterra [Brasil: GNT, 2001).

COLI, J. O sono da razão produz monstros. In: A crise da razão. São Paulo: C. Letras, 1996, p. 301-12.

FREIRE-MAIA, N. A ciência por dentro. Petrópolis: Vozes, 1997.

_________. Teoria da evolução: de Darwin à teoria sintética. Belo Horizonte/S. Paulo: Itatiaia/ Edusp, 1988.

JAPIASSU, H. Desistir do pensar? Nem pensar! São Paulo: Letras & Letras, 2001.

MONROE, P. A tendência científica moderna. In: História da educação. São Paulo: Nacional, 1984.

NOVA ENCICLOPÉDIA DA FOLHA DE S. PAULO. v. 1. Folha de S. Paulo, 1996, p. 377.

NEVES, M. C. D. Disponível em:<http://www.jornaldaciencia.org.br/index2.jsp&gt;

PIERUCCI, A.F. Criacionismo é fundamentalismo. O que é fundamentalismo?. Disponível em:  <http://www.comciencia.br&gt; (2004).

SAGAN, C. O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como vela no escuro. São Paulo: C. Letras, 1996.

TAMBOSI, O. A cruzada dos criacionistas contra Darwin e o evolucionismo. Disponível em: (1999) Tb.: <http://criticanarede.com/html/filos_darwin.html&gt; (2004).

* limaRAYMUNDO DE LIMA é Formado em Psicologia, Mestre em Psicologia Escolar (UGF) e Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente é professor do Departamento Fundamentos da Educação, na área de Metodologia da Pesquisa, da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Texto originalmente publicado na REA, n. 95, abril de 2009, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/095/95esp_lima.htm

[1] “O sono da razão produz monstros”, título de uma das pinturas do pintor espanhol, Goya.

[2] “Noutras palavras, fundamentalista é quem se apega à letra da palavra revelada como sendo a única verdade, quem nutre a convicção de que o texto escriturístico está livre de erros humanos, e só a interpretação literal tem cabimento e validade. Quer dizer que só pode ser fundamentalista quem erige na centralidade de sua fé a letra, a literalidade de uma Escritura Sagrada divinamente inspirada por um Deus único. Antes de ser fundamentalista é preciso ser monoteísta. O muçulmano pode ser fundamentalista, o judeu, o protestante, até mesmo o católico. Já o hindu ou o taoísta, dificilmente. Para o adepto do candomblé ou da umbanda, religiões sem livro sagrado, é impossível ser fundamentalista” (Pierucci, 2004).

[3] Título original: Inherit the Wind. No Brasil eles foram assim traduzidos: “Herdeiros do Vento”, “O vento será tua herança”.

[4] Em 1992 já contavam 2.200 Conselhos de escolas “capturados” por essa organização.

[5] O físico e professor da Universidade Estadual de Maringá, Marcos Cesar Danhoni Neves, relata ter encontrado a influência do criacionismo em livro didático de história, no Brasil. (Cf.: Jornal da Ciência, 18/12/2008; disponível na internet: http://www.jornaldaciencia.org.br/index2.jsp

[6] Cf.: COLLUCI, J. E deus criou a ressonância magnética…(24/10/2003). Disponível em:

[7] Essa é a determinação do MEC, no Brasil.

[8] Charbel H. N. El-Hani elabora o seguinte argumento: “É importante diferenciar essa posição de um naturalismo metafísico: não se trata de dizer que entidades sobrenaturais (deuses, espíritos etc.) não existem (essa é uma crença como qualquer outra e, sinceramente, não é produtivo debater crenças tão fundamentais). Trata-se, antes, de dizer que essas entidades não figuram no discurso das ciências, porque afirmações que as empregam não podem ser testadas empiricamente. Esse discurso naturalista é legítimo. Isto também parece óbvio, mas é preciso destacar que, quando se discute pluralismo e respeito à diversidade, por vezes se perde de vista que também o discurso científico deve ser respeitado, deve ser reconhecido como legítimo” (Folha de S. Paulo, 06/12/2008 – Tendências e Debates).

[9] Há indícios da história da psicanálise e da psicologia que revelam os conservadores do mundo todo e, particularmente, do meio religioso fundamentalista norte-americano também rejeitando as teorias de Freud (psicanálise), e preferindo a “psicologia analítica” e a linha psicoterapêutica desenvolvida por C. G. Jung, após sua dissidência com Freud, em 1914. Ao contrário de Freud, que se considerava um agnóstico, apesar de ter origem judaica, o psiquiatra suíço, Jung, sendo de formação protestante, construiu um sistema teórico de psicologia que não mais se caracterizava “psicanálise” visto que o próprio trazia mudanças consideráveis, tais como o abandono da psicossexualidade como premissa fundamental da teoria e clínica e sua aproximação com o misticismo e a religião, no mesmo sentido que demandava os puritanos ingleses e norte-americanos. Os puritanos norte-americanos queriam de fora da psicanálise os fundamentos psicossexuais e os residuais darwinistas, que Jung teria se submetido com uma teoria mais “ideológica” (ver Jones). É preciso esclarecer ainda, o descompromisso de Jung quanto à cientificidade de “sua” psicologia, ao contrário de Freud, que passou quase toda a vida tentando melhorar a cientificidade da psicanálise e não fazê-la uma Weltanschauung anticientífica, antirracional e anti-objetiva. Achava que ciência é um esforço organizado para ir além da “infantilidade religiosa” (sic!), “as próprias premissas da ciência são incompatíveis com as da religião”. A ciência não é “ilusão”. (Maiores detalhes escapam o propósito desse artigo. Cf.: JONES, E, Freud: vida e obra, 1961, p.481-93 e GAY, P. Freud: uma vida para o nosso tempo, 1898, p.484-85 e 582-84).

[10] Cf.: MARTINS, M.V. O criacionismo chega às escolas do Rio de Janeiro: uma abordagem sociológica. Disponível em: http://www.comciencia.br. (2003).

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2 comentários sobre “O ensino da Teoria da Evolução e os criacionistas – notas para comentar o filme “O vento será tua herança”

  1. Caro Professor, obrigada por mais esta bela reflexao,e pelo esclarecedor resumo historico desse debate de ideias e contra-ideias.

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