Fetiche teórico para “educadores”

ELOÉSIO PAULO*

eloesio

Se alguém buscar seriamente entender a falência do sistema educacional brasileiro, provavelmente vai esbarrar, em algum momento, na ideologia que o domina há umas boas décadas. Entre os males que o regime militar legou ao país, um dos maiores foi provocar, nas lideranças políticas e culturais que emergiam no início dos anos 1980, essa espécie de formação reativa meio paranoica contra qualquer ideia de autoridade, tão bem expressa no Estatuto da Criança e do Adolescente, um diploma legal cheio de boas intenções e transbordante de efeitos perversos suficientemente mensuráveis. O ECA atualiza e amplifica uma mentalidade complacente que remonta à teoria de Rousseau a respeito do “bom selvagem”, e esta figura com destaque entre as origens da mencionada ideologia, a qual, em três décadas, parece ter galgado todos os degraus até as instâncias decisórias culminantes do MEC. Chegou mesmo antes do mais novo ideólogo ministerial Alexandre Frota.

Não por acaso Rubem Alves, cujo livrinho Conversas com quem gosta de ensinar, publicado pela primeira vez em 1981, a certa altura reclama do fato de Rousseau ter-se tornado “obsoleto”. Os seguidores do filósofo mineiro parecem ter como objetivo magno reabilitar o homem de Genebra. E deles parece que se compõe a maioria dos responsáveis por cursos de Pedagogia, de onde sai anualmente uma legião de alfabetizadores e futuros diretores, orientadores e supervisores escolares, a maioria preocupadíssima com a diferença entre professor e educador e muitos dos quais, também, convictos de que ensinar tabuada às crianças é um ato de crueldade inimaginável em regimes democráticos.

Vejamos o que diz Alves: “O educador, pelo menos o ideal que minha imaginação constrói, habita um mundo em que a interioridade faz diferença, em que as pessoas se definem por suas visões, paixões, esperanças e horizontes utópicos. O professor, ao contrário, é funcionário de um mundo dominado pelo Estado e pelas empresas.” (página 14 da 20ª. edição das Conversas, de 1985).

Como em várias outras passagens de sua obra, Rubem Alves não esclarece se a diferença vem de sua própria cabeça ou remonta a alguma tradição teórica (Paulo Freire, cujo santo nome é tão tomado em vão?). Ou seja, não ficam estabelecidos os critérios para a diferença entre os termos, o que nos obriga a recorrer à etimologia. E então ficamos sabendo que ambas as palavras chegaram ao português pelo latim: educar significava, originalmente, “conduzir para fora”, no sentido de preparar o aluno para viver “no mundo”; presumivelmente, além das portas de lar paterno. Professus era quem declarava algo em público, e naturalmente tal ato adquiriu, com o monopólio eclesiástico da educação na Idade Média, o sentido de “professar” a fé católica, o que talvez desagradasse a Rubem Alves, que chegou a ser pastor protestante no interior de Minas Gerais.

É possível, e talvez necessário, fazer algumas objeções ao privilégio concedido pela pedagogia oficial à palavra educador. A mais singela é que a função de preparar crianças para a vida deveria caber, primordialmente, à família: educador é pai e é mãe, infelizmente até outro alexandre global, o Garcia, sabe disso (e disse-o há poucos meses no Bom dia, Brasil, com ares de velho sábio). Outra passaria pela observação do caminho semântico trilhado pela palavra educação em idiomas que não o nosso; no inglês, por exemplo, ela está fortemente ligada ao conceito de instrução, ensino formal. Finalmente, há uma contradição elementar na dicotomia rubem-alvesiana incorporada, salvo engano, pelo discurso pedagogista: se no Brasil as escolas fundamentais estão principalmente a cargo do Estado, pretender que elas “formem cidadãos” equivale a desejar uma inevitável hipertrofia de seu papel como aparelho ideológico. O caso mais conhecido disso, na história, foi algo chamado Juventude Hitlerista. Façamos, entretanto, uma ressalva: se forem consideradas as sedutoras primeiras cinco ou seis páginas de seu livrinho, não se deve condenar sumariamente o filósofo sul-mineiro pelo fato de ter sido transformado em fetiche teórico por pessoas com preguiça de pensar. Parece que ele não desejava isso, embora tenha perdido longamente a chance de revisar aquele rascunho que terminou virando um clássico da Pedagogia.

Observando o idealismo em que consiste, no geral, a formação pedagógica no Brasil, é mais provável chegar à conclusão de que os seguidores de Rubem Alves são “professores”, pois declaram em público – e com insistência – uma concepção de ensino fortemente vincada pela ideologia. Este termo é retomado várias vezes nas Conversas, mas a noção do autor ia pouco além da vulgata marxista que conceitua a ideologia como “falsa consciência”. A ignorância dos próprios pressupostos, que afeta muitos autodeclarados “educadores”, parece descender da leitura ligeira ou apressada de certos textos teóricos, e, no caso, o exemplo vem de cima. É curioso que Rubem Alves se mostre, pelo menos na obra em questão, um antimarxista militante, enquanto muitos de seus discípulos se julguem encarregados de fazer a revolução proletária por meio da prática escolar. Digamo-lo com todas as letras: o típico estudante de Pedagogia, e talvez mesmo o da pós-graduação nessa importante área do conhecimento, lê (consequentemente, pensa) muito menos do que seria de esperar e, talvez por isso mesmo, incorpora a sua visão de mundo teorias que são, agora sim, ideológicas no sentido mais raso do termo: desconhecem o famoso “chão da escola”, discorrem sobre um aluno e um cotidiano escolar inexistentes. Tal desconsideração do mundo real atinge, é claro, a formação pedagógica nas demais licenciaturas além da Pedagogia.

Qualquer professor que pretenda ser um trabalhador escrupuloso – o “educador”, pelo contrário, tende a ser “mau funcionário”, segundo Rubem Alves – no mínimo aspira a ser um intelectual e pode observar que, além da carreira desestimulante em termos de rendimentos e prestígio social, os principais problemas que afetam a escola hoje em dia são de natureza socioeconômica: alunos que não têm família, imitadores do fanqueiro em evidência no momento, mães solteiras com 13 ou 14 anos (et pour cause…), soldadinhos do tráfico, bandidos precocemente pós-graduados em impiedade – ainda que mentalmente indigentes. Além de ganhar mal e trabalhar em excesso, o professor corre risco físico em seu trabalho, sofre agressões e ameaças. Haja Rousseau.

Mas o pior ficará para o final. Falemos ainda um pouco das Conversas com quem gosta de ensinar, não perdendo de vista que elas são o vade-mécum de muitos “educadores” que dão aula no ensino superior ou palestras promovidas por desorientadas autoridades educacionais do Município ou do Estado. Há alguma verdade difusa no livro de Rubem Alves; mas esse caráter difuso já seria problema numa obra que, em princípio, foi encomendado que versasse sobre “a formação do educador”. Não se pode negar, por exemplo, que o filósofo tem razão em suas críticas à supervalorização do método científico em detrimento da relevância dos objetos de pesquisa. Sobretudo, ele está certo quando considera necessário perguntar: relevante para quem e para quê? Quer dizer, ao mirar o falso cientificismo vigente (ainda hoje) em boa parte da pesquisa universitária, Rubem Alves elegia um alvo correto. Isso não lhe dava, porém, o direito de escrever da maneira diletante que caracteriza seu livro: admirar o Nietzsche de A gaia ciência seria, ao contrário, razão suficiente para tentar escrever com alguma profundidade.

Para começar, Alves mistura Wittgenstein com Carlos Castañeda e Marx com Jorge Amado. A bibliografia é citada com tal falta de rigor que, em algumas passagens, fica difícil saber quem disse o quê. E a isso se somam besteiras gigantes bombasticamente enunciadas, como esta: “Nenhuma instituição gera aqueles que tocarão as trombetas para que seus muros caiam.” (p. 18) Mas então de onde teriam surgido os adorados Nietzsche e Freud, senão do elitista sistema de ensino que suas ideias subverteriam largamente, assim como a muitas bases importantes da própria cultura europeia? De que nuvem baixou o Marx desmitificador das aparências do mundo burguês e com cuja obra o discurso rubem-alvesiano tem, afinal de contas, tão ambígua relação?

A propósito, a crítica que o filósofo faz ao livro A ideologia alemã, por sinal atribuído apenas a Marx, esquecida a coautoria de Engels, evidencia um entendimento curtíssimo dessa obra seminal para o pensamento moderno: “É muito revelador que Marx, para destruir os hegelianos de esquerda, que acreditavam que também as palavras entram na argamassa com que a sociedade é construída, o tivesse feito justamente com o auxílio de palavras” (p. 24). Será que Rubem Alves imaginava o discurso sobre a ideologia sendo proferido, por exemplo, por meio de telepatia, de equações ou da pintura de quadros impressionistas?

As Conversas com quem gosta de ensinar não chegam a ser um livro filosoficamente considerável. Consistem numa reunião meio confusa de palpites, alguns dos quais abalizados pela formação universitária do autor, outros somente válidos como matéria-prima para um compêndio de equívocos teóricos relevantes para quem possa interessar-se pela discussão dos descaminhos do ensino brasileiro. Guindar tal esboço a referência privilegiada, como parecem fazer muitos “educadores”, é uma gritante falta de horizonte teórico. A julgar só por essas Conversas, Rubem Alves bem mereceria o título de Paulo Coelho da Pedagogia.

Esta não é uma crítica exaustiva, justamente para que não soe (doce ilusão…) como pura implicância. Ela terminará com uma hipótese bastante pessoal e talvez arriscada: a julgar pelo fincapé que tanta gente faz na autodesignação como “educador”, fica-se a pensar que talvez a maioria dos discípulos de Rubem Alves não tenha passado das primeiras páginas, pois o que o livro tem de menos pior está nas últimas.

* pauloELOÉSIO PAULO é professor da Universidade Federal de Alfenas (MG) e autor dos livros Os 10 pecados de Paulo Coelho (2008) e Loucura e ideologia em dois romances dos anos 1970 (2014).

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10 comentários sobre “Fetiche teórico para “educadores”

  1. Parabéns pelo artigo Professor Eloésio, é uma inciativa saudável e estimulante de criticar alguns dos “nossos mitos” da pedagogia – se bem que há controvérsias sobre as possibilidades desta tarefa – a começar pelo Rubem Alves, passando pelo Paulo Freire. Minha geração pensou que mudaria o mundo pela educação – dois anos de carreira acompanhados de uma reflexão sobre o processo de consciência foram suficientes para que eu abandonasse este “mito”. Hoje a grande maioria desta geração está decepcionada e frustrada com os resultados dos 12 anos de governo democrático e popular, que como quis o professor Francisco acabam de ser derrotados junto com a classe que o criou.

    Entretanto, prefiro entender seu artigo como parte de um esforço coletivo de fazer o “inventário”, (como sugeriu Gramsci em seus cadernos do Cárcere) de nosso pensamento ou da concepção de mundo formada na resistência a ditadura civil/militar, principalmente em relação ao papel da educação. Apenas faria uma ressalva: trabalho há 27 anos no magistério publico estadual de São Paulo e acompanhei de perto os professores culparem o ECA pelos problemas de indisciplina que enfrentamos. Penso que assim “sem um adendo”, o professor reforça este senso comum.

    Porém, concordo plenamente com sua tese central: Ter autoridade não significa ser autoritário, “ser democrático” não significa transformar os alunos em “professores” de quem em tese se preparou uma vida inteira para a função. Sou pelas aulas dialogadas, mas quem dirige o processo é o Educador.

    Aproveito pra sugerir um artigo de Emilio Gennnari: Fracasso Escolar: Acidente ou construção social, que também procura refletir sobre esta questão no blog http://www.conselhodeclasse.blospot.com).

    Parabéns professor.

    Elias Moreira

  2. Por outro lado justificar roubos da esquerda porque a direita fez o mesmo(!), somente com cinismo e hipocrisia!

    Ou, quem sabe, pelo fato de ser implantado no Brasil o nivelamento por baixo, entre ladrões, que dificulta acusar quem quer que seja porque todos, indistintamente são corruptos, antiéticos e imorais!

    Da mesma forma, amenizar a culpa de um governo no poder há quase 14 anos, ter agravado a situação do povo e do Brasil de tal forma, que somente um golpe de propósitos desonestos para dar a entender que somos assim mesmo, pois se antes foi o momento de a direita roubar, agora é o momento de a esquerda copiá-la despudoradamente!

    E de ladrões em ladrões nos administrando(?!) vamos de mal a pior!

  3. Atribuir rubemalvismo a todo o campo pedagógico brasileiro é uma generalização apressada monumental. Que termina por tornar todo o texto refém de uma petição de princípio. “Um problema central do ensino brasileiro consiste no fato de que o pessoal leva a pseudoantropologia do Rubem Alves a sério demais” – nesses termos o problema fica patente?

  4. Realmente, a corrupção, a ladroagem, a roubalheira, nunca existiram no Brasil antes da chegada do PT ao governo. Digo GOVERNO e não PODER porque este no Brasil sempre esteve nas mãos da DIREITA ou, se preferirem, da DITADURA DA BURGUESIA.

    Os escândalos financeiros ocorridos durante a ditadura militar, tipo Banco Halles, Banco União Comercial, Corretora Laureano, Banco Econômico, Caderneta de Poupança Delfim, para citar apenas uns poucos casos, estes escândalos, repito, nunca existiram a não ser em obras de ficção, como o livro do jornalista e economista, José Carlos de Assis, “A CHAVE DO TESOURO – Anatomia dos Escândalos Financeiros no Brasil: 1974/83”.

    Foi uma calúnia do Assis dizer (à página 78 do livro) que o então presidente general Ernesto Geisel mandou o Banco Central zerar, com recursos da reserva monetária, o passivo de CR$ 300 milhões de um banco falido de um amigo do regime e financiador da extrema-direita.

    Outra calúnia do Assis foi contar que o notório ministro Roberto Campos teve que devolver dinheiro recebido indevidamente por conta de um balanço FRAUDULENTO num dos bancos onde o ministro atuava.

    Outro caluniador deve ser o empresário Mário Garnero, que conta em livro (JOGO DURO), que o Brasil FALIU em 1982, em pleno governo Figueiredo, tendo que ser socorrido pelo então presidente americano, Ronald Reagan, que veio ao Brasil trazendo um cheque de UM BILHÃO DE DÓLARES. Naturalmente que o Reagan exigiu contrapartidas.

    Como todos nós sabemos, essas coisas só vieram a ocorrer no Brasil após a chegada do PT ao governo.

    Outro caluniador deve ser o jornalista Palmério Dória, que no seu livro HONORÁVEIS BANDIDOS, diz que o Michel Temer, no governo José Sarney, foi o padrinho do maior esquema de corrupção jamais verificado no Porto de Santos.

    Como se não bastasse, o Palmério Dória ainda escreve outro livro, O PRÍNCIPE DA PRIVATARIA, onde relata SUPOSTOS ESCÂNDALOS de compra de votos para a reeleição, sem falar no que ele chama de ESCÂNDALOS DAS PRIVATIZAÇÕES. E a quem ele acusa, por tantos descalabros? Justamente um homem acima de qualquer suspeita, como o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, injustamente acusado por outro sociólogo, Gilberto Vasconcellos, de ser o autor da SOCIOLOGIA BISSEXUAL TUCANA.

    O ensino no Brasil sempre esteve entre os melhores do mundo. A cultura e a educação também. Só fomos para o fundo do poço com a chegada de Lula à presidência.

    Não sou petista, nunca o fui, não pretendo sê-lo. Todavia, comentar algumas críticas que se fazem ao PT só com a pena da galhofa e a tinta da ironia.

  5. Professor,

    Por uma questão de educação, eu encerro o tema, por ser mais velho, lembre-se disto!

    E também para esclarecer que sou fruto desta educação que o senhor representa tão mal, que confunde os personagens, assim como o senhor perdoa os criminosos e os aceita porque se identifica com eles ideologicamente!

    E, por favor – que desaforo! – eu, um aposentado, que recebe um salário mínimo, que não pode sequer comprar um jornal ser leitor da Veja, na sua ótica obtusa e mau observador.

    Certamente, nesta revista, o Lulopetismo e a sua democracia relativa não suportam o contraditório, característica absoluta do comunista, autoritário, despótico, títere, senhor e dono da verdade.

    Bom, não para mim.

    Enfim, eis o saldo desta educação, Professor, um ancião ser desprezado pela ideologia, e ser desconsiderado na tentativa de um diálogo, nem que fosse para aprender as diferenças de Hegel com Engels, apesar de ambos serem alemães, pelo menos não erro as suas nacionalidades, e que reitero desconhecer os porquês de suas influências no ensino brasileiro, seja para detectar as suas falhas ou para corrigi-las, confirmados pelo seu desempenho comigo, decepcionante, frustrante, pois não comungo da sua ideologia, então despachado.

    Agora, sim, professor, encerrei!

  6. Prezado Francisco, agora foi que percebi: o senhor confunde Engels com Hegel. E, com todo respeito, sua análise política me parece comprometida por um antipetismo tão primário que aparenta ser fruto de leitura semanalmente fiel da “Veja”. Não tenho procuração para defender Lula ou Dilma, nos quais votei por falta de opção, mas esse seu comentário (que, por sinal, ficou maior que o texto comentado) toma o discurso alheio como pretexto para ponfificar (e sermonear) a respeito daquilo que não evidencia compreender muito bem. Encerro por aqui, desculpe-me.

  7. Professor Eloésio,

    Muito obrigado por responder ao meu comentário.

    Quanto a Marx e Hegel são mesmo personagens do passado, apesar de serem estudados pelas suas contribuições à filosofia, economia e sociologia que, na prática, jamais resultaram os efeitos desejados, pois onde se tentou instalar o comunismo e à força, diga-se de passagem, a História registra genocídios, sofrimentos, fome, cerceamento de liberdade, direitos individuais e coletivos negados, miséria … a ponto de a Rússia e a China se viram obrigados a deixá-los de lado, sob pena de ainda estarem vivendo em período medieval!

    Entendo ser muito difícil para um teórico adepto do comunismo entender a realidade, pois tal sistema é utópico, não tem como dar certo porque os filósofos em questão haviam esquecido do primordial:
    A inconstância do ser humano, a sua vaidade, a sua soberba, o seu desejo de conquista, razão pela qual o pensamento igual entre a raça humana, de todos viverem bem é irreal!

    O senhor, se me permitir, é professor, tem uma responsabilidade imensa sobre os ombros porque ensina, transmite conhecimentos, informações, e sabe que não pode deturpar a verdade mesmo tendo as suas tendências políticas porque natural entre as pessoas, mas poderia ter escolhido outra função, uma profissão diferente que, se estivesse em país comunista não teria esta escolha.

    Onde quero chegar?

    Quero dizer que resgatar Hegel e Marx para explicar o quadro da educação brasileira atual não possui conotação alguma com a forma como o Ensino está estabelecido no país! E, o senhor, como professor, sabe melhor que ninguém onde está o nosso problema crucial e, evidentemente, me reporto ao básico, ao Fundamental e Médio, os alicerces de alunos quando ingressam na Universidade para que sejam bons profissionais liberais.

    A verdade é que os nossos governantes NÃO QUEREM um povo instruído, MUITO MENOS OS PARTIDOS QUE SE DIZEM SOCIALISTAS E COMUNISTAS, pois ainda reside no capitalismo, mesmo selvagem que o Brasil tem consigo, oportunidades de crescimento pessoal, e o senhor é o exemplo!

    Temos liberdade, democracia, apesar da ditadura partidária, mas podemos eleger ou não aqueles que se apresentam candidatos, e se temos capacidade de trabalho, escolaridade, um bom currículo, encontraremos emprego. Não agora, depois de o PT arruinar economicamente o Brasil, gerando desemprego, inflação, recessão econômica, juros extorsivos, inadimplência, caos político e social, justamente pela forma ideológica de conduzir esta nação, e doando dinheiro dos brasileiros para ditaduras que se identificavam com a ideologia petista, arcaica, retrógrada, verbas que hoje nos fazem muita falta. Aliás, o BNDES que o diga!

    A questão é que um povo instruído JAMAIS permitiria um governo como o PT, ladrão, sim professor, e não sou maniqueísta ou, por acaso, os exemplos de comportamentos dos petistas ainda não lhe convenceram que havia uma quadrilha instalada no Planalto?!

    Que não se pode verificar qualquer órgão comandado pelo PT que não tenha roubo?!

    Fundos de Pensão, estatais, erário público … diga-me onde não tem corrupção e desonestidade petistas, professor, comunistas, socialistas, que se arvoram defensores dos fracos e oprimidos, porém atualmente estão mais fracos e oprimidos ainda pela situação que padecemos!!!

    Muito mais fácil manipular a massa inculta e incauta, que adora ouvir que o rico é o culpado pela sua situação, que motivá-la a estudar, trabalhar e transformá-la em gente … rica!

    Infinitamente mais fácil, repito, despencar uma sociedade, ou seja, de mediana para pobre, que levar o pobre para ser mediano, que não basta apenas ter dinheiro para consumir, o grande logro petista, professor, a grande ilusão, quando Lula se jactava que o pobre comia carne(?!), mas manter esta condição, e somente à base de estudos, da escolaridade, a legítima e indiscutível INDEPENDÊNCIA!

    O PT condenou o brasileiro à miséria, de modo que pudesse usá-lo como massa de manobra e, apesar de ser o governo que mais se aproximou das elites que tanto criticava antes de ter o poder, ao ascender como presidente da República, Lula, o retirante nordestino, o ex-torneiro mecânico e líder sindical, tinha consciência que para se manter no poder o pobre seria fundamental!

    Primeiro: tinha de animá-lo, e conseguiu abrindo créditos e estimulando o consumo interno;
    Segundo: melhorar os índices de reajuste do salário mínimo, independente da produtividade nacional, mas iludindo o povo que o salário era prioridade quando, na verdade, o mínimo está quase CINCO VEZES ABAIXO DA NECESSIDADE ESTIPULADA PELO DIEESE!
    Terceiro: manter-se no poder, mediante a satisfação do povo que elegeria quem Lula indicasse.

    Nesse meio tempo, os escândalos petistas, mensalão, petrolão, o povo que não lê, que não se informa, MANIPULADO E CONDUZIDO PELA LIDERANÇA PETISTA, claro que entendia como intriga de uma elite que não aceitava uma pessoa pobre no poder, um trabalhador, então as tentativas em diminuir o conceito do PT junto ao povo, àquelas pessoas que sempre aceitaram a ideia que o rico ou quem estivesse melhor de vida, estes seriam os culpados pela sua pobreza, a famosa e imprescindível LUTA DE CLASSES tão mencionada nos alfarrábios de Marx e Hegel!

    No entanto, curiosamente, Lula era o maior parceiro que os bancos tiveram na história!
    Foi no período de Lula, que os bancos tinham até vergonha em apresentar seus balanços anuais, de tanto lucro que apresentavam!
    O pobre volta e meia comia carne e queijo – jamais vou esquecer da entrevista de uma senhora humilde e sua alegria porque experimentara pela primeira vez uma fatia do derivado do leite!

    E agora?!

    Nem mel nem porongo!

    Sem saúde, segurança, educação, discussões tolas e improdutivas sobre política, a corrupção e desonestidade instituídas, país falido ética e moralmente, estagnado na economia, povo sem futuro, e o senhor me culpa os militares e resgata Marx e Hegel para tecer um quadro a respeito de nossa educação?!

    Freud até admito, pois o que deve ter de brasileiro recorrendo à psicanálise para sair do quadro de desespero, acredito, mas quanto ao resto?!

    Professor, completei o Ensino Médio aos sessenta anos!
    Tenho 66 no lombo, taxista por anos a fio, aposentado.
    A visão que o táxi me proporcionou sobre a vida dos brasileiros, as minhas experiências, 46 anos de casado com a mesma mulher, três filhos, cinco netos, se não me credenciam a ensinar porque sem qualquer formação acadêmica e dotado de poucas luzes, me possibilitam afirmar categoricamente que o mal deste país reside na Educação que, paradoxalmente, é o grande benefício para governos ladrões, desonestos e corruptos, que nos conduzem para onde querem nos levar, nos manipulam, enganam, mente, e quando pretendemos reclamar até deles mesmos, alegam as crises internacionais, as elites, o rico, como culpados pelo retrocesso, mas, a turma do PT está rica, milionária, alguns presos, mas a chefia está solta, LULA, e cometendo seus despautérios com a acusação ridícula, absurda, contra o Juiz Moro à ONU, pelo medo de ser preso pelo seu comportamento nefasto à testa do Brasil.

    Grato pela leitura sobre o que penso, professor, eu, que pertenço à plebe ignara, mas que tenho sido vítima de incúrias governamentais desde que vem para este mundo de Deus!

    Um forte abraço.
    Saúde e Paz!

  8. Prezado Francisco, se você acha que Freud, Marx e Hegel são coisa do passado, falamos idiomas diferentes. Para mim, especialmente os dois primeiros continuam sendo grandemente válidos para entender o mundo e as pessoas. Parece-me muito simplificada a visão de que todos os governantes são “reles ladrões”, porque penso que alguns são menos do que isso e outros são um pouco mais. Sobre o regime militar, meu artigo só diz que ele deixou um legado perverso, não que seja culpado por todos os males do presente. O mundo é muito complexo e cada indivíduo é um universo, simplificações maniqueístas não nos ajudam a entender os problemas. Agradeço a sua leitura e o fato de ter dispendido seu tempo para comentar meu texto.

  9. Quero deixar apenas uma questão para o professor, caso me der a honra em respondê-la:

    Faz 31 anos que a ditadura terminou (1.985);

    Tivemos vários presidentes, inclusive aquele que seria o “pai dos pobres”, e que elegeu facilmente a sua criatura como sucessora (e deu no que deu)!

    Nesse meio tempo não seria impertinente ou ridículo ou, melhor ainda, DESONESTO, culpar os milicos pelos males da Educação?!

    Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, fizeram o quê?!

    Brincaram como crianças nas escolas?!

    Sobre eles não recai nenhuma responsabilidade sobre o abandono dos Ensinos Fundamental e Médio?!

    Ainda vivemos de culpar o passado, sem nada termos feito para consertá-lo?!

    Perdoe-me a expressão, professor, mas que merda de governantes elegemos ou, por acaso, nós é que seríamos o excremento por votarmos tão mal?!

    Ora, se a política é corrupta, o Ensino ainda atrelado aos militares(?!), recessão econômica, desemprego, inadimplência, juros extorsivos, o Brasil falido absolutamente em termos morais e éticos, Saúde Pública não atende a demanda, a Segurança Pública nos deixa em pior situação que a Guerra na Síria … os governos depois dos militares fizeram o quê?!

    Aí o senhor me vem pintar o quadro da Educação brasileira em devaneios, resgatando Marx, Hegel, Freud … como se tentasse encontrar explicações que evitassem eu acusar o PT como um dos maiores responsáveis pelo estado deplorável e condenável de nossa Educação, que apresenta índices injustificáveis de analfabetismo absoluto e inacreditáveis de analfabetismo funcional, que me deixam não só perplexo, mas também surpreso pelo fato de um professor contornar a realidade neste sentido, de a Educação ser calamitosa no Brasil atualmente porque assim querem os PETISTAS e demais partidos políticos, haja vista a facilidade de manipular incultos e incautos, não é professor, ou como explicariam os autores que o senhor convocou para classificar esta omissão e irresponsabilidade com relação ao nosso futuro com este tratamento dado à Educação e Ensino?!

    Bom, eu tenho os nossos governantes como reles ladrões, agora vejo que o senhor complementa o meu conceito ao tê-los como incompetentes, que me anima afirmar que começamos a botar o dedo na ferida!

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