Cinco anos sem Millôr Fernandes

FABIO ANGEOLETTO*

 

Millôr Fernandes (1923–2012)No último mês de março o Brasil perdeu Millôr Fernandes, desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Um gênio autodidata, Millôr foi um dos poucos reais intelectuais brasileiros.  Nos seus mais de 70 anos de jornalismo, sempre foi um “livre-atirador” como ele mesmo se definia. Cioso da liberdade para expressar ou criticar o que lhe aprouvesse, era avesso a se comprometer com qualquer ideologia – que Millôr definia como “uma bitola estreita para orientar o pensamento”.

Por ser um livre-pensador, Millôr nunca se furtou a descer o sarrafo em políticos à esquerda e à direita. Por exemplo, sobre José Sarney: “Não tendo no cérebro os dois bits mínimos para orientá-lo na concordância entre sujeito e verbo, entre frase e frase, entre ideia e ideia, como exigir dele um programa de governo coerente?” Sobre FHC: “Fernando Henrique é um idiota. O Fernando Henrique é o Sarney em barroco. Ele não diz coisa com coisa.”. E sobre Lula: Logo que o Lula começou, eu disse um negócio e não tenho razão de retirar: ‘A ignorância lhe subiu à cabeça’. Ele está pensando que sabe tudo e não sabe nada.”

Recordemos a genialidade de Millôr Fernandes com uma breve seleção de algumas de suas frases, sempre carregadas de humor cortante como uma navalha. “O melhor movimento feminino ainda é o dos quadris.” “Anatomia é uma coisa que os homens também têm, mas que, nas mulheres, fica muito melhor.” “Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem.” “De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência.” “Não devemos resistir às tentações: elas podem não voltar.” “O dinheiro não é só facilmente dobrável como dobra facilmente qualquer um.” “O pior não é morrer. É não poder espantar as moscas.” “Certas coisas só são amargas se a gente as engole.” “O dinheiro não só fala, como faz muita gente calar a boca.” “Esta é a verdade: a vida começa quando a gente compreende que ela não dura muito.” “Toda uma biblioteca de Direito apenas para melhorar quase nada os dez mandamentos.” “O preço da fidelidade é a eterna vigilância.”

“A pobreza não é, necessariamente, vergonhosa. Há muito pobre sem vergonha.” “Chama-se celebridade um débil mental que foi à televisão.” “A ocasião em que a inteligência do homem mais cresce, sua bondade alcança limites insuspeitados e seu carácter uma pureza inimaginável é nas primeiras 24 horas depois da sua morte.” “Se todos os homens recebessem exatamente o que merecem, ia sobrar muito dinheiro no mundo.” “Você está começando a ficar velho quando, depois de passar uma noite fora, tem que passar dois dias dentro.” “Os nossos amigos poderão não saber muitas coisas, mas sabem sempre o que fariam no nosso lugar.” “Há duas coisas que ninguém perdoa: nossas vitórias e nossos fracassos.” “Por mais imbecil que você seja, sempre haverá um imbecil maior para achar que você não o é.”

“A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.” “O capitalismo é a exploração do homem pelo homem. O socialismo é o contrário.” “É melhor ser pessimista do que otimista. O pessimista fica feliz quando acerta e quando erra.” “O homem é um macaco que não deu certo.”

E a minha predileta: “Hoje em dia, a universidade é o local onde a ignorância é levada às últimas consequências.”

* FABIO ANGEOLETTO é professor do Mestrado em Geografia da UFMT. Twitter: @JupiterFulgor

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2 comentários sobre “Cinco anos sem Millôr Fernandes

  1. Que bom ler ou reler as centelhas do pensamento do Millor explodindo nessas frases que sempre nos surpreendem e ajudam a afastar a preguiça mental.

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